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Entenda o caso da potencial violação antidoping da jogadora Tandara

Oposta da seleção de vôlei feminino ficou fora da semi e da final em Tóquio; especialistas explicam o episódio e seus possíveis desdobramentos

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Tandara foi suspensa por potencial violação de regra antidopagem – Foto: Wander Roberto/COB.

 

Oposta da seleção brasileira de vôlei, Tandara Caixeta teve de deixar os Jogos Olímpicos de Tóquio por conta de uma potencial violação antidoping. Especialistas em medicina esportiva ouvidos pela reportagem explicam que a substância encontrada no corpo da jogadora, a ostarina, é um tipo de anabolizante que aumenta a potência muscular.

Eles afirmam, porém, que Tandara também pode ter sido vítima de uma contaminação cruzada. Isso ocorre quando, por exemplo, um suplemento ou medicamento usado pelo atleta apresenta a substância, o que pode acontecer por acidente ou descuido do fornecedor, e o esportista não sabe. Outra hipótese é a ingestão de um produto que contenha a substância, sem que ela esteja descrita no rótulo.

Suspensa provisoriamente depois de ser comunicada que seu teste deu positivo, a jogadora embarcou do Japão para o Brasil antes mesmo da vitória da seleção contra a Coreia do Sul, por 3 sets a 0, pelas semifinais. O Brasil está na final contra os Estados Unidos.

Mesmo com o resultado positivo de Tandara no teste, a seleção brasileira feminina não corre o risco de ser desclassificada e perder a medalha – a de prata já está garantida, e o time vai em busca do ouro.

Entenda o exame antidoping realizado por Tandara, o resultado e os próximos passos.

Quando e onde foi realizado o teste em Tandara?

A coleta do material biológico foi realizada fora de competição, no dia 7 de julho, no Centro de Treinamento de vôlei de quadra da seleção, em Saquarema, no Rio de Janeiro. O exame foi feito pelo Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), único credenciado pela WADA, a Agência Mundial Antidoping, na América Latina.

Quando a oposta soube do resultado?

A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) informou que Tandara recebeu o resultado no último dia 5. No mesmo dia, foi feito o anúncio de que ela estava suspensa.

Apenas Tandara foi testada na seleção?

Não. A ABCD informou que, na ocasião, todas as demais atletas da equipe também forneceram o material.

Que substância foi encontrada no exame de Tandara?

Foi constatada na urina a presença da substância ostarina, proibida em competição e fora de competição. É um tipo de anabolizante. “Essa substância estimula a formação de músculos e, por isso, é considerado um doping. Aumenta a força e a potência muscular”, explica Fernanda Lima, médica do esporte do ambulatório de medicina esportiva do Hospital das Clínicas da USP. A médica afirma que a ostarina não é uma medicação autorizada pela Anvisa e sua prescrição é proibida no Brasil. Dependendo da dose, substâncias desse tipo podem ficar até cinco dias no corpo, mas média comum é de 12 a 36 horas.

Tandara pode ter ingerido a substância de forma acidental?

Sim, é uma hipótese, e a jogadora deve alegar isso em sua defesa. “Essas contaminações podem ser acidentais em caso de produto manipulado ou se o atleta usa suplemento que vem de fora e que não tem uma regulação pelo órgão do país”, diz Fernanda.

Gustavo Magliocca, médico do exercício do esporte e coordenador médico do Palmeiras, concorda. “Está com cara de contaminação cruzada, quando a atleta faz uso de um suplemento ou medicamento e ela não sabia que estava contaminada com a substância proibida”, afirma, completando: “Independentemente disso, o atleta é responsável por tudo que é encontrado em seu corpo. Por isso que ela vai ser questionada e julgada.”

Especulou-se que um remédio para controle de ciclo menstrual poderia ter sido o responsável pelo resultado positivo. É possível?

Segundo os médicos ouvidos essa hipótese é pouco provável porque não é habitual que medicações para este fim tenham esse tipo de substância.

