Cotidiano
Irmã de ex-prefeito e secretário estão entre alvos de operações da PF que apuram desvio de recursos em Cruzeiro do Sul
Além deles, dois empresários de Cruzeiro do Sul também estão entre os investigados. Secretário de Administração, João Pereira, foi exonerado do cargo nesta quarta-feira (26). Operações Jumper e Súplica foram deflagradas nessa terça (25).

Irmã de ex-prefeito e secretário estão entre alvos de operações da PF que apuram desvio de recursos em Cruzeiro do Sul — Foto: Arquivo
Por Iryá Rodrigues
O secretário Administração da prefeitura de Cruzeiro do Sul, João Pereira, e a irmã do ex-prefeito Ilderlei Cordeiro, a advogada Idelcleide Cordeiro, estão entre os alvos das operações da Polícia Federal deflagradas, simultaneamente, nessa terça-feira (25).
Além deles, os empresários e irmãos Manu Cameli e Sandro Cameli foram alvos dos mandados de busca e apreensão. A informação foi confirmada pelo advogado de Manu, Mainard Holanda.
“Ele [Manu Cameli] foi alvo dessa operação, exclusivamente, a respeito de venda de cestas básicas, que ele participou de uma licitação emergencial agora em 2021, sagrou-se vencedor e, consequentemente, entregou essas cestas básicas. Ele colocou preço de mercado. Na busca na residência dele não encontraram nada, ele que entregou toda documentação em mãos à Polícia Federal quando foi prestar os esclarecimentos”, disse o advogado.
Areportagemtentou contato com Idelcleide pelo telefone informado no registro da OAB mas não obteve resposta até última atualização desta matéria. O irmão da investigada, ex-prefeito da cidade, disse que não conhece o advogado dela e que ela está sem telefone. A reportagem também não conseguiu contato com a defesa de Sandro.
O secretário João Pereira foi exonerado do cargo nesta quarta-feira (26), conforme decreto publicado no Diário Oficial do Estado. Quem assume a pasta, cumulativamente, é o chefe do gabinete do prefeito, Ney Williams Salgado Mazzaro. A nomeação dele foi publicada também na edição desta quarta do DOE.
As operações deflagradas nessa terça foram denominadas de “Jumper” e “Súplica”. Com relação à Jumper, foram cumpridos 42 mandados judiciais nas cidades de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, e na capital acreana Rio Branco. Além de alvos nas cidades de Manaus (AM), Brasília (DF), Pindamonhangaba (SP), São José dos Campos (SP), Salvador (BA) e Serrinha (BA).

Operação da Polícia Federal investiga desvio de recursos públicos de quase R$ 25 milhões em Cruzeiro do Sul – Foto: Arquivo/Polícia Federal
Operação Jumper
A ação investiga supostos desvios de recursos públicos, nos quais dois termos de colaboração firmados pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul com a Fundação Cultural e de Comunicação Valença (FCCV), envolveu o repasse de aproximadamente R$ 25 milhões. Três pessoas foram presas, uma em Cruzeiro do Sul e outras duas na Bahia.
Em nota, o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, que era vice-prefeito na gestão de Ilderlei Cordeiro, afirmou que as operações tratam-se de investigação sobre supostas ilegalidades feitas na gestão passada, e que existe também investigação sobre contratos referentes a enchente no ano de 2017.
Ele afirmou ainda que, com relação à sua gestão, iniciada este ano, há ainda investigação contratos feitos para aquisição de serviços durante a cheia. (Veja nota completa mais abaixo). O G1 também entrou em contato com a FCCV e aguarda resposta.
De acordo com a investigação, os desvios ocorriam por meio de notas fiscais fraudulentas emitidas por empresas indicadas por agentes políticos e integrantes do esquema criminoso, e figuravam como prestadoras de serviços, sem que houvesse uma contraprestação legítima. Nos últimos anos, em outros estados, a FCCV recebeu cerca de R$ 90 milhões.
“As fraudes se iniciavam pela falsificação de documentos que por sua vez ensejava na fraude dos procedimentos de contratações, possibilitando assim que o grupo criminoso adentrasse na máquina pública e permitisse o desvio de recursos públicos, em detrimento do grupo criminoso e dos agentes públicos envolvidos”, disse o delegado da PF, Thiago Souza.
Investigação
Ao todo, foram 12 meses de investigações, da PF. Até que fosse deflagrada a operação que tem como objetivo desarticular supostas organizações criminosas que praticavam crimes de peculato, corrupção passiva e ativa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, dentre outros. Além de coletar provas que possam comprovar ou mesmo alterar as hipóteses criminais apontadas nas investigações.
Segundo a Polícia Federal, os mandados foram expedidos pela Justiça Federal, em Cruzeiro do Sul, sendo 29 de busca e apreensão, quatro de prisão, oito de sequestro de bens móveis e um mandado de afastamento cautelar do cargo público. Além disso, foram bloqueados os ativos financeiros dos principais envolvidos no valor de aproximadamente R$ 6 milhões.
Ao todo, nove veículos foram apreendidos e levados para a delegacia e um servidor público do município de Cruzeiro do Sul afastado das funções. As prisões são duas na Bahia e uma em Cruzeiro de Sul e uma em São Paulo.
A operação Jumper foi nomeada desta forma devido a palavra, em inglês, que significa saltador, o que remete ao modus operandi da organização criminosa investigada, que “salta” de município para município, estado para estado, na tentativa de envolver agentes políticos e servidores à organização e, com isso, ampliar o montante de recursos públicos que poderá ser desviado, ocultado, dissimulado e movimentado em prol de seus membros.

