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Inteligência artificial, desinformação e democracia: desafios para a comunicação pública no ambiente digital

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Por Verônica Pimentel*

Todos os dias, milhares de pessoas recorrem às redes sociais para buscar informações sobre saúde, educação, programas sociais, serviços públicos e ações de governo. Nesse ambiente marcado pela velocidade e pelo excesso de conteúdos, cresce um dos maiores desafios da atualidade: distinguir o que é verdadeiro do que é falso.

O avanço da inteligência artificial ampliou as possibilidades de produção de informação, mas também facilitou a criação de conteúdos manipulados. Imagens, vídeos e áudios gerados por sistemas automatizados, os chamados deepfakes têm sido utilizados para distorcer fatos, espalhar boatos e comprometer a credibilidade das instituições.

Como destaca o ministro Luís Roberto Barroso, no livro Inteligência Artificial, Plataformas Digitais e Democracia, os algoritmos e as plataformas digitais não são neutros. Eles selecionam, priorizam e amplificam conteúdos, influenciando diretamente a formação da opinião pública e o funcionamento da democracia.

Na prática, isso significa que informações falsas tendem a ganhar mais alcance quando geram engajamento, emoção ou polarização. A lógica das plataformas, baseada em curtidas, compartilhamentos e visualizações, muitas vezes favorece o sensacionalismo em detrimento da informação qualificada.

Esse cenário impacta diretamente a vida das pessoas. Notícias falsas sobre vacinação, benefícios sociais, segurança pública ou serviços essenciais geram insegurança, desconfiança e desorientação. Quando a população perde a referência sobre o que é confiável, enfraquece-se também a relação entre Estado e sociedade.

Nos últimos anos, também se intensificou a criação de perfis falsos e sites irregulares que simulam páginas institucionais, utilizam indevidamente símbolos oficiais e divulgam informações enganosas. Essas práticas confundem a população, favorecem golpes digitais e comprometem o acesso a dados confiáveis sobre serviços públicos.

Diante desse cenário, a comunicação institucional passa a ser reconhecida como fonte legítima de informação. A confiança nos canais oficiais deixa de ser apenas um atributo e se consolida como um fator essencial para a segurança informacional da sociedade.

Quando o cidadão sabe onde buscar informações seguras, reduz-se o impacto da desinformação, fortalecem-se as políticas públicas e amplia-se a credibilidade do Estado.

No Acre, assim como em todo o país, esse desafio exige uma atuação permanente do poder público. Os canais oficiais de comunicação cumprem papel estratégico na divulgação de informações corretas, na orientação da população e no enfrentamento da desinformação. A presença institucional nas redes sociais, nos portais de notícias e nos veículos públicos permite que o cidadão tenha acesso direto a dados atualizados, serviços e esclarecimentos. Essa proximidade fortalece a transparência, amplia o acesso à informação e contribui para a construção da confiança institucional.

Segundo Barroso, a preservação da democracia no ambiente digital depende não apenas de inovação tecnológica, mas também de regulação responsável, compromisso ético e fortalecimento das instituições. Nesse contexto, a comunicação pública deixa de ser apenas informativa e passa a ser um instrumento de proteção dos direitos fundamentais.

Além da produção de conteúdos oficiais, investir em educação digital tornou-se essencial. Estimular a verificação de fontes, o pensamento crítico e o uso consciente das redes sociais ajuda a formar cidadãos mais preparados para lidar com o grande volume de informações disponíveis.

Outro ponto fundamental é a atuação integrada entre secretarias, autarquias e órgãos de comunicação. A troca de informações, o alinhamento institucional e a padronização das mensagens ampliam a eficiência das ações e reduzem o espaço para narrativas distorcidas.

A inteligência artificial, nesse contexto, deve ser compreendida como uma ferramenta a serviço da sociedade. Quando utilizada de forma ética e responsável, pode melhorar serviços, agilizar atendimentos, ampliar o acesso à informação e fortalecer a gestão pública.

O desafio está em garantir que seu uso esteja sempre alinhado aos princípios da legalidade, da transparência e da proteção dos direitos dos cidadãos. Tecnologia sem responsabilidade compromete a democracia. Comunicação sem compromisso com a verdade fragiliza as instituições.