Em nota, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) informou que “os medicamentos usados para controle menstrual pela oposta da seleção brasileira de vôlei, Tandara, eram, sim, de conhecimento do departamento médico da equipe nacional, que inclusive, instruiu, na época, a ginecologista da atleta sobre alguns remédios/componentes proibidos”. A nota diz ainda que “a substância detectada no exame realizado e divulgado pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) não apresenta relação com esses remédios, pois a ostarina se trata de uma substância anabolizante”.

Por que Tandara foi suspensa provisoriamente?

Pelo Código Brasileiro Antidopagem, a detecção da substância proibida implica na aplicação obrigatória de uma suspensão provisória da atleta assim que o resultado é conhecido. A ABCD informou em nota que seguirá os trâmites processuais do caso em sigilo para proteger os direitos da atleta.

O Brasil pode perder a medalha nas Olimpíadas se o doping de Tandara for confirmado?

Até o momento, não. Isso porque o regulamento dos esportes coletivos das Olimpíadas prevê punição como anulação de resultados caso a equipe tenha duas ou mais atletas flagradas em exame antidoping.

O que Tandara disse sobre o resultado do teste?

A atleta não concedeu entrevistas, mas, em suas redes sociais, publicou: “A atleta Tandara Caixeta está trabalhando em sua defesa e só se manifestará após a conclusão do caso. Agradecemos o carinho de todos vocês!”. Na tarde desta sexta-feira (6), seu advogado, Marcelo Franklin, divulgou uma nota oficial em que afirma que o “inesperado e abrupto corte da delegação configura situação extremamente desgastante e traumática para qualquer atleta”.

Qual deve ser a linha de defesa da jogadora?

Em nota, o advogado da jogadora, Marcelo Franklin, declarou: “Confiamos plenamente que comprovaremos que a substância ostarina entrou acidentalmente no organismo da atleta e que não foi utilizada para fins de performance esportiva”.  No posicionamento, Franklin diz que, anualmente, são realizados cerca de 263 mil exames antidopagem no mundo, dos quais 0,97% apresentam resultado analítico adverso. Dessa porcentagem, menos de 0,40% dos casos de doping são de uso intencional de substâncias proibidas. O advogado afirma ainda que “recentemente, inúmeros atletas no Brasil foram vítimas de incidentes envolvendo a ostarina”, a ponto de a Anvisa intervir para proibir a comercialização de tal substância em território nacional.

A contraprova já foi realizada?

Depois que a amostra A dá positivo, o atleta tem direito a pedir e acompanhar a realização da contraprova (amostra B), que fica guardada com lacre no laboratório. Até o momento, esse segundo teste não foi realizado. É por isso que o primeiro resultado positivo é divulgado como “potencial” violação de regra antidopagem, como veio escrito nas comunicações do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). É um cuidado enquanto não sai o resultado da contraprova ou o atleta não confirma a ingestão da substância proibida, ainda que por acidente.

O que acontece se a amostra B não comprovar o resultado da amostra A?

Quando isso acontece, o processo não vai adiante.

Tandara fica suspensa até o julgamento final do caso?

Não necessariamente. A defesa pode pedir uma audiência especial no Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJDAD), órgão que faz os julgamentos desses casos, e solicitar o levantamento da suspensão provisória. Dessa forma, sua situação seria analisada por umas das três turmas no Tribunal.

Como é o julgamento?

Os casos de doping no Brasil são julgados pelo Tribunal de Justiça Antidopagem (TJDAD). O caso é analisado por uma das três turmas. Cada uma tem três auditores. A segunda instância é o Plenário do tribunal, que conta com 18 auditores. É a eles que o atleta ou a procuradoria recorre em caso de discordância da pena.

Que punições Tandara pode sofrer se o doping for confirmado?

As punições por doping no Brasil variam de advertência a suspensão por até quatro anos. Com a advertência, o atleta não é suspenso, mas perde a condição de primariedade. Ou seja, se testar positivo em outro exame antidoping, enfrentará um julgamento mais duro. As suspensões podem ser de alguns meses ou chegar a quatro anos (geralmente aplicado a casos mais reincidentes), mas tudo depende das informações do relatório da ABCD e da acusação feita pelo procurador responsável. Durante o período de suspensão, o atleta não pode nem mesmo treinar de forma oficial.

Se a ingestão da substância foi involuntária, o que acontece?

