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Em apenas 19 dias, Iteracre entrega mais de 2,1 mil títulos definitivos e ultrapassa R$ 14,7 milhões em investimentos na regularização fundiária

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Gestão do governador Gladson Camelí tem tratado regularização fundiária como prioridade. Foto: José Caminha/Secom

Cooperação institucional, aproximação com as comunidades e união de esforços têm sido os pilares do avanço expressivo da regularização fundiária no Acre. Desde o início do segundo mandato do governador Gladson Camelí, em 2023, o número de títulos definitivos entregues pelo Instituto de Terras do Acre (Iteracre) cresceu 112% e deve alcançar uma marca inédita até o fim de 2025.

De acordo com dados oficiais da instituição, o estado saltou de 4.750 títulos entregues em 2023 para 10 mil regularizações apenas nos sete primeiros meses de 2025, superando todas as metas anteriores. Nos últimos três anos, o governo celebra a entrega de 15.036 títulos de terra, abrangendo áreas urbanas, rurais e propriedades vinculadas a entidades religiosas.

O governador Gladson Camelí destacou que a regularização fundiária é uma das prioridades de sua gestão. “Representa muito mais do que um pedaço de papel. É dignidade, segurança jurídica e oportunidade. O título de propriedade equivale a um CPF da terra: é o que permite ao cidadão acessar crédito, investir, construir com tranquilidade e planejar o futuro da sua família”, disse.

No entanto, os números podem, e devem, avançar ainda mais, segundo o chefe do Executivo. Para ele, o trabalho conjunto é o principal motor na redução das desigualdades sociais. O governador reforça que uma gestão eficaz se constrói com muitas mãos, por meio de parcerias sólidas e colaboração entre instituições.

“Nos últimos anos, avançamos como nunca antes. Já entregamos milhares de títulos e, com o apoio do Iteracre e de parceiros comprometidos, vamos expandir ainda mais essa política pública. Cada documento entregue é um passo firme rumo ao desenvolvimento social e econômico do Acre. Regularizar é incluir, é transformar, é fazer justiça com quem sempre esteve à margem. E é isso que estamos fazendo, com coragem, responsabilidade e respeito ao nosso povo”.

Pensando no futuro, o Iteracre pretende seguir fortalecendo os elos que sustentam a corrente de cidadania, desburocratização e garantia de direitos fundamentais. Em setembro, a gestão entregou 2.183 títulos definitivos, com investimento total de mais de R$ 14,7 milhões.

Parcerias

Segundo a presidente do Iteracre, Gabriela Câmara, o resultado é reflexo direto da parceria estratégica com o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) e os cartórios, que têm desempenhado um papel fundamental para agilizar e desburocratizar o processo de regularização fundiária.

“O primeiro passo foi a decisão do governador de investir recursos na regularização fundiária, uma política pública de alto custo, em que cada etapa, desde o cadastro inicial até a entrega dos títulos, demanda investimentos significativos. Após esse aporte, o avanço veio com a aproximação dos cartórios. Em 2023, o governador Gladson Camelí assinou um termo de cooperação técnica que permitiu essa integração e um diálogo mais direto, o que facilitou a identificação das áreas aptas à regularização”, avalia.

Presidente do Iteracre, Gabriela Câmara, destaca que investimentos na autarquia são responsáveis pelo avanço. Foto: Pedro Devani/Secom

Os investimentos também foram decisivos. Durante sua gestão, o governador priorizou o fortalecimento da estrutura técnica do Iteracre, ampliando o quadro de profissionais e renovando completamente a frota de veículos, o que contribuiu para acelerar os processos e ampliar o alcance das ações. De acordo com informações da presidência do Instituto, ainda há cerca de 4 mil títulos em fase final de registro, que deverão ser entregues à população até o fim deste ano. Essas metas fazem parte de um pedido direto do governador e vice governadora Mailza Assis, que desafiou o Iteracre a manter um ritmo acelerado e alcançar a marca de 10 mil títulos entregues até o final de 2025.

