O governador Sebastião Viana que nas últimas semanas vem utilizando como desculpa para uma série de ações de equilíbrio das contas públicas, o corte no repasse de verbas pelo governo federal principalmente para a área de saúde, parece chorar de barriga cheia. A fim de verificar a tempestividade na aplicação dos recursos do Bloco de Vigilância em Saúde, auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) descobriram um saldo de 52,77% do total transferido pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) entre os anos de 2015 e 2016. É um montante de R$ 5.756.550,03 de recursos não utilizados e que encontram-se em aplicação financeira. Através de ofício, o secretário de saúde Gemil Junior alegou a situação emergencial vivida pelo estado com a cheia de 2015, mudanças climáticas e até o atendimento a mais de 40 mil haitianos, como consequências para o que chama de “ações fortuitamente adiadas”. As alegações não convenceram os técnicos do TCU.
A investigação:
aplicacao-do-dinheiroForam analisados pelos técnicos do TCU extratos bancários da conta corrente nº 7413-6, agência 3550-5 do Banco do Brasil S/A e financeiros da conta específica utilizada pelo Fundo Estadual de Saúde para a movimentação dos recursos no período de janeiro de 2015 a janeiro de 2016.
O órgão controlador explica que os recursos do Piso Fixo de Vigilância em Saúde (PFVS), destinam-se à execução de ações de vigilância em saúde em geral, incluindo ações relacionadas ao controle da Dengue, Chikungunya e vírus Zika e que além disso, o Ministério da Saúde também repassa recursos no Piso Variável de Vigilância em Saúde (PVVS), que são destinados à implementação de ações contingenciais de vigilância, prevenção e controle de epidemias em situação de emergência, bem como para a execução de ações e serviços estratégicos específicos, relacionados à vigilância em saúde.
“Vale lembrar que os recursos federais que compõem cada bloco de financiamento são transferidos aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, fundo a fundo, em conta única e específica para cada bloco de financiamento” diz o relatório.
Mas para a surpresa dos controladores um valor significativo foi encontrado nas contas da secretaria, um total de 52,77% do total transferido em dois anos para as ações. De acordo o relatório, os recursos transferidos para o Fundo Estadual de Saúde foram mantidos em aplicação financeira, sem significativa utilização pela SESACRE.
Ainda de acordo o documento que a reportagem teve acesso, nem toda movimentação demonstrada no quando – saldo mensais do Bloco da Vigilância em Saúde, refere-se a despesas com ações rubricadas. Em dezembro de 2015, a SESACRE concluiu um processo de remanejamento de recursos do Bloco de Vigilância em Saúde, no valor de R$ 2.212.703,20, para aplicação em outras ações governamentais, elevando ainda mais a diferença entre recursos disponibilizados e recursos executados em ações de vigilância.
Os auditores concluíram que excluída a transferência a débito derivada do processo de remanejamento, de cerca de onze milhões em recursos (saldo inicial somado ao creditado no período), apenas quatro milhões resultaram na execução de ações de vigilância (36% do total).
Secretaria priorizou aluguéis de carros e mantém veículos novos doados pelo Governo federal sem utilização em armazém de insumos
E as irregularidades detectadas não param por ai. A auditoria descobriu que a SESACRE mantém contrato de locação de automóvel para utilização nas ações de combate ao mosquito Aedes Aegypti mesmo dispondo de veículos próprios com características semelhantes às do locado, abandonados em depósitos e sem utilização.
O patrimônio foi encontrado no armazém de insumos da SESACRE, trata-se de duas caminhonetes Ford Ranger XL 13P 4×4, Cabine dupla, ano 2011/2012, placas OFV-7352 e OFV 7612, doadas em 15 de abril de 2014 e duas Toyota Hilux 4×2, cabine simples, ano 2008, placas NSL 6376 e NLS 9366, com equipamento Ultra Baixo Volume – UBV pesado acoplado, doadas em 06 de janeiro de 2015.
Ao analisar os contratos dos veículos e verificar que o patrimônio foi doado pela União para utilização nas atividades de combate ao mosquito Aedes Aegypti, os controladores afirmam que o executor [governo do Acre] poderia ter evitado os gastos com a locação do utilitário, por já dispor de veículo apto à realização das ações de vigilância.