Operação investiga desvio de recursos públicos — Foto: Arquivo/Polícia Federal
Nota da prefeitura de Cruzeiro do Sul
Sobre as operações desencadeadas nessa terça-feira, 25, pela Polícia Federal, gostaria de deixar bem claro que – pelo que foi divulgado – trata-se de uma ampla investigação sobre supostas ilegalidades feitas na gestão passada, referentes a um contrato firmado com a Fundação Cultural e de Comunicação Valença (FCCV). Existe também uma investigação sobre contratos referentes a enchente no ano de 2017.
Quanto a nossa gestão, iniciada em 2021, o que sabemos até agora é que existe, também, uma investigação sobre contratos feitos para aquisição de serviços durante a cheia desse ano. E sobre esse assunto, quero deixar claro que considero fundamental que exista tal investigação, já que estamos buscando trabalhar com honestidade e transparência. Os maiores interessados que se investigue, somos nós mesmos. Faremos tudo que estiver ao nosso alcance para ajudar a justiça a elucidar essa questão.
Diante dos fatos divulgados, tomaremos as medidas necessárias de forma imediata, não descansaremos até que tudo esteja plenamente esclarecido.
Nós acreditamos na política séria e feita com o intuito de cuidar da cidade e das pessoas. Na enchente desse ano fizemos um trabalho que muito me orgulha. Enfrentamos todos os desafios e tratamos das mais diversas situações vividas por milhares de pessoas que, naquele momento, precisavam de uma mão estendida. Agora, a busca pela transparência e pelo uso correto do dinheiro público é algo que não abrimos mão.
Espero que se investigue e que logo tenhamos uma conclusão rápida de todos os fatos. Ninguém é culpado de véspera e ninguém está acima da justiça.
Zequinha Lima
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Cotidiano
14 pessoas são condenadas por desvio milionário de combustíveis no Iapen
Segundo os autos do processo, o prejuízo aos cofres públicos foi estimado em R$ 4,3 milhões, em um dos maiores casos de fraude já apurados envolvendo a autarquia

Durante a ação, foram apreendidos aparelhos celulares, cerca de dois mil litros de combustíveis, 12 veículos e aproximadamente R$ 30 mil em dinheiro. Foto: captada
Matheus Mello
As investigações da Polícia Civil do Acre resultaram na condenação de 14 pessoas envolvidas em um esquema de desvio de combustíveis do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen). Segundo os autos do processo, o prejuízo aos cofres públicos foi estimado em R$ 4,3 milhões, em um dos maiores casos de fraude já apurados envolvendo a autarquia. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (5).
O grupo foi alvo da Operação Ouro Negro, deflagrada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que desarticulou uma associação criminosa responsável por desviar, em média, cerca de 10 mil litros de gasolina e óleo diesel por mês. A investigação começou após a identificação de um consumo de combustível muito acima dos padrões históricos e incompatível com a frota de veículos do Iapen.
As apurações apontaram que o então chefe do setor de transportes do instituto, ocupante de cargo comissionado, liderava o esquema. De acordo com a investigação, um segundo envolvido ficava responsável pela revenda do combustível desviado, enquanto outro atuava na captação de fazendeiros e empresários interessados em adquirir o produto por valores muito abaixo do mercado. À época, o litro do óleo diesel chegou a ser vendido por R$ 1,50.
Consta no processo que os desvios ocorreram entre 2018 e 2021. Para tentar dar aparência de legalidade à prática, um dos réus, identificado como J.J.P., emitia notas fiscais fictícias no sistema financeiro do Iapen. Em novembro de 2021, a Polícia Civil deflagrou a operação, cumprindo dois mandados de prisão preventiva e 19 mandados de busca e apreensão.
Durante a ação, foram apreendidos aparelhos celulares, cerca de dois mil litros de combustíveis, 12 veículos e aproximadamente R$ 30 mil em dinheiro. Também houve o bloqueio de contas bancárias dos investigados. Ao final do processo, a Vara de Delitos de Organizações Criminosas julgou procedente a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Acre, condenando os 14 réus pelos crimes de associação criminosa, peculato-desvio e receptação.
O coordenador da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC), delegado Pedro Paulo Buzolin, destacou a importância do resultado alcançado. “Esse resultado é fruto de um trabalho técnico, persistente e integrado da Polícia Civil. A investigação conseguiu desmontar uma estrutura criminosa que causou um prejuízo milionário ao Estado e mostrar que desvios de recursos públicos não ficarão impunes. É uma resposta clara à sociedade de que o crime organizado e a corrupção serão combatidos com rigor”, afirmou.

