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Policiais penais voltam a protestar por reforço no efetivo e melhores condições de trabalho no Acre
Servidores cobram melhores condições de trabalho e revisão da escala de plantão durante protesto nesta terça-feira (16). Grupo deve entregar um documento com as reivindicações ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que cumpre agenda no estado

Policiais penais voltam a protestar em Rio Branco e cobram melhores condições de trabalho. Foto: captada
Por Jhenyfer de Souza, Aline Pontes
Policiais penais voltaram a protestar na manhã desta terça-feira (16) em frente à Assembleia Legislativa do Acre, em Rio Branco, por melhores condições de trabalho, valorização da categoria, mudanças no plano de cargos e na escalas.
Esta não é a primeira manifestação dos policiais penais. Há uma semana, os servidores também protestaram em frente à Aleac. Além de melhorias trabalhistas, os manifestantes reclamaram do problemas de saúde e da falta de assistência adequada à categoria.
Durante o protesto desta terça, os servidores também disseram que vão entregar uma carta com denúncias sobre o sistema prisional ao ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Luiz Marinho, que cumpre agenda no estado também nesta terça.
Em nota, o presidente do Iapen-AC, Marcos Frank Costa, disse que o edital do concurso permite que as convocações sejam feitas conforme o dinheiro disponível e o orçamento. Isso deve acontecer dentro do prazo de validade do concurso.
Segundo José Janes, policial penal e secretário da Federação do Servidores Públicos do Acre, o documento aponta as condições de trabalho dos policiais e escalas de plantão consideradas desumanas.
”Preparamos uma carta e vamos entregar ao Ministro do Trabalho. Há trabalhadores que entram às 7h e saem apenas às 7h do dia seguinte. Depois de 24 horas de serviço, descansam e já retornam para outro plantão. Isso é desumano”, relatou Janes.
Ainda de acordo com ele, a expectativa é que a carta ajude a abrir espaço para negociações com o governo. “Não somos inimigos do governo. O que queremos é discutir soluções para um sistema que está à beira do colapso. Se não houver diálogo, vai continuar fugindo preso e mais servidores vão adoecer”, disse.
No último dia 11, o governo nomeou 183 servidores para o quadro efetivodo Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC). São 170 policiais penais e 13 funcionários para o setor administrativo que foram aprovados em um concurso público que ocorreu em 2023.
Contudo, segundo Janes, o número de convocação é baixo. “Hoje temos cerca de mais ou menos 600 profissionais esperando para entrar no presídio, todos formados, mas até agora só chamaram 183. Isso é pouco. A gestão precisa aumentar esse quadro e abrir diálogo real com a categoria”, reforçou.

Policiais penais do Acre fazem manifestação e cobram melhorias. Foto: cedida
Convocações
O edital do concurso do Iapen-AC foi homologado em março deste ano. A carga horária para os aprovados é de 40 horas semanais. Entre os cargos oferecidos, estão os de técnico administrativo e operacional, assistente social, engenheiro civil, especialista em execução penal e psicólogo. As vagas foram distribuídas entre os polos Baixo Acre, Juruá, Purus, Tarauacá e Envira.
Além disso, ainda em fevereiro deste ano, a Secretaria de Administração (Sead) e o Iapen-AC convocaram de 300 candidatos ao cargo de agente de polícia penal para o curso de formação. Já em julho, o governo formou 308 policiais penais em um evento em Rio Branco.
Limite de gastos
O presidente do Iapen-AC ambém destacou que as nomeações dependem de vagas que ficaram abertas. Ele informou que uma nova contratação está sendo analisada, seguindo as regras definidas pela Procuradoria Geral do Estado (PGE).
As contratações não podem aumentar os gastos, uma regra do artigo 22 da Lei de Responsabilidade Fiscal que limita as despesas com pessoal.