“A inércia do gestor ocasionou despesas desnecessárias, o que implica em prejuízo ao Erário” diz o relatório.
Dinheiro deveria ir para os municípios com epidemia de dengue
Embora na exposição de motivos a secretaria de saúde afirme que não utilizou os equipamentos para bloqueio de transmissão e para controle de surtos ou epidemias por que a situação era de controle, em abril de 2015 a mesma instituição reconheceu a iminência de um novo quadro de epidemia da dengue, no município de Cruzeiro do Sul, com crescimento de casos da doença. A segunda maior cidade do estado, desde setembro de 2014 passou apenas um mês fora da condição de epidemia da dengue.
O OUTRO LADO:
Como a reportagem adiantou, o governo do Acre por meio da secretaria de saúde reconheceu o não cumprimento de metas quanto à execução das ações de combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus. Afirmou para o TCU que uma parceria entre as áreas técnicas otimizou veículos de transportes, reduziu quantidade de técnicos da área por município, tudo para explicar o não gasto dos recursos programados. Até o processo licitatório para aquisição de material permanente foi deserto, segundo a secretária.
Com relação a não utilização dos veículos, o governo culpou a burocracia na transferência dos documentos. Justifica que desde o ano de 2015 o Departamento tem colocado na programação anual, recursos para que o Setor de Transporte possa dar prosseguimento no processo de transferência. Afirma ainda que tem monitorado insistentemente o processo.
Conclusões finais – A análise do controle interno afirma que os fatores alegados pela Secretaria de Saúde para a não aplicação dos recursos públicos, entre eles, a ocorrência de enchentes, fluxos migratórios, não se revestem de caráter fortuito, já que fazem parte da realidade vivenciada no Estado do Acre.
“Nesse sentido, mesmo que esses fatores causem alguma interferência nas ações planejadas pela Secretaria, não são suficientes para justificar a inexecução de 52,77% do total de recursos transferidos pelo FNS em 2015 e 2016” diz o relatório.
Com relação aos veículos, a auditoria diz que o veículo estava disponível para uso pela SESACRE a partir de 15 de maio de 2014, em 30 dias deveria estar com a titularidade do bem resolvida. O Estado pagou nesse período R$ 95,7 mil com alugueis “desnecessário”, afirma a auditoria.
Pela leitura do documento, verifica-se que a SESACRE deveria ter providenciado, no prazo máximo de 30 dias, a transferência de titularidade do bem, sob pena revogação total ou parcial do instrumento de doação.
Faleceu nesta quarta-feira (31), aos 71 anos, em Rio Branco, Gilberto Bezerra de Farias, conhecido como Gil Trotamundos. Natural de Sena Madureira, ele se tornou um dos mais conhecidos ciclistas aventureiros do Brasil ao realizar três voltas ao mundo de bicicleta, percorrendo aproximadamente 500 mil quilômetros e visitando 142 países ao longo de mais de 45 anos de viagens.
Gil ganhou projeção internacional por suas jornadas sobre duas rodas, que lhe renderam reconhecimento no meio do cicloturismo e da aventura. Ao longo da carreira, publicou 12 livros em quatro idiomas e produziu 17 filmes, entre eles nove documentários sobre suas viagens — como a série Pedal da Liberdade — e outros oito voltados à história de seus antepassados no Acre.
Entre as homenagens recebidas, foi escolhido para conduzir a tocha olímpica em Rio Branco durante os Jogos Olímpicos de 2016 e também participou do revezamento da tocha nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro.
Em entrevistas, Gil relatava ter filhos em diferentes países, reflexo de sua vida itinerante ao redor do mundo. Nos últimos meses, enfrentava um câncer e havia se mudado para Santa Catarina em busca de tratamento e para tentar se estabelecer junto à família.
A morte de Gil Trotamundos encerra uma trajetória considerada histórica para o cicloturismo acreano e brasileiro, marcada por espírito aventureiro, produção cultural e promoção do Acre no exterior.
A Prefeitura de Rio Branco entregou, na manhã desta quarta-feira (31), a nova Ponte do Caipora, uma obra histórica e muito aguardada pelos moradores da região. A entrega contou com a presença do prefeito Tião Bocalom, do vice-prefeito Alysson Bestene, do presidente da Câmara Municipal Joabe Lira, secretários municipais, lideranças comunitárias e moradores beneficiados.
