Brasil
Contas do governo registram rombo recorde de R$ 33 bi até outubro
No mês passado, foi registrado déficit primário de R$ 12,27 bilhões.
Até outubro, resultado negativo, de R$ 33 bilhões, também é o pior da série.
G1
Em meio à recessão e às dificuldades do governo para aumentar a arrecadação – apesar da alta de vários tributos neste ano –, as contas públicas continuam com resultado sofrível, segundo números divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional nesta quinta-feira (26).
Em outubro, foi registrado um déficit primário (despesas maiores que receitas, sem contar os juros da dívida) de R$ 12,27 bilhões. É o pior resultado para este mês desde o início da série histórica, em 1997. Até então, o maior déficit para este mês havia sido registrado 1998, no valor de R$ 1,46 bilhão.
Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, o déficit recorde registrado em outubro deste ano está relacionado com a antecipação da primeira parcela do 13º dos aposentados e pensionistas. Por conta deste pagamento, a Previdência teve um déficit de R$ 19,8 bilhões em outubro deste ano, contra um resultado negativo de R$ 2,89 bilhões no mesmo mês de 2014.
Nos dez primeiros meses deste ano, as contas do governo tiveram um déficit primário de R$ 33,09 bilhões. Com isso, também registraram o pior resultado da série histórica, iniciada em 1997, para este período – superando o ano de 2014, que era o maior déficit da série (-R$ 11,63 bilhões).
“O componente do ciclo econômico [baixo nível de atividade] está afetando a arrecadação. Além disso, as empresas estão com alto grau de incerteza e estão retendo um pouco esses recursos. Buscando não fazer a arrecadação de seus impostos agora”, declarou Saintive, do Tesouro Nacional, lembrando que as empresas podem apurar seus tributos por estimativa e mudar o regime de tributação, realizando os pagamentos posteriormente.
Revisão da meta fiscal
Por conta do resultado ruim das contas públicas neste ano, o Executivo anunciou, no mês passado, uma nova revisão da meta fiscal de 2015. A meta passou de um superávit, nas contas do governo, para um déficit fiscal de R$ 51,8 bilhões – o pior resultado da história. Essa revisão, porém, ainda tem de passar pelo Congresso Nacional.
O governo admitiu ainda que o valor do rombo pode ser maior caso seja incluído o pagamento das chamadas “pedaladas fiscais” (as dívidas da União com os bancos públicos), e não se confirme a receita de R$ 11 bilhões prevista com o leilão de hidrelétricas (que o governo já anunciou que será pago somente em 2016). O déficit pode atingir, deste modo, quase R$ 120 bilhões.
Receitas, despesas e investimentos
As receitas totais (a arrecadação) subiram 2,7% nos dez primeiros meses ano (em termos nominais, sem descontar a inflação), contra o mesmo período do ano passado, para R$ 1,02 trilhão. O aumento das receitas foi de R$ 27,2 bilhões sobre o mesmo período do ano passado.
Ao mesmo tempo, as despesas totais subiram quase o dobro nos dez primeiros meses deste ano (ainda em termos nominais): 5,1%, para R$ 885 bilhões. Neste caso, o aumento foi de R$ 42,85 bilhões. Os gastos somente de custeio, por sua vez, avançaram 9,2% na parcial deste ano, para R$ 198 bilhões – um aumento de R$ 16,81 bilhões.
Já no caso dos investimentos, porém, houve forte redução de gastos. As despesas com investimentos caíram 33,4% nos dez primeiros meses deste ano, para R$ 45,85 bilhões. A queda frente ao mesmo período de 2014 foi de R$ 22,95 bilhões, de acordo com o Tesouro.
Pagamento de subsídios
Segundo números oficiais, o governo está retomando o pagamento de subsídios – cuja despesa estava atrasada no ano passado nos episódios que estão relacionados com as chamadas “pedaladas fiscais”, em análise no Tribunal de Contas da União (TCU). O governo admitiu recentemente que as “pedaladas” somaram R$ 57 bilhões.
De janeiro a outubro deste ano, o pagamento de subsídios somou R$ 22,5 bilhões, com aumento de 192% em relação ao mesmo período do ano passado, quando estas despesas somaram R$ 7,7 bilhões. As chamadas “operações oficiais de crédito e reordenamento de passivos” passaram de R$ 3,93 bilhões, nos dez primeiros meses de 2014, para R$ 17,23 bilhões no mesmo período deste ano – um aumento de 337%, ou R$ 13,3 bilhões.
Dividendos e concessões
Além do fraco comportamento da arrecadação, fruto do baixo ritmo da atividade econômica, o governo também informou que recebeu menos recursos de dividendos de empresas estatais.
De janeiro a outubro de 2015, o governo recebeu R$ 6,03 bilhões em dividendos (parcelas de lucros), contra R$ 17,77 bilhões no mesmo período de 2014.
Em concessões, porém, o governo recebeu mais valores de janeiro a outubro deste ano (R$ 5,62 bilhões) contra o mesmo período do ano passado (R$ 2,8 bilhões).
O governo informou ainda que foi realizado um pagamento de R$ 1,25 bilhão para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) nos nove primeiros meses deste ano, em comparação com R$ 8 bilhões no mesmo período do ano passado.
Apesar de ter prometido não fazer pagamentos para a CDE neste ano, foi paga uma última parcela em janeiro. A CDE é um fundo por meio do qual realiza ações no setor elétrico, entre elas o financiamento de programas como o Luz para Todos, subsídio à conta de luz de famílias de baixa renda, compra de combustível para termelétricas e pagamento de indenizações para empresas.
Medidas de ajuste
Para tentar melhorar o desempenho das contas públicas neste ano, o governo subiu tributos sobre combustíveis, automóveis, empréstimos, importados, receitas financeiras de empresas, exportações de produtos manufaturados, cerveja, refrigerantes, cosméticos e folha de pagamentos. A alta da tributação sobre a folha começa a valer, porém, somente em 2016.
O governo também limitou benefícios sociais, como o seguro-desemprego, o auxílio-doença, o abono salarial e a pensão por morte, medidas já aprovadas pelo Congresso Nacional.
Além disso, efetuou um bloqueio inicial de R$ 69,9 bilhões no orçamento deste ano, valor que foi acrescido de outros R$ 8,6 bilhões no mês passado. Os principais itens afetados pelo contingenciamento do orçamento de 2015 são os investimentos e as emendas parlamentares.
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Médico alerta para risco de transmissão de Mpox após Carnaval: “Monitorar por até 21 dias”
Com casos confirmados em Rondônia, população deve redobrar a atenção após período de contato intenso nas festas