“Essa meta é ousada, mas estamos no ano da execução, tentando fazer história com os investimentos e a expertise das ações. Nosso conhecimento e experiência nos proporcionou trabalhar em 14 frentes de trabalho. E o mais importante foi a construção desse diálogo com os cartórios, que foi inédito e fundamental para que a gente conseguisse fazer a identificação das áreas aptas e dar segurança política para nossos títulos. Os cartórios são parceiros estratégicos importantes para o Iteracre. Sem eles fica inviável levar segurança jurídica para o povo por meio da regularização”, reforça.

Igrejas legalizadas, comunidades fortalecidas

A regularização fundiária de templos religiosos representa mais do que segurança jurídica, é um passo decisivo para fortalecer o papel social das igrejas nas comunidades. E nos últimos três anos, por meio do programa “Igreja Legal”, 84 centros religiosos tiveram acesso à essa regularização, que garante acesso facilitado a linhas de crédito, podendo ampliar suas estruturas e garantir a continuidade de projetos sociais que beneficiam diretamente populações vulneráveis.

Para a presidente do Iteracre, esse trabalho voltado especificamente para as igrejas reconhece o serviço comunitário realizado por líderes religiosos. Em muitos casos, igrejas funcionam como centros de acolhimento, distribuição de alimentos, apoio psicológico e orientação familiar, serviços que ganham ainda mais força quando há respaldo legal para sua atuação.

Esposa do Mestre Irineu, dona Peregrina recebeu o título definitivo das mãos da vice-governadora do Acre. Foto: José Caminha/Secom

“Essas entidades realizam ações sociais e, para que possam participar de programas dos governos estadual e federal, precisam estar regularizadas. Isso permite que recebam recursos, emendas parlamentares para reformas e ampliação dos templos, além de acesso a créditos bancários. No Iteracre, há um departamento específico voltado para esse atendimento, já que o processo administrativo das igrejas é diferente do de uma pessoa física. Elas são registradas como CNPJ. Muitas vezes, quando chegamos até elas, não possuem documentação formal. Por isso, o Iteracre atua em todo o levantamento necessário até que possam iniciar o processo de regularização”, explica a presidente.

Um dos atos mais simbólico deste programa foi a entrega, no final do ano passado, de  títulos definitivos para o Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – Alto Santo, no bairro Irineu Serra, em Rio Branco. Foram beneficiados o espaço onde está o Túmulo do Mestre Raimundo Irineu Serra, local de peregrinação de pessoas do mundo inteiro, e o memorial Leôncio Gomes da Silva, tio da viúva do mestre Irineu.

Regularização de entidades religiosas retorna para a sociedade porque fortalece as ações sociais que elas desempenham. Foto: Marcos Santos/Secom

Após a morte do mestre Irineu, Leôncio ficou como presidente do centro. Faleceu em 17 de março de 1980, e foi sepultado à direita do túmulo do líder religioso. Como a casa de Leôncio era ao lado do túmulo, e pertence à família, foi regularizada para preservar a história.

O orador oficial do centro, o historiador e jornalista Antônio Alves, mais conhecido como Toinho, falou que esse é um sonho de décadas realizado na gestão de Camelí.

“Momento muito aguardado que se tornou possível pelo compromisso da gestão do governador Gladson Camelí. E nos deu a documentação e à dona Peregrina [viúva de Irineu Serra] a tranquilidade de estar de posse do patrimônio cultural do Acre, ponto turístico que recebe visitantes de vários países, com grande potencial econômico e espiritual. Essa sede, casa antiga do mestre Irineu, sonhamos há muito tempo em regularizar”, destacou durante a entrega do documento em dezembro de 2024.

Regularização a custo zero

Avançar na regularização fundiária no Acre, uma das pautas mais complexas das políticas públicas, exige articulação, diálogo e o esforço conjunto de diversas instituições. Para obter um título urbano, o custo pode ultrapassar R$ 6 mil, valor inacessível para grande parte da população em situação de vulnerabilidade.

Com o objetivo de democratizar esse acesso, o Instituto de Terras do Acre (Iteracre) desenvolve programas que realizam todo o processo de regularização sem custos para os beneficiários. A seleção das famílias é feita por meio de um estudo social e econômico conduzido por uma equipe técnica, que inclui assistentes sociais. Esse levantamento é realizado ao longo de pelo menos 15 dias na área de atuação, e identifica se os moradores se enquadram no critério de interesse social: famílias com renda de até cinco salários mínimos.