O Código Mundial Antidopagem informa que é responsabilidade de cada atleta assegurar que nenhuma substância proibida seja ingerida ou entre em contato com seu corpo. Por isso, dizer que não houve intenção, culpa, negligência ou qualquer outra justificativa não elimina a violação das regras antidopagem, no entendimento da Agência Mundial Antidoping. Pelas regras internacionais, toda substância proibida detectada nos testes de controle será considerada dopagem, independentemente da quantidade.

O que a CBV disse sobre o resultado do teste?

A CBV publicou nota na quinta-feira (5) após receber a notificação do resultado do teste de Tandara. “A CBV lamenta que a atleta, campeã olímpica e uma das principais referências da equipe brasileira, atravesse este momento, e aguarda os resultados dos trâmites processuais, cujo conteúdo é de caráter particular da atleta e confidencial”. A CBV também informou que todos os medicamentos que a atleta tomava, de conhecimento do médico, são permitidos.

O COB se pronunciou sobre o caso?

O COB divulgou também na última quinta-feira, 5, uma nota, a única a respeito do assunto. Disse que havia recebido através da ABCD, a notificação quanto à “suspensão provisória por potencial violação de regra antidopagem” de Tandara e comunicou que ela retornaria ao Brasil.  Em suas notas, nem a CBV e nem o COB informavam a substância encontrada no corpo da oposta. A confirmação veio por meio da ABCD.

Por que Tandara foi testada se não estava competindo ou nos Jogos Olímpicos ainda?

O atleta pode ser testado fora de competição, podendo ser abordado por um oficial de controle de Dopagem até mesmo em casa ou em seu local de treinamento, por exemplo. Isso é feito para haver o fator surpresa, para impedir que atletas mascarem a dopagem ao interromper o uso da droga e limpar o organismo antes do início de uma prova.

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OAB/AC realiza atendimento especial ao consumidor em ação no Via Verde Shopping

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Ação de atendimento e orientação gratuita foi realizada no Via Verde Shopping, em Rio Branco. Foto: Asscom/OAB-AC

Em alusão ao Dia do Consumidor, celebrado em 15 de março, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC), por meio da Comissão de Defesa do Consumidor, realizou nesta segunda-feira, 16, uma ação de atendimento e orientação gratuita à população no Via Verde Shopping, em Rio Branco.

Durante a atividade, advogados integrantes da comissão estiveram à disposição para esclarecer dúvidas e orientar consumidores sobre direitos e deveres nas relações de consumo, contribuindo para ampliar o acesso à informação e fortalecer práticas mais equilibradas entre consumidores e fornecedores.

A presidente em exercício da OAB/AC, Thaís Moura, destacou que iniciativas como essa fazem parte do compromisso institucional da Ordem com a sociedade.

“A OAB/AC, por meio da Comissão de Defesa do Consumidor, tem realizado diversas ações como essa. Isso reforça o nosso compromisso com a sociedade por relações de consumo mais transparentes, mais justas e mais equilibradas”, afirmou.

De acordo com o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Rafael Vieira, a ação integra as atividades alusivas ao Dia Internacional do Consumidor, comemorado no dia 15 de março, e busca aproximar a advocacia da população.

Durante a atividade, advogados integrantes da comissão estiveram à disposição para esclarecer dúvidas e orientar consumidores sobre direitos e deveres nas relações de consumo. Foto: Asscom/OAB-AC

“Estamos aqui em uma ação itinerante em comemoração ao Dia Internacional do Consumidor. A comissão está à disposição da sociedade para orientar e esclarecer dúvidas sobre direitos do consumidor”, explicou.

A iniciativa também foi bem recebida por quem atua do outro lado da relação de consumo. Para o fornecedor Fabrício Freitas, ações educativas contribuem para que consumidores e empresas compreendam melhor seus direitos e responsabilidades.

“É muito interessante essa iniciativa de trazer informações sobre direitos do consumidor. Muitas vezes as pessoas não conhecem bem essas leis, e quando o consumidor aprende mais sobre isso, acaba trazendo mais segurança para todos”, comentou.

A ação integrou a programação institucional da OAB/AC voltada à promoção da cidadania e ao fortalecimento das relações de consumo no estado.

