A polícia divulgou um vídeo da chegadas dos agentes, o que surpreendeu os moradores.

Mitocôndria: operação apreende Dodge RAM , SW4, S10, Toro e bloqueia R$ 500 mil em contas de laranjas
Marcus José com redação do Ac24horas e Notícias da Hora

A 2ª fase da Operação Mitocôndria, batizada de “Lastro” pela Polícia Civil, deflagrada na manhã desta sexta-feira, 22, cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e 1 de condução coercitiva de um sobrinho de um deputado estadual que por decisão da justiça não pode ser citado nesta matéria.

A ação teve como alvos a residência e a sede de uma empresa de do empresário Manoel de Jesus, e seu sócio administrador formal. Os mandados de foram cumpridos em Rio Branco, Xapuri e Epitaciolândia, além de Porto Velho/RO e Comodoro/MT.

____________

Ao todo foram apreendidos, duas caminhonetes S10, uma Toyota SW4, duas pick-ups Toro e um DODGE RAM 2500 laramie. A ação policial conseguiu localizar cerca de R$ 21 mil em espécie e teve, por determinação judicial, o bloqueio de outras contas bancárias de empresas no valor de R$ 500.000,00.

____________

O objetivo desta fase foi arrecadar bens que possam fazer frente ao prejuízo aos cofres públicos do estado do Acre que, até o momento, no caso da merenda escolar, tem mais de R$ 2 milhões e meio confirmados.

Uma das cenas que mais chamou atenção foi o cumprimento de busca e apreensão no Condomínio Monterrey. A polícia divulgou um vídeo da chegadas dos agentes, o que surpreendeu os moradores.

O delegado responsável pela operação, Alcino Júnior, disse que ao todo nove carros de luxo avaliados em mais de R$ 800 mil devem ser apreendidos na ação. Seis já foram apreendidos. Além dos carros, foram bloqueados R$ 500 mil de contas bancárias dos investigados.

“Esses carros estavam no nome de uma empresa ligada ao investigado na primeira fase que foi preso. Foi feito busca e apreensão na sede de outra empresa ligada a essa mesmo investigado e na casa do sócio dele. Quase R$ 1,5 milhão em bloqueio nessa fase da operação. A ideia agora nessa segunda fase é tentar resguardar o ressarcimento do prejuízo do desvio de recurso público na merenda escolar”, afirmou o delegado.

A reportagem do ac24horas apurou que o sobrinho do empresário preso tinha apenas 19 anos de idade e alegou que nem sabia que tinha carros caros em nome de uma empresa. A polícia deve aprofundar ainda mais as investigações e uma terceira fase ainda não está descartada.

Assista ao vídeo:

O delegado Alcino Junior, coordenador das investigações, afirmou que o trabalho policial com o objetivo de desvendar o esquema da máfia da merenda terá novos desdobramentos.

“O que são esses desvios. São notas fiscais pagas a fornecedores e que não foram fornecidos. São rastros de lavagem de dinheiro. Nesse mês, entre a primeira e a segunda fase a gente conseguiu identificar veículos em nome de uma outra empresa também em sociedade com um dos investigados presos na primeira fase e seu sobrinho de 19 anos. O objetivo foi trazer esses bens para que a gente consiga alienação antecipada e ao final do processo o ressarcimento ao erário estadual”, disse o delegado.

Primeira fase

Após dois meses de investigação, a Polícia Civil deflagrou, no dia 8 de abril desse ano, a Operação Mitocôndria em cidades do Acre. A ação, segundo a polícia, é para frear desvio de recursos da merenda escolar no estado.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão temporária e 20 de busca e apreensão nas sedes de quatro empresas na capital, Tarauacá e Xapuri, além dos depósitos de merenda escolar da Secretaria de Educação em Rio Branco, Tarauacá, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul.

Cinco pessoas foram presas no dia da operação, entre elas um sobrinho do deputado Manoel Moraes. O filho e o cunhado do deputado Manoel Moraes (PSB-AC), Cristian da Silva Sales e Manoel de Jesus Leite, respectivamente, chegaram a ser considerados foragidos, mas se apresentaram na delegacia no dia 11 de abril.

Segundo a polícia, empresários e servidores públicos atuavam em “conluio” para garantir o desvio de recursos da merenda escolar no estado.

No dia 15 de abril, o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) informou que todos os sete presos já estavam em liberdade.

Desvio pode chegar a R$ 22 milhões

Estão entre as práticas cometidas, produtos e itens com qualidade inferior ao contratado ou em quantidade menor, além de falsificação de documento público, falsidade ideológica e associação criminosa.

Segunda fase da Operação Mitocôndrias foi deflagrada nesta sexta-feira (22) — Foto: Asscom/Polícia Civil

A polícia acredita que o valor do desvio pode chegar a R$ 22 milhões. Os investigados tiveram R$ 5 milhões bloqueados de suas contas. Além disso, a Justiça tornou temporariamente indisponíveis bens móveis, imóveis, entre outros.

“Houve um bloqueio inicial de R$ 500 mil por investigado, então, como eu tenho sete pessoas, inicialmente, diretamente envolvidas e quatro empresas. Estou falando de valores bancários nessas contas correntes e isso já é para fazer frente à eventual devolução ao erário público. Alguns carros foram apreendidos, qualquer tipo de gado que esteja registrado no Idaf também está indisponibilizado para transferência”, complementou o delegado Alcino Júnior, coordenador da operação.

Os envolvidos devem responder conforme a Lei de Licitações e Contratos Públicos. Ao todo, cinco pessoas foram presas e duas são consideradas foragidas, já que não foram localizadas.

Polícia cumpre mandados de prisão em operação que investiga desvio de dinheiro da merenda escolar no AC — Foto: Asscom/Polícia Civil

SEE se diz a favor das investigações

A Secretaria de Educação, Cultura e Esportes (SEE) disse que é a favor das investigações e ainda falou que o primeiro pedido de auditoria foi feito no dia 18 de março de 2019 para que tanto o Tribunal de Contas quanto os demais órgãos fiscalizadores averiguassem, já naquele momento, quaisquer indícios de irregularidades que pudessem haver na SEE.

A pasta alegou também que nunca deixou de averiguar a qualidade da merenda escolar ofertada aos estudantes. Inclusive diz que foi encaminhado, em janeiro deste ano, mais um ofício aos órgãos fiscalizadores para que as investigações em torno da merenda fossem aprofundadas.

Comentários