Cotidiano
BR-364 no Acre: entre o caos e a promessa de recuperação
Motoristas relatam prejuízos e sofrimento em rodovia esburacada; DNIT promete obras estruturantes a partir de maio

Os serviços de tapa-buraco realizados nos últimos meses são apenas paliativos e obras estruturais devem começar em maio. Foto: captada
A BR-364, principal via terrestre que conecta Rio Branco a Cruzeiro do Sul, enfrenta uma situação crítica. Buracos profundos, trechos destruídos e caminhões quebrados às margens da estrada transformam o percurso de 600 km em uma jornada de até 20 horas, muito além das 8 a 12 horas que seriam razoáveis para o trajeto.
Motoristas que dependem diariamente da rodovia desabafam sobre as dificuldades enfrentadas. “É muito sofrimento. Essa estrada é muito sofrimento para nós. Tem que ter uma melhoria porque não tem como”, disse o taxista Antônio José, que há 27 anos percorre o trecho. Já Eduardo Freitas destacou o impacto financeiro: “Estraga o carro, quebra tudo. É muito difícil. A gente pede socorro ao poder público.”
Os relatos refletem uma realidade que se arrasta há anos. Desde 2016, motoristas, empresários e moradores denunciam as dificuldades para percorrer a rodovia, que em períodos críticos pode ter o tempo de viagem estendido para até 36 horas. Caminhoneiros apontam ainda que a precariedade causa acidentes e encarece o transporte de mercadorias, afetando diretamente o custo de vida no estado.
Ações emergenciais em andamento
Diante do caos, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou nos últimos dias uma força-tarefa emergencial para melhorar as condições mínimas de trafegabilidade. Com a redução do período chuvoso, as equipes intensificaram os serviços de tapa-buracos ao longo da rodovia.
Segundo o superintendente regional do DNIT, Ricardo Araújo, a prioridade imediata é a recuperação emergencial da pista. “O mais importante é cumprir o compromisso de que os meses de fevereiro, março e abril seriam para recuperar e tampar os buracos, para dar mais conforto à população”, afirmou.

Buracos profundos, trechos destruídos e caminhões quebrados às margens da estrada transformam o percurso de 600 km em uma jornada de até 20 horas. Foto: captada
As ações estão concentradas em pontos críticos da rodovia:
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Rio Branco a Sena Madureira: serviços de tapa-buracos e correção de deslizamentos em fase avançada, com previsão de conclusão ainda em março.
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Sena Madureira a Manoel Urbano: equipes atuam em áreas com processos erosivos considerados mais perigosos.
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Manoel Urbano a Tarauacá: aplicação de camada de pedra para melhorar a trafegabilidade, com recapeamento asfáltico previsto para começar ainda em março, alcançando o distrito de Liberdade.
Obras estruturantes prometidas para maio
Apesar das reclamações, Ricardo Araújo garante que os recursos para recuperação da via já foram aprovados e que os serviços de tapa-buracos são apenas paliativos. As obras estruturais devem começar em maio, período em que o chamado verão amazônico oferece melhores condições climáticas para intervenções mais robustas.

Buracos profundos, trechos destruídos e caminhões quebrados às margens da estrada transformam o percurso de 600 km em uma jornada de até 20 horas. Foto: captada
O plano prevê:
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Reforço no pavimento com aplicação de macadame hidráulico (técnica que utiliza pedras britadas compactadas para formar uma base resistente)
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Regularização da plataforma da estrada
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Recapeamento asfáltico em trechos da variante
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Recuperação de pontos críticos afetados por erosões
Novos contratos e licitações
O DNIT informou que está em fase final a formalização de um novo contrato referente ao chamado lote 10 da BR-364, com expectativa de que uma nova empresa assuma o trecho em breve, ampliando as frentes de trabalho na rodovia.

Os serviços de tapa-buraco realizados nos últimos meses são apenas paliativos e obras estruturais devem começar em maio. Foto: captada
Além disso, o projeto de pavimentação dos primeiros 100 km, entre Sena Madureira e a ponte do Macapá (ou 20 km após Manoel Urbano), deve ser licitado ainda em março. O segundo lote, que deve cobrir o trecho de Manoel Urbano até Feijó, está previsto para junho e julho.
De acordo com informações divulgadas anteriormente, apenas o primeiro trecho (100 km) está orçado em aproximadamente R$ 850 milhões, e a recuperação completa da rodovia deve se estender até 2028.
Ponte do Tarauacá: entrega prevista para maio
Uma das obras mais aguardadas pelos usuários da BR-364 é a conclusão da ponte sobre o Rio Tarauacá, que levará o nome de Vitorino, em homenagem ao pai da vice-prefeita local. Segundo Ricardo Araújo, os serviços de prolongamento e adequação da ponte estão bastante avançados.
“Hoje nós já estamos com as lajes praticamente prontas. Faltam apenas três vigas para concluir e liberar todo o trânsito por cima da ponte”, explicou o superintendente. A previsão é que a estrutura seja entregue até o final de maio de 2026, após ajustes técnicos que causaram atrasos, mas garantiram a segurança da obra.
A ponte, aguardada há cerca de 16 anos entre discussões e execução, representa um marco para a mobilidade urbana e regional, beneficiando diretamente a população de Tarauacá e de toda a região.

