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Senado se torna eixo central da disputa entre Lula e bolsonarismo na eleição de 2026
Estratégia bolsonarista mira presidência da Casa e pauta impeachment de ministros do STF, mas alianças do PT no Nordeste podem mudar cálculo da maioria

Em 40% das cadeiras, cenário ainda é indefinido; em alguns estados, sequer a lista de candidatos está clara, mostrando disputa em aberto. Foto Captada
O Senado Federal emerge como o campo de batalha decisivo entre o governo Lula e o bolsonarismo na corrida eleitoral de 2026. A estratégia do ex-presidente Jair Bolsonaro é construir uma maioria para eleger o presidente da Casa e viabilizar uma pauta considerada explosiva: processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um levantamento indica que MDB, PL e PP concentram hoje os pré-candidatos mais bem posicionados nas pesquisas estaduais. No entanto, o cálculo para alcançar a maioria pode ser alterado pelas alianças regionais que o PT está costurando com partidos do Centrão, especialmente nos estados do Nordeste, tradicional base de apoio do presidente Lula. A composição do próximo Senado está longe de estar definida, prometendo uma disputa acirrada que definirá o ritmo e o tom dos últimos dois anos do atual governo.
Cenário ainda pode mudar com definição de alianças regionais e chapas
A projeção de favoritos para o Senado em 2026 considerou apenas os nomes que aparecem com vantagem consistente, acima da margem de erro das pesquisas já publicadas, em ao menos um cenário testado. Em estados onde pré-candidatos já sinalizaram que podem disputar outros cargos ou desistir da corrida, esses nomes foram retirados da conta final. O método busca refletir a intenção de voto mais sólida no momento, mas especialistas alertam que o quadro ainda é fluido e deve se reconfigurar com a oficialização das alianchas partidárias e a formação das chapas estaduais.
Em 40% das cadeiras, cenário ainda é indefinido
O método de projeção utilizado conseguiu identificar candidatos com vantagem clara em cerca de 60% das 54 vagas do Senado que estarão em disputa nas eleições de 2026. No entanto, para os 40% restantes, o cenário permanece nebuloso e altamente volátil. Em alguns estados, as pesquisas só indicam um favorito definido para uma das duas vagas. Em outros, a própria lista de pré-candidatos ainda não está consolidada, com nomes hesitantes ou partidos em processo de negociação para formar suas chapas. Essa indefinição em uma parcela significativa das vagas revela que a composição da próxima Casa ainda é uma incógnita e está sujeita a mudanças drásticas com as alianças regionais que se formarão nos próximos meses.
Em seis estados, “totalmente indefinida”
Amazonas, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Sergipe e Rondônia são terrenos férteis para surpresas e alianças de última hora, com nenhum favorito consolidado nas pesquisas.
O cenário eleitoral para o Senado em 2026 é considerado “totalmente indefinido” em seis estados, onde nenhum pré-candidato aparece com vantagem suficiente para ser dado como virtual eleito. A lista inclui grandes colégios eleitorais, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Amazonas, além de Sergipe e Rondônia. Nessas unidades da federação, a disputa está completamente aberta, o que transforma essas praças em terreno fértil para surpresas, desistências de última hora e composições inesperadas de chapas. A indefinição nesses estados, que juntos representam uma fatia significativa das vagas, aumenta a volatilidade geral da corrida e torna o resultado final do pleito para o Senado ainda mais imprevisível.
MDB lideram projeções
Oito parlamentares do MDB aparecem em primeiro ou segundo lugar nas projeções para as vagas do Senado em 2026, reforçando a base de apoio do governo Lula na Casa. A maioria deles concentra força no Nordeste, região-chave para a articulação política do Planalto. Entre os nomes de maior peso estão Renan Calheiros (AL) e Eunício Oliveira (CE), figuras experientes com grande capacidade de articulação. A projeção de uma bancada emedebista sólida e alinhada ao governo fortalece a estratégia do PT de garantir o comando do Senado a partir de 2027, contrapondo-se ao avanço da oposição bolsonarista em outras regiões. A composição final, no entanto, ainda depende das frágeis alianças estaduais.
PT tem poucos senadores “cravados”
A projeção para o Senado em 2026 mostra o Partido dos Trabalhadores (PT) com um núcleo reduzido de favoritos consolidados. Apenas o ex-ministro Rui Costa, na Bahia, e o senador Humberto Costa, em Pernambuco, aparecem com vantagem clara e acima da margem de erro nas pesquisas atuais. No entanto, a força eleitoral do partido pode crescer significativamente a depender dos arranjos políticos estaduais. Nomes de peso, como o deputado federal José Guimarães, no Ceará, e a governadora Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, são citados como possíveis reforços fundamentais para a bancada petista. Sua entrada efetiva na disputa, porém, está condicionada às negociações de coligações e à formação das chapas, um quebra-cabeça que ainda está sendo montado em cada estado.
