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Acre

Mulher e filha de homem que morreu após ser agredido por PM em casa noturna ganham mais de R$ 120 mil na Justiça

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Por Aline Nascimento, g1 AC — Rio Branco

Laércio Santos, antes e depois das agressões sofridas em um bar em Rio Branco — Foto: Arquivo pessoal

O 1º sargento da Polícia Militar Francisco Gomes Queiroz foi condenado a pagar indenização de R$ 120 mil, pensão vitalícia para a esposa e pensão alimentícia para a filha do autônomo Laércio Santos, que morreu no dia 20 de agosto após mais de um ano acamado por conta das agressões desferidas pelo PM dentro do Bar e Casa Noturna Tardezinha, em Rio Branco. O militar trabalhava como segurança na época do crime no estabelecimento.

Laércio Santos foi achado desacordado e com uma rachadura no crânio ao lado de fora da casa noturna. Após as agressões, ele passou a viver acamado, se alimentava por sonda, usava fraldas descartáveis, não falava, nem andava e dependia da ajuda dos familiares.

A família do autônomo entrou na Justiça contra o PM e a casa noturna pedindo indenização por danos morais e estéticos e pensão vitalícia. No último dia 29, a 2ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) condenou o militar aos seguintes pagamentos:

  • Danos morais – pagamento de R$ 30 mil para mulher de Laércio e R$ 30 mil para a filha de 13 anos;
  • Danos estéticos – pagamento de R$ 30 mil para a mulher e R$ 30 mil para a filha;
  • Pensão alimentícia – pagamento de 1/4 do salário mínimo pára filha de Laércio até ela completar 25 anos;
  • Pensão vitalícia – pagamento de 1/4 do salário mínimo vigente para a mulher do autônomo

 

Conforme o advogado de defesa da família, Saulo Ribeiro, o Bar e Casa Noturna Tardezinha fez um acordo com em maio deste ano e se comprometeu a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 150 mil em 30 parcelas de R$ 5 mil e também pensão para a mulher e filha de Laércio.

Francisco Gomes Queiroz foi condenado pela Justiça  — Foto: Arquivo pessoal

Francisco Gomes Queiroz foi condenado pela Justiça — Foto: Arquivo pessoal

Contudo, até esta quinta-feira (14), os representantes do estabelecimento não pagaram nenhuma parcela do acordo e nem retornam os contatos. “O Tardezinha fez a proposta de acordo de pagar R$ 150 mil que seriam parceladas em 30 vezes no valor de R$ 5 mil mais uma pensão vitalícia de um salário mínimo durante audiência. Não pagaram sequer a primeira parcela, entramos em contato com eles, pedi uma execução fora a parte contra o Tardezinha”, acrescentou.

A reportagem não conseguiu contato com o advogado do estabelecimento.

Sobre a condenação do militar, o advogado disse que vai recorrer do valor determinado pela Justiça. “Pedi um valor bem maior e entendo que o juiz não se ateve de forma adequada em relação a todo contexto. Vamos entrar com recurso para majorar o valor”, destacou.

A defesa do PM confirmou que vai recorrer da sentença e buscar uma decisão mais justa às partes. “No entanto, neste momento, preferimos manter uma abordagem mais reservada em relação ao caso. É bem sensível a situação para todos”, resumiu o advogado Phillipe Uchôa.

‘Sofremos muito’

 

A mulher de Laércio Santos contou ao g1 que a família sobreviveu com doações dos amigos do marido após o crime. Ela destacou que os parentes sofreram cuidando do autônomo nos hospitais e vendo ele acamado também sofrendo.

A viúva do autônomo pediu para não ter o nome divulgado.

“Foi um ano e quatro meses de sofrimento. Agora que estou andando porque não estava andando, peguei uma anemia fortíssima de tanto cuidar dele, ainda estou doente. Além dele está sofrendo, eu sofri muito, a mãe dele e a filha dele. Foi muito sofrimento, não tem dinheiro no mundo que pague. A gente vivia de hospital em hospital cuidando dele porque não tínhamos condições financeiras para pagar uma pessoa pra ajudar. Comíamos porque recebemos doações dos amigos dele”, relembrou.