Regularização fundiária é um dos pilares da gestão de Gladson Camelí. Foto: Marcos Santos/Secom

Uma vez confirmada a elegibilidade, os moradores podem iniciar gratuitamente o processo de regularização fundiária. Para alcançar quem mais precisa, o Iteracre criou o escritório itinerante, que se instala diretamente nas comunidades aptas à regularização.

“Geralmente, o público que atendemos é extremamente vulnerável. Há casos em que as pessoas não têm sequer dinheiro para pagar a passagem de ônibus até nossa sede. Por isso, levamos o atendimento até elas. Montamos nossa estrutura dentro da poligonal definida, realizamos os cadastros, atendimentos e identificações. Nossa equipe faz todo o levantamento necessário para que essas famílias possam acessar o serviço”, explica a presidente do Iteracre.

Cidadania e segurança jurídica

A regularização fundiária é um instrumento essencial para garantir cidadania e segurança jurídica às famílias que vivem em áreas não formalizadas. Ao receberem o título de propriedade, os moradores passam a ter acesso pleno a direitos básicos, como infraestrutura, crédito, serviços públicos e proteção legal contra despejos. Mais do que um documento, o título representa dignidade, estabilidade e a possibilidade de planejar o futuro com segurança.

Para Radige Almeida, moradora da zona rural de Cruzeiro do Sul, receber o título definitivo durante ação em junho deste ano foi a realização de um sonho antigo. “Esperei mais de 20 anos por esse papel. Agora é meu de verdade. Posso fazer melhorias, deixar para os meus filhos e buscar um financiamento para crescer mais”, disse emocionada.

O desenvolvimento da área também é o objetivo do agricultor Humberto Santos, que também foi beneficiado com a entrega e destacou a importância da ação para o fortalecimento da economia local. “Com esse documento, posso buscar crédito no banco, investir na minha produção e melhorar a vida da minha família. É um incentivo que chega na hora certa”, afirmou.

 

Entrega de títulos avança em todo o estado acreano. Foto: Diego Gurgel/Secom

Os moradores de Acrelândia receberam, em setembro, seus títulos definitivos de propriedade, encerrando décadas de espera pelo reconhecimento legal de suas terras. A ação faz parte de uma força-tarefa estadual que visa entregar 10 mil títulos registrados em cartório até o fim do ano.

Entre os beneficiados está Francisca da Silva. “Cheguei aqui em 1982 e moro há cerca de 18 anos neste terreno. Esperei muito por este documento. Ter o título é uma conquista enorme, porque agora temos uma propriedade valorizada, com segurança jurídica. Pretendo investir na terra e isso vai ajudar bastante”, afirmou, comovida.

Outro contemplado foi José Paulino Nogueira, que também celebrou o momento: “Esperei muito por esse documento. Agora, com ele em mãos, é uma vitória e uma bênção. A gente tem a garantia de que a terra é nossa de fato e de direito. É um sentimento de gratidão”.

 

Nos últimos três anos, mais de 15 mil títulos foram entregues no estado. Foto: Marcos Santos/Secom

Labirinto Fundiário do Acre

Para a presidente do Instituto de Terras do Acre (Iteracre), Gabriela Câmara, o maior desafio da regularização fundiária no estado é identificar as áreas aptas a serem regularizadas.

“O Iteracre atua em áreas pertencentes ao Estado, mas o histórico territorial do Acre é bastante singular. Temos terrenos sob domínio do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária], da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e dos municípios. Já fomos um país independente, já integramos o estado do Amazonas, e tudo isso contribui para uma complexidade territorial que envolve sobreposição de matrículas, áreas judicializadas e vazios fundiários. É realmente desafiador fazer essa identificação”, explica.

Em maio deste ano, o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) promoveu uma reunião com representantes da SPU, Iteracre, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Estado de Administraçã (Sead) e da Comissão Municipal de Regularização Fundiária. O objetivo foi buscar soluções para destravar processos que afetam diretamente a população. Entre os pontos discutidos estavam o aeródromo de Xapuri, sob gestão do Deracre, terrenos no bairro Mutirão e o prédio do Corpo de Bombeiros.