A nova estrutura representa um avanço significativo para a mobilidade e a segurança da população, encerrando um longo período de isolamento enfrentado por centenas de famílias, especialmente durante o inverno amazônico, quando as cheias impediam o deslocamento e o acesso a serviços essenciais.
Segundo o prefeito Tião Bocalom, a obra simboliza mais do que infraestrutura: representa liberdade, dignidade e cuidado com as pessoas. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Segundo o prefeito Tião Bocalom, a obra simboliza mais do que infraestrutura: representa liberdade, dignidade e cuidado com as pessoas.
“Até o ano passado, as comunidades daqui ficavam isoladas. Teve ano em que não tinha comida, porque ninguém conseguia sair. Agora, eles vão poder ir e vir com segurança. Essa ponte representa liberdade e dignidade para todo mundo. A prefeitura colocou quase dois milhões em contrapartida, porque nosso objetivo é cuidar bem do nosso povo”, destacou o prefeito.
O vice-prefeito Alysson Bestene reforçou o impacto social da obra, ressaltando o compromisso da gestão municipal em atender quem mais precisa. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O vice-prefeito Alysson Bestene reforçou o impacto social da obra, ressaltando o compromisso da gestão municipal em atender quem mais precisa.
“É uma obra de grande impacto. Quando garantimos que as famílias possam se deslocar com tranquilidade e segurança, quem ganha é a comunidade. A prefeitura tem buscado chegar a quem mais precisa”, afirmou.
De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Cid Ferreira, a entrega da Ponte do Caipora integra um amplo programa de investimentos em infraestrutura rural e urbana.
De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Cid Ferreira, a entrega da Ponte do Caipora integra um amplo programa de investimentos em infraestrutura rural e urbana. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“Estamos concluindo cerca de 100 pontes de batisteca, e esta já é a sexta ponte de concreto desta gestão. É um compromisso com a infraestrutura e com a melhoria da vida da população”, explicou.
A ponte foi construída com recursos federais, somados à contrapartida da Prefeitura de Rio Branco. Para os moradores, a obra encerra décadas de dificuldades e garante acesso permanente a serviços como saúde, educação e abastecimento.
Moradora do Projeto Moreno Maia há 28 anos, Claucilene Oliveira destacou a importância histórica da entrega. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Moradora do Projeto Moreno Maia há 28 anos, Claucilene Oliveira destacou a importância histórica da entrega.
“Essa ponte representa a nossa liberdade, o direito de ir e vir e a melhoria da qualidade de vida. Durante muitos anos, nas enchentes, ficávamos isolados e dependentes da ajuda do poder público. Agora esse problema não vai mais existir. É um sonho antigo dos moradores, aguardado por mais de 30 anos.”
O morador Pedro de Souza Marcial também celebrou a conquista. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
O morador Pedro de Souza Marcial também celebrou a conquista.
“Essa ponte representa um bem muito grande pra nós. A gente ficava ilhado, tinha época que não tinha nada em casa porque não dava pra ir à cidade. O Bocalom está de parabéns. É um bem precioso pra toda a vida.”
Mais investimentos em infraestrutura rural
Ainda nesta quarta-feira, o prefeito Tião Bocalom e sua equipe seguiram para o Ramal Piçarreira, na região do Calafate, onde foi entregue mais uma ponte construída integralmente com recursos próprios do município. A obra beneficia diretamente moradores e produtores rurais, facilitando o escoamento da produção agrícola e fortalecendo a economia local.
O prefeito e sua equipe seguiram para o Ramal Piçarreira, na região do Calafate, onde foi entregue mais uma ponte construída integralmente com recursos próprios do município. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
“O último dia do ano foi dedicado à entrega de obras. Estivemos na ponte do Caipora, uma obra notável, e agora entregamos outra bela ponte no Ramal Piçarreira. Essa era uma reivindicação de mais de vinte ou trinta anos.
Investimos recursos próprios, mostrando que a prefeitura tem capacidade de realizar. Isso é apoio direto aos trabalhadores e produtores rurais que colocam alimento na mesa da nossa população”, concluiu o prefeito.
