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Preso condenado a 80 anos e que fugiu de forma misteriosa da cadeia é um dos mentores de roubo de aviões, diz polícia

Laudelino Ferreira Vieira, de 42 anos, simplesmente desapareceu do presídio de segurança máxima, em Campo Grande, em junho deste ano. Além dele, ao menos mais 9 pessoas estão na mira da polícia.

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Aeronaves levadas por bandidos em MS durante a madrugada (6) – Foto: Polícia Civil/Divulgação

Por Graziela Rezende e Marta Ferreira

No dia 31 de maio deste ano, Laudelino Ferreira Vieira, o “Lino”, de 42 anos, simplesmente desapareceu do presídio de segurança máxima em Campo Grande, onde cumpria pena de 80 anos de reclusão. Nunca mais foi visto e a fuga ainda é um mistério. Agora, o nome dele ressurge, envolvido no roubo de três aviões.

“Lino” é procurado como um dos cabeças do assalto em que três aeronaves foram levados, na segunda-feira (6), em um hangar de Aquidauana, a 140 quilômetros de Campo Grande. O fugitivo tem histórico de participação no mesmo tipo de crime, o roubo de três aviões em Corumbá, em janeiro de 2004, quando um piloto foi assassinado.

A prisão de dois participantes do crime levou à polícia até “Lino” como a pessoa que comandava a quadrilha, que tem pelo menos 10 pessoas já identificadas. Conforme os depoimentos de dois envolvidos que foram presos pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar (BpChoque), Roger Breno Wirmond dos Santos, 22 anos, e Cristhofer Cristaldo Rocha, de 21 anos, o foragido dava as ordens por chamada de vídeo, de um local desconhecido.

Diante das informações, o juiz Alexsandro Motta, de Aquidauana, converteu a prisão de Roger e Cristhofer em preventiva e também concedeu ordem para captura de para Laudelino Vieira e mais três homens.

São eles Lázaro da Silva Ramirez, em nome de quem estava a casa identificada pela polícia como base do bando, Ivanildo da Silva Dias, e Kevin Moreno, esse último de nacionalidade boliviana.

Preso condenado a 80 anos fugiu da cadeia e pode estar envolvido em roubo de aviões – Foto: Agepen-MS/Divulgação

Quem é “Lino”

Laudelino tem ficha corrida que começou aos 19 anos, quando, segundo seu histórico policial, invadiu juto a comparsas uma casa em Naviraí, trancando as vítimas no banheiro da casa. No fim da década de 1990, em Campo Grande, foi preso por furto e escapou da então colônia penal agrícola de Campo Grande.

Em 2004, foi, de acordo com a acusação, um dos líderes do assalto em que três aviões, avaliados em US$ 240 mil, foram roubados durante invasão à empresa de táxi aéreo Ocororé, em Corumbá. O piloto e empresário Luis Fernandes Carvalho, 39 anos, acabou morto. Chegou ser preso na Bolívia, com um dos aviões roubados, que caiu em uma fazenda, mas acabou solto pelas autoridades do País vizinho.

Em 2006, quando estava sumido, foi apontado como envolvido na morte de um policial, na estrada do Jacadigo, durante desacerto relacionado ao roubo de veículo. Em 2010, acabou preso na BR-262, com uma carga de cocaína. Nessa ocasião, atirou contra a equipe da Polícia Rodoviária Federal. Estava cumprindo pena, quando fugiu da Máxima. A suspeita é de que tenha saído da prisão em um veículo de serviço. Não foi divulgado ainda o resultado da investigação.

Fuga em investigação

A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen-MS) informou que foi instaurado uma apuração preliminar sobre a fuga do preso, que é um procedimento investigativo e ainda está em fase de apuração. Posteriormente, pode resultar em instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), sindicância ou arquivamento, conforme o levantamento de provas.

Quem também está na mira

A Polícia Civil possui ao menos 10 pessoas na mira envolvidas no “arrastão” no aeroporto de Aquidauana, na região oeste do estado. São ao todo os dois jovens presos e, assim como eles, mais 4 tiveram a prisão preventiva decretada e outros 4 na qual a investigação diz “estar trabalhando” na identificação.

A delegada Ana Cláudia Medina, responsável pelas investigações, ressaltou que entre as pessoas identificadas está o “mentor intelectual, o gerente operacional e alguns estrangeiros” envolvidos na atividade criminosa.

“Nós temos um grupo expressivo de autores que atuam nesta organização criminosa, incluindo moradores da cidade e alguns estrangeiros que compõem o cenário criminoso. O líder intelectual seria alguém que está fora do país e o outro um foragido brasileiro faccionado. Já o gerente operacional seria um morador da cidade e que estava recrutando pessoas”, explicou Medina.