A investigação começou após a identificação de um consumo de combustível muito acima dos padrões históricos e incompatível com a frota de veículos do Iapen. Foto: captada
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Empresários e fazendeiros compravam combustíveis desviados do Iapen em esquema milionário
A associação criminosa foi responsável por desviar, em média, cerca de 10 mil litros de gasolina e óleo diesel por mês

A associação criminosa foi responsável por desviar, em média, cerca de 10 mil litros de gasolina e óleo diesel por mês. Foto: captada
Matheus Mello
A Polícia Civil do Acre revelou nesta quinta-feira (5) que 14 pessoas foram condenadas por um esquema de desvio de combustíveis do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen). De acordo com as investigações, o prejuízo aos cofres públicos foi estimado em R$ 4,3 milhões, em um dos maiores casos de fraude já apurados na instituição.
A investigação começou após a identificação de um consumo de combustível muito acima dos padrões históricos e incompatível com a frota de veículos do Iapen.
As apurações apontaram que o então chefe do setor de transportes do instituto, ocupante de cargo comissionado, liderava o esquema. De acordo com a investigação, um segundo envolvido ficava responsável pela revenda do combustível desviado, enquanto outro atuava na captação de fazendeiros e empresários interessados em adquirir o produto por valores muito abaixo do mercado. À época, o litro do óleo diesel chegou a ser vendido por R$ 1,50.
A associação criminosa foi responsável por desviar, em média, cerca de 10 mil litros de gasolina e óleo diesel por mês. Segundo a polícia, os desvios ocorreram entre 2018 e 2021. Para tentar dar aparência de legalidade à prática, um dos réus, identificado como J.J.P., emitia notas fiscais fictícias no sistema financeiro do Iapen. Em novembro de 2021, a Polícia Civil deflagrou a operação, cumprindo dois mandados de prisão preventiva e 19 mandados de busca e apreensão.
Durante a ação, foram apreendidos aparelhos celulares, cerca de dois mil litros de combustíveis, 12 veículos e aproximadamente R$ 30 mil em dinheiro. Também houve o bloqueio de contas bancárias dos investigados. Ao final do processo, a Vara de Delitos de Organizações Criminosas julgou procedente a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Acre, condenando os 14 réus pelos crimes de associação criminosa, peculato-desvio e receptação.
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Polícia Civil recupera 54 botijas de gás em menos de 24 horas em Cruzeiro do Sul
Todo o material recuperado foi devidamente restituído ao legítimo proprietário, reduzindo de forma significativa os prejuízos causados pela ação criminosa

Durante a operação, foi preso em flagrante por receptação o nacional F. C. S. O., que foi conduzido à Delegacia de Polícia para a adoção das providências legais cabíveis. Foto: captada
A atuação conjunta de dois núcleos estratégicos da Polícia Civil do Acre — o Núcleo Especializado em Investigação Criminal (NEIC) e o Núcleo Especializado em Investigação de Crimes Patrimoniais (NEPATRI) — resultou em uma resposta rápida e eficiente no combate aos crimes patrimoniais em Cruzeiro do Sul.
Após o registro de um furto ocorrido em um estabelecimento comercial do município, as equipes iniciaram diligências investigativas pautadas na integração operacional, troca contínua de informações e trabalho técnico especializado, o que possibilitou, em menos de 24 horas, a localização da maior parte dos objetos subtraídos.
Como resultado da ação policial, os investigadores chegaram a três locais distintos, situados nos bairros Cruzeirão, Remanso e São José, onde foi possível apreender 54 das 59 botijas de gás furtadas. Todo o material recuperado foi devidamente restituído ao legítimo proprietário, reduzindo de forma significativa os prejuízos causados pela ação criminosa.
Durante a operação, foi preso em flagrante por receptação o nacional F. C. S. O., que foi conduzido à Delegacia de Polícia para a adoção das providências legais cabíveis.
A Polícia Civil informa que as investigações prosseguem com o objetivo de identificar e responsabilizar os autores do furto, reforçando o compromisso institucional com a elucidação completa dos fatos.
A ação evidencia a importância da atuação integrada entre núcleos especializados da Polícia Civil, confirmando que o trabalho coordenado, técnico e estratégico é fundamental para o enfrentamento eficaz da criminalidade.
A Polícia Civil do Acre reafirma seu compromisso com a segurança da população, a defesa do patrimônio e o combate contínuo ao crime, atuando de forma firme, integrada e eficiente em benefício da sociedade.

A Polícia Civil informa que as investigações prosseguem com o objetivo de identificar e responsabilizar os autores do furto. Foto: captada

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