Cotidiano
Auxílio emergencial infla retomada nos estados do Norte e do Nordeste
Ainda em meio à pandemia da Covid-19, os dados mais recentes da economia brasileira mostram uma retomada heterogênea não só em termos setoriais, mas também regionais —com destaque para os efeitos do auxílio emergencial na recuperação do Norte e do Nordeste.
Na avaliação de economistas, segundo o jornal Folha, são claros os sinais de que o auxílio inflou a economia dessas regiões na pandemia, principalmente o comércio, à medida em que ocorria a flexibilização das medidas de isolamento social.
O IBGE mostra, por exemplo, que em 15 dos 16 estados do Norte e Nordeste o comércio explodiu e já ultrapassou com sobras o nível pré-pandemia.

Antonio João dos Santos, 64, trabalha na obra de sua residência no bairro do Rio Sena, na periferia de Salvador; auxílio emergencial tem causado impacto no comércio da região – Raul Spinassé/Folhapress
O economista Thiago Moraes Moreira, consultor em planejamento e professor da pós-graduação do Ibmec, destaca que, desagregando o país em dois subgrupos, é possível ver que a expansão do comércio varejista, de abril a agosto, foi de 51% no consolidado Norte e Nordeste, mas no Centro-Sul-Sudeste foi de 27%.
À exceção da Bahia, os estados nordestinos com indústria pesquisada pela IBGE também registraram crescimento em meio à pandemia. O Amazonas já recuperou, com sobras, as perdas do período. O mesmo ocorreu com Pará, Ceará e Pernambuco.
Nos demais estados do país, retomada semelhante só foi vista em Minas Gerais e Goiás.
O setor de serviços, por outro lado, segue penando para retomar o nível pré-crise, assolado pela dificuldade dos serviços prestados às famílias. A ausência de uma vacina para Covid-19 ainda limita o deslocamento das pessoas para bares, restaurantes, hotéis e viagens de turismo.
Em todo o país, apenas o Amazonas recuperou o patamar visto antes da pandemia. O estado havia sido um dos primeiros a sofrer com o coronavírus, com recorde de mortes e chegando a ser um dos
epicentros no país, com maior taxa de incidência da doença.
O professor de economia Luiz Roberto Coelho, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), afirma que o auxílio emergencial foi essencial nas regiões Norte e Nordeste para garantir o básico para as famílias que não tinham trabalho certo e ficaram sem opção de ganhos no pico do isolamento social.
“Com o dinheiro na mão, as pessoas pagam as contas e recuperam o consumo, principalmente de alimentos”, diz.
Mas R$ 600 pode ser um valor alto para o baixo padrão de vida visto em muitas dessas regiões. Moreira, do Ibmec, lembra que a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, de 2018, mostrava que 41% da população da região Norte vivia com menos de R$ 420 por mês. No Nordeste, essa fatia representava 44% da população.
No restante do país, não passavam de 16% os que estavam nessa faixa de renda.
A Tendências Consultoria aponta que o auxílio teve um grande impacto nessas camadas mais pobres. Fez a massa de rendimentos dos nortistas e nordestinos crescer em ritmo bem mais acelerado do que em outras regiões. A estimativa é que a alta seja de 16,7% no Norte e 13,6% no Nordeste, caindo para 2,1% no Sul, 2% no Centro-Oeste e 1,8% no Sudeste.
“A massa de renda total [considerando renda do trabalho, Previdência, transferências e outras rendas] dessas regiões Norte e Nordeste deve crescer dois dígitos este ano com a injeção dos recursos do auxílio, mais que compensando a perda da massa de renda do trabalho”, observa Camila Saito, economista da Tendências.
De acordo com o IBGE, essa renda extra provida pelo auxílio de R$ 600 pode ter contribuído para o crescimento das vendas no comércio. Nesse caso, parte do benefício teria ajudado as famílias a bancar a compra de utensílios domésticos e a renovação da infraestrutura da casa com pequenas obras, por exemplo.
A percepção é reforçada quando se cruzam dados de liberação do benefício e desempenho da economia local.
No Amapá, estado que percentualmente foi o mais beneficiado pelo auxílio emergencial, 71,4% dos domicílios receberam o benefício em agosto. Neste mesmo mês, o varejo local teve um desempenho recorde. As vendas ficaram 44% acima do demonstrado em fevereiro, último mês antes da pandemia levar o país ao distanciamento social.
No Maranhão, segundo estado com maior adesão percentual ao auxílio, com 65,5% dos domicílios cadastrados, o comércio cresceu 26,7% entre fevereiro e agosto, mesmo diante da queda inicial de março e abril, com o fechamento de lojas, bares e restaurantes.
O Pará, terceiro mais beneficiado —64,5% das residências contaram com o benefício—, viu o setor de varejo superar as perdas na pandemia em 18%.
O professor de economia Écio Costa, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), estudou o efeito do auxílio emergencial e identificou resultados impressionantes. Algumas famílias que tinham renda muito baixa passaram a receber até R$ 1,8 mil com o benefício, já que a mulher se declarava chefe da casa e ainda tinha algum parceiro, que também recebia os R$ 600.
De uma hora para outra, isso possibilitou a compra de alimentos, itens de higiene pessoal e material de construção civil, antes inacessíveis, com impactos importantes na economia de várias cidades.