Programa Iteracre na Sua Casa entrega documentos para beneficiários com algum tipo de limitação. Foto: cedida

“Captação de recurso é uma coisa que o Iteracre vem superando, porque, como já disse, essa é uma política pública bem cara que, mesmo com investimentos estratégicos importantes do governo, a gente precisa sempre buscar outras formas de captar esse investimento, que é muito alto”, ressalta.

O tempo médio para a entrega do título de propriedade varia entre seis e oito meses, dependendo de cada caso. Um dos principais gargalos identificados pela equipe é que, mesmo após a emissão do documento, muitos títulos permaneciam represados na sede do órgão, sem que os beneficiários fossem buscá-los.

Foi a partir dessa preocupação que surgiu o projeto Iteracre na Sua Casa, que leva os documentos diretamente às residências das pessoas.

“Cheguei a pensar que as pessoas não estavam compreendendo a importância daquela política pública. Então comecei a visitar suas casas para entender melhor a situação e me deparei com pessoas que enfrentavam limitações, físicas ou financeiras. A partir disso, idealizamos o projeto para garantir que o documento chegasse até elas”, relembra Gabriela Câmara.

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Ambulatório de endometriose no Acre atendeu mais de 160 mulheres em menos de um ano e traduz compromisso público com o bem-estar das mulheres

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“A parte mais difícil é lidar com os sintomas. É preciso um esforço extra para conviver com as dores e com a dificuldade de manter um estilo de vida que ajude a amenizar tudo isso”, relata Beatriz Mendonça, de 23 anos. Seu depoimento traduz a realidade de muitas mulheres que enfrentam a endometriose — uma condição ginecológica inflamatória e crônica caracterizada pelo crescimento do tecido que reveste o útero fora da cavidade uterina.

Estima-se que cerca de oito milhões de mulheres no Brasil convivam com a endometriose, o que reforça a importância de dar visibilidade ao tema. Neste 13 de março, é celebrado o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, data que integra o “Março Amarelo”, mês dedicado à conscientização sobre a doença.

Secretaria de Estado de Saúde tem intensificado a atenção às políticas públicas e às ações voltadas para amenizar os impactos da endometriose na vida feminina. Foto: cedida

Pensando nas mulheres que enfrentam essa condição, a Secretaria de Estado de Saúde tem intensificado a atenção às políticas públicas e às ações voltadas para amenizar os impactos da endometriose na vida feminina.

Como parte desse compromisso, em abril do ano passado, o governo do Acre inaugurou um ambulatório exclusivo para diagnóstico e tratamento da doença. A iniciativa representa um avanço significativo na política estadual de atenção à saúde da mulher, garantindo acolhimento e cuidado especializado a quem mais precisa.

De abril do ano passado até fevereiro deste ano, o ambulatório realizou 162 atendimentos a mulheres que convivem com a endometriose, uma condição frequentemente subdiagnosticada ou identificada tardiamente.

Estima-se que cerca de oito milhões de mulheres no Brasil convivam com a endometriose. Foto: internet

‘Doença invisível’

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva em todo o mundo, o que representa mais de 190 milhões de pessoas. No Brasil, o SUS oferece atendimento integral às pacientes com a doença e registrou um aumento de 30% nos diagnósticos na Atenção Primária, passando de 115.131 atendimentos em 2022 para 144.971 em 2024. Somente nos dois últimos anos (2023 e 2024), foram realizados mais de 260 mil atendimentos.

Na Atenção Especializada, o SUS contabilizou um crescimento de 70% nos atendimentos por endometriose, que saltaram de 31.729 em 2022 para 53.793 em 2024. Entre 2023 e 2024, foram registrados 85,5 mil atendimentos. Também houve aumento de 32% nas internações, passando de 14.795 em 2022 para 19.554 em 2024. No mesmo período (2023 e 2024), o total chegou a 34,3 mil internações.

Beatriz buscou atendimento especializado privado e comemora os avanços do debate sobre a doença nos últimos anos. Foto: cedida

Ampliação do diálogo

Beatriz de Souza Mendonça descobriu a endometriose aos 21 anos, mantendo sua rotina de exames em dia, já que sua mãe também convive com a doença. Assim como acontece com muitas mulheres, o primeiro desafio foi obter o diagnóstico.