No Estado do Acre, esse compromisso com a informação de qualidade se materializa por meio da atuação integrada do Sistema Público de Comunicação. A política de unificação das redes institucionais, aliada ao fortalecimento da Agência de Notícias do Acre e à presença das rádios públicas, como a Aldeia FM e a Difusora Acreana, amplia o alcance das informações oficiais e garante maior proximidade com a população.

Essa integração permite que as ações de governo, os serviços públicos e as orientações institucionais cheguem de forma clara, acessível e padronizada aos cidadãos, reduzindo ruídos informacionais e fortalecendo a credibilidade das instituições.

Ao articular comunicação digital, rádio, portal de notícias e redes sociais em uma estratégia unificada, o Estado constrói um ecossistema informacional mais seguro, transparente e conectado às necessidades da população.

Em um contexto marcado pela velocidade dos dados e pela sofisticação das tecnologias, a credibilidade tornou-se um dos ativos mais valiosos da gestão pública. Cuidar da informação é cuidar da confiança. E cuidar da confiança é cuidar do futuro.

*Verônica Pimentel é chefe do Departamento de Marketing e Inovação da Secretaria de Estado de Comunicação do governo do Acre (Secom); publicitária; especialista em Marketing Digital e Comportamento do Consumidor; mestranda em Comunicação Digital, com ênfase em Marketing Político.

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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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Defesa Civil descarta transbordamento do Rio Acre e alerta para ondas de calor a partir de abril

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Coordenador do órgão afirma que manancial registra 9,90 metros e que fenômeno El Niño deve reduzir chuvas a partir de abril

Segundo o coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, a transição entre os fenômenos La Niña e El Niño deve reduzir significativamente o volume de chuvas nos próximos meses, afastando o risco de cheias. Foto: captadas 

O nível do Rio Acre oscilou nos últimos dias e, desde a madrugada de sexta-feira (20), apresenta vazante na capital Rio Branco. Neste sábado (21), o manancial registrou 9,90 metros na medição das 5h, segundo a Defesa Civil Municipal. O coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, afirmou que um novo transbordamento está, praticamente, descartado para os municípios às margens do Rio Acre neste ano de 2026.

Com isso, a Defesa Civil passa a monitorar outras situações, como as ondas de calor e o período de estiagem. “Daqui a pouco teremos a ausência de chuvas e a partir de abril teremos onda de calor. O ponto central dos oceanos que dá essa certeza para nós está 3 graus abaixo do esperado, mas em outros locais já chega a 3 graus a mais. Isso é o fenômeno El Niño atuando e, com isso, podemos ter uma seca complicada como tivemos em 2025”, disse.

A previsão indica ondas de calor a partir de abril, com intensificação entre julho e setembro, período em que as temperaturas devem atingir níveis elevados, exigindo ações preventivas para minimizar impactos na saúde pública, na economia e no meio ambiente.

Preparação para ondas de calor e queimadas

A Defesa Civil começa a trabalhar em ação conjunta com outros órgãos para o período de ondas de calor, queimadas e prejuízos da estiagem. “A previsão é de ondas de calor já a partir de abril, e conforme vai avançando a estiagem, elas vão se agravando. Lá pelos meses de julho, agosto e setembro, a gente vai estar com as temperaturas muito altas e isso gera muitos problemas para a saúde, economia e muitas outras áreas”, disse o coronel.

A Defesa Civil começa a trabalhar em ação conjunta com outros órgãos para o período de ondas de calor, queimadas e prejuízos da estiagem. Foto: captada 

Transbordamento descartado

O coordenador explicou que a Defesa Civil deve descartar um novo transbordamento do Rio Acre neste semestre.

“Estou fechando esses modelos hidrológicos entre hoje e amanhã, mas a priori já podemos dizer, pelo o que tudo indica, a gente pode descartar um quarto transbordamento neste primeiro semestre. O fenômeno La Niña vai se despedindo e vai entrando o El Niño e com isso vai diminuir bastante a quantidade de chuvas. Até agora nós estamos com 217 milímetros de chuvas acumuladas e o esperado é 276, provavelmente vamos fechar o mês com a quantidade de chuva esperada, mas não vai trazer um risco tão grande de transbordamento. O rio pode ainda oscilar, mas não com aquela situação que possa ultrapassar a marca dos 14 metros na capital acreana”, disse.

