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Marivaldo assume a presidência do Banco da Amazônia e fala em investimentos

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Marivaldo disse esta muito orgulhoso por ser o primeiro funcionário de carreira do banco a chegar ao cargo mais importante da instituição

Marivaldo disse que está muito orgulhoso por ser o primeiro funcionário de carreira do banco a chegar ao cargo mais importante da instituição

Marivaldo disse que está muito orgulhoso por ser o primeiro funcionário de carreira do banco a chegar ao cargo mais importante da instituição

O novo presidente do Banco da Amazônia (Basa), Marivaldo Melo, tomou posse no cargo na manhã desta segunda-feira (16) em Belém, na sede da instituição financeira, em uma das mais concorridas solenidades da história do banco.

Os senadores Sérgio Petecão (PSD) e Gladson Cameli (PP) lideraram uma bancada de outros seis senadores que se juntaram ao governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), deputados federais, estaduais, vereadores e o vice-governador do Pará, Zequinha Miranda.

Marivaldo Melo falou de sua trajetória e disse estar muito orgulhoso por ser o primeiro funcionário de carreira do banco a chegar ao cargo mais importante da instituição. Mas ele lembrou que esse fato não é motivo de comemoração, mas de responsabilidade.

“A missão é o que mais me empolga, não o cargo de presidente”, observou. Quando discursou, Marivaldo fez um breve relato de sua trajetória no banco, onde está há quase duas décadas, e pediu o empenho de toda a equipe para que o trabalho surta ainda mais efeitos positivos.

Em discurso na tribuna do plenário do Senado Federal, senador Sérgio Petecão (PSD-AC)

Petecão e Cameli prestigiaram a posse de Marivaldo; o senador do PSD foi um dos responsáveis pela indicação do novo presidente

O senador Gladson Cameli falou da expectativa para a economia do Acre com a chegada do novo presidente do banco que mais fomenta os setores no estado. Para ele, Marivaldo não terá dificuldades em encaixar seu modelo de gestão, justamente porque é um profundo conhecedor das necessidades econômicas do Acre.

“Ele sabe melhor do que muita gente quais são os setores que mais necessitam dos investimentos do banco. É um gestor formado dentro do banco e não tenho duvidas de que vai ajudar muito o Acre”, disse ele.

Na agenda do novo presidente, o primeiro compromisso oficial será justamente no Acre, onde participa da inauguração do frigorífico Dom Porquito, no próximo dia 30, em Brasiléia. Na mesma viagem, Marivaldo terá uma audiência com o governador Tião Viana (PT), que não participou da solenidade de posse.

Para 2016, o Banco da Amazônia vai disponibilizar um orçamento de R$ 6 bilhões.

Confira o discurso de posse do presidente Marivaldo Melo:

Gostaria muito de iniciar este modesto pronunciamento agradecendo a Deus, a quem também rogo a iluminação e o discernimento necessários para avançar nesse novo desafio de desenvolver, cada vez mais, a Amazônia e a Região Norte do nosso país.

Registro aqui, minhas senhoras e meus senhores, o grande afeto e reconhecimento que nutro pela minha família, na figura do meu querido pai, Mario Diogo e da minha mãe Flor, a quem devo os melhores exemplos de vida honesta, de trabalho e de dedicação.

Meu muitíssimo obrigado pelo apoio indispensável da minha esposa Mielle, funcionária de carreira desta casa, que sempre soube lidar com muito equilíbrio nas questões familiares e profissionais.

Meus queridos filhos Pedro e João Gabriel, saibam do grande orgulho que tenho de ser seu pai e de saber que posso sempre contar com o afeto, apoio, respeito e compreensão de vocês.

Testemunham igualmente essa vida de lutas em família, minhas irmãs, a Dra. Maria da Glória ,Dra. Marineide, Dirce Melo, Dilene Melo, Elisa Melo, Janeide Melo, meus Sobrinho Thiago, Marta e Márcia aqui presentes. À essas profissionais vencedoras e dedicadas, meus abraços fraternos e o agradecimento pelo grande incentivo nas minhas pelejas cotidianas.

Saudações calorosas também faço aos meus irmãos Mário Diogo, Dra. Marilza e Graça Melo que não se fazem aqui presentes, mas estão aqui com seus pensamentos.

Senhoras e senhores,
Faço questão de falar dessa nossa família de 10 irmãos, porque tivemos as graças e as bênçãos de Deus que nos deu um pai com a sabedoria de um amazônida.

