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Saiba como ajudar seus filhos a dormirem o suficiente na pandemia

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A implementação de boas práticas de higiene do sono em família é fundamental para evitar problemas a longo prazo

Manter uma rotina de sono é importante para todos, em especial para crianças – Foto: iStock

Neha Chaudhary

Dormir o suficiente era difícil mesmo antes da pandemia. Com as rotinas interrompidas, tempo extra em frente a telas de computadorea e celulares, e a grande quantidade de estresse que a maioria das pessoas enfrenta agora, as rotinas de sono parecem ter piorado de forma silenciosamente rápida. E pelo que estou vendo na minha prática de psiquiatria infantil, as crianças estão sofrendo ainda mais.

Considere o trabalho que nossos cérebros fazem o dia todo – pensar, sentir, tomar decisões e se preocupar com a família, amigos e até mesmo com nossa própria segurança. O sono é o único momento em que o cérebro descansa.

Para obter o suficiente desse descanso, a Academia Americana de Medicina do Sono recomenda de 10 a 13 horas de sono noturno para crianças de 3 a 5 anos de idade; 9 a 12 horas para crianças de 6 a 12 anos; e 8 a 10 horas para adolescentes. No entanto, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, apenas quatro em cada dez alunos do ensino fundamental e três em cada dez alunos do ensino médio estão dormindo o suficiente.

A falta de sono adequado não vem sem um custo alto. Estudos mostram que o sono insuficiente pode causar problemas a curto e longo prazo, incluindo não apenas cognição prejudicada, irritabilidade e falta de paciência, mas também diabetes e doenças cardíacas.

Grande parte da saúde emocional também está ligada ao sono e a ausência dele cria uma espiral descendente: problemas de humor ou ansiedade podem piorar o sono, e a falta de sono piora o humor e  a ansiedade. Nossa melhor aposta é quebrar o ciclo o mais rápido possível.

Eu sei que é mais fácil falar do que fazer, especialmente com dever de casa, hormônios e pressões da faculdade pairando sobre crianças e adolescentes – sem mencionar suas vidas sociais, ou a falta dela agora. Implementar boas práticas de higiene do sono em família é fundamental para pais e filhos.

Inicie uma rotina na hora de dormir

Aprendizagem à distância, trabalho em casa, falta de creche e dificuldades financeiras são algumas das razões pelas quais nossas rotinas estão diferentes hoje em dia. Uma boa rotina na hora de dormir é uma das partes mais importantes da higiene do sono.

Quanto mais consistente for a rotina da hora de dormir, mais os relógios biológicos de seus filhos permanecerão em dia e mais seus cérebros começarão a associar a rotina ao sono. Ter um relógio interno consistente também ajuda a regular o humor, o que, por sua vez, melhora ainda mais o sono.

Isso significa tentar manter as rotinas de sono e vigília durante o fim de semana o mais próximo possível dos dias da semana. É uma medida difícil, especialmente, para adolescentes, cujos relógios biológicos são programados naturalmente para descansar mais tarde, de forma que nem sempre corresponde ao dia na escola. Porém, quanto mais consistente for a rotina nos fins de semana, mais fácil será adormecer e acordar durante a semana, quando normalmente é o mais complicado.

Desacelere pelo menos uma hora antes de dormir

Faça atividades relaxantes, pelo menos uma hora antes de dormir, que fiquem longe de telas. Tentem ler juntos, montar um quebra-cabeça ou até mesmo contar histórias para crianças mais novas. As mais velhas podem tentar fazer um diário ou criar um ritual na hora de dormir, como escrever coisas pelas quais são gratas desde o dia. Essas atividades normalmente impedem nossas mentes de correr em direções diferentes durante o dia.

Mantenha as telas fora da hora de dormir

A luz azul que as telas emitem pode dizer ao seu cérebro que é hora de acordar – o oposto do que queremos antes de dormir. As crianças não devem apenas parar de usar seus telefones ou telas mais ou menos uma hora antes de dormir, mas também é melhor mantê-los fora do quarto para diminuir a tentação de usá-los, em razão da luz emitida que impede que o ambiente fique totalmente escuro. Isso significa laptops, tablets, sistemas de jogos e, sim, telefones celulares.

Na minha experiência, embora guardar os telefones possa ser uma decepção no início, muitas crianças mais velhas acham que se sentem liberadas, mais atentas e dormem muito melhor quando seus telefones são deixados em baldes na mesa de jantar e eles não os pegam até depois do café da manhã.