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Detran divulga novo calendário de licenciamento 2026 no Acre; prazos começam em maio

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Cronograma foi atualizado no Diário Oficial e segue até outubro, conforme o final da placa dos veículos

Os proprietários de veículos no Acre devem ficar atentos ao novo calendário de licenciamento anual de 2026, divulgado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A mudança foi publicada na edição desta terça-feira (17) do Diário Oficial do Estado (DOE) e já está em vigor em todo o estado.

De acordo com a nova portaria, os prazos de regularização começam no final de maio e seguem até outubro, sendo definidos conforme o número final da placa dos veículos.

Os automóveis com placas terminadas em 1 e 2 devem ser licenciados até o dia 29 de maio. Já os finais 3 e 4 têm prazo até 30 de junho. Para placas com final 5 e 6, o vencimento ocorre em 31 de julho, enquanto os veículos com final 7 e 8 devem regularizar a situação até 31 de agosto.

Os proprietários de veículos com placas terminadas em 9 têm até o dia 30 de setembro para realizar o licenciamento. Já aqueles com final 0 devem cumprir a obrigação até o dia 30 de outubro.

A nova medida substitui a portaria anterior, publicada em dezembro de 2025, e busca alinhar o cronograma ao calendário do IPVA deste ano. Segundo o Detran, a alteração tem como objetivo organizar o fluxo de atendimento e evitar sobrecargas no sistema ao longo dos meses.

O órgão alerta que circular com o licenciamento em atraso configura infração. Nesses casos, o motorista pode ser multado, além de ter o veículo apreendido durante fiscalizações.

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Estudantes do Colégio Militar Dom Pedro II conquistam medalhas na Olimpíada de Química Quimeninas 2025

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O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), destacou o desempenho de estudantes do Colégio Militar Dom Pedro II na Olimpíada de Química Quimeninas 2025. A cerimônia de premiação foi realizada nesta segunda-feira, 16, no Teatro dos Náuas.

Ao todo, a unidade escolar conquistou 10 medalhas, sendo 5 em nível estadual e 5 na Região Norte, além de certificados e menções honrosas. A olimpíada tem como objetivo incentivar a participação feminina nas Ciências da Natureza e integra o Programa Nacional Olimpíadas de Química.

Estudantes medalhistas recebem reconhecimento no Teatro dos Náuas. Foto: cedida

Estudantes do 9º ano obtiveram três medalhas estaduais: Clara de Lima Rodrigues (ouro), Ana Luiza Almeida de Andrade (prata) e Yasmin Ferreira Soares (bronze). Na etapa da Região Norte, o Colégio Militar Dom Pedro II  conquistou cinco medalhas: ouro para Clara de Lima Rodrigues e Ana Luiza Almeida de Andrade; prata para Yasmin Ferreira Soares e Grazielen Costa de Araújo; e bronze para Clívia Ketlyn da Silva.

Já as estudantes do 1º ano do ensino médio, conquistaram duas medalhas estaduais: Francisca Luana Costa dos Reis (prata) e Isis Karolainy Machado de Moraes (bronze). Na Região Norte, as duas estudantes conquistaram medalhas de prata.

Entre os destaques está Isis Karolainy Machado de Moraes, que recebeu três premiações: medalha de bronze em nível estadual, medalha de prata na Região Norte e certificado de menção honrosa.

De acordo com o diretor do Colégio Militar Dom Pedro II, capitão José dos Santos Corrêa, os resultados refletem o trabalho desenvolvido pela escola. “Essas conquistas são resultado da dedicação das estudantes, do trabalho dos professores e de uma política que incentiva a participação em olimpíadas. Esses espaços ampliam o aprendizado e contribuem para o desenvolvimento dos estudantes”, afirmou.

A estudante Isis também destacou a importância do apoio recebido. “Participar da olimpíada me fez estudar mais e acreditar no meu potencial. O apoio dos professores fez diferença”, declarou.

Gerido pela SEE, o Colégio Militar Dom Pedro II desenvolve ações voltadas ao incentivo de olimpíadas científicas como estratégia para fortalecer o desempenho escolar e ampliar oportunidades para os estudantes.










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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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