Esse homem simples e valente, nascido nas barrancas do Rio Purus, fez na vida um pouco de tudo. Foi seringueiro, regatão, vereador, prefeito, deputado e atualmente promotor de Justiça aposentado e pecuarista,

Devo ao meu pai, esse homem extraordinário de 102 anos de idade, os  melhores ensinamentos de vida, que sempre apontavam para um único caminho:  o caminho do bem e da educação.

Minha mãe com sua simplicidade nos mostrou que, acima de tudo, a verdade, a honestidade e a sensibilidade devem sempre prevalecer.

Foi nessa estrada, minhas amigas e meus amigos, que fomos aprendendo a caminhar e a enfrentar todos os desafios.

Senhores empregados e empregadas do Banco da Amazônia, amigas e amigos que engrandecem esta Casa,

Como técnico de carreira do BANCO, agradeço à Presidente Dilma Roussef e ao Ministro Joaquim Levy pela confiança em mim depositada para dirigir este valoroso e importante Banco de fomento com vista a continuar o desenvolvimento regional.

Sei dos grandes desafios do Banco, mas fico muito satisfeito, minhas senhoras e meus senhores, porque conto e sempre contei com o apoio de representantes políticos ilustres dessa Região.

Meu reconhecimento, portanto, ao  Senador Omar Aziz, cuja liderança política no Senado da República e no Congresso Nacional estão a serviço do crescimento econômico e da melhoria de vida das pessoas da nossa Região.

Minhas congratulações também se estendem  a todos os senadores e deputados federais aqui presentes, verdadeiros entusiastas e defensores das políticas regionais de geração de emprego e renda.

Senhores Governadores, Prefeitos, Senador Omar Aziz, demais Senadores e Deputados Federais, tenho a certeza absoluta de que contaremos com o apoio da Bancada federal da Região Norte para que o BANCO avance ainda mais  em projetos que, verdadeiramente, desenvolvam os municípios da Amazônia e da Região Norte do Brasil.

Senhoras e senhores,
Sinto-me parte da história do Banco da Amazônia em várias dimensões – profissionais, pessoais, sociais e emocionais.

Aqui é minha Casa e como tal, vivo a cada dia seus desafios, suas vitórias e conquistas.

Sou filho da Região da Amazônia com muito orgulho. Meu bisavô João Gabriel chegou em Boca do Acre em 1882, atraído pelo ouro negro, a borracha e assim, também surgiu o Banco. Minha história se encontra com a do Banco.

Amo esta terra, porque aqui construí minha família, meu trabalho e meu futuro.

Por isso não posso ocultar meu orgulho de estar aqui, minha alegria de ser nomeado no  cargo de Presidente do Banco,  instituição que tem grande importância e significado para essa Região.
Assumo, portanto, a presidência do Banco da Amazônia, com a missão e o foco de contribuir com este grande projeto de desenvolvimento regional, que conta com  corações, mentes, conhecimentos e experiências e grande vontade de acertar.

Como disse, carrego também meus valores morais e éticos, que recebi de meu pai e que procuro transmitir aos meus filhos.

São estes valores que garantem quem sou, o que fiz e o que farei em prol dessa Instituição.

Senhoras e senhores,

Inicio hoje essa caminhada na Presidência do Banco com a consciência da responsabilidade do cargo e do momento histórico que vivemos.
Tenho o privilégio e a honra de ser o primeiro servidor de carreira do Banco a assumir oficialmente o cargo de Presidente do Banco.

Isso também é motivo de orgulho para todas as mulheres e homens que trabalham no Banco, pelo reconhecimento pelo trabalho de qualidade que prestam à sociedade.

O Banco avançou muito nos últimos anos e tivemos muitas conquistas no campo da política de crédito, da gestão de pessoas, da tecnologia, dentre outras áreas.

Por isso,  reafirmo aqui que as gestões da Dra. Flora, Dr. Mâncio Lima, Dr. Abidias Junior e Dr. Valmir Rossi, contribuíram decisivamente para todos os avanços institucionais do Banco. Prova maior desses avanços é que hoje estou assumindo esse cargo, porque tive minha formação bancária preparada na própria instituição.

Assim, estou aqui como parte de um sonho coletivo, no qual tantas mulheres e homens dedicaram e se dedicam seus melhores esforços para o fortalecimento do Banco.