Bolsonarismo aposta em nomes de alto impacto
A estratégia do bolsonarismo para as eleições de 2026 concentra-se em lançar nomes de alto recall e apelo popular direto às urnas, visando transformar o Senado em sua principal linha de frente política. Entre os principais cabeças de chapa estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, projetada para disputar pelo Distrito Federal; o vereador Carlos Bolsonaro, com forte atuação nas redes sociais, em Santa Catarina; e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
A aposta é que a notoriedade dessas figuras seja capaz de “carimbar” a Casa com uma bancada militante e alinhada, pavimentando o caminho para uma pauta considerada explosiva pela oposição, como a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O sucesso ou fracasso dessa tática dependerá da capacidade de converter engajamento digital em votos e da reação das alianças governistas nos estados.
40% das vagas do Senado indefinidas, cálculo é prematuro
Qualquer projeção sobre o tamanho das bancadas e a correlação de forças no Senado a partir de 2027 ainda é considerada prematura e arriscada. Isso porque, de acordo com o levantamento baseado nas atuais sondagens, o cenário para 22 das 54 vagas em disputa em 2026 permanece totalmente indefinido, sem a indicação de um favorito com vantagem consolidada. Essa ampla margem de incerteza — que envolve desde grandes colégios eleitorais até estados menores — torna o resultado final do pleito altamente volátil. A indefinição em um bloco tão significativo de cadeiras impede um cálculo seguro sobre qual bloco (governista ou oposicionista) terá condições de eleger o presidente da Casa e comandar a agenda legislativa, incluindo temas sensíveis, no biênio seguinte. A definição só deve ganhar contornos mais claros com a formação das alianças estaduais e a oficialização das chapas.
Opinião há quatro semana, a corrida no Acre pelas duas vagas ao Senado
O governador Gladson Cameli (PP) lidera com folga a disputa por uma das vagas do Acre ao Senado em 2026, conforme pesquisa realizada em dezembro em 14 municípios. Com 28,68% das intenções de voto, ele aparece virtualmente eleito. A segunda vaga, no entanto, é alvo de uma disputa acirrada e fragmentada. O bolsonarista convicto senador Márcio Bittar (15,89%) aparece na dianteira deste segundo bloco, mas está tecnicamente empatado com o lulista ex-governador Jorge Viana (12,65%) e a deputada federal Jéssica Sales (11,53%). A senadora Mara Rocha (7,67%) e o senador Sérgio Petecão (6,23%) completam o leque de competitivos.
A rejeição emerge como um fator crucial: Jorge Viana lidera esse índice negativo (26,06%), seguido por Petecão (20,32%). Em um cenário hipotético sem a candidatura de Gladson Cameli, Bittar assumiria a liderança (22,32%), mas a briga pela segunda vaga se manteria totalmente aberta, envolvendo os mesmos nomes. A alta taxa de indecisos (15,8% nesse cenário) confirma a volatilidade da eleição no acre.
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OAB do Rio repudia desfile pró-Lula e fala em “intolerância religiosa”

A seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) divulgou uma nota, nesta terça-feira (17/2), na qual repudia o teor do desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado pela escola de samba Acadêmicos de Niterói.
Diante da polêmica em torno das fantasias de latas ambulantes de “família em conserva”, a entidade fala em “intolerância” e “discriminação religiosa”.
Em nota, a Ordem veio a público “manifestar sua mais veemente reprovação ao episódio ocorrido na Marquês de Sapucaí, durante a apresentação da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, cuja exibição, transmitida ao vivo, configurou prática de preconceito religioso dirigido aos cristãos” , diz o texto.
A nota é assinada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIRE) e pela Comissão Especial de Advogados Cristãos. Segundo as comissões, a apresentação da escola de samba fere o art. 5º, inciso VI, da Constituição, que assegura a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença.
A crítica feita durante o desfile também causou reações no campo político da direita, que reagiu à apresentação nas redes sociais e promete medidas judiciais.
Em nota, a Acadêmicos de Niterói justificou o significado das fantasias:
“A fantasia traz uma lata de conserva, com uma defesa da dita família tradicional, formada exclusivamente por um homem, uma mulher e os filhos. Na cabeça dos componentes, há uma variação de elementos para enumerar os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo. São eles: os representantes do agronegócio, uma mulher de classe alta, os defensores da Ditadura Militar e os grupos religiosos evangélicos”.
Reação da Frente Parlamentar Evangélica
A Frente Parlamentar Evangélica (FPE) também se manifestou, por meio de nota, sobre o desfile e classificou a representação do público conservador como “escárnio”.
“A Frente Parlamentar Evangélica manifesta seu mais veemente repúdio à Escola de Samba Acadêmicos de Niterói pela conduta desrespeitosa e afrontosa apresentada neste Carnaval. É inadmissível que o direito à manifestação cultural seja distorcido para promover o escárnio contra a fé cristã e o deboche aberto aos valores conservadores que sustentam a nossa sociedade”, afirma.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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INSS, Master, TSE: André Mendonça amplia poderes em ano eleitoral

A oito meses das eleições presidenciais de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça acumula poderes ao assumir a relatoria das investigações do caso Master e se torna uma peça-chave para a política e a Justiça.
O magistrado já é relator do caso que apura os desvios de recursos dos aposentados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e será vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir de junho, quando a presidência da Corte será trocada. Cármen Lúcia deixa a presidência do tribunal e Nunes Marques assume.