Crie um ambiente favorável ao sono

Além de eliminar dispositivos, a configuração correta do ambiente pode desempenhar um grande papel na qualidade do sono que você obtém. Você quer que seja aconchegante, convidativo e seguro. Tente manter os bichinhos de pelúcia favoritos do seu filho, brinquedos ou um símbolo de algo reconfortante perto de sua cama. A sala deve estar o mais escura possível (cortinas blackout funcionam) e a temperatura deve estar pendendo para o frio.

Tente não comer ou beber uma hora antes de dormir

Seu corpo trabalha muito para digerir os alimentos, extrair todos os seus nutrientes e transformá-los em energia. Você quer evitar que esse processo aconteça tarde da noite, porque não apenas certos alimentos, como açúcares, podem lhe dar uma explosão de energia logo antes de dormir — mas, se você não esperou o suficiente para dormir, isto pode ser uma receita para refluxo e desconforto estomacal.

Para os membros mais velhos da família, evite cafeína o máximo que puder, e não apenas antes de dormir. A cafeína a qualquer hora do dia, mesmo no final da manhã, pode afetar seu sono. Se você deseja um sono mais profundo e de melhor qualidade, corte o chá, o café ou os refrigerantes com cafeína do dia.

A leitura antes de dormir também pode ser uma boa atividade antes da hora de dormir – Foto: Annie Sprat via UnSplash

Tente meditação para dormir enquanto está na cama

Se seu filho está acordado na cama, peça-lhe que tente meditar. Pode reduzir o estresse e aumentar a liberação de substâncias químicas que fazem você se sentir relaxado e sonolento. A varredura corporal, por exemplo, é fácil de fazer.

Com os olhos fechados e o corpo imóvel, comece pela ponta da testa e, descendo, relaxe todos os músculos do rosto. Continue movendo-se para baixo de maneira a prestar atenção para as diferentes partes do corpo, relaxando os músculos enquanto “examina” essa área em sua mente. Muitas crianças com quem trabalhei me dizem que mal chegam aos braços antes de adormecer.

Fique na cama só para dormir

Também é útil para as crianças ficarem fora da cama para as demais atividades, incluindo dever de casa ou até mesmo ouvir música enquanto mandam mensagens para os amigos. Você quer que seu cérebro associe a cama ao sono e essa separação física pode ajudar.

Se meditação, contagem ou outras atividades não funcionarem e seu filho não conseguir dormir depois de 20 a 30 minutos, ele deve sair da cama e tentar uma atividade relaxante até sentir sono o suficiente para tentar dormir novamente. Isso ajuda o cérebro a continuar conectando a cama com estar sonolento, não acordado.

Seja modelo de boa higiene do sono

Como acontece com a maioria das coisas relacionadas aos pais, praticar o que você prega não apenas reforça a mensagem, mas mostra a seus filhos o que fazer. Ao implementar as mesmas técnicas que você espera deles, torna-se uma atividade familiar. Escolha alguns rituais noturnos em família, como um tempo de leitura sem tela após o jantar ou fazer uma meditação guiada e acompanhá-la juntos.

Fique atento a sinais de que seu filho está sofrendo com outros problemas

Se seu filho recentemente não está dormindo e possui dificuldades em outras áreas também – como falta de apetite, problemas de motivação, timidez ou humor irritável –, pode ser hora de procurar um pediatra, terapeuta ou psiquiatra para ver se há algo mais está acontecendo, como depressão ou ansiedade.

O cérebro é um dos nossos ativos mais preciosos e, como acontece com qualquer bem precioso, há maneiras de cuidar dele e nutri-lo para que possa fazer o seu trabalho da melhor maneira. Portanto, tudo começa – e termina – com o sono.

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Roubos caem em fevereiro no Acre, mas números ainda preocupam autoridades

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Estado soma 400 ocorrências em 2026; Rio Branco concentra mais de 70% dos casos

O número de roubos no Acre apresentou queda em fevereiro de 2026, mas os índices ainda acendem alerta. Segundo dados do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do Ministério Público do Acre, foram registradas 175 ocorrências no mês, entre casos consumados e tentados — uma redução em relação a janeiro, que contabilizou 225 registros. Ainda assim, o total acumulado no início do ano já chega a 400 casos.

