Insatisfação com articulação política e preferência por candidaturas específicas colocam em risco apoio de Tadeu Hassem, Fernanda Hassem, Pedro Longo e Gene Diniz

O anúncio pegou o governo de surpresa. Ninguém do Palácio esperava tal movimento e com esse ato, um desordenamento em massa da base pode ocorrer para o outro lado. Foto: ilustrativa
Ao que tudo indica, a oficialização do deputado Eduardo Ribeiro para sair da base do governo e ingressar no apoio à pré-candidatura ao governo do senador Alan Rick (Republicanos) é só a primeira adesão de muitas que devem acontecer na base do governo. Foi o que apurou a redação do jornal ac24horas, relatando que a falta de articulação do Palácio Rio Branco e a preferência por algumas candidaturas podem implodir uma harmonia antes já questionada com o desgaste dos quase 8 anos da gestão progressista.
O primeiro a deixar o barco foi Eduardo, que tenta a reeleição e não tem apoio do governo, apesar de até pouco tempo ser uma das pessoas mais próximas do governador Gladson Cameli e ter ocupado o cargo de vice-líder na Aleac. A decisão foi tomada após uma reunião com a sua família e conta com o apoio do conselheiro aposentado Valmir Ribeiro, pai do parlamentar. O anúncio pegou o governo de surpresa. Ninguém do Palácio esperava tal movimento e com esse ato, um desordenamento em massa da base pode ocorrer para o outro lado.
Hassem na corda bamba
Quem está por um triz na base do governo é o deputado Tadeu Hassem, que já faz parte do Republicanos, mas que apoiava o governo em todas as pautas, sejam negativas ou positivas. Mas desde o final do ano passado, não vem tendo um diálogo saudável com o núcleo duro que cerca Gladson Cameli, que deixa o cargo em abril, e Mailza Assis, que assume o comando do Estado no mesmo período.
Em consequência desse movimento, a irmã do deputado, a ex-prefeita de Brasileia Fernanda Hassem, que é filiada ao PP e tem cargo no governo, sinaliza, ainda não oficialmente, apoiar a pré-candidatura de Alan Rick ao governo. A reportagem apurou que existe um convite em aberto para que ela possa compor a chapa do Republicanos como vice. Fernanda era cotada para ser candidata a deputada federal, mas como a sua sogra Vanda Milani também vai ser candidata, o cenário pela disputa do eleitorado fica acirrado, podendo as duas não se qualificarem entre as elegíveis.
Nos próximos dias, tanto Fernanda quanto Tadeu devem ter conversas mais aprofundadas tanto com aliados do governo quanto podendo chancelar também o apoio a Alan. “Estamos ainda no dia 17. Tudo pode acontecer, como também não pode acontecer nada. Vamos aguardar”, disse um dos interlocutores dos irmãos com reduto eleitoral no Alto Acre.
Cenário eleitoral no Alto Acre
A entrada dos Hassem na campanha de Alan poderia viabilizar uma situação mais vantajosa para o Republicanos, já que o campo político está minando na região do Juruá, onde Mailza conta com o apoio do MDB, das famílias Sales e Cameli e também do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nicolau Júnior (PP). “Pelo menos no Alto Acre, caso eles abracem o Alan, mesmo contra a estrutura do governo, o cenário poderia ser melhor viabilizado. Alan perde no Juruá, ganha ou empata no Alto Acre, tem vantagem em Rio Branco, e vai para o tudo ou nada em Tarauacá e Feijó”, disse um interlocutor.
Pedro Longo insatisfeito
Outro deputado que é da base, mas que está em Brasília tentando se viabilizar na disputa para federal, tem encontrado uma série de obstáculos. Pedro Longo aguarda uma definição do PSDB nacional, mas tem encontrado resistência no próprio governo. Pessoas próximas ao parlamentar alegam que a estrutura do governo está direcionada para dois candidatos, Fábio Rueda e Socorro Neri, e sem abertura, o parlamentar, que é juiz aposentado, também pode migrar para os partidos que cercam Alan Rick. Nos bastidores, a informação que circula é que Pedro pode entregar todos os cargos que tem influência dentro do governo.
Gene Diniz na berlinda
Outro que deve oficializar o desembarque nos próximos dias é o deputado Gene Diniz, irmão do prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz. Como teve recentemente os seus cargos no governo exonerados devido à crise do Palácio com o seu familiar, não resta outra opção senão ser candidato pelo outro lado. Nesta terça-feira (17), ele recebeu o convite do deputado Tanízio Sá para ingressar no MDB e ser candidato. Ele apenas disse que ficava feliz pelo convite, mas ponderou: “vou pensar”.
Incertezas com Mailza
Como Gladson não deixou o cargo, as conversas com a vice-governadora Mailza Assis têm sido apenas protocolares. “Ela não sinaliza nada antes de sentar na cadeira e o dia 4 está chegando. Todo mundo tem medo de ficar na mão por falta de uma definição”, disse um outro parlamentar da base que estuda ir para a oposição caso não ocorram definições rápidas.
Relacionado
Comentários
Você precisa fazer login para comentar.