Ingressei no Banco como um técnico e tornei-me gestor. Por essa razão, esperem de mim uma gestão técnica amparada por preceitos éticos, na legalidade, com responsabilidade buscando corresponder ao cumprimento da Missão deste Banco.

E a missão do Banco é justamente a  de desenvolver de forma sustentável a Região. É a missão de reduzir as desigualdades regionais e sociais. É a missão de fazer da Amazônia um eixo estratégico e estruturante da economia do país.

Senhoras e senhores,

O desenvolvimento sustentável da região continuará como uma grande prioridade na minha gestão.

Para tanto, vamos perseguir as metas estabelecidas pelo Governo Brasileiro na ONU em sua última conferência.

Foi lá que a Presidente Dilma anunciou a redução do desmatamento em 82%, o reflorestamento de 12 milhões de hectares e a recuperação de outros 15  milhões de pastagem degrada, além da  integração de R$ 5 milhões hectares de lavoura-pecuária-floresta até o ano de 2030.

Vamos estabelecer metas anuais para esses objetivos, de acordo com a nossa capacidade operacional.

Aos diretores, gerentes e empregados do Banco asseguro que cuidarei pessoalmente para que  nossa rede de agências tenha o apoio e o incentivo para atingirmos os resultados que o Banco precisa.

No que depender desta presidência, vamos, cada vez mais, crescer, incluir, conservar e proteger, conforme os preceitos da Conferência RIO + 20”.

Estamos convictos de que esse caminho não tem volta. Por isso, iremos discutir o tema  com todos os parceiros do Banco, numa estratégia de atuação integrada.

A importância da Amazônia para o mundo é inegável, mas temos que levar em conta a sua população de 25 milhões de habitantes, que precisa ser incluída no processo produtivo.

Essa população, no que depender do Banco, estará incluída nas políticas de geração de emprego e renda.

Sempre digo que a pobreza gera passivo ambiental, e que a inclusão social no processo produtivo gera sustentabilidade. Não me afastarei desses eixos.

Prezadas amigas e amigos aqui presentes,

Estamos numa época de dificuldades na economia e na política.  Nós Amazônidas, entretanto, que sempre enfrentamos dificuldades com perseverança, acreditamos que os desafios serão superados.

E esta Empresa, este Banco, estará na vanguarda das ações em favor do crescimento e da prosperidade da na nossa Região. Seremos atores principais nessa empreitada que reerguerá a Amazônia e a Região Norte.

É muito importante dizer que o Banco da Amazônia vem cumprindo seu papel fundamental para a economia brasileira gerando emprego, renda na Amazônia, em projetos verdadeiramente estruturantes.

Até setembro de 2015, o Banco registrou o lucro líquido de R$ 181,7 milhões com um Patrimônio Líquido de R$ 1,89 bilhão. Hoje estamos administrando R$ 32,34 bilhões de ativos.

Com esses números, o Banco se consolida cada vez mais como a principal Instituição Financeira da Região Norte onde temos 61% do crédito de Fomento e 33% do crédito total aplicado.

O volume de crédito aplicado pelo Banco tem efeitos multiplicadores no crescimento da nossa economia, elevando o produto, a renda, a arrecadação de tributos e a geração de empregos na Amazônia.

O Banco da Amazônia, minhas senhoras e meus senhores é o principal instrumento de política pública na promoção do desenvolvimento regional da Amazônia.

Com relação a esses benefícios gerados pelo Banco, destacamos o crescimento no PIB regional, da ordem R$ 8,7 bilhões.

Citamos igualmente a evolução do Valor Bruto da Produção (VBP), com R$ 17 bilhões, a criação de mais de 300 mil postos de trabalhos e a destinação de cerca de R$ 2 bilhões ao pagamento de salários.

Esses números comprovam a solidez do Banco da Amazônia como instituição financeira, ao longo dos seus 73 anos.

Essa performance também é confirmada pelo indissociável balanço dos benefícios sociais gerados na Amazônia, que é, de maneira inconteste, uma das mais complexas e desafiadoras regiões do Brasil.

A região Amazônica, como todos sabemos, é caracterizada por extremos.

Assim como possui grandes extensões territoriais e  extensas áreas de preservação ambiental, biodiversidade e de  água potável ela também conta com baixos índices em algumas áreas sociais.

Nesse contexto de oportunidades e de superação de “gargalos”,  o Banco busca renovar suas políticas e estratégias de ação às novas demandas políticas, sociais, econômicas e ambientais.