O médico destaca que qualquer pessoa que tenha tido contato próximo – seja contato íntimo, beijo, abraço ou proximidade prolongada – deve monitorar a própria saúde por até 21 dias. Foto: montagem
Redação Anne Nascimento
Com o registro de quatro casos de Mpox em Rondônia nesta sexta-feira (20), o infectologista Thor Dantas reforça que o momento exige vigilância redobrada no Acre, principalmente por causa das aglomerações e do contato físico intenso durante o Carnaval.
O médico explicou que o período festivo aumenta o risco de transmissão, já que a doença se espalha principalmente por meio do contato direto com lesões na pele e proximidade física. “Depois de um evento como o Carnaval, em que há grande interação entre as pessoas, é fundamental que todos fiquem atentos ao surgimento de sintomas”, alertou.
O médico destaca que qualquer pessoa que tenha tido contato próximo – seja contato íntimo, beijo, abraço ou proximidade prolongada – deve monitorar a própria saúde por até 21 dias, período de incubação do vírus.
“Se nesse intervalo surgirem febre, dor no corpo, aumento dos gânglios e principalmente lesões na pele, é preciso procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação e notificação”, explicou. Caso não haja manifestação de sintomas após os 21 dias, a infecção é descartada.
Isolamento e responsabilidade
De acordo com o infectologista, pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem permanecer em isolamento domiciliar desde o início dos sintomas até a queda completa das crostas das lesões, o que pode levar de duas a quatro semanas. “O paciente deve ficar isolado em casa e rastrear as pessoas com quem ele teve contato – sexual ou não. Esse monitoramento deve existir, e o paciente deve fazer o diagnóstico com coleta de material, um serviço feito pela própria saúde pública”, finaliza.
Veja vídeo, médica detalha situação em Porto Velho:
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Lei obriga uso de crachá de identificação por todos os servidores municipais de Rio Branco
Medida visa coibir fraudes e reforçar segurança após relatos de falsários que se passavam por funcionários públicos no Bairro da Paz

Segundo o parlamentar, a iniciativa surgiu após relatos de moradores do Bairro da Paz que foram vítimas de assalto praticado por pessoas que se passavam por servidores municipais. Foto: captada
Foi promulgada nesta sexta-feira (20) a Lei Municipal nº 2.663/2026, que torna obrigatório o uso de crachá de identificação por todos os servidores públicos municipais de Rio Branco, incluindo efetivos, comissionados, temporários e colaboradores terceirizados no exercício de suas funções .
De autoria do vereador Leôncio Castro, a medida visa reforçar a segurança e a transparência no atendimento à população .
Segundo o parlamentar, a iniciativa surgiu após relatos de moradores do Bairro da Paz que foram vítimas de assalto praticado por pessoas que se passavam por servidores municipais .
“A cidade ganha com essa lei. A identificação dos servidores garante mais segurança para a população e mais confiança no serviço público”, destacou o vereador .
A norma foi promulgada pela Câmara Municipal de Rio Branco com base no §7º do artigo 40 da Lei Orgânica do Município e já está em vigor, conforme publicação no Diário Oficial .
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Xadrez eleitoral no Acre: alianças, vetos e disputas internas redesenham corrida ao governo e ao Senado
Fontes indicam que a direção nacional do PL prioriza a eleição de senadores nos Estados, o que pode significar negativa de legenda a Bocalom no estado do Acre