Apesar da diminuição de 50 ocorrências, a criminalidade segue concentrada principalmente na capital, Rio Branco, que lidera com ampla margem: 128 casos, o equivalente a 73,14% de todos os registros no estado.

Na sequência aparecem Cruzeiro do Sul, com 19 ocorrências (10,86%), e municípios como Sena Madureira e Tarauacá, com cinco casos cada. Outras cidades também registram números menores, mas que contribuem para o cenário geral da violência.

Os dados apontam ainda dias com maior incidência de crimes. O sábado lidera, com 32 ocorrências, seguido por terça-feira (29) e quinta-feira (28). Já domingo, segunda e sexta-feira registraram 21 casos cada.

Entre os principais alvos dos criminosos, o celular aparece em destaque, sendo roubado em 71 ocorrências — quase metade do total (47,33%). Motocicletas (30 casos) e dinheiro (15) também figuram entre os itens mais visados, além de bolsas, carteiras e bicicletas.

Outro ponto de atenção é o uso de violência. Em 51 ocorrências houve utilização de arma de fogo, número significativamente superior aos casos com arma branca, que somaram 17 registros. A motocicleta também foi utilizada em 42 crimes, evidenciando a estratégia de agilidade adotada pelos criminosos.

O levantamento reforça a necessidade de intensificação das ações de segurança pública, especialmente nas áreas urbanas com maior concentração de ocorrências.

O sábado lidera o ranking, com 32 ocorrências, seguido por terça-feira (29) e quinta-feira (28). Já domingo, segunda e sexta-feira registraram o mesmo número: 21 casos cada. Foto: captada 

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Mecânico do Acre internado em Portugal após aneurisma aguarda cirurgia e família cobra apoio: ‘Sensação de negligência’

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Jair Maciel, de 28 anos, viajou para Portugal em novembro, passou mal em dezembro e está internado desde então em um hospital da cidade do Porto. Mecânico precisa passar por cirurgia, não consegue retornar para o Brasil e familiares relatam falta de respostas. Itamaraty diz que presta apoio

A família do mecânico Jair Maciel de Sales Júnior, de 28 anos, tenta trazê-lo de volta ao Acre após ele ser diagnosticado com um aneurisma dissecante da aorta, condição grave em que há dilatação anormal de um vaso arterial e ruptura da parede da aorta, e precisa passar por cirurgia.

Ele passou mal em dezembro do ano passado e está internado desde então em hospitais do país. Até este domingo (29), ele segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Centro Hospitalar Universitário de Santo António, na cidade do Porto, após ter sido transferido de outra unidade de saúde na mesma cidade.

A informação foi confirmada pela irmã, Ana Clara de Lima Queiroz. Segundo ela, Jair ficou cerca de três meses internado no Hospital Universitário de São João, também no Porto, antes de ser transferido na última quarta-feira (25) para o Centro Hospitalar Universitário de Santo António. A reportagem, o Itamaraty disse em nota que presta assistência consular cabível, incluindo orientação jurídica.

Fernanda Lima, irmã de Jair, explica a reportagem sobre o aneurisma que o irmão sofreu durante uma viagem em Portugal. Foto: captada 

No entanto, a família nega que tenha recebido assistência diante da tentativa de trazê-lo. Em resposta a um e-mail enviado pela irmã Fernanda Lima Queiroz em 19 de março, o Consulado do Brasil no Porto disse que não é competente para tratar da questão. “Apenas uma advogada do consulado que ligou para enviarmos um e-mail ao Hospital São João e gerar provas”, complementou.

Segundo Ana Clara, o quadro de saúde é considerado estável, mas ainda delicado. Jair sente dores intensas, faz uso diário de morfina e segue sob os cuidados de um casal de amigos, já que não possui familiares no país.

“Meu irmão está enfrentando uma situação de saúde muito grave. O que mais dói é a sensação de negligência e de não saber se ele está recebendo o cuidado que realmente precisa. A nossa família está sofrendo muito, e tudo o que queremos é que ele tenha um atendimento digno”, contou emocionada.

Jair e os irmãos são portadores da Síndrome de Marfan, que se manifesta através de problemas cardiovasculares.

“Provavelmente, esse aneurisma tem a ver com a síndrome que veio da família da minha mãe. Dos cinco filhos, os únicos com as características sou eu, o Jair e a minha irmã Fernanda”, disse Ana.