Dias antes da ação criminosa, ainda conforme a polícia, os bandidos monitoraram a rotina do local, bem como tiraram fotos e alguns, após a ação, ficaram acompanhando a movimentação policial para avisar a quadrilha.

“Estamos preservando algumas informações porque temos a possibilidade de recuperar as aeronaves e estamos aguardando. A investigação está em andamento e houve ali uma disposição geográfica, então, fica o alerta”, comentou a delegada.

Os dois jovens presos já prestaram depoimento. Eles são de Anastácio. No depoimento, ambos negaram envolvimento no dia dos fatos, porém, confessaram a participação no planejamento, fornecendo arma e informando sobre possíveis rotas, por exemplo.

Ameaças

Rendido durante o roubo dos aviões na madrugada de segunda-feira (6), o vigia do aeroclube de Aquidauana contou que os bandidos jogaram combustível nele. “Eles jogaram combustível em mim. Me ameaçavam o tempo todo. Fiquei nervoso, com medo”, resumiu o vigia do local há 23 anos.

O vigia falou ainda que ao ser rendido, acreditou que os bandidos queriam dinheiro dele. “Eu disse: rapaz, eu não tenho dinheiro. Tenho 100 reais na carteira. Aí ele falou: pode ficar sossegado. Nós só quer avião”. Depois disso, fizeram mais ameaças, jogaram combustível e fugiram. “Pegaram três aviões e saíram. Saíram no escuro. Um atrás do outro”, conta.

Antes de decolarem com as aeronaves, os suspeitos fizeram o abastecimento e, segundo o vigia, toda a ação durou cerca de uma hora.

Foram levados os seguintes aviões:

  • Um do tipo bonanza v35b, matrícula PTING, de propriedade do pecuarista e ex-prefeito de Aquidauana José Henrique Trindade
  • Um do tipo Skylane, matrícula PTKDI, do pecuarista Zelito Alves Ribeiro e de seu sócio, Joel Jacques
  • Um do tipo Skylane, matrícula PTDST, do cantor Almir Sater

A aeronave de Almir Sater era uma do tipo Sky Lane, matrícula PTDST. – Foto: Polícia Civil e Almir Sater/Reprodução

O cantor Almir Sater declarou: “Bens materiais a gente trabalha, mas espero que seja recuperado. Mas se não, vão os anéis e ficam os dedos”.

Almir contou ainda que trabalhava no campo, em uma das fazendas no Pantanal, pouco antes de saber sobre o roubo da aeronave. “Estou no Pantanal. Estava no campo trabalhando, cheguei na hora do almoço e tinha por volta de 300 ligações”, disse.

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Brasileiro diz ter sido coagido a servir no Exército russo após promessa de emprego

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Família afirma que jovem de Roraima foi atraído por oferta de trabalho como motorista e pede apoio do governo brasileiro para repatriação

A família do brasileiro Marcelo Alexandre da Silva Pereira, de 29 anos, natural de Roraima, afirma que ele foi atraído por uma proposta de trabalho como motorista na Rússia, mas acabou sendo obrigado a servir no Exército russo após chegar ao país. Os parentes pedem apoio do governo brasileiro para trazê-lo de volta a Boa Vista, onde vivia com a esposa grávida e três filhos pequenos.

Segundo a família, Marcelo deixou Roraima após receber a oferta de um amigo brasileiro que também mora na capital roraimense. No entanto, ao desembarcar em Moscou, no dia 3 de dezembro, ele teria sido informado de que precisaria atuar no serviço militar. Já no dia 9, afirmou ter sido coagido a assinar um contrato com o Ministério da Defesa da Rússia, mesmo sem experiência militar e sem falar russo ou qualquer outro idioma estrangeiro.

A esposa, Gisele Pereira, de 24 anos, suspeita que o marido tenha sido vítima de tráfico humano. Ela relata que o passaporte foi emitido com apoio de um homem ligado a uma empresa com registro em São Paulo, que se apresenta nas redes sociais como assessoria para ingresso no Exército russo. A passagem aérea também teria sido comprada pela mesma empresa.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil em Moscou acompanha o caso e presta a assistência consular cabível ao cidadão brasileiro.

De acordo com a família, Marcelo estaria atualmente em Luhansk, região da Ucrânia ocupada por forças russas, onde passa por treinamento militar. Gisele afirma que consegue falar com o marido de forma esporádica por meio do Telegram e que ele insiste no desejo de retornar ao Brasil.