A obra de prolongamento de 70 metros da ponte sobre o Rio Tarauacá, realizada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes do Acre (DNIT/AC). Foto: captada
Outra medida anunciada pelo DNIT é a aquisição de duas balanças para controlar o peso dos veículos que trafegam pela rodovia, coibindo o excesso de carga — um dos principais fatores apontados para a deterioração acelerada da pista. “Depois de quatro meses sem balança, conseguimos viabilizar duas para a BR, o que nos permitirá coibir o excesso de carga”, explicou Ricardo Araújo.
Espera por soluções definitivas
Enquanto as obras estruturantes não chegam, a BR-364 segue como símbolo da precariedade da infraestrutura no Acre, impondo riscos e prejuízos a quem depende dela diariamente. A rodovia é fundamental para o transporte de combustíveis, medicamentos e alimentos, e cada quilômetro restaurado representa a garantia de acesso a bens básicos e oportunidade de desenvolvimento econômico para mais de 70% da população acreana.
A expectativa dos usuários é que as promessas de melhoria saiam do papel e que a estrada, finalmente, ofereça condições dignas de tráfego, segurança e fluidez para quem precisa percorrer os mais de 600 quilômetros que ligam as duas principais cidades do estado.

O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Acre, Ricardo Araújo, garantiu que os recursos para recuperação da via já foram aprovados. Foto: captada
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Patrulha Maria da Penha se consolida no Acre como símbolo de enfrentamento à violência doméstica
Programa da segurança pública estadual atua na proteção e acompanhamento de mulheres vítimas de violência de gênero

Com variás atuações no Acre, Patrulha Maria da Penha se torna um marco na luta contra a violência de gênero. Foto: Sejusp
Uma das políticas públicas que simbolizam o enfrentamento à violência de gênero no Acre é a Patrulha Maria da Penha, iniciativa da segurança pública estadual que há mais de seis anos atua na proteção e acompanhamento de mulheres vítimas de violência doméstica no Acre.
Criada com o objetivo de garantir o cumprimento das medidas protetivas e oferecer suporte às mulheres em situação de vulnerabilidade, a Patrulha Maria da Penha atua de forma integrada com o Judiciário, o Ministério Público e a rede de assistência social. O trabalho consiste em visitas periódicas, monitoramento de casos e orientação sobre os direitos das vítimas, contribuindo para a prevenção de novos episódios de violência.
O programa é considerado um dos pilares das políticas de segurança voltadas às mulheres no estado e tem se consolidado como referência na proteção de vítimas de violência doméstica. A iniciativa reforça o compromisso do governo do Acre com a promoção de uma cultura de paz e respeito aos direitos humanos.

Ao longo desse período, o serviço tem se consolidado como uma das frentes mais importantes de prevenção à reincidência da violência e, consequentemente, de combate ao feminicídio. Foto: captada
Criada em setembro de 2019, a patrulha tem como principal função fiscalizar o cumprimento de medidas protetivas de urgência, além de orientar e encaminhar as vítimas para a rede de proteção formada por instituições da Justiça, assistência social e segurança pública.
Ao longo desse período, o serviço tem se consolidado como uma das frentes mais importantes de prevenção à reincidência da violência e, consequentemente, de combate ao feminicídio.
Presença em várias regiões do estado
Atualmente, a Patrulha Maria da Penha já está presente em Rio Branco, Acrelândia, Plácido de Castro, Epitaciolândia, Brasiléia, Senador Guiomard, Bujari, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul, atuando em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre, por meio de termo de cooperação institucional.

Comandante-geral da PMAC, Marta Renata Freitas, ressaltou os avanços trazidos pela Patrulha. Foto: Sejusp
Quando a patrulha completou seis anos, em 2025, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, José Américo Gaia, em publicação da Agência de Notícias do Acre, destacou que a iniciativa representa um marco na proteção às mulheres no estado.
“A criação da Patrulha Maria da Penha é um passo significativo na proteção das mulheres, garantindo que elas tenham apoio e segurança em momentos de vulnerabilidade. Com essa iniciativa, reforçamos nosso compromisso de construir uma sociedade mais justa e igualitária”, afirmou.