Caso

Jair saiu de Rio Branco no dia 4 de novembro do ano passado e chegou ao Porto dois dias depois. Segundo a família, ele viajou sozinho para visitar amigos e conhecer o país e essa foi a primeira viagem internacional dele, até que o quadro de saúde mudou drasticamente semanas depois.

No dia 20 de dezembro Jair passou mal em Portugal, foi levado ao hospital e internado imediatamente na UTI, onde recebeu o diagnóstico de dissecção da aorta. Após duas semanas, seguiu com tratamento no leito hospitalar.

“Tudo transcorria normalmente até que, no dia 20 de dezembro, recebemos a notícia de que ele havia passado mal e encaminhado ao hospital. Foi imediatamente internado na UTI, onde recebeu o diagnóstico”, disse Ana Clara.

Ainda segundo a irmã, a cirurgia que é necessária para a condição dele foi sucessivamente adiada. Inicialmente, a equipe médica informou que o procedimento não seria feito por falta de equipamento.

“Depois disseram que o equipamento havia chegado, mas que seria necessário estabilizar sua pressão arterial e, por último, informaram que aquele hospital não fazia o procedimento”, complementou.

Resposta do Consulado do Brasil no Porto sobre a situação do acreano em Portugal. Foto: Arquivo pessoal

Sem respostas

Sem familiares no país, a família conta que procurou resposta com o Hospital São João, primeira unidade hospitalar que o mecânico ficou internado, por diversos meios, contudo, não tiveram retorno.

Por falta de respostas efetivas, familiares fazem campanhas para custear despesas e também pedem apoio das autoridades brasileiras para intermediar o caso. “Minha mãe, que é enfermeira, está indo para Portugal no dia 3 de abril em busca de respostas e providências”, destacou.

A situação é agravada pela condição migratória de Jair. Ele entrou em Portugal como turista e ultrapassou o prazo de permanência de 90 dias. “A data da volta não sabíamos, mas o passaporte dele venceu agora em fevereiro e a pretensão dele era voltar bem antes disso”, disse Ana.

A irmã também contou que houve tentativas de encaminhamento de Jair para a Alemanha e Suíça, porém, acabou não acontecendo e até o momento não há definição sobre a realização da cirurgia.

Leia na íntegra a nota do Itamaraty

Informa-se que o Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil no Porto, tem conhecimento do caso e permanece em contato com a família, a quem tem sido prestada a assistência consular cabível, incluindo orientação jurídica.

A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Para conhecer as atribuições das repartições consulares do Brasil, recomenda-se consulta à seguinte seção do Portal Consular do Itamaraty: https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/assistencia-consular

Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não fornece informações sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros.

Jair Maciel de Sales Junior foi diagnosticado com um aneurisma dissecante da aorta em Portugal. Foto: Arquivo pessoal

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Mudança na telefonia fixa vai baratear ligações entre cidades do Acre

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A partir de 31 de maio, chamadas dentro do mesmo DDD terão custo local e discagem será simplificada

Segundo a Anatel, não haverá alteração automática nos números dos usuários. Qualquer mudança deverá ser justificada pelas prestadoras. Foto: captada 

A modernização da telefonia fixa no Brasil chegará ao Acre a partir de 31 de maio de 2026, quando ligações entre municípios com o mesmo DDD deixarão de ser consideradas de longa distância e passarão a ter tarifa de chamada local.

A mudança segue cronograma nacional definido pela Agência Nacional de Telecomunicações e já começou a ser implementada em estados do Sul, como Paraná e Santa Catarina. No Acre, a nova regra será aplicada junto com outros estados das regiões Norte e Centro-Oeste.

Com a alteração, as áreas locais da telefonia fixa passam a coincidir com os limites dos códigos DDD. Na prática, isso significa que chamadas entre cidades com o mesmo código terão custo reduzido, beneficiando consumidores e empresas.

Outra novidade é a simplificação na discagem. Para ligações entre telefones fixos dentro do mesmo DDD, não será mais necessário digitar o código da operadora nem o DDD — bastará informar o número do destino.

A medida também alinha a telefonia fixa ao modelo já adotado na telefonia móvel e deve estimular maior concorrência entre operadoras.

Segundo a Anatel, não haverá mudanças automáticas nos números dos usuários. Qualquer alteração deverá ser previamente justificada pelas prestadoras de serviço.

A implementação ocorre de forma gradual em todo o país desde janeiro de 2026 e deve ser concluída até junho, quando todas as regiões estarão adaptadas ao novo sistema.

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