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Dos seringais ao oficialato: bombeiro militar do Acre inspira jovens a transformar os estudos em caminho para o sucesso
Após concluir o curso de formação, foi lotado no então 5º Batalhão, no Alto Acre, em Epitaciolândia. Entre 2007 e 2012, atuou como soldado, período em que acumulou experiência operacional e consolidou sua vocação para a atividade bombeirística

História de Alferino é um exemplo de perseverança e um compromisso permanente com o estudo e o serviço público – Foto: Raimari Cardoso
Redação Raimari Cardoso – Portal Acre
A trajetória do 2º Tenente do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), Alferino Cândido Ângelo Neto, se confunde com a de milhares de brasileiros que enxergaram na educação o principal caminho para a ascensão social. Nascido em Xapuri, em 18 de janeiro de 1982, filho dos agricultores de subsistência José Benedito e Maria Izabel, casado com Ebony Valadão e pai de Dhiego, Anthony e Ruthe, ele construiu sua história a partir de escolhas difíceis, perseverança e um compromisso permanente com o estudo e o serviço público.
Alferino iniciou a vida escolar aos 10 anos, na comunidade rural União Baiana, na escola Sagrado Coração de Jesus, onde cursou o ensino primário entre 1991 e 1994. Pouco depois, precisou interromper os estudos para ajudar os pais no trabalho agrícola. A pausa, no entanto, não significou desistência. O sonho de voltar à sala de aula e ingressar no Corpo de Bombeiros Militar permaneceu vivo. “Naquele período, a prioridade era ajudar minha família. Mesmo longe da escola, eu nunca deixei de pensar que um dia iria voltar a estudar e buscar algo melhor”, relembra.
O retorno aos estudos ocorreu em 1999, quando já tinha 17 anos. A partir dali, a trajetória escolar seguiu sem novas interrupções até a conclusão do ensino médio, em 2005. Em seguida, veio a preparação para o concurso público que mudaria definitivamente seu destino. Aprovado no certame do CBMAC, ingressou na corporação em 1º de agosto de 2007 como aluno soldado.
Após concluir o curso de formação, foi lotado no então 5º Batalhão, no Alto Acre, em Epitaciolândia. Entre 2007 e 2012, atuou como soldado, período em que acumulou experiência operacional e consolidou sua vocação para a atividade bombeirística. “Entrar no Corpo de Bombeiros foi a certeza de que todo o esforço tinha valido a pena. Ali começou uma nova etapa da minha vida”, destaca.

2º Tenente do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), Alferino Cândido Ângelo Neto, com a esposa e os três filhos. Foto: Acervo pessoal
A carreira seguiu em ascensão: cabo, terceiro-sargento, segundo-sargento e primeiro-sargento, graduação na qual permaneceu até dezembro de 2022. Paralelamente, Alferino investiu na formação acadêmica, graduando-se como Tecnólogo em Gestão Ambiental pela Universidade Norte do Paraná, no polo de Brasiléia, além de participar de diversos cursos de especialização na área operacional.
Em 2019, solicitou transferência para o Batalhão de Xapuri, atendendo a um desejo pessoal de servir à comunidade onde nasceu. Em 2022, foi promovido a subtenente e, após concluir o Curso de Habilitação de Oficial Administrativo, alcançou, em abril de 2024, o primeiro posto do oficialato: 2º Tenente BM.
Ao longo de quase 19 anos de serviço, Alferino participou de inúmeras ocorrências, incluindo buscas e salvamentos em áreas de difícil acesso, mergulhos, cortes de árvores e ações de resposta a diferentes tipos de emergência. Atualmente, exerce a função de subcomandante do 8º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar, em Xapuri, coordenando ações de prevenção, combate a incêndios florestais e estruturais, proteção ambiental e resgate de pessoas e animais.
Ao refletir sobre sua trajetória, o oficial resume a própria história como uma mensagem direta às novas gerações. “Eu comecei a estudar tarde, enfrentei muitas dificuldades e pensei várias vezes que não conseguiria. Mas nunca deixei de acreditar. O estudo mudou a minha vida e pode mudar a de qualquer jovem que não desista dos seus sonhos, por mais impossível que eles pareçam”, afirma.
Para o oficial, a conquista representa a realização de um sonho construído com apoio coletivo. Ele reconhece a importância da fé, do incentivo da família e do papel decisivo dos professores que fizeram parte de sua formação. Mais do que um relato pessoal, sua história é apresentada como mensagem aos jovens de que nunca é tarde para estudar e desistir dos sonhos não pode ser uma opção, mesmo quando o caminho parece impossível.
Em um estado marcado por desafios sociais e geográficos, a trajetória de Ângelo Neto, como é conhecido na caserna, reafirma uma lição simples e poderosa de que a educação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes de transformação individual e coletiva, e a escola a porta de entrada e o caminho mais eficaz para a formação de novos Alferinos.

