Acre
Sibá denuncia Denise Bonfim no CNJ e pede processo administrativo
Gina Menezes, da Agência ContilNet
O deputado federal Sibá Machado (PT), da bancada acreana, protocolou na manhã desta terça-feira (4) uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a desembargadora Denise Bonfim, responsável por ter emitido os mandados de busca e apreensão e as ordens de prisão em desfavor de empreiteiros e secretários do Estado, suspeitos de envolvimento em um esquema de fraudes em licitações.
Na representação, o petista pede que sejam apurados os supostos abusos de autoridade como também outros erros do processo, e que seja instaurado um processo administrativo para apurar a conduta da desembargadora.
O petista acusa a desembargadora de abuso de autoridade por suposta vingança e retaliação política. Sibá diz, ainda, que o despacho de Denise Bonfim está cheio de erros e caracterizado como abuso do poder, que lhe é conferido enquanto magistrada.
“Denise Castelo Bonfim, fato público e notório, é inimiga declarada do atual governador do Acre. Segundo informações que nos chegaram, a referida desembargadora prometeu vingança contra o governador e seus aliados, em virtude da indicação de sua autoria para o Tribunal Regional Eleitoral, no Estado do Acre-AC, ter sido vetada pelo Chefe do Poder Executivo Estadual”, diz um trecho da denúncia assinada por Sibá Machado.
Para endossar sua opinião a respeito de Denise Bonfim, o petista Sibá Machado remete-se a uma nota divulgada pela Federação do Comércio do Acre dizendo que as investigações perpetradas pela Polícia Federal estão cheia de ilegalidades.
“As investigações perpetradas pela Polícia Federal, sob o comando da reclamada (Denise Bonfim), podem estar ceifadas de abuso e de ilegalidades,denotando um pré-julgamento e perseguições pessoais, o que levou, por exemplo,a que presos ficassem incomunicáveis e privados de acesso a informações e impossibilitados de denunciarem maus tratados e abusos sofridos”, diz.
Sibá afirma que foi impedido de visitar os presos na Operação G7, desencadeada no último dia 10 de maio, que resultou em 15 prisões e outros indiciamentos.
“Foi o que ocorreu, por exemplo, no último dia 25 de maio do corrente,quando o reclamante (Sibá Machado), na sua condição de Deputado Federal,responsável e obrigado a zelar pelo cumprimento da lei e pelo respeito aos direitos humanos dos presos, ao tentar visitar os detentos que foram presos pela chamada Operação “G7”, que haviam denunciado maus tratos e abusos, teve – por ordem expressa da reclamante (conforme faz prova certidão em anexo) – sua entrada impedida nas Unidades de Regime Fechado e Semiaberto”, diz trecho do documento.
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Abaixo a íntegra da denúncia protocolada pelo deputado Sibá Machado, às 14h, desta terça-feira (4):
EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO CORREGEDOR DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA
SEBASTIÃO SIBÁ MACHADO DE OLIVEIRA, brasileiro, casado, Geógrafo, no exercício do Mandato de Deputado Federal pelo Estado do Acre/AC, portador do RG nº 198294-SSP-AC, inscrito no CPF sob o nº 133.655.173-91, residente e domiciliado na SQN 202, Bloco ‘I”, Aptº. 603 – Asa Norte- Brasília-DF, CEP: 70832-090, vem perante Vossa Excelência, com base no art.103-B, § 4º, III, da Constituição Federal, e arts. 72 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça, apresentar a presente
RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR
contra a MM. Desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Acre-AC, Sra. Denise Castelo Bomfim, pelos fatos e fundamentos de direito que passa a expor:
1 – DOS FATOS
Conforme noticiados pela imprensa em âmbito Nacional e no Estado do Acre, no ultimo dia 10 de maio do corrente, a Policia Federal deflagrou um operação policia denominada “G7”, visando dar cumprimento a cerca de 30 (trinta e quatro) mandados de busca e apreensão e a ordens de prisão em desfavor de empreiteiros e de secretários do Estado, suspeitos de envolvimento em um esquema de fraudes em licitações.