Até agora nós estamos com 217 milímetros de chuvas acumuladas e o esperado é 276, provavelmente vamos fechar o mês com a quantidade de chuva esperada, mas não vai trazer um risco tão grande de transbordamento”. Foto: captada 

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Gladson defende Jéssica Sales como possível vice de Mailza e repudia exclusão por orientação sexual: “Democracia é respeitar as escolhas”

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Governador respondeu pergunta direcionada à pré-candidata e afirmou que eleitorado está atento a propostas, não a questões pessoais

O governador destacou que o cenário político atual exige maturidade e respeito às diferenças, citando como exemplo eleições recentes no estado. Foto: captada 

Durante entrevista concedida na sexta-feira (20), o governador do Acre, Gladson Cameli, assumiu a resposta a um questionamento direcionado à vice-governadora Mailza Assis e pré-candidata ao governo, ao comentar a possível composição de chapa com o nome de Jéssica Sales.

“Democracia é isso: cada um tem suas escolhas, e ninguém pode impedir o outro de seguir o caminho que acredita”, afirmou o governador.

A pergunta, feita com base em articulações internas do MDB que apontariam o nome de Jéssica como já consolidado nos bastidores, também levantou se o fato de a ex-deputada ter um relacionamento homoafetivo poderia impactar a base eleitoral conservadora de Mailza. Antes que a vice-governadora respondesse, Cameli pediu a palavra e conduziu a resposta.

O governador destacou que o cenário político atual exige maturidade e respeito às diferenças, citando como exemplo eleições recentes no estado. Segundo ele, disputas acirradas, como a ocorrida em Cruzeiro do Sul em 2024, demonstram que o eleitorado está atento a propostas e não a questões pessoais.

“Não vejo isso como problema. Estamos em 2026, com informação e tecnologia chegando a todos. Cada partido tem suas afinidades para indicar nomes, mas o mais importante é respeitar a democracia”, reforçou.

Cameli também enfatizou que a decisão final cabe à população e defendeu que posicionamentos individuais não devem ser motivo de exclusão no debate político.

“Quem sou eu, quem é a Mailza ou qualquer outro para impedir alguém de seguir a vida como escolheu? Se eu defendo a democracia, preciso praticá-la”, declarou.

O governador pediu desculpas à vice-governadora por ter respondido à pergunta em seu lugar, mas reiterou que considerou necessário se posicionar diante do tema.

Cenário eleitoral

A fala de Gladson ocorre em meio às articulações do MDB para definir o nome que ocupará a vaga de vice na chapa de Mailza Assis. Jéssica Sales, ex-deputada federal e filha do presidente estadual do partido, Vagner Sales, é uma das principais cotadas para o cargo, ao lado do ex-prefeito Marcus Alexandre.

O MDB deve realizar reuniões nos próximos dias para definir o nome que será apresentado à pré-candidata Mailza Assis. A escolha do vice é considerada estratégica para consolidar alianças e ampliar a capilaridade da chapa nas diferentes regiões do estado.

O governador destacou que o cenário político atual exige maturidade e respeito às diferenças, citando como exemplo eleições recentes no estado. Foto: captada 

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Prefeitura de Brasiléia participa da mobilização nacional do Dia B de Saúde Bucal

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Por Fernando Oliveira
Fotos: Matheus Gomes-Secom/ Prefeitura de Brasiléia

Nesta sexta-feira (20), a Prefeitura de Brasiléia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, participou da mobilização nacional do Dia B de Saúde Bucal. A ação contou com a presença do secretário de Saúde, Francelio Barbosa, acompanhado de sua equipe.

As atividades foram realizadas com alunos das escolas municipais Elson Dias Dantas e Socorro Frota, onde foram desenvolvidas diversas ações educativas e preventivas, como palestras, escovação supervisionada, aplicação de flúor, além do Tratamento Restaurador Atraumático (ART).

“O Dia B é um momento importante para reforçarmos, de forma educativa, a importância dos cuidados com a saúde bucal desde a infância. Nosso objetivo em quanto saúde municipal é prevenir doenças e incentivar hábitos saudáveis entre as crianças”, destacou o secretário Francelio Barbosa.

O Dia B de Saúde Bucal é uma mobilização nacional voltada à prevenção da cárie e à promoção da higiene oral, especialmente entre o público infantil.

A iniciativa reforça o compromisso da gestão do prefeito Carlinhos do Pelado com a promoção da saúde e a prevenção de doenças, levando mais cuidado e qualidade de vida aos estudantes da rede pública.

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