Essa abordagem foi reafirmada na reformulação do nosso Planejamento Estratégico, ocorrida no ano passado.

Em decorrência, estamos aperfeiçoando o processo de concessão de crédito, para democratizar e agilizar, com segurança, o acesso daqueles que desejam produzir e gerar emprego e renda na região.

Nessa visão estratégica, a gestão de pessoas  ganhará ainda mais relevância, por meio do aperfeiçoamento e valorização contínua do nosso quadro de empregados. Isso é fundamental para que possamos prestar bons serviços à sociedade.

Tenho certeza de que contarei com o compromisso, o envolvimento e participação de cada mulher e de cada homem que trabalha nesta Casa .

Convido a todos, para, juntos, consolidarmos o BANCO DA AMAZÔNIA como instituição forte, permanente e necessária ao desenvolvimento social, humano e econômico da Amazônia e do Brasil.

Só iremos consolidar essa posição se avançarmos na boa prestação de serviços financeiros e creditícios às pessoas e às instituições do setor produtivo. Essa conquista é que propiciará a obtenção de resultados financeiros positivos e para a nossa Instituição.

Vamos dar continuidade à modernização dos processos gerenciais e da área de Tecnologia da Informação. Queremos e seremos um Banco de desenvolvimento moderno, ágil e cada vez mais voltado para a sua missão institucional de bem atender ao desenvolvimento da Região.

Tudo isso, minhas senhoras e meus senhores, será conduzido sob os princípios da ética e da transparência, valorizando a gestão colegiada.

Estas são ferramentas básicas para atuar em consonância com os princípios do desenvolvimento sustentável.

Vamos intensificar ainda mais o estreitamento das relações institucionais  com órgãos federais, governos estaduais, municipais e com a sociedade civil organizada.

Dessa aproximação com os vários segmentos da sociedade, espero obter mais e mais oportunidades de atuação do BANCO, aspecto indispensável para ampliarmos as nossas fontes de financiamento do desenvolvimento regional.

Encerro esta fala, agradecendo a todos os meus companheiros de equipe, aqueles que trabalharam comigo no Acre, na Regional Pará II e no Tocantins. Essas pessoas amigas me ajudaram de fato a construir uma carreira no Banco.

Agradeço aos nossos governadores da região, parlamentares federais, estaduais e municipais, aos prefeitos e vereadores, SEBRAE, EMATER, Federações, Associações Comerciais e de Classe pela parceria e pela confiança no nosso Banco da Amazônia.

Agradeço com muito afeto a meus amigos particulares, que aqui estão e vieram de muito longe para prestigiarem esta bonita solenidade.

E por falar em amigos, aproveito para lembrar  uma frase de Vinicius de Moraes:

“Depois de algum tempo você aprende que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longa distâncias e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida”.

Quero lhes assegurar que procurarei ser justo e fazer uma gestão transparente na Presidência do Banco.

Estou convicto também de  que serei bem sucedido tão somente se conduzir esta Instituição com muita dedicação zelo pelas pessoas, respeito, ética e transparência.

Por isso, não posso e não devo caminhar sozinho, ao contrário, vamos caminhar ainda mais juntos na construção do BANCO DA AMAZÔNIA e do futuro da nossa Região.

Meu olhar é de grande otimismo, mesmo sabendo dos grandes desafios. Vamos cumprir, juntos e integrados, a missão desse valoroso Banco, que é a de promover o desenvolvimento sustentável, para melhorar a vida das pessoas da nossa Região.

Não quero ser lembrando como o primeiro empregado de carreira a ascender a Presidência do Banco. Mas gostaria muito, muito mesmo, de  ser lembrando como um empregado que, na sua passagem pela Presidência do BANCO e na história desta Casa, agregou mentes e corações em prol do efetivo desenvolvimento desta Região.
Que Deus nos abençoe. Muito obrigado.

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Enamed: nota máxima é exceção, e desempenho varia conforme modelo

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Apenas 15% dos cursos atingiram nota máxima. CFM avalia barrar registro de egressos de cursos mal avaliados

Dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) indicam que, dos 351 cursos avaliados, apenas cerca de 15% dos cursos de medicina atingiram a nota máxima. A maior parte — 194 graduações — ficou concentrada nas faixas intermediárias, entre os conceitos 3 e 4.

A avaliação mostrou desempenho inferior entre universidades municipais e resultados irregulares em instituições enquadradas como categoria administrativa especial, que variam do conceito mínimo ao 5, o maior a ser obtido.