Com essas ações, a Prefeitura de Rio Branco reafirma seu compromisso com o desenvolvimento, a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida, especialmente nas áreas que por décadas conviveram com o isolamento e a falta de infraestrutura.
“Nada melhor do que concluir o ano, em um dia de feriado, trabalhando e mostrando nosso compromisso com a população”, disse Joabe. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Presidente da Câmara Joabe Lira que acompanhou o prefeito nas agendas, ressaltou o memento especial para os moradores da zona rural.
“Um dia especial, o último do ano, 31 de dezembro. Estamos encerrando o ano, e não há melhor maneira de celebrar do que entregando obras. Isso demonstra o compromisso e a dedicação do prefeito, que também compartilhamos na Câmara, com a população de Rio Branco. Nada melhor do que concluir o ano, em um dia de feriado, trabalhando e mostrando nosso compromisso com a população”.
Chuvas agravaram crateras, erosões e deslizamentos; trechos entre Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó são os mais afetados. DNIT e PRF atuam em interdições parciais
Ao longo de 2025, a rodovia acumulou reclamações por más condições de trafegabilidade, e as fortes chuvas das últimas semanas pioraram ainda mais o cenário. Foto: captada
A BR-364, única ligação terrestre entre o Vale do Juruá e a capital Rio Branco, permanece em situação crítica e continua gerando preocupação entre moradores, motoristas e transportadores. Em 2025, a rodovia foi alvo de constantes críticas devido às más condições e, com as fortes chuvas recentes, o cenário piorou: crateras, erosões e deslizamentos têm tornado trechos intrafegáveis, especialmente entre Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó.
Nas últimas semanas, um trecho próximo à Vila Santa Luzia, em Cruzeiro do Sul, foi parcialmente interditado após o asfalto ceder com o transbordamento de um igarapé. Equipes do DNIT e da PRF atuam no local para controlar o tráfego e reduzir riscos. Motoristas relatam que o percurso de aproximadamente 635 quilômetros, que antes levava de sete a oito horas, agora pode durar de 12 a 16 horas, causando aumento no consumo de combustível, desgaste mecânico e elevação dos custos de frete.
A rodovia segue essencial para o abastecimento e a economia regional, mas a precariedade estrutural impacta diretamente a mobilidade, a segurança e a rotina dos moradores do Juruá.
Problemas recentes:
Interdição parcial próximo à Vila Santa Luzia, em Cruzeiro do Sul, após o asfalto ceder com o transbordamento de um igarapé;
Crateras, erosões e deslizamentos de pista em vários trechos, especialmente entre Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó;
Atuação conjunta do DNIT e da PRF para controle do tráfego e redução de riscos.
A situação precária já havia sido apontada pela CNT como uma das piores do país. Foto: captada
Impactos no tráfego:
O percurso de 635 km, que antes levava 7 a 8 horas, agora pode durar 12 a 16 horas ou mais, devido às manobras para evitar buracos e às condições climáticas.
Prejuízos econômicos:
Aumento no consumo de combustível;
Desgaste acelerado de pneus, suspensão e componentes mecânicos;
Elevação dos custos de frete e manutenção, impactando o abastecimento e a economia regional.
Motoristas relatam que a viagem se tornou “lenta e perigosa”, exigindo atenção constante para não danificar os veículos. Muitos evitam viajar à noite devido à falta de sinalização e iluminação em trechos críticos.
A BR-364 é vital para o isolado Vale do Juruá, sendo a única via para transporte de mercadorias, acesso a saúde, educação e outros serviços na capital. A situação precária já havia sido apontada pela CNT como uma das piores do país.
O DNIT afirma que está monitorando os pontos críticos e realizando intervenções emergenciais, mas obras de recuperação estrutural ainda não têm data para início. Enquanto isso, a população local cobra uma solução definitiva para o problema crônico da rodovia.
A deterioração da BR-364 reflete a vulnerabilidade logística do Acre e escancara a dependência de uma única via para integração regional – cenário que se agrava a cada temporada de chuvas.
O percurso de 635 km, que antes levava 7 a 8 horas, agora pode durar 12 a 16 horas ou mais, devido às manobras para evitar buracos e às condições climáticas. Foto: captada
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