 

Ainda se recuperando dos problemas de saúde, a mulher diz que não pode trabalhar e ainda depende de doações. “Ficamos com muita dívidas. Peguei esgotamento físico e mental e faço tratamento com uma psicóloga. O sofrimento era tão grande em ver meu esposo em cima daquela cama que peguei uma depressão forte e não conseguia colocar o pé na rua”, lamentou.

Condenação

 

No dia 31 de janeiro deste ano, Francisco Gomes Queiroz foi condenado pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco a 3 anos de prisão, podendo ser cumprido no regime semiaberto.

“De acordo com os elementos de provas apurados no presente feito, restou devidamente confirmado que o acusado Francisco Gomes Queiroz causou lesões corporais de natureza gravíssima (incapacidade definitiva para o trabalho e perda definitiva da função neurológica) contra a vítima Laércio dos Santos, nos termos da exordial acusatória”, destaca a decisão assinada pelo juiz de direito Raimundo Nonato da Costa Maia.

A defesa do acusado, feita pelo advogado Matheus Moura, informou que está recorrendo da decisão e que o policial nega o delito.

“O processo criminal segue em andamento, entretanto, está na fase recursal perante a Câmara Criminal. No caso, estamos buscando sua absolvição, haja vista a negativa da autoria delitiva”, disse

No processo, o acusado chegou a dizer que não bateu em Laércio e que apenas ajudou alguns policiais que estavam tendo problemas com a segurança.

“Eu ajudei umas duas ou três vezes lá porque alguns policiais estavam tendo problemas com a segurança. Estava lá como cliente quando vi a confusão quando fui buscar um energético. Quando eu vi, ele já estava no chão e que não tinha mais ninguém tocando em ninguém. Perguntei para uma pessoa, que disse que um policial civil estava brigando com os seguranças, fui pegar a bebida no bar e quando virei, ele já estava no chão. Não consegui descobrir quem deu o murro nele, que eu nem cheguei a falar com o Laércio, que não sei porque os seguranças falaram isso de mim; que nunca imaginei que poderia ter sido acusado”, disse.

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Acre

Brasileiro é preso em Cobija e condenado a 3 anos de prisão em menos de 48 horas por furtos

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Acusado, que tem moradia em Epitaciolândia, foi reconhecido por vítimas e admitiu responsabilidade em procedimento abreviado; pena será cumprida na penitenciária Villa Busch

O diretor da Força Especial de Luta Contra o Crime (FELCC), coronel Carlos Pardo, detalhou em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (26) a prisão de um cidadão de nacionalidade brasileira ocorrida no bairro Villamontes, zona leste de Cobija, capital do Departamento de Pando, na Bolívia. O brasileiro é acusado de cometer vários roubos em domicílios em diferentes bairros da cidade boliviana.

Reconhecimento pelas vítimas

Segundo a autoridade policial, as vítimas conseguiram reconhecer o sujeito como o autor dos furtos cometidos em residências da região. O brasileiro tem moradia na cidade de Epitaciolândia, no Acre, cidade gêmea de Cobija, na fronteira entre os dois países.

Condenação

Antes da coletiva, o réu se submeteu a um procedimento abreviado, no qual admitiu sua responsabilidade pelos crimes. Com base na legislação boliviana e com a atuação das autoridades do judiciário de Pando, foi determinada uma sentença de 3 anos de prisão pelos furtos cometidos.

O brasileiro deverá cumprir a pena na penitenciária de Villa Busch, localizada em Cobija. O caso reforça a atuação conjunta das autoridades bolivianas no combate aos crimes transfronteiriços na região da fronteira com o Acre.

A prisão ocorreu no bairro Villamontes, zona leste de Cobija, após o brasileiro ser acusado de cometer vários roubos em domicílios em diferentes bairros da cidade boliviana. Foto: captada 

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Acre

Bocalom oficializa renúncia e define missão como “chamado de esperança”: “Não poderia ignorar uma missão”

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Ex-prefeito de Rio Branco entrega carta à Câmara e reforça propósito cristão e dever público para disputar governo do Acre nas eleições de 2026

A renúncia do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, oficializada nesta quinta-feira (26) após o envio de carta à Câmara de Vereadores, foi focada naquilo que o gestor classifica como uma decisão não apenas administrativa, mas resultado de um “chamado” que define como uma missão de esperança diante do momento vivido pelo país.