Segundo ainda noticias na mídia, a Polícia Federal indiciou 22 (vinte e duas) pessoas por formação de um suposto cartel para fraudar licitações e contratos no governo do Acre, entre eles um sobrinho do governador Tião Viana (PT) – Tiago Viana – e dois secretários de Estado. No documento, a PF anexou um relatório complementar com citações ao governador e uma conversa telefônica dele com um dos investigados para que o Tribunal de Justiça avalie se abre apurações sobre seu suposto envolvimento no caso ou encaminha o material ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Dos 22 indiciados, 15 foram presos preventivamente no dia 10 de maio de 2013, quando foi deflagrada a espalhafatosa operação. Nove são pessoas próximas ao governador e ao seu irmão, o ex-governador e atual senador Jorge Viana (PT-AC).
1.2. FORMAÇÃO DE CARTEL, FRAUDE A LICITAÇÃO E A POSSÍVEL ILEGALIDADE DA AÇÃO DA POLICIA FEDERAL NAS INVESTIGAÇÕES
Apesar das matérias jornalísticas a que o Reclamante teve acesso mencionarem que as principais acusações penais eram da pratica de “crime de fraude a licitações”, previsto no art. 90[1], da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, outras publicações mencionava a pratica do crime de “formação de cartel”, previsto nos incisos II, III e VII do art. 4o[2] da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990. O crime de Cartel, segundo informações do Delegado Mauricio Moscardi, Chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado fornecida ao jornalistas, “ficou caracterizado, com os documento e depoimentos.
Registre-se, desde logo, que a participação da Policia Federal na investigação dos fatos retratados, conforme o disposto no inciso II, do art. 1º, da Lei nº 10.446, de 08 de maio de 2002, só se justificaria, como se justificou a priori, pela existência do crime “formação quartel”, o que, segundo muitos especialistas consultados, não restou provado pelo tais “documentos” e depoimentos “secretos”, até o presente, já que até agora muitos dos presos e acusados não tiveram acesso aos autos do inquéritos.
1.3. SUSPEITAS DE ABUSOS, ILEGALIDADES, VINGANÇA E PERSIGUIÇÕES A PESSOAS, POLITICOS E ALIADOS DO ATUAL GOVERNADOR DO ACRE-AC
A referida investigação foi autorizada pela Reclamada a MM. Desembargadora do Tribunal de Justiça, s Sra. Denise Castelo Bomfim, que, fato publico e notório, é inimiga declarada do atual Governador do Acre. Segundo informações que chegaram até o Reclamante, a referida Desembargadora prometeu vingança contra o Governador e seus aliados, em virtude de indicação de sua autoria para Tribunal Regional Eleitoral, no Estado do Acre-AC, ter sido vetada pelo Chefe do Poder Executivo Estadual.
Com efeito, conforme nota divulgado pelo Governador e outros setores do Estado do Acre, como a Fecomércio e a Ordem dos Advogados do Brasil-Subsecção do Acre-AC, a investigações perpetradas pela Policia Federal, sob o comando da Reclamada, podem estar eivadas de abuso e de ilegalidades, denotando um pré-julgamento e perseguições pessoais, o que levou, por exemplo, a que presos ficassem incomunicáveis e privados de acesso a informações e impossibilitados de denunciarem maus tratados e abusos sofridos.
Foi o que ocorreu, por exemplo, no ultimo dia 25 de maio do corrente, quando o Reclamante, na sua condição de Deputado Federal, responsável e obrigado a selar pelo cumprimento da lei e pelo respeito aos direitos humanos dos presos, ao tentar visitar os detentos que foram presos pela chamada operação “G7”, que haviam denunciados maus tratos e abusos, teve – por ordem expressa da Reclamante (conforme faz prova certidão em anexo) _ sua entrada impedida nas Unidades de Regime Fechado e Semiaberto.
2. DO DIREITO
O artigo 37, da Constituição Federal, impõe que o servidor público, no exercício do cargo respeite os princípios da moralidade e da impessoalidade, dentre outros. Por sua vez o art. 9º, do CÓDIGO DE ÉTICA DA MAGISTRATURA NACIONAL (Aprovado na 68ª Sessão Ordinária do Conselho Nacional de Justiça, do dia 06 de agosto de 2008, nos autos do Processo nº 200820000007337), estabelece que “ao magistrado, no desempenho de sua atividade, cumpre dispensar às partes igualdade de tratamento, vedada qualquer espécie de injustificada discriminação”.
Por sua vez, a Lei Complementara nº 35, de 14 de março de 1979, estabelece, em seu artigo 49, que juiz responderá por perdas e danos o magistrado que proceder com dolo ou fraude, verbis:
“Art. 49 – Responderá por perdas e danos o magistrado, quando:
I – no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;
Il – recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar o ofício, ou a requerimento das partes.
Parágrafo único – Reputar-se-ão verificadas as hipóteses previstas no inciso II somente depois que a parte, por intermédio do Escrivão, requerer ao magistrado que determine a providência, e este não lhe atender o pedido dentro de dez dias.”