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Quatro parlamentares do Acre assinam pela criação da CPMI do Banco Master

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Deputados Coronel Ulysses e Roberto Duarte e senadores Alan Rick e Marcio Bittar oficializaram apoio à comissão que vai apurar possível interferência na segurança jurídica

Senadores Alan Rick e Márcio Bittar e deputados Coronel Ulysses e Roberto Duarte apoiam investigação sobre possível interferência política e judicial no banco. Foto: captada 

Parlamentares da bancada federal do Acre manifestaram apoio à criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master e sua relação com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Até o momento, quatro representantes acreanos oficializaram o apoio: os deputados federais Coronel Ulysses (União) e Roberto Duarte (Republicanos) e os senadores Alan Rick (Republicanos) e Marcio Bittar (PL).

A comissão terá como objetivo apurar possíveis interferências que possam comprometer a segurança jurídica e a estabilidade do sistema financeiro nacional. O requerimento para a criação da CPMI segue em tramitação no Congresso Nacional e busca esclarecer a atuação do banco e eventuais vínculos com autoridades do Judiciário.

Posicionamento dos Parlamentares

Os congressistas que defendem a iniciativa argumentam que a transparência é essencial para a preservação das instituições. Confira as principais declarações:

  • Roberto Duarte: O deputado destacou que a investigação é necessária diante de suspeitas de fraudes bilionárias e impactos em fundos de previdência de servidores. “O Brasil precisa de transparência e responsabilização. Defender o interesse público é meu compromisso”, afirmou.

  • Marcio Bittar: O senador enfatizou a gravidade do caso, sinalizando que a investigação não recuará diante de figuras de autoridade. “Muitas pessoas poderosas estão envolvidas e vamos até o fim”, declarou.

  • Coronel Ulysses: Foi o primeiro parlamentar da bancada acreana a assinar o requerimento, dando início à mobilização no estado.

  • Alan Rick: O senador confirmou sua adesão ao pedido de abertura da comissão, reforçando o coro pela fiscalização da instituição bancária.

Objetivos da CPMI

A proposta de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master e sua relação com o ministro do STF Alexandre de Moraes tem como objetivo central esclarecer denúncias de interferência política e judicial no sistema financeiro. Para os parlamentares acreanos que apoiam a medida — os deputados Coronel Ulysses e Roberto Duarte e os senadores Alan Rick e Marcio Bittar —, a comissão é vista como o instrumento adequado para oferecer respostas à sociedade sobre a gestão de grandes ativos e o cumprimento das normas legais.

Os defensores da CPMI argumentam que a investigação é necessária para avaliar os riscos que eventuais relações entre instituições financeiras e o Judiciário podem trazer ao cenário econômico brasileiro, especialmente em relação à segurança jurídica e à estabilidade do sistema. A proposta segue em tramitação no Congresso Nacional.

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Prefeitura de Rio Branco inicia desmobilização de abrigos das famílias atingidas por enxurradas

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A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, iniciou na manhã desta quarta-feira, 31 de dezembro de 2025, a desmobilização dos abrigos provisórios destinados às famílias atingidas pelas enxurradas causadas pela elevação dos igarapés

Neste primeiro momento, estão retornando para suas casas as famílias dos bairros da Paz, Parque das Palmeiras, entre outros que foram diretamente afetados. Foto: Secom

Prefeitura de Rio Branco, por meio da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, iniciou na manhã desta quarta-feira, 31 de dezembro de 2025, a desmobilização dos abrigos provisórios destinados às famílias atingidas pelas enxurradas causadas pela elevação dos igarapés.

Neste primeiro momento, estão retornando para suas casas as famílias dos bairros da Paz, Parque das Palmeiras, entre outros que foram diretamente afetados. A ação segue orientação do prefeito Tião Bocalom e mobiliza diversas secretarias municipais, entre elas a Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb), a Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade e a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, que vêm prestando apoio desde o início do sinistro, ocorrido no dia 26 de dezembro.

De acordo com o coordenador municipal de Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, a desmobilização ocorre de forma planejada e segura.

“Estamos seguindo todos os protocolos de resposta para garantir que as famílias retornem às suas casas com segurança, recebendo o suporte necessário neste momento de transição”, destacou.

As famílias que deixam os abrigos continuam recebendo apoio humanitário, como forma de assegurar assistência básica durante o processo de retorno. Foto: Secom

As famílias que deixam os abrigos continuam recebendo apoio humanitário, como forma de assegurar assistência básica durante o processo de retorno. Segundo a Defesa Civil, a medida integra o protocolo municipal adotado em situações de emergência provocadas por enchentes e enxurradas.

Nesta etapa, estão sendo desativados os abrigos que funcionavam na Escola Municipal Álvaro Vieira da Rocha e na Escola Municipal Anice Dib Jatene.

De acordo com o coordenador municipal de Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, a desmobilização ocorre de forma planejada e segura. Foto: Secom

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