“Esta decisão é fruto de muita reflexão e do entendimento de que tenho um dever a cumprir com o Estado do Acre”, escreveu Bocalom, ao justificar a saída do cargo. No mesmo trecho, ele cita um cenário de insatisfação nacional, afirmando que “a indignação toma conta das ruas, dos lares e das instituições”.

Missão de esperança

A fala sugere que o agora ex-prefeito está decidido no novo caminho político, voltado à campanha de governo do Estado. Bocalom reitera que não poderia “ignorar uma missão”, que, segundo ele, tem como nome “ESPERANÇA”.

“Assumi a Prefeitura de Rio Branco em 1º de Janeiro de 2021, e desde então, trabalho com humildade e dedicação neste distinto cargo, pois honro e respeito a fé em mim depositada, acordando cedo e dormindo tarde em todos os 1.917 (mil novecentos e dezessete) dias do nosso compromisso enquanto gestores, e sinto, portanto, que chegou o momento de retribuir ainda mais ao Acre tudo aquilo que ele fez por mim e à minha família. É com esse espírito de serviço que deixo o cargo de prefeito, pois cuidar de Rio Branco e dos rio-branquenses tornou-se para mim um verdadeiro sacerdócio”, enfatizou no documento.

Propósito e fé

O conteúdo amplia o tom já observado em outros trechos da carta, marcada por referências à fé, propósito e dever público.

“Como todo bom cristão, todas as minhas ações e decisões sempre foram pautadas pelo meu íntimo relacionamento com Deus, e agradeço imensamente a Ele por proporcionar que o Espírito Santo me guiasse até aqui, e peço com veemência – confiante em sua luz – que Ele continue a clarear os meus passos e abençoar os meus propósitos, pois são nossas escolhas que definem os nossos caminhos, sendo a disciplina, a verdade e a servidão os ideais que iluminam os meus”.

Cenário político

Com a renúncia oficializada, o vice-prefeito Alysson Bestene (PP) assume o comando da Prefeitura de Rio Branco. Bocalom agora se dedica integralmente à pré-campanha ao governo do Acre pelo PSDB, partido ao qual se filiou recentemente após ser convidado a deixar o PL.

A saída do prefeito cumpre o prazo de desincompatibilização exigido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determina que gestores do Executivo que pretendem concorrer às eleições devem se afastar dos cargos até o dia 4 de abril. Bocalom é um dos três principais pré-candidatos ao governo, ao lado da vice-governadora Mailza Assis (PP) e do senador Alan Rick (Republicanos).

A carta chegou ao Legislativo pelas mãos de Jorge Eduardo Bezerra, gestor da Sejur. Foto: captada 

Confira a carta na íntegra:

“Porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.” (2 Timóteo 1:7)

Senhor Presidente,

Como todo bom cristão, todas as minhas ações e decisões sempre foram pautadas pelo meu íntimo relacionamento com Deus, e agradeço imensamente a Ele por proporcionar que o Espírito Santo me guiasse até aqui, e peço com veemência – confiante em sua luz – que Ele continue a clarear os meus passos e abençoar os meus propósitos, pois são nossas escolhas que definem os nossos caminhos, sendo a disciplina, a verdade e a servidão os ideais que iluminam os meus.

Após mais de 5 anos à frente da Prefeitura de Rio Branco, venho tomar essa difícil decisão, consciente em minha mente e sincero em meu coração. Tenho a convicção de que a nossa amada Rio Branco é hoje uma cidade (com “c” de capital), muito mais desenvolvida, menos desigual e mais inclusiva, com uma economia pujante e serviços públicos de qualidade. Ainda enfrentamos desafios, mas, se posso deixar o mandato com paz de espírito, é porque sei que o nosso vice-prefeito e meu grande amigo Alysson Bestene dará continuidade às políticas públicas exitosas desta nossa gestão e continuará construindo uma cidade onde todos possam viver com mais DIGNIDADE.