Enamed 2025

  • A análise dos resultados indica que a excelência no ensino médico, aferida pelo conceito 5, permaneceu restrita a 48 cursos.
  • A nota 4 foi atingida por 114 cursos.
  • A nota 3, patamar considerado distante do ideal, mas que fica fora de possíveis punições, foi atingida por 80 instituições.
  • Do total avaliado, 83 cursos obtiveram nota 2.
  • A nota 1, mais baixa dentro do conceito usado pelo Exame, foi dada a 24 cursos.
  • Um curso ficou sem conceito, pois menos de 10 alunos foram avaliados.
  • Os dados também mostram diferenças conforme o modelo institucional, em meio à ampliação acelerada da oferta de cursos de medicina no país, capitaneada principalmente pela rede privada.

Universidades públicas federais (21) e estaduais (18) concentram a maior parte das notas máximas, enquanto instituições privadas aparecem com maior frequência entre os conceitos mais baixos.

Para o conselheiro federal Estevam Rivello, 2º secretário do Conselho Federal de Medicina, os resultados confirmam alertas feitos há anos pelas entidades médicas.

“Há mais ou menos duas décadas, as entidades médicas brasileiras já têm apontado as deficiências e fragilidades do ensino médico brasileiro”, afirmou. Segundo ele, “se antes nós tínhamos um sistema extremamente público de ensino superior e com qualidade”, hoje “70% do ensino médico brasileiro” está concentrado na iniciativa privada.

Entre os modelos avaliados, as instituições classificadas na categoria administrativa especial apresentam um dos quadros mais instáveis. Nesse grupo, há cursos tanto com nota 1 (3) quanto com nota 5 (1), sem um padrão consistente de desempenho, o que levanta o debate acerca dos critérios de autorização, acompanhamento e fiscalização adotados pelo Ministério da Educação.

Outro ponto de atenção envolve as universidades municipais. Embora respondam por uma parcela pequena da oferta avaliada pelo Enamed – apenas 8 instituições participaram do Exame –, esses cursos concentraram desempenho mais fraco. A maioria (7) ficou entre as notas 1 e 2. A nota máxima foi atingida apenas por um curso da Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP).

Rivello relaciona esse desempenho às limitações estruturais e financeiras enfrentadas por municípios menores. “A gente vê as faculdades abrindo em cidades diminutas, mas não implementam melhorias para a assistência de saúde da população”, disse. Segundo ele, em muitos casos, “não tem hospital escola, não tem ambulatório”.

Ele também apontou carência de docentes qualificados. “Nós não temos hoje um número de mestres e doutores suficiente para atender a esse parque de ensino médico que existe no Brasil. São outros profissionais de outras profissões ensinando temas relacionados à área genuinamente médica. E o estudante não está sendo permitido a possibilidade de aquilo que é visto na sala de aula e no livro, ser treinado no ambiente de ambulatório e também hospitalar”, completa.

Rivello avalia que o Enamed representa um avanço, mas ainda apresenta limitações importantes. Um exemplo é que a prova foi unicamente teórica, ou seja, não foi avaliada a atuação prática dos estudantes. A aposta do conselheiro é que, caso houvesse uma etapa prática, “nós teríamos talvez um resultado bem pior do que a gente já viu”.

Diante do cenário trazido à tona pelos resultados dos exames, o Conselho Federal de Medicina estuda adotar medidas próprias, como restringir a inscrição profissional de egressos de cursos mal avaliados e que ficaram com os conceitos 1 e 2.

Segundo ele, a proposta tem como objetivo proteger a sociedade. “A gente entende que a profissão médica, da medicina, ela é uma profissão nobre, porque ela vai atender aquilo que é de maior valor para uma família”, afirmou, ao mencionar o “direito à vida” como princípio central.

Questionamento aos resultados

O resultado do Enamed foi divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) na segunda-feira (19/1), após associação ligada a instituições privadas de ensino superior tentar barrar a publicidade das notas, mas o pedido acabou sendo negado pela justiça federal.

Em pouco tempo, os resultados geraram reações em diversos setores da saúde, que passaram a manifestar surpresa com o baixo desempenho geral dos estudantes – 30% dos cursos foram mal avaliados e devem ser punidos pelo MEC com sanções que vão desde a proibição de ampliar o número de vagas até a suspensão de novos contratos pelo Fies.

