A Polícia Federal deflagrou, na madrugada de hoje (29), a Operação Parcas com o objetivo de reprimir a venda indiscriminada de remédios abortivos, proibidos no Brasil. Setenta Policiais Federais estão dando cumprimento a 6 mandados de prisão, 10 mandados de busca e apreensão e 4 conduções coercitivas. As buscas se estendem por hospitais, laboratórios e outros estabelecimentos comerciais.

A operação teve origem em denúncias baseadas em trabalho de uma equipe de jornalismo que apontou diversos pontos de venda de drogas abortivas na cidade de Cruzeiro do Sul, no estado do Acre. Cada comprimido de abortivo estava sendo vendido pelo valor que varia de R$ 100,00 a R$ 250,00.

Durante as investigações, os Policiais Federais descobriram que, somente nos últimos dezoito meses, cerca de 360 ocorrências médicas decorrentes de abortos teriam sido registrados na maternidade regional. Dentre as mulheres que teriam abortado estão crianças, de até 12 anos  e adolescentes, entre 13 e 18 anos. Os policiais consideram o número extremamente alto para uma cidade que conta com apenas trinta e nove mil mulheres. Há registro de aborto cometido por uma menina de 11 anos, que ainda está sob investigação. O número de abortos pode ser significativamente maior, uma vez que o hospital somente registra aqueles casos em que houve qualquer tipo de complicação médica.

Um vereador e um secretário municipal serão chamados para prestar esclarecimentos sobre possível participação em aborto de mulheres com as quais estariam relacionados.

Para a execução da ação, a PF contou com o apoio logístico do 61º Batalhão de Infantaria de Selva em Cruzeiro do Sul, além de Servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

As penas para quem vende o medicamento abortivo podem chegar a 15 anos de prisão. Os envolvidos, também, vão responder também por auxílio ou induzimento ao suicídio, naqueles casos em que ficar comprovada a existência de aborto induzido pelos medicamentos.

Com informações da PF

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