Sempre trabalhei em equipe, se fizemos muito e longe chegamos é porque sempre estive muito bem acompanhado. Agradeço a toda a minha família, em especial a minha rainha Beth Bocalom (in memoriam), a minha filha Luciana e as minhas amadas netas Isabella, Ana Luíza e Maria Rita, e a minha amada esposa e parceira de sonhos, Kelen Bocalom, a coluna forte de nosso lar. Deixo também meu fraternal abraço e sincero agradecimento ao meu leal time de secretários, parceiros dos triunfos que conquistamos e estendo a minha enorme gratidão a todos colaboradores de nossa Prefeitura, que diariamente se dedicam para que o nosso povo tenha uma vida melhor e para que as próximas gerações possam colher os frutos deste legado de transformações.

Agradeço profundamente a esta Câmara de Vereadores pela parceria institucional ao longo destes anos. Mesmo nos momentos mais difíceis, prevaleceu o compromisso com nosso povo. Destaco que a contribuição dessa casa está em todas as nossas realizações. Sou grato a todos os 17 (dezessete) nobres vereadores e vereadoras do meu primeiro mandato e aos 21 (vinte e um) membros desta legislatura, aonde enfrentamos diversos desafios, mas juntos sempre avançamos.

Recebo agora com responsabilidade e serenidade a um novo chamado, e com o sentimento de missão cumprida e eternamente grato pela oportunidade a nós concedida, atendendo a legislação vigente, apresento a renúncia ao cargo de prefeito, confiante de que o meu maior feito foi de que os rio-branquenses voltaram a sentir o orgulho e a alegria de serem rio-branquenses.

Rio Branco estará sempre em meu coração,

Rio Branco, 26 de março de 2026.

Tião Bocalom

Durante a leitura, o conteúdo chamou atenção pelo forte tom religioso, com referências à fé cristã e à condução espiritual das decisões tomadas por Bocalom ao longo de sua gestão. Foto: captada 

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Acre

Trânsito na Getúlio Vargas funcionará em sentido duplo durante obras do Complexo Viário

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O governo do Estado entrega nesta quinta-feira, 26, a partir das 7 horas da manhã, a primeira etapa do Complexo Viário das avenidas Getúlio Vargas e Ceará. Inicialmente, a circulação de veículos será mantida em sentido duplo, inclusive com a instalação de três semáforos na altura do Colégio de Aplicação para melhor organizar o fluxo.

A partir das 8h30 será permitido o tráfego de veículos na parte superior do viaduto. Essa liberação, que integra um projeto maior de mobilidade urbana, é resultado de um investimento superior a R$ 40 milhões e trará alívio para os condutores que enfrentam diariamente os congestionamentos na região.

As obras devem seguir pelos próximos meses, mas a medida já vai permitir que motoristas circulem com mais fluidez, especialmente nos horários de pico. Outras etapas do complexo continuam em andamento, com previsão de conclusão nos próximos meses, incluindo a ampliação de faixas de rolamento e a construção de novos acessos.

A liberação parcial faz parte de um esforço do governo estadual para melhorar a infraestrutura viária da capital, aumentando a segurança e a mobilidade urbana. A população deve ficar atenta às orientações das equipes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AC) e da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), garantindo uma adaptação segura e eficiente.

Como fica a circulação de veículos?

Getúlio Vargas sentido Centro-Bairro:

  • Circulação em sentido duplo desde o cruzamento com a Avenida Brasil, passando pelo Colégio de Aplicação, rumo à Maternidade Bárbara Heliodora;
  • Após o semáforo, pode-se ainda converter à esquerda na Rua Rio Grande do Sul;

Getúlio Vargas sentido Bairro-Centro:

  • Circulação em sentido duplo em toda sua extensão até o cruzamento com a Avenida Brasil;
  • Após o semáforo, pode-se ainda converter à direita na Rua Rio Grande do Sul;

Rua Rio Grande do Sul:

  • Circulação em sentido duplo durante toda sua extensão na região do Centro;
  • Após o semáforo, torna-se obrigatória a conversão à direita na Avenida Getúlio Vargas

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