Na esfera criminal e administrativa, da Lei nº 4.898, de 09 de dezembro de 1995, “regula o Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal, nos casos de abuso de autoridade.”, em seu artigo 4º, estabelece o seguinte:
“Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:
a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder;
b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei;
c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa;
d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada;
e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança, permitida em lei;
f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas, emolumentos ou qualquer outra despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em lei, quer quanto à espécie quer quanto ao seu valor;
g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem, custas, emolumentos ou de qualquer outra despesa;
h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal;
i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade. (Incluído pela Lei nº 7.960, de 21/12/89).”
O Código Penal, em vigor, também considera crime certas condutas ou atitudes pessoais de servidores públicos, conforme o art. 319, verbis:
“Prevaricação
Art. 319 – Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.”
3. DO PEDIDO
Ante todo o exposto, requer a este Conselho Nacional de Justiça sejam apurados os fatos acima narrados, instaurando-se o competente processo legal administrativo disciplinar para aplicação da penalidade cabível e prevista em lei para a espécie.
Para demonstração do alegado, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos.
Termos em que,
pede e espera deferimento.
________________________, ______/______/_______.
(local) (dia) (mês) (ano)
_____________________________________________
(assinatura)
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Acre
Ieptec convoca aprovados para atuação como bolsistas docentes no Acre
O Instituto Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ieptec) publicou nesta quarta-feira, 01, a convocação de candidatos aprovados em processo seletivo simplificado para atuação como bolsistas docentes mensalistas. A seleção tem como objetivo formar cadastro reserva para cursos ofertados pela rede de educação profissional no estado.
Os convocados irão atuar no município de Marechal Thaumaturgo, na área de assessoria pedagógica, com carga horária de 40 horas semanais e período de contratação previsto de até 24 meses.
Foram chamados os seguintes candidatos: Lucas Lima de Souza – 3º colocado (nota 64), José Francisco Souza Silva – 4º colocado (nota 60) e Emily Cinara Paiva da Silva – 5º colocada (nota 57).
Os candidatos devem comparecer para entrega de documentação e assinatura do termo de compromisso no município de Cruzeiro do Sul, no Centro de Educação Profissional e Tecnológica (CEPT) Ceflora. O atendimento ocorrerá nos dias 1º, 6 e 7 de abril de 2026, das 8h às 12h.
Para efetivação da contratação, os convocados deverão apresentar original e cópia de documentos como RG, CPF, título eleitoral, comprovantes de quitação eleitoral e judicial, comprovante de residência, dados bancários, além de documentação acadêmica e profissional.
Também será necessário comprovar cadastro ativo como credor junto à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), além de apresentar foto 3×4 e demais comprovantes exigidos no edital.
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Rio Juruá sobe para 13,87 metros e amplia número de áreas alagadas em Cruzeiro do Sul
Prefeitura abre segundo abrigo e já atende 55 pessoas afetadas pela cheia
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Acre
Acre retoma liderança feminina no governo com a posse de Mailza Assis e dá continuidade a uma história de avanços e inclusão
Iolanda Fleming assumiu a chefia do Executivo estadual entre 1986 e 1987, após a renúncia de Nabor Júnior para concorrer ao Senado
O Palácio Rio Branco, na capital acreana, volta a ser palco de um marco histórico ao registrar, pela segunda vez, uma mulher que assume o mais alto cargo do Poder Executivo do Acre. Se em 1986, Iolanda Fleming fez do estado o primeiro do país a ser governado por uma mulher, 40 anos depois é Mailza Assis quem sobe as escadarias do Palácio com a missão de dar continuidade ao plano de governo construído em parceria com Gladson Camelí, que deixa o cargo para disputar as eleições deste ano.