Costa cita como exemplo Santarém Novo, no Pará. “O dono de um açougue da cidade abriu uma farmácia,
pois ganhou muito dinheiro vendendo carne às famílias que não consumiam carne bovina antes. Muitas das habitações mais humildes do município passaram por reformas. Tudo isso fruto do auxílio”, afirma.
Apesar de reconhecer os benefícios sociais do programa, Otto Nogami, economista do Insper, pergunta se não houve problemas no desenho do auxílio, uma vez ele que gerou artificialismos na economia.
“Existe uma questão discutível: o auxílio foi criado para auxiliar pessoas sem renda”, afirma. “Mas acabamos percebendo que um grande número de beneficiados usou o recurso para reformar casa, trocar eletrônicos, e assim por diante —e esse movimento fez com que o comércio se recuperasse mais forte em alguns lugares onde esse movimento pode não persistir”, afirma.
Os líderes em desemprego do Brasil, por exemplo, são Bahia e Sergipe, com 19,9% e 19,8% de desocupados. Em ambos os estados, o varejo já recuperou o nível pré-crise.
POSSÍVEL MUDANÇA
Para especialistas, o quadro de forte recuperação tende a mudar com a redução do auxílio para R$ 300, valor que passou a valer no final de setembro. O primeiro sinal apareceu na taxa de desocupação.
O número de brasileiros em busca de uma vaga aumentou em 700 mil entre a terceira e quarta semanas de setembro, totalizando 14 milhões de desempregados. O crescimento foi puxado, principalmente, pelo Norte e Nordeste.Os dados são da Pnad Covid e foram divulgados nesta sexta (16). Somadas as taxas, houve uma alta de 12,3% no contingente de desempregados nessas regiões —quase sete vezes o observado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No conjunto, essas três regiões registraram uma alta de 1,8% no número de desempregados.
Em 2021, com o fim dos repasses, essas regiões deverão sofrer com uma queda importante da massa de renda total.“Mesmo considerando uma Renda Cidadã, essas regiões devem sofrer mais para retomar a massa de renda do trabalho, também por conta do congelamento do salário dos servidores públicos, tendo em vista que a participação do funcionalismo na massa de renda do trabalho nessas regiões é maior que
a média nacional,” diz Saito.De acordo com a consultoria, os brasileiros devem fechar 2020 com a massa de rendimentos em alta de 4,5%, mas 2021 deve ser um ano de “ressaca” com o fim dos repasses emergenciais, levando a uma queda de 4,3% do indicador.Segundo o professor Roberto Lopes, da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), o aumento do desemprego no Nordeste reflete, em parte, o fim da colheita de alguns produtos, mas também uma perda de dinamismo com a redução do auxílio.“Os mais pobres têm propensão a gastar no comércio local. Uma grande fatia desses recursos foram para produtos regionais, que ajudam na cadeia de produção local.”A Eletros, entidade que representa os fabricantes de eletrodomésticos, defende a continuidade do auxílio emergencial em 2021 para evitar o que considera um previsível baque econômico e social.“A crise sanitária e econômica não acaba em 31 de dezembro”, afirma José Jorge do Nascimento Junior, presidente da Eletros. “Vamos continuar, infelizmente, com o vírus circulando pelas cidades, com muitos casos ainda e risco de uma segunda onda, como já acontece na Europa.”Moreira, do Ibmec, reforça que o governo precisa pensar em alternativas para evitar que o fim do auxílio aprofunde as desigualdades . “Regiões mais pobres vão sofrer”, afirma.Observando o que ocorre no extremo oposto do ranking de liberação do auxílio, é possível perceber o outro lado da recuperação desigual e seus riscos. Santa Catarina, que menos benefícios recebeu no país, vive uma retomada gradual e sustentada por premissas sociais mais vantajosas.No estado, 90,5% dos empregados do setor privado têm carteira assinada e a taxa de informalidade é a menor do país, de 25,8%. No segundo trimestre, apresentava também a menor taxa de desemprego do Brasil: de 6,9%, cerca de metade da média nacional, então em 13,3%.As vendas do varejo estavam em agosto 16% acima do nível de fevereiro, o dobro da média nacional, e a indústria estava 9% acima. Apenas os serviços ainda ficaram 16% abaixo do nível pré-crise. Mas Paulo Zoldan, economista da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, traça um cenário positivo.
“Os hotéis já estão com bom nível de reserva, isso deve dar uma azeitada no comércio e no setor de hospedagem e alimentação, que são os mais afetados na conta de serviços.”
Colaborou Thaís Carrança – folha
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14º Seminário de arbitragem será realizado em Rio Branco com o Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF Rodrigo Cintra
Por: Paulo Célio
Será realizado neste final de semana na capital acreana o 14º Seminário de Arbitragem com a presença do Presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol – CBF Rodrigo Martins Cintra, o evento terá seu início na tarde desta quinta-feira (26), no auditório da Unama a partir das 14:30 no Via Verde Shopping onde acontecerá uma série de palestras sobre as principais regras de futebol, o Seminário será realizado em três dias e seu encerramento será no sábado.