“Só fui descobrir que tinha mesmo quando procurei uma médica diferente, que solicitou uma ressonância magnética. Um dos sintomas que mais me afeta é a fadiga e o cansaço constante. Mesmo com exames mostrando vitaminas e hormônios equilibrados, ainda sinto muita indisposição”, relata.

O depoimento da jovem escancara a realidade de milhares de mulheres que convivem com dores incapacitantes e de difícil compreensão. O impacto não se limita à saúde física: muitas vezes atinge também a vida social e profissional.

“A endometriose, por ser uma doença crônica e dolorosa, traz efeitos psicológicos que nem sempre são considerados. A dor e o cansaço excessivo afetam o emocional e, consequentemente, a vida social e afetiva. Muitas vezes não tenho disposição para ver meus amigos; às vezes as dores surgem de repente e tudo que eu quero é deitar na minha cama”, desabafa.

Equidade

Beatriz recorreu ao atendimento privado para conseguir um diagnóstico mais rápido, mas a realidade de muitas mulheres é diferente: há pacientes que esperam mais de sete anos por respostas, tornando o processo ainda mais doloroso e desgastante.

É nesse ponto que o poder público atua para ampliar o acesso e garantir que o serviço chegue ao maior número possível de mulheres.

“Acho que a ampliação do atendimento especializado pelo SUS é essencial. O tratamento da endometriose deve ser encarado como prioridade, tanto pela quantidade de pessoas que sofrem com ela quanto pelo impacto profundo que causa na vida dessas mulheres”, reforça.

Ginecologista Fernanda Bardi está à frente do atendimento. Foto: Luanna Lins/Fundhacre

Cirurgias futuras

A ginecologista Fernanda Bardi, responsável pelo atendimento no ambulatório, explica que as pacientes são acompanhadas semanalmente e, aquelas que necessitam de intervenção cirúrgica, entram em uma fila específica.

“Nas próximas semanas vamos iniciar as cirurgias de endometriose pelo SUS. O tratamento cirúrgico adequado é realizado por via minimamente invasiva, seja videolaparoscópica ou robótica. A videolaparoscópica já está disponível na Fundação Hospitalar e, futuramente, teremos também a robótica. Assim, poderemos tratar cada vez mais mulheres que sofrem com dor pélvica crônica, dor menstrual, dor durante a relação sexual e infertilidade”, esclarece.

No ambulatório, as pacientes recebem orientação sobre a doença e os próximos passos do tratamento.

“O tratamento clínico começa já no ambulatório, com prescrição de medicamentos, encaminhamento para fisioterapia pélvica e acompanhamento com coloproctologista, quando indicado”, acrescenta.

Sinais de alerta

Entre os principais sintomas da endometriose estão: cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual, infertilidade e queixas intestinais ou urinárias com padrão cíclico.

Para ter acesso ao Ambulatório de Endometriose da Fundação Hospitalar, a paciente deve primeiro procurar à atenção básica nas UBS, onde o médico fará o encaminhamento para a Fundação Hospitalar, referenciando-a para o ambulatório.

No ambulatório, as pacientes recebem orientação sobre a doença e os próximos passos do tratamento. Foto: cedida

Saiba o que o SUS já oferece

Na rede pública de saúde, as mulheres contam com tratamento clínico e cirúrgico.

No primeiro caso, é ofertada terapia hormonal, como o uso de progestágenos e medicamentos hormonais, como contraceptivos orais combinados (COCs) e análogos do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH). Além disso, analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados para controle da dor. Vale destacar que as mulheres também contam com acompanhamento multidisciplinar.

Nos casos em que a cirurgia é indicada, estão disponíveis procedimentos como videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva para a remoção de focos de endometriose, também usada para diagnóstico quando necessário; a laparotomia, cirurgia aberta para casos mais complexos; e a histerectomia, que consiste na remoção do útero, sendo recomendada apenas em situações específicas e após avaliação criteriosa.

Nas mulheres que têm a doença, o tecido semelhante ao endométrio (que reveste o útero) cresce fora do útero em órgãos como ovários, intestino e bexiga, o que causa reações inflamatórias.

Para Beatriz, que luta contra a doença há anos, a ampliação desse atendimento cobre uma necessidade que garante dignidade à mulher que precisa viver com a condição.