Iolanda Fleming foi a primeira mulher a governar um estado no país e fez mudanças importantes na inclusão de mulheres em áreas dominantemente masculinas. Foto: Acervo José Diaz
O simbolismo ganha ainda mais força porque a trajetória das duas mulheres a ocupar a cadeira do Executivo se entrelaça não apenas neste momento, mas também em uma história maior de reconhecimento às mulheres que ajudaram a construir o Acre e a formular políticas públicas que transformaram de maneira definitiva práticas e procedimentos no estado.

Vice-governadora ainda se emociona ao relembrar sua gestão, considerada por ela como “simples”. Foto: José Caminha/Secom
Aos 89 anos, Iolanda revisitou o Palácio Rio Branco, espaço que guarda parte essencial de sua história e também da memória do Acre, e falou sobre sua gestão. Emocionada, relembrou que sua posse foi marcada por intensa comemoração das mulheres e contou com o apoio da população, mesmo em um ambiente que, sobretudo na década de 1980, era considerado predominantemente masculino.

Iolanda ficou marcada como a 9ª governadora do Acre e a primeira mulher a governar um estado brasileiro. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom
A primeira mulher no Palácio
Iolanda Fleming assumiu a chefia do Executivo estadual entre 1986 e 1987, após a renúncia de Nabor Júnior para concorrer ao Senado. Iolanda ficou marcada como a nona governadora do Acre e a primeira mulher a governar um estado brasileiro, reconhecimento que lhe rendeu, em 2019, o Diploma Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal. A homenagem foi entregue pela então senadora Mailza Assis.

Iolanda foi homenageada pela PM no ano passado. Foto: Matheus Holanda/PMAC
Nascida em Manoel Urbano, filha de um seringueiro e de uma imigrante árabe, Iolanda jamais imaginou que, após trabalhar como empregada doméstica e agricultora, iria se tornar uma das mulheres mais importantes do país. Sua trajetória ganhou novos rumos quando abraçou a educação, como professora e, mais tarde, a advocacia, abrindo caminho para uma carreira marcada pelo pioneirismo e pela força feminina na política acreana.
“Como advogada, eu também fazia meu trabalho gratuitamente para quem precisava, porque sempre fui muito ligada ao povo, porque eu vim do seringal. Foi nesse espírito que decidi construir a Delegacia da Mulher, a segunda do Brasil, feita aqui no Acre por mim. Além disso, apresentei na Assembleia Legislativa o projeto que permitiu às mulheres ingressarem na Polícia Militar. Hoje, há mulheres militares que chegaram a coronéis e se aposentaram, nomeadas ainda no meu governo. Isso me orgulha muito”, relembra.

Aos 89 anos, Iolanda revisitou o Palácio Rio Branco, espaço que guarda parte essencial de sua história e também da memória do Acre, e falou sobre sua gestão. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom
Conquistas que marcaram gerações
A presença feminina na Polícia Militar do Acre começou em 1985, quando cinco mulheres pioneiras ingressaram na corporação como sargentos, por meio de um concurso público exclusivo para candidatas. Naquele período, o Brasil vivia uma transição política, e a participação da mulher em funções militares ainda representava um grande desafio. Inicialmente destinadas a atividades administrativas e sociais, essas policiais romperam barreiras, destacaram-se pelo profissionalismo e contribuíram para a construção de uma nova imagem institucional.
Com o tempo, essas pioneiras, que só podiam alcançar o posto de capitã, mobilizaram-se politicamente e participaram da elaboração do projeto de lei que garantiu às policiais o direito de ascender aos postos mais altos da carreira, incluindo o de coronel. Em 1986, durante o governo da então governadora Iolanda Fleming, uma segunda turma feminina, composta por 11 mulheres, ingressou na corporação, formalizando o quadro feminino da PMAC. A partir daí, a presença das mulheres foi regulamentada e ampliada para todas as áreas da instituição: operações, inteligência, administração e comando.

