Cotidiano
Filha de transplantado com fígado de Giovanni agradece família: “Os braços de Deus”
Marlen disse que o pai sempre teve muita vontade de viver e a doação foi uma benção

Claudionor Freitas, de 59 anos, recebeu alta nessa quinta-feira (12), seis dias após transplante — Foto: Arquivo pessoal
Por Aline Nascimento
Ao ver o pai se recuperando após receber um fígado depois de menos de um ano na fila de transplantes, a dona de casa Marlen Augusta Pinheiro, de 40 anos, fez questão de agradecer a generosidade da família do cantor e radialista Giovanni Accioly, de 33 anos, que autorizou a doação de órgãos.
O cantor teve a morte confirmada na quarta-feira (4) após sofrer um acidente de trânsito na cidade de Tarauacá, no interior do Acre. Cinco pacientes de três estados foram beneficiados com os órgãos do cantor.
O aposentado Claudionor da Silva Freitas, de 59 anos, recebeu alta médica da Fundação Hospitalar nessa quinta (13), seis dias após fazer o transplante de fígado. Segundo a filha, a recuperação dele tem sido muito boa.
Freitas é morador da cidade de Cruzeiro do Sul e assim que foi informado da possibilidade de receber a doação do órgão, viajou para Rio Branco de carro e chegou na manhã de sexta (6).
Ele não era o primeiro da lista, segundo contou a filha, e sim o segundo. Mas, após passar pelos exames, foi confirmado que a primeira pessoa não era compatível com o doador e que Freitas era. O aposentado passou pela cirurgia ainda na sexta que durou até a madrugada.

Carro de Giovanni bateu contra carreta — Foto: Arquivo pessoal
“Ele vinha fazendo tratamento devido a diabetes bem avançada, depois adquiriu a cirrose e hepatite. Há menos de um ano descobriu o câncer no fígado e precisava urgente de transplante. Para a gente foi uma renovação, uma nova vida, nova chance para ele, esperança mesmo. Estávamos torcendo muito, porque ele já vinha sofrendo alguns agravantes e sabíamos que ele não viveria mais tanto tempo e agora ele está bem, graças a Deus, está respondendo bem ao fígado. Tudo isso graças à generosidade dessa família”, disse a filha.
Marlen resolveu mandar uma mensagem ao pai do cantor, o professor Raimundo Accioly. No texto, ela disse que desde o acidente do rapaz, rogou a Deus pela recuperação dele, mesmo antes de saber que ele faria parte da história da sua família.
“Meu agradecimento pela generosidade em meio a tanta dor. A cirurgia que duraria oito horas, deu tão certo que terminou antes do previsto. A recuperação do meu pai tem sido a resposta de Deus em nossas vidas. Sabemos que tudo isso aconteceu porque vocês permitiram. Estamos felizes e seremos sempre gratos pelo amor que vocês demonstraram pelo próximo, ainda mais, no mundo em que vivemos hoje. Obrigada eternamente”, escreveu Marlen.

Família decidiu doar órgãos de cantor que morreu após acidente no interior do Acre — Foto: Arquivo pessoal
Acalento e paz
A mensagem emocionou o pai do cantor, que fez questão de postá-la em sua rede social. Para ele, poder doar os órgãos do filho trouxe um acalento e paz aos corações da família.
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“No dia em que decidimos doar os órgãos do Giovanni foi pensando exatamente em ajudar outras pessoas. Então, isso conforta nosso coração, saber que, mesmo com essa perda irreparável para nossa família, essa tristeza que ainda nos abate, a gente pode ter esses momentos de certa alegria em saber que outras pessoas puderam dar continuidade às suas vidas em função dos órgãos dele. Para nós, é um momento de satisfação, acalento e de paz para nosso coração”, disse o pai.
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“No dia em que decidimos doar os órgãos do Giovanni foi pensando exatamente em ajudar outras pessoas. Então, isso conforta nosso coração, saber que, mesmo com essa perda irreparável para nossa família, essa tristeza que ainda nos abate, a gente pode ter esses momentos de certa alegria em saber que outras pessoas puderam dar continuidade às suas vidas em função dos órgãos dele. Para nós, é um momento de satisfação, acalento e de paz para nosso coração”, disse o pai.
O professor afirmou ainda que quer conhecer as pessoas que receberam as doações para poder falar um pouco sobre como era seu filho. “Essas pessoas têm um pedaço dele, um pouco da nossa família nas suas vidas agora e esperamos um dia poder conhecer todas elas, nos abraçar e falar um pouco de como ele era bom, querido, feliz e amável, um ser humano fantástico.”

Cortejo até o cemitério para enterro de cantor reuniu várias pessoas em Tarauacá — Foto: Arquivo pessoal
Despedida
O último adeus para o cantor foi dado com festa e um show no sábado (7), em Tarauacá. O corpo do radialista foi levado para o cemitério em cima de um carro do Corpo de Bombeiros. “Ele dizia que no velório dele era para ter música ao vivo, os amigos tocando. Disse isso brincando, mas atendemos esse pedido dele. Todo mundo se mobilizou, doaram material de som e muita música ao vivo e som”, destacou.
O cantor e radialista teve a morte cerebral confirmada na noite de quarta (4). Ele teve traumatismo craniano e estava em estado grave