No dia seguinte à divulgação, depois que instituições passaram a questionar suas respectivas notas ao MEC, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou que identificou uma inconsistênciana base de dados utilizada como insumo para o cálculo do Conceito Enade 2025 e abriu prazo para que as universidades pudessem contestar.

Os resultados do Enamed também repercutiram no debate político. Como mostrou o Metrópoles, o presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, o deputado Zé Vitor (PL-MG), enviou um ofício ao Ministério da Educação cobrando esclarecimentos sobre cursos de medicina avaliados negativamente.

Segundo o parlamentar, não está descartada a abertura de um debate na Câmara sobre a criação de um exame nacional de proficiência para médicos, nos moldes do aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como forma de reforçar o controle de qualidade da formação profissional.

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Irmão de Toffoli deu poderes para advogado da J&F o representar em reuniões do Tayayá

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Resort Tayayá, que fica em Ribeirão Claro (PR), pertencia no papel à família de Dias Toffoli, mas foi vendido em 2025 para advogado da J&F

O engenheiro eletricista José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antônio Dias Toffoli, assinou uma procuração, em fevereiro de 2025, que dá poderes para o advogado Paulo Humberto Barbosa representar a Maridt Participações SA em reuniões que definiram o futuro do resort Tayayá, de Ribeirão Claro (PR).

Paulo Humberto Barbosa é advogado da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e atual dono do resort.

Resort Tayayá pertencia, no papel, à família do ministro do STF Dias Toffoli

A procuração, obtida pela coluna, foi assinada por José Eugênio Toffoli em 6 de fevereiro de 2025 e registrada junto a cartório de Marília (SP). Naquele mesmo mês, Paulo Humberto Barbosa realizou a compra das cotas que a família de Toffoli mantinha junto ao Tayayá por meio da Maridt Participações, que fica em um endereço de fachada. O negócio é avaliado em R$ 3,5 milhões.

No documento, o irmão do ministro do STF dá poderes para o advogado goiano representar a Maridt nas reuniões de sócios das empresas DGEP Empreendimentos e Participações Ltda e Tayayá Administração e Participações Ltda, o que lhe permite “aceitar e assinar documentos necessários, deliberar sobre quaisquer assuntos de interesse, votar e ser votado, enfim, praticar todos os demais atos necessários” em nome da própria Maridt.

Procuração assinada por irmão de Toffoli dá poderes para advogado da J&F representar Maridt Participações em reuniões do resort Tayayá

Conforme revelou a coluna Andreza Matais, do Metrópoles, funcionários do Tayayá tratam ainda hoje Dias Toffoli como o verdadeiro proprietário do resort.

Desde dezembro de 2022, o magistrado passou pelo menos 168 dias no resort. No fim do ano passado, Toffoli fechou o estabelecimento para uma festa destinada a familiares e convidados. Na ocasião, o estabelecimento já havia sido vendido para o advogado da J&F. O ministro também já recebeu os empresários André Esteves, dono do BTG Pactual, e Luiz Pastore, do grupo metalúrgico Ibrame, conforme vídeo publicado pelo Metrópoles.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou que a família Toffoli foi sócia no Tayayá de um fundo que pertence ao empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master. Oficialmente, a sociedade durou quatro anos, entre 2021 e 2025.

Toffoli é o relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto Vorcaro quanto Zettel são investigados.

Ministro do STF Dias Toffoli silencia sobre resort Tayayá

Desde que essas revelações vieram à tona, Toffoli jamais se manifestou oficialmente. Paulo Humberto Barbosa também nunca comentou a compra de cotas do resort Tayayá que pertenciam à família do ministro do STF.

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Após 8 anos desaparecido, homem de BH é achado no interior da Bahia

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Polícia Civil da Bahia/Divulgação
Foto colorida de homem que estava desaparecido por 8 anos - Metrópoles

Um homem natural de Belo Horizonte, que estava desaparecido há cerca de 8 anos, foi localizado no interior da Bahia após uma ação da Polícia Civil, com apoio de moradores da comunidade.

Vanderli Mauricio da Silva, de 36 anos, foi encontrado no último dia 8 na comunidade de Pratos Finos, no município de Barra, no Vale do São Francisco.

De acordo com a polícia, a identificação só foi possível depois que moradores da região informaram a presença de um homem desconhecido no local.

Leia a reportagem completa em Correio 24 Horas, parceiro do Metrópoles.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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