História de Alferino mostra que a educação educação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes de transformação individual e coletiva – Foto: Raimari Cardoso
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As equipes das escolas Jader Machado, no feminino, e Clícia Gadelha, no masculino, começam a disputar a partir deste domingo, 22, em Aracajú, Sergipe, o Campeonato Brasileiro de Handebol Sub-18. A delegação acreana embarcou para a cidade sede do evento na madrugada deste sábado, 21. A Confederação Brasileira do Desporto Escolar(CBDE) vai promover campeonatos nacionais de handebol, vôlei, basquete e futebol. “Esse é a primeira …
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Depois da parada para o Carnaval, a fase de classificação da Copinha Arasuper volta a ser disputada neste domingo, 21, a partir das 8 horas, no ginásio do Sesc. A 5ª rodada do torneio nas categorias Sub-10, 12 e 14 deve definir os primeiros classificados para a segunda fase. “Vamos ter jogos decisivos. Isso valoriza ainda mais a rodada deste domingo”, declarou o coordenador da …
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Semulher do Acre repudia decisão do TJMG que absolveu homem acusado de estuprar criança de 12 anos
Secretária Márdhia El Shawwa afirma que entendimento da Corte mineira “fragiliza o sistema de proteção às vítimas” e contraria legislação brasileira

Secretária Márdhia El Shawwa se manifestou após decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem acusado de estupro de vulnerável contra uma criança de 12 anos. Foto: captada
A Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) se manifestou publicamente neste sábado (21) após decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma criança de 12 anos .
Em nota assinada pela secretária Márdhia El Shawwa, a pasta lamentou o entendimento da Corte mineira e afirmou que decisões dessa natureza fragilizam o sistema de proteção às vítimas e podem desestimular denúncias .
Fundamentação jurídica e reação
Segundo a secretaria, a legislação brasileira é clara ao estabelecer que menores de 14 anos não podem consentir relações sexuais, sendo essa uma proteção considerada absoluta . O artigo 217-A do Código Penal tipifica como estupro de vulnerável a conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 14 anos, independentemente de consentimento, experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso.
A decisão do TJMG, proferida pela 9ª Câmara Criminal Especializada, aplicou a técnica do distinguishing para afastar a aplicação da Súmula 593 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabelece a presunção absoluta de violência nesses casos. O relator, desembargador Magid Nauef Láuar, argumentou que o relacionamento entre o acusado e a vítima teria sido “consensual” e contaria com “aquiescência dos genitores”.
Para a Semulher, qualquer interpretação que relativize essa regra coloca em risco a garantia de direitos de crianças e adolescentes.
Impactos e repercussão nacional
A manifestação também destaca preocupação com os impactos sociais da decisão, apontando que ela pode gerar insegurança jurídica e transmitir uma mensagem de permissividade a possíveis agressores .
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) já informou que vai recorrer da decisão, sustentando que a vulnerabilidade de menores de 14 anos é absoluta e que a dignidade sexual é bem jurídico indisponível. O caso também gerou reações de parlamentares de diferentes espectros políticos e do Ministério dos Direitos Humanos, que repudiaram a relativização do crime.
A secretaria declarou solidariedade à vítima e à família e reafirmou compromisso com a defesa dos direitos de meninas e mulheres.

Confira a nota na íntegra:
Nota pública sobre decisão proferida pelo TJMG
A Secretaria de Estado da Mulher, no cumprimento de sua missão institucional de zelar pela integridade, lamenta a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que absolveu um homem de 35 anos do crime de estupro de vulnerável contra uma criança de 12 anos.
Decisões desta natureza ignoram o trauma sofrido, invalidam a voz da vítima e, principalmente, adulteram a infância de nossas crianças. E para além disso, abre-se um precedente perigoso, criando brechas jurídicas que fragilizam o Sistema de Garantia de Direitos. Adicionalmente, a referida decisão gera insegurança jurídica, visto que desestimula a denúncia e passa uma mensagem de permissividade a potenciais agressores em todo o país.
A legislação brasileira é muito clara ao afirmar que menores de 14 anos não podem consentir relações sexuais. É uma proteção que deve ser absoluta, impedindo a transferência de responsabilidade para as vítimas, uma vez que crianças e adolescentes não possuem maturidade psicológica para tal.
Como instituição pública, não podemos aceitar que o Judiciário, guardião da Constituição e das leis, caminhe em sentido contrário à proteção integral de meninas e mulheres, especialmente na fase da infância e juventude. A justiça deve servir para amparar os vulneráveis, e não para validar abusos sob justificativas subjetivas que ignoram o texto legal.
Manifestamos nossa solidariedade à vítima e sua família e reafirmamos, mais uma vez, o nosso compromisso público na luta pela proteção e garantia de direitos de meninas e mulheres.
Márdhia El Shawwa
Secretária de Estado da Mulher

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