O presidente do Iapen-AC, Marcos Frank Costa, disse que o edital do concurso permite que as convocações sejam feitas conforme o dinheiro disponível e o orçamento. Foto: captada
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Idoso é esfaqueado ao pedir que morador em situação de rua deixasse frente de tapeçaria em Rio Branco
Vítima de 66 anos foi atingida quatro vezes, uma das facadas perfurou o pulmão; estado de saúde é estável
José Oliveira Ferreira, de 66 anos, foi vítima de uma tentativa de homicídio na manhã deste sábado (10), na Avenida Ceará, no bairro Estação Experimental, em Rio Branco.
Segundo informações repassadas pela própria vítima, José Oliveira estava abrindo o portão de sua tapeçaria quando pediu para que um morador em situação de rua, que dormia em frente ao estabelecimento, se retirasse do local. O homem teria se levantado, sacado uma faca e desferido vários golpes contra o idoso, fugindo logo em seguida.
Ao todo, José foi atingido por quatro facadas, sendo que uma delas perfurou o pulmão, o que exigirá a realização de um procedimento de drenagem torácica.
Funcionários de uma loja de autopeças próxima acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que prestou os primeiros socorros, estabilizou a vítima e a encaminhou ao Pronto-Socorro de Rio Branco.
De acordo com a equipe médica, o estado de saúde de José Oliveira é considerado estável.
Até o fechamento desta matéria, a Polícia Militar ainda não havia sido acionada para atender a ocorrência. O autor do ataque não foi localizado.
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Crise na Venezuela levou mais de 9,4 mil venezuelanos a pedir refúgio no Acre

Foto: Sérgio Vale/ac24horas
Dados do Observatório Nacional das Migrações Internacionais indicam que, entre 2013 e 2025, o Acre registrou 9.432 solicitações de refúgio de cidadãos venezuelanos, em um contexto marcado pelo aprofundamento da crise política, social e econômica da Venezuela. No mesmo período, 8.596 pedidos foram deferidos, evidenciando o reconhecimento, por parte do Estado brasileiro, de que esses migrantes fugiam de um cenário de grave e generalizada violação de direitos humanos, intensificado a partir da ascensão de Nicolás Maduro à Presidência, em 2013, após a morte de Hugo Chávez.
A instabilidade venezuelana tem raízes no modelo político e econômico consolidado durante os governos de Hugo Chávez (1999-2013), quando políticas sociais foram ampliadas com base na alta do preço do petróleo. Apesar dos avanços iniciais, a economia tornou-se excessivamente dependente da estatal PDVSA, enquanto setores produtivos foram enfraquecidos e as instituições democráticas passaram a sofrer crescente interferência do Executivo.

Foto: Reprodução
Com a morte de Chávez, Maduro assumiu o poder em um cenário já fragilizado, marcado pela queda na produção de petróleo, inflação elevada e perda de reservas internacionais. Ao longo de seu mandato, a crise se aprofundou e, a partir de 2014, o país passou a enfrentar hiperinflação, escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, além do colapso de serviços básicos como saúde e energia elétrica, empurrando milhões de venezuelanos para situações extremas de vulnerabilidade.
No campo político, o governo Maduro passou a ser acusado de esvaziar instituições democráticas, especialmente após o enfraquecimento da Assembleia Nacional, então controlada pela oposição, e a criação de uma Assembleia Nacional Constituinte paralela, sem amplo reconhecimento internacional. Organizações de direitos humanos também passaram a denunciar repressão a protestos, detenções arbitrárias e perseguição sistemática a opositores.
Esse cenário impulsionou um dos maiores fluxos migratórios do mundo contemporâneo. No mesmo período analisado, foram registradas 287.058 solicitações de entrada de venezuelanos no Brasil, a grande maioria delas – 247.885 – concentrada em Roraima, estado que faz fronteira direta com a Venezuela e se consolidou como principal porta de entrada desses migrantes no país. A Região Norte, de modo geral, tornou-se o principal corredor migratório, com parte desse fluxo se deslocando posteriormente para outros estados, como o Acre.

Foto: reprodução
No território acreano, a maior parte das decisões de refúgio concedidas concentrou-se nos municípios de fronteira. Epitaciolândia respondeu por 7.905 reconhecimentos de refúgio, seguida por Rio Branco, com 348, e Assis Brasil, com 307 decisões favoráveis. Outros municípios também registraram concessões, ainda que em menor número, como Brasiléia, com 27 casos, Cruzeiro do Sul, com 7, e Feijó, com 2. O total de 8.596 decisões positivas reforça a avaliação oficial de que a maioria desses venezuelanos deixou o país em razão de um contexto de graves violações de direitos humanos.
Prisão de Maduro reacende debate internacional
No último sábado (3), a crise venezuelana ganhou um novo e controverso capítulo com a prisão de Nicolás Maduro em uma operação conduzida pelos Estados Unidos, conforme informações divulgadas por autoridades norte-americanas. O ex-presidente é acusado de crimes como narcotráfico internacional, conspiração criminosa e terrorismo, além de responder, há anos, a denúncias relacionadas a violações de direitos humanos em instâncias internacionais.













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