Secretário de Estado de Segurança Pública, José Américo Gaia, destaca que a Patrulha Maria da Penha é um passo significativo na proteção das mulheres. Foto: Sejusp
Expansão para novos municípios
Apesar dos avanços, o desafio ainda é ampliar a presença da patrulha em todo o território acreano. Atualmente, o estado conta com núcleos em oito municípios, mas o objetivo é alcançar todos os 22 municípios. A coordenadora estadual da Patrulha Maria da Penha, tenente-coronel Cristiane, explica que a expansão vem ocorrendo de forma gradual, conforme a disponibilidade de efetivo e estrutura.
“A patrulha Maria da Penha está sediada em Rio Branco, mas atende todos os municípios do estado. Em seis anos, conseguimos ampliar para oito municípios e seguimos trabalhando para alcançar todo o Acre”, afirmou.
Segundo ela, o município de Xapuri está entre os que estão sendo avaliados para receber um núcleo da patrulha.
“O objetivo é instalar núcleos em todos os municípios, mas isso exige efetivo e estrutura. Xapuri é um dos locais que estão sendo estudados para receber a Patrulha Maria da Penha”, explicou.
As declarações da coordenadora da patrulha foram feitas durante visita a Xapuri, durante ações da Operação Mulheres, iniciativa integrada do Governo Federal voltada ao enfrentamento da violência de gênero. Durante a operação, equipes percorreram municípios do interior levando orientação, fortalecendo a rede de proteção e ampliando o diálogo com a população.

Durante o encontro em Xapuri a tenente-coronel Cristianere forçou a integração entre a política estadual de segurança pública e as ações desenvolvidas nos municípios do interior. Foto: captada
Canais de denúncia
Além da atuação direta da patrulha, as autoridades reforçam a importância da denúncia para romper o ciclo de violência.
Entre os principais canais disponíveis estão:
190 – Polícia Militar, em casos de emergência
181 – Disque denúncia anônima
180 – Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas
Os serviços permitem que vítimas ou testemunhas denunciem casos de violência com segurança, contribuindo para a responsabilização dos agressores e para a proteção das mulheres.

Atuação da Patrulha Maria da Penha tem se extendido aos municípios do interior acreano, frisou tenente-coronel Cristiane. Foto: Meure Amorim
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Caçadores desaparecidos em Porto Walter são resgatados de helicóptero após cinco dias perdidos na mata
Edson Nascimento de Araújo e Francisco Marcos da Silva Lima sobreviveram comendo frutas e seguiram igarapé até encontrar comunidade; bombeiros orientam uso de GPS offline e permanência no local em caso de desorientação

Os dois estavam em um grupo de cinco pessoas, o grupo foi dividido e Edson e Francisco se separaram dos demais. Foto: captada
Os caçadores Edson Nascimento de Araújo, de 51 anos, e Francisco Marcos da Silva Lima, de 31, foram resgatados de helicóptero na tarde de sexta-feira (20) após se perderem em uma mata próximo ao Rio Cruzeiro do Vale, zona rural de Porto Walter, interior do Acre.
Os dois estavam em um grupo de cinco pessoas e saíram para a caçada na última segunda-feira (16). Na terça-feira (17), o grupo foi dividido e Edson e Francisco se separaram dos demais. Os caçadores fizeram um abrigo com palhas e combinaram de se reencontrar na manhã de quinta-feira (19).
Após retornarem para o ponto de encontro, os demais caçadores perceberam que Edson e Francisco tinham se perdido, voltaram para a comunidade e chamaram os bombeiros.
O Corpo de Bombeiros seguiu para o local na manhã de sexta-feira (20), mas, assim que iniciaram as buscas, foram informados de que os caçadores tinham sido achados e estavam em outra comunidade.
Conforme o comandante do 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Cruzeiro do Sul, major Josadac Cavalcante, os homens caminharam até a Comunidade Veneza após seguirem pelo Igarapé Natal, distante cerca de 32 km de onde moram.
Os caçadores não estavam machucados, mas desorientados e precisaram de atendimento médico. Sem condições para caminhar, os dois foram levados de helicóptero.
Relato dos caçadores
“Apesar das nossas buscas, eles conseguiram chegar até essa comunidade, onde foi pedido socorro de lá. Estavam bem, contudo, bastante cansados e sem ferimentos. Pegaram muita chuva e ficaram desorientados devido à falta de sol, que é como geralmente se orientam nas caçadas”, disse o major.
Ainda conforme o comandante, os caçadores contaram que passavam o dia andando e dormiam à noite desorientados sem perceber que iam e voltavam sempre para o mesmo lugar entre terça e quinta. “Já na sexta-feira conseguiram seguir pela praia do Igarapé Natal e chegaram até uma comunidade”, destacou.
Apesar de estarem com espingarda e fogo, os homens não encontraram nenhuma caça e se alimentaram apenas dos frutos achados na mata.
Orientações dos bombeiros
O major destacou que é indicado que os caçadores baixem o mapa no celular antes de saírem para as expedições.
“O GPS funciona sem internet e facilita bastante, contudo, ao se perderem, o indicado é permanecer o mais próximo do local da desorientação e ainda, caso achem algum igarapé, seguir sempre descendo, pois vai chegar a um igarapé maior e provavelmente terá uma comunidade por perto”, concluiu.