À frente do caso Master e da análise acerca das fraudes no INSS, os próximos passos de Mendonça vão passar a ser observados por diferentes setores do governo Lula, do Congresso Nacional e por colegas integrantes do STF. A lupa voltada a Mendonça será, em um primeiro momento, a fim de entender qual será a linha adotada por ele.
Indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e classificado por ele como “terrivelmente evangélico”, Mendonça tem sido apontado no mundo jurídico como um magistrado que mantém um perfil “técnico” em suas decisões.
O ministro André Mendonça foi sorteado para o caso que apura a fraude financeira no Banco Master após um relatório da Polícia Federal (PF) apontar que o nome de Dias Toffoli aparecia em citações nos celulares apreendidos de investigados, como o de Daniel Vorcaro. Com a pressão política, Toffoli deixou a relatoria do caso.
Nome comemorado por alas do Congresso
Desde que Mendonça foi anunciado como relator do caso Master, alas do Congresso ligadas à oposição e à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS comemoraram. Como mostrou a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, a notícia também foi bem recebida pela cúpula da PF.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse a interlocutores ter “ótima” relação com Mendonça. Na sexta-feira (13/2), um dia depois de assumir a relatoria, o ministro se reuniu com integrantes da PF que estão cuidando do caso Master. No encontro, foi apresentado um panorama da situação atual das investigações.
A PF teve uma crise com Toffoli enquanto ele foi relator do caso. Como mostrou o Metrópoles na coluna de Manoela Alcântara, a crise entre os dois lados teve rápida escalada e foi ponto determinante para a saída do magistrado da relatoria.
O que leva Brasília a ficar atenta a passos de Mendonça
Com poder acumulado, Mendonça tem a classe política atenta às suas ações à frente dos dois casos mais sensíveis em Brasília no momento. Tanto no caso do INSS como no do Master, o governo Lula, membros do Centrão e integrantes da oposição esperam os desdobramentos que podem desencadear na campanha eleitoral.
Os casos têm indícios de participação de políticos de diferentes espectros: do petismo ao bolsonarismo, passando pelos partidos do Centrão. Apesar do ataque público nas redes sociais, que fazem diferentes coros entre oponentes, a classe política tem ciência de que as investigações tem potencial de ameaçar grupos políticos.
Para além da política, o mundo jurídico também acompanha o comportamento de Mendonça depois do desgaste de imagem que o STF teve com Toffoli no comando do caso Master. A condução do ministro no caso dará pistas de como será seu estilo como vice-presidente do TSE.
Representações contra Lula devem ser analisados antes de junho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou alvo da oposição no TSE depois de ter ido acompanhar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que fez um enredo em sua homenagem. A oposição acusa o petista de propaganda eleitoral antecipada.
As representações sobre esse caso devem ser analisadas pelo tribunal antes da mudança da presidência em junho, quando Mendonça assumirá como vice. Porém, essas petições receberão o voto de Mendonça, pois ele já faz parte da Corte.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Cláudio Castro se reunirá com Flávio e com PL para decidir seu futuro

O governador do Rio de Janeiro (RJ), Cláudio Castro (PL), afirmou na segunda-feira (16/2) que se reunirá com o deputado federal e vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (PL-RJ), e com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para decidir seu futuro político.
O bolsonarista ainda deve decidir se permanecerá no cargo de governador até a data limite para renúncia a fim de concorrer a uma cadeira no Senado Federal.
“Em primeiro lugar eu preciso ter uma garantia que quem vai ficar no meu lugar seja uma pessoa capaz de administrar um estado com um déficit orçamentário de R$ 19 bilhões este ano”, disse a jornalistas ao chegar para o segundo dia de desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, no Rio (RJ).
O governador reafirmou nesta semana que o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, é o nome que apoia para assumir o comando do Estado. Apesar da indicação, destacou que caberá à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) tomar a decisão final por meio de votação indireta, ressaltando a autonomia do Legislativo no processo.
A eleição indireta será realizada porque o Estado está sem vice-governador. Eleito na mesma chapa de Castro, Thiago Pampolha deixou o cargo após ser indicado para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
A Alerg aprovou, em 11 de fevereiro, uma proposta que estabelece regras para eleições indiretas a fim de escolher um nome para concluir os últimos meses de mandato do governador do RJ.
O projeto prevê uma flexibilização ao prazo para que candidatos deixem cargos públicos e estabelece que a votação ocorrerá de forma aberta — com registro público de votos.
Com os dois postos vagos, a legislação prevê que os deputados estaduais do Rio de Janeiro devem escolher um nome para a conclusão do mandato — processo chamado de eleição indireta.
Homenagem a Lula no Acadêmicos de Niterói
Quanto ao desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Castro se conteve ao comentar. “Nesses camarotes institucionais a gente fica mais recebendo as pessoas que assistindo a desfiles. Não vi nem a Niterói como as demais escolas”, declarou.
Questionado do porquê não desceu à pista para receber as agremiações ao lado de Lula e do prefeito Eduardo Paes (PSD), que deve concorrer ao cargo de governador, Castro se limitou a dizer que estava em “reunião”.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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