Mailza Assis segue com planejamento da gestão Gladson Camelí. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom
“Até brinquei com os militares dizendo que, se voltasse a ser governadora, meu secretariado seria formado só por mulheres, porque elas demonstraram um comportamento exemplar. Essas conquistas me marcaram profundamente e continuam me marcando”, relembra, com carinho.
Ao ser homenageada pela PM no ano passado, ela recebeu das mãos da comandante-geral, coronel Marta Renata Freitas, uma placa de homenagem por ter aberto esse espaço para as mulheres.
“Hoje é um momento muito emocionante. No meu governo, pude acompanhar o crescimento do Acre e o ingresso das mulheres na instituição. Tenho muito orgulho em ver que as mulheres acreanas alcançaram as mais altas funções no Estado. Todas as que hoje vestem o uniforme azul são vocacionadas e merecem estar aonde chegaram”, disse a ex-governadora.
Ao longo dessas quatro décadas, 566 mulheres já vestiram o uniforme da Polícia Militar do Acre. Atualmente, 302 estão na ativa, atuando em diferentes frentes: no policiamento ostensivo, no comando de batalhões e diretorias, na gestão administrativa e na formação de novos policiais.

Quando tomou posse, Laélia tinha 57 anos de idade e nunca havia ocupado um cargo político. Foto: Senado Federal
Mulheres que abriram caminhos
Para Iolanda, ver novamente uma mulher subir as escadarias do Palácio como a maior autoridade do estado é um misto de sensações e sentimentos. A cena revive aquilo em que sempre acreditou: a força feminina como motor de transformação social. Em uma época em que pouco se falava em empoderamento ou empatia, ela manteve firmeza nas decisões e conduziu o Acre com o que chamou de uma administração de “portas abertas”.
O Acre também foi pioneiro ao eleger a primeira mulher negra do país para exercer o mandato de senadora. Natural de Salvador (BA), Laélia Alcântara chegou ao estado em 1946, após se formar em medicina, e assumiu o mandato de senadora em 3 de abril de 1981, no período final da Ditadura Militar (1964-1985). Na época, o Acre ainda era território federal e contava com apenas seis médicos. Laélia se especializou em obstetrícia e pediatria, consolidando sua atuação na área da saúde.

Mailza iniciou sua vida pública em 2009, como secretária municipal de Administração de Senador Guiomard. Foto: Ingrid Kelly/Secom
Sua carreira política teve início em 1962, quando foi eleita suplente de deputado federal pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Com o bipartidarismo imposto pelos militares em 1965, migrou para o antigo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1974, conquistou nova suplência, desta vez substituindo o senador Adalberto Sena.
Com a volta do pluripartidarismo em 1980, acompanhou a mudança da sigla e, já como peemedebista, tornou-se a primeira mulher senadora da República. Assumiu o mandato por cinco meses, entre abril e agosto de 1981, durante o afastamento de Sena por questões de saúde.
Sena retomou o cargo, mas faleceu em janeiro de 1982, confirmando o pioneirismo de Laélia Alcântara na Câmara Alta do Congresso Nacional. Ao ser efetivada, tornou-se também a terceira mulher a ocupar uma cadeira no Senado brasileiro.