O Corpo de Bombeiros seguiu para o local na manhã de sexta-feira (20), mas, assim que iniciaram as buscas, foram informados de que os caçadores tinham sido achados e estavam em outra comunidade. Foto: captada
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MPF denuncia dois homens por ocupação ilegal e desmatamento na Reserva Chico Mendes
Operação Mezenga apreendeu mais de 1.400 cabeças de gado dentro da unidade de conservação; denúncia foi apresentada à Justiça na quinta-feira (19)

A reserva extrativista abrange os municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Sena Madureira e Xapuri e tem uso restrito a atividades extrativistas sustentáveis por populações tradicionais. Foto: captada
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia criminal contra dois homens por crimes cometidos durante a ocupação irregular da Reserva Extrativista Chico Mendes, no interior do Acre. A ação, protocolada na última quinta-feira (19), é resultado da Operação Mezenga, deflagrada pela Polícia Federal para apurar invasões, desmatamento e criação ilegal de gado na unidade de conservação.
Durante a investigação, a Polícia Federal apreendeu mais de 1.400 cabeças de gado dentro da reserva e em áreas adjacentes. A reserva extrativista, criada em 1990, abrange os municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Sena Madureira e Xapuri e tem uso restrito a atividades extrativistas sustentáveis por populações tradicionais.
Crimes apontados na denúncia
Na denúncia, o MPF aponta a prática de:
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Invasão de terras da União
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Prestação de informações falsas em cadastro ambiental
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Desmatamento
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Uso de fogo
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Criação irregular de gado em área protegida

Localização da Reserva Extrativista Chico Mendes em relação a América do Sul, PanAmazônia e Estado do Acre. Fonte dados: IBGE e HyBAM.
Pedidos à Justiça
Além da condenação criminal pelos crimes ambientais, o MPF requereu à Justiça a desocupação das áreas invadidas e a proibição de atividades econômicas incompatíveis com a reserva, como a pecuária extensiva.
Acordos de não persecução penal
Outros três investigados que confessaram a prática dos fatos assinaram acordo de não persecução penal e assumiram obrigações voltadas à reparação dos danos causados e à regularização ambiental das áreas afetadas.
A Operação Mezenga foi deflagrada em agosto de 2024 e teve como foco o combate ao desmatamento e à grilagem na região da reserva. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos municípios de Rio Branco, Brasiléia, Sena Madureira e Xapuri.

Além da condenação pelos crimes, o MPF requereu à Justiça a desocupação das áreas invadidas e a proibição de atividades econômicas incompatíveis com a reserva, como a pecuária. Foto: captada
A Resex Chico Mendes
Com 931 mil hectares, a Reserva Extrativista Chico Mendes é uma unidade de conservação federal e está localizada no sudeste do Acre. A sua área se espalha pelos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Capixaba, Epitaciolândia, Rio Branco, Sena Madureira e Xapuri. Ela foi criada em 12 de março de 1990, a partir do Decreto Presidencial no 99.144.
É considerada uma UC emblemática não só por levar o nome do líder seringueiro Chico Mendes, mas também por ser o resultado da resistência e da organização dos povos da floresta pelo seu direito de permanecer e viver de modo tradicional, em meio ao avanço da agropecuária na Amazônia entre as décadas de 1970 e 1980.
A partir de sua criação – quase um ano e meio após o assassinato de Chico Mendes – as famílias tiveram o direito de ficar em suas respectivas colocações, adotando-se uma reforma agrária diferenciada para a Amazônia. Por este modelo, seria assegurado o direito de posse da terra com uma exploração sustentável dos recursos florestais e uma agricultura e criação de animais de base familiar.

Na denúncia, o MPF aponta a prática de invasão de terras da União, prestação de informações falsas em cadastro ambiental, desmatamento, uso de fogo e criação irregular de gado em área protegida. Foto: captada

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