“Espero que futuramente se amplie o diálogo e conscientização sobre a endometriose porque é uma doença que afeta muitas mulheres, que às vezes nem chegam a receber o diagnóstico. Também tenho esperança que haja um aumento no número de pesquisas e que seja possível melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com essa doença”, relata.

Principais Avanços e Propostas Legislativas:

Conscientização: A Lei 14.324/2022 visa informar sobre prevenção, diagnóstico e tratamento;

Licença Menstrual/Trabalho (PL 1.919/2025): Em tramitação, propõe licença de até 3 dias por mês para estudantes com dores graves, e projetos similares buscam garantir direitos trabalhistas.

Prioridade e Acesso (PL 762/2025): Busca garantir atendimento rápido no SUS e início do tratamento em até 30 dias após diagnóstico. PL ainda está em andamento na Câmara Federal.

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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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Prefeitura de Rio Branco conclui instalação da fábrica de leite de soja para reforçar segurança alimentar

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A Prefeitura de Rio Branco concluiu nesta semana, a instalação dos equipamentos da fábrica de leite de soja, que será utilizada para fortalecer a segurança alimentar de crianças da rede municipal de ensino e de famílias em situação de vulnerabilidade social cadastradas no Cadastro único, atendidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos do município. A expectativa da gestão municipal é ampliar o acesso a um alimento nutritivo e de qualidade para estudantes e famílias assistidas por programas sociais.

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O prefeito visitou as instalações da unidade e comemorou a conclusão do projeto, que, segundo ele, já foi alvo de críticas e dúvidas no passado. (Foto: Val Fernandes/Secom)

Na manhã desta sexta-feira (13), o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom visitou as instalações da unidade e comemorou a conclusão do projeto, que, segundo ele, já foi alvo de críticas e dúvidas no passado. O gestor relembrou que a proposta da chamada “vaca mecânica” chegou a ser questionada por parte da população. De acordo com Bocalom, a produção do leite de soja representa uma alternativa importante para garantir alimentação de qualidade para crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Quando eu falava da vaca mecânica, muita gente fazia gozação porque não conhecia o projeto. Hoje mostramos, na prática, o que sempre defendemos. Essa estrutura vai produzir leite de soja enriquecido, garantindo segurança alimentar para nossas crianças, idosos e pessoas acamadas que precisam de uma alimentação adequada”, afirmou.

Atendimento as famílias vulneráveis

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“Nossa equipe vai fazer um levantamento nos oito CRAS para identificar as famílias que mais precisam. Além das crianças, também vamos atender idosos e participantes de grupos de convivência”, destacou o secretário. (Foto: Val Fernandes/Secom)

O secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, João Marcus Luz, explicou que a produção da fábrica poderá chegar a 200 litros de leite de soja por hora.

Segundo ele, o alimento será distribuído prioritariamente para famílias em situação de vulnerabilidade social, cadastradas nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) da capital.

“Nós temos cerca de 45 mil crianças em Rio Branco inscritas no Cadastro Único. Nossa equipe técnica vai fazer um levantamento nos oito CRAS do município para identificar as famílias que mais precisam. Além das crianças, também vamos atender idosos e participantes de grupos de convivência e centros de atendimento”, destacou o secretário.

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De acordo com o gestor, a produção do leite de soja representa uma alternativa importante para garantir alimentação de qualidade para crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. (Foto: Val Fernandes/Secom)

Início da produção

Com a instalação dos equipamentos já concluída, a prefeitura aguarda apenas a aquisição da matéria-prima para iniciar a produção.

A previsão é que a fábrica comece a operar plenamente até o final do mês de março. A expectativa da administração municipal é que a nova estrutura fortaleça as políticas públicas de assistência social e amplie o acesso a alimentos nutritivos para a população em situação de vulnerabilidade em Rio Branco.

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Fonte: Conteúdo republicado de PREFEITURA RIO BRANCO

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Adolescente faz ensaio em cemitério para homenagear pai que morreu de câncer em Rio Branco: ‘Lidar com a dor’

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Por Renato Menezes

A celebração dos 15 anos da estudante Miriam Hadassa Freitas da Costa ganhou um significado diferente neste ano, em Rio Branco. Para homenagear o pai, que morreu em 2024, a adolescente decidiu fazer um ensaio fotográfico dentro do cemitério onde ele está enterrado.