Em 2014, Mailza foi eleita primeira suplente de senadora na chapa de Gladson Camelí. Foto: Neto Lucena/Secom
Gestão com sensibilidade e firmeza
Para Mailza Assis, ao subir as escadarias do Palácio Rio Branco, todas essas vozes e histórias femininas acompanham seus passos e suas mãos, que agora continuam escrevendo uma nova página da história do Acre, marcada pelo desenvolvimento, pelo protagonismo e pelo compromisso maior de focar nas pessoas e reduzir desigualdades.
Natural de Novo Mundo, em Mato Grosso, construiu uma trajetória pautada pela dedicação à gestão pública, pela inclusão social e pela defesa dos direitos humanos.
Sua vida pública começou em 2009, como secretária municipal de Administração de Senador Guiomard. Entre 2012 e 2013, assumiu a Secretaria de Assistência Social do município, onde idealizou projetos de grande impacto comunitário, como o Prefeitura no Bairro, que levava serviços públicos diretamente às comunidades, e o Natal Feliz, evento tradicional voltado ao acolhimento de famílias em situação de vulnerabilidade.

Sobre a continuidade da gestão, Mailza Assis ressalta que sua atuação ao lado de Gladson Camelí não se limita a um plano partidário, mas de estado. Foto Lucena/Secom
Em 2014, Mailza foi eleita primeira suplente de senadora na chapa de Gladson Camelí. Com a eleição de Gladson ao governo do Acre em 2018, ela assumiu a titularidade no Senado Federal em 2019, tornando-se a quarta mulher na história do estado a ocupar uma cadeira na Casa — após Íris Célia Cabanellas, Laélia Alcântara e Marina Silva — e a primeira senadora acreana a dar à luz durante o exercício do mandato.
“Assumir o governo é uma responsabilidade enorme, mas também um grande orgulho. É a oportunidade de mostrar que as mulheres, que já têm representatividade nesta gestão, podem avançar ainda mais. Para mim, significa muito poder demonstrar que é possível conduzir um governo que realiza obras e grandes projetos, mas que também tem sensibilidade para cuidar das pessoas”, reconhece.
Desde junho de 2024, Mailza Assis está à frente da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), conduzindo ações estratégicas em políticas afirmativas voltadas para o enfrentamento da pobreza, a segurança alimentar e nutricional, a igualdade de gênero e a garantia dos direitos humanos.
Como vice-governadora, é considerada pelo governador Gladson Camelí seu braço direito na gestão, reconhecida pelo olhar sensível e ao mesmo tempo pragmático para os assuntos de Estado.

Mailza Assis destaca que plano de governo segue focado em cuidar das pessoas. Foto: Ingrid Kelly/Secom
Entre os principais programas de governo, Mailza se destaca pela atuação em iniciativas como o Mães da Ciência, voltado para mães solo; o Mulheres Mil, do governo federal que oferece cursos profissionalizantes em parceria com o Instituto Federal do Acre (Ifac) para mulheres em busca de inserção no mercado de trabalho; e o Mentes Azuis, direcionado a mães atípicas; além do Cozinha Solidária, do Juntos pelo Acre e, em parceria com a Receita Federal, o Guarda-Roupa Social.
“A mulher é o membro da família que se preocupa com todos. É a mulher que acompanha mais de perto a saúde das suas crianças, de seus pais e até do marido. Então, nós teremos sim um olhar diferenciado voltado para as questões femininas, mas sem abrir mão de continuar cuidando de todos. A principal marca da mulher é a inclusão”, enfatiza.
Sobre a continuidade da gestão, Mailza Assis ressalta que sua atuação ao lado de Camelí não se limita a um plano partidário, mas representa um legado para o Acre e para a população que acreditou e continua acreditando em um estado capaz de alcançar números históricos e se destacar, nacional e internacionalmente, com modelos pioneiros em diferentes áreas que melhoram a vida dos acreanos.
“Seguimos firmes, com seriedade, planejamento e compromisso, dando continuidade a um trabalho que olha para o presente e constrói, com responsabilidade, o futuro do Acre. Cuidar das pessoas é e sempre será a nossa maior prioridade”, afirma a governadora Mailza Assis.

Mailza também ressalta que a revitalização do Palácio faz parte de um conjunto de ações voltadas para a cultura. Foto: Neto Lucena/Secom



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