Rodrigo Martins Silva Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF será o palestrante do 14º Seminário de Arbitragem no Acre.
Para o Presidente da Comissão Estadual de Arbitragem Josemir Raulino e muito importante para que todos os árbitros antigos e os da CBF além da turma que está se formando, será três dias de muita atividade onde vai está a auto estima, aperfeiçoamento, aprimoramento e claro aproveitar para nivelar a arbitragem acreana com a arbitragem nacional.

Josemir Raulino Presidente da Comissão Estadual de Arbitragem, acredita que o seminário será uma porta aberta para a melhoria da arbitragem acreana.(foto Kelton Pinto)
Segundo Josemir Raulino todos os profissionais da arbitragem acreana deverão participar do Seminário que é de suma importância para seus conhecimentos além deles cerca de 29 alunos que tiveram seu início de qualificação em 2025, que são árbitros e assistentes que estão concluindo sua formação na arbitragem estadual.
Veja toda a programação do Seminário.
26/02 – 14:30 – 15: 30 -Abertura
• 15h30 – 17h – Palestra com tema: Controle de jogo
• 17h – 17h30 – Coffee Break
• 17h30 – 19h – Palestra com tema: Disputa
• 19h – 20h30 – Palestra com tema: Faltas táticas
27/02 – TONICÃO E UNAMA
• 8h – 12h – Atividade técnica e física no campo de futebol
• 14h30 – 16h – Palestra com tema: Mãos
• 16h – 17h30 – Palestra com tema: Impedimento
• 17h30 – 18h – Coffee Break
• 18h – 19h30 – Palestra com tema: Área penal
28/02 – TONICÃO E UNAMA
• 8h – 12h – Atividade técnica e física no campo de futebol
• 14h30 – 16h – Palestra com tema: Como construir uma carreira de sucesso
• 16h – 17h – Encerramento e formatura alunos curso de arbitragem
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Pintura em panos de prato é instrumento de ressocialização de mulheres no presídio feminino de Rio Branco
Traços fortes, coloridos e cheios de vida marcam o trabalho de pintura realizado pelas mulheres que cumprem pena na Divisão de Estabelecimento Penal Feminino de Rio Branco. São panos de prato pintados à mão, utilizando a técnica de estêncil, que são moldes vazados.

A atividade é parte do processo de ressocialização desenvolvido pelo Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) com as mulheres privadas de liberdade. A iniciativa partiu da policial penal Dione Diniz, responsável por ensinar e acompanhar as internas em outras atividades. “Eu trabalho muito com artesanato, mas nessa área eu não trabalhava. Aí a mente criativa vai introduzindo outras coisas. Me interessei por ensinar, pesquisei e inseri para elas esse trabalho”, ressalta.

Entre as participantes está a detenta A. L., que aprovou a atividade e já pensa em tornar a fonte de renda sustento dos filhos. Presa há oito anos, espera ansiosa o momento da progressão de pena, que deve se dar em poucos meses.
“Hoje, olhando para minha vida como um todo, eu entendo que não preciso mais do crime, do tráfico, para sustentar minha família. Eu posso sustentar meus filhos, dar uma vida digna para eles, sem correr o risco de passar tanto tempo longe deles novamente. Eu tenho dois filhos e com certeza penso em repassar para eles, que eles venham a aprender, que eles não venham a se ver na condição que um dia eu me vi, mãe na adolescência, sem poder trabalhar, paralisando os estudos”.
Atualmente o projeto conta com quatro internas, mas muitas já foram beneficiadas antes da progressão de regime e saída do presídio. Os panos de prato, pintados à mão, já foram parte de uma feira realizada pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), onde foram vendidos. O valor arrecadado é usado para manutenção do projeto.
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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE
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Jader Machado vai disputar medalha e Clícia Gadelha é eliminado no Brasileiro Sub-18
Os times das escolas Jader Machado, no feminino, e Clícia Gadelha, no masculino, representantes do Acre no Campeonato Brasileiro de Handebol Escolar Sub-18 terão uma reta final de torneio bem diferente.
As meninas da Jader Machado venceram nesta quarta, 25, o time do Dom Fernando Gomes, de Sergipe, por 30 a 5 e irão disputar a medalha de ouro na Série Cobre.
Os garotos da Clícia Gadelha foram derrotados pela equipe da escola Professora Doris Mendes Trindade, do Mato Grosso do Sul, por 26 a 23 e estão fora da disputa por medalhas na Série Prata.
“As equipes acreanas fizeram dois grandes jogos, no feminino a vitória ocorreu a derrota aconteceu em uma partida decidida nos minutos finais. O handebol acreano vem sendo bem representado no torneio nacional”, declarou o presidente da Federação Acreana do Desporto Escolar(FADE), João Renato Jácome.
Fonte: Conteúdo republicado de PHD ESPORTES - ESPORTES









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