Sebastião Mendes da Costa tinha 65 anos, era tenente-coronel e ficou conhecido no Acre por ser fundador e primeiro comandante da Companhia de Operações Especiais (COE). Ele morreu no dia 26 de outubro de 2024, vítima de câncer de estômago, oito meses após receber o diagnóstico.

O aniversário de Miriam foi no dia 25 de fevereiro, a mesma data em que o pai também comemorava mais um ano de vida. A festa, portanto, ocorreu três dias depois, com a exibição dos registros fotográficos e vídeos feitos no dia 13 do mesmo mês.

A estudante disse que todo o ensaio foi planejado para simbolizar a presença do pai e a relação que tinham. Foto: Casal Santana/Arquivo pessoal

A ideia, segundo a adolescente, surgiu após ver nas redes sociais uma homenagem semelhante feita por outra jovem. “Quando eu vi as fotos, tive a certeza que era isso o que eu queria para poder homenagear o meu pai, pois eu e ele fazíamos aniversário no mesmo dia”, falou.

A mãe de Miriam, Luana Freitas de Souza Costa, de 32 anos, complementou que a família sempre celebrou a data de forma conjunta. “Durante toda a vida, a gente sempre comemorou o aniversário deles dois juntos. Era uma festa muito grande, para muita gente, porque o pai dela era uma pessoa muito conhecida e muito querida”, contou.

Foco nos detalhes

A estudante disse que todo o ensaio foi planejado para simbolizar a presença do pai e a relação que tinham. Entre os elementos escolhidos estão as cores presentes nas fotos e objetos simbólicos.

“O azul representa a tranquilidade e a confiança dele, e o branco porque era a sua cor favorita e também porque significa paz. O urso simboliza o afeto, a segurança e as memórias da minha infância com ele”, frisou.

Miriam Hadassa tem 15 anos e resolveu homenagear o pai que morreu de câncer no Acre. Foto: Casal Santana/Arquivo pessoal

Para Miriam, fazer o ensaio justamente no cemitério despertou nela um sentimento diferente do que as pessoas poderiam imaginar.

“Me trouxe um sentimento de tranquilidade, pois eu sabia que era a melhor forma de trazer a essência do meu pai. O cemitério é o melhor lugar para fazer as pessoas refletirem sobre a vida. É muito importante saber que a pessoa nunca morre quando sempre é lembrada pelas boas memórias do tempo em que se encontrava conosco”, completou.

A valsa

Um dos momentos mais aguardados das festas de debutante é a tradicional valsa com o pai. Miriam diz que sempre sonhou com esse momento, mas precisou ressignificá-lo após a morte dele.

Durante a cerimônia, as imagens do ensaio foram exibidas pouco antes da valsa da adolescente que dançou sozinha segurando um ursinho e uma borboleta azul, símbolos escolhidos para representar a presença do pai.

“A vida tinha outros planos e eu não pude realizar esse momento. Mas, mesmo assim, eu não queria deixar passar em branco esse significado tão especial e, por isso, fiz questão das fotos”, acrescentou.

Miriam Hadassa e o pai, Sebastião Costa, comemorando juntos o primeiro ano da menina em Rio Branco. Foto: Arquivo pessoal

O luto

Para lidar com a dor da perda, a família tem buscado seguir a rotina e se concentrar em outras atividades. Segundo a mãe, Miriam tem se dedicado aos estudos. “A gente aprende a lidar com a dor. O luto não é passageiro, ele é eterno. Eles sempre tiveram uma conexão muito linda”, disse.

As fotos da homenagem chamaram atenção nas redes sociais e entre conhecidos da família. Para a jovem, a mensagem por trás das fotos é simples, mas profunda.

“O que eu quero que as pessoas sintam ao ver as fotos é que o amor de um pai nunca morre, apenas muda de forma e segue brilhando nos olhos de sua filha”, finalizou.

Miriam Hadassa tem 15 anos e resolveu homenagear o pai que morreu de câncer no Acre. Foto: Casal Santana/Arquivo pessoal

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