Caso a aliança se confirme nos termos anunciados (PP/MDB), possível presença de nomes como Jéssica Sales na composição amplia o alcance regional e fortalece o discurso de unidade. Foto: captada
Por Dell Pinheiro
A corrida eleitoral de 2026 no Acre entrou de vez na fase das articulações decisivas. Declarações recentes do governador Gladson Cameli (PP), revelam um cenário em que alianças estão praticamente seladas, mas ainda cercadas de condicionantes políticos e disputas internas que podem alterar o tabuleiro.
No centro da estratégia governista está a vice-governadora Mailza Assis (PP), apontada por Cameli como sua candidata natural à sucessão. Segundo o governador, o acordo com o MDB estaria fechado, restando apenas o anúncio oficial. A promessa inclui participação na chapa majoritária e apoio na formação das nominatas para deputado federal.
A consolidação de Mailza e o peso do MDB
Caso a aliança se confirme nos termos anunciados, Mailza inicia sua pré-campanha com musculatura reforçada, especialmente no Vale do Juruá — reduto estratégico que concentra lideranças influentes do MDB. A possível presença de nomes como Jéssica Sales na composição amplia o alcance regional e fortalece o discurso de unidade.
A orientação de Cameli para que Mailza mantenha o secretariado ao assumir o governo em abril revela uma tentativa clara de transmitir estabilidade administrativa e coesão política. A leitura é pragmática: evitar rupturas internas e impedir desgastes antes do período eleitoral mais sensível, quando a legislação impõe restrições à máquina pública.
No entanto, há um “abacaxi” a ser descascado: a segunda vaga ao Senado na chapa governista. Estão no radar nomes como Márcio Bittar (PL), Sérgio Petecão (PSD), Eduardo Veloso (UB) e Jéssica Sales (MDB). Qualquer escolha implicará perdas e possíveis dissidências.

Com a possibilidade de veto dentro do PL, Bocalom sinaliza que não recuará. Alternativas como AVANTE ou PSDB são cogitadas. O desafio, contudo, vai além da legenda. Foto: captada
O impasse no PL e o futuro de Bocalom
Se no campo governista há tentativa de unificação, no PL o cenário é de tensão. O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, mantém pré-candidatura ao governo, mas enfrenta resistência interna.
Fontes indicam que a direção nacional do PL prioriza a eleição de senadores nos Estados, o que pode significar negativa de legenda a Bocalom. A disputa com o senador Márcio Bittar não é apenas pessoal; reflete o controle do partido no Acre e a estratégia nacional da sigla.
Mesmo diante da possibilidade de veto, Bocalom sinaliza que não recuará. Alternativas como AVANTE ou PSDB são cogitadas. O desafio, contudo, vai além da legenda: montar chapas competitivas para deputado estadual e federal, já que muitos nomes fortes estão comprometidos com outros blocos.
PSD entre o pragmatismo e o isolamento
O PSD vive seu próprio dilema. O senador Sérgio Petecão adota postura de “tudo ou nada”: só discutirá aliança após Mailza assumir o governo e exige representação na chapa majoritária. Sem espaço, o partido pode liberar seus candidatos ou buscar novo rumo.
A relação com o senador Alan Rick (Republicanos) é marcada por desconfiança. Parte da direção do PSD resiste a uma aproximação, enquanto alianças com a esquerda são consideradas improváveis. O resultado pode ser um partido fragmentado no apoio ao governo.
Republicanos e o fator Alan Rick
Alan Rick desponta como alternativa competitiva ao Palácio Rio Branco. Há movimentações nos bastidores indicando que lideranças governistas podem migrar para seu campo, caso percebam enfraquecimento na candidatura de Mailza.
Ao mesmo tempo, aliados de Alan torcem para que Bocalom não deixe a prefeitura para disputar o governo, avaliando que um cenário polarizado apenas entre Mailza e Alan favoreceria uma definição mais rápida, possivelmente em primeiro turno.
PP sob tensão interna
No PP, a posição do vice-prefeito Alysson Bestene — que declarou apoio à reeleição de Márcio Bittar independentemente do cenário — cria embaraço para a direção regional. A coerência disciplinar do partido passa a ser questionada, especialmente diante de punições cogitadas contra outros filiados por apoios diverge

O senador Sérgio Petecão adota postura de “tudo ou nada”: só discutirá aliança após Mailza assumir o governo e exige representação na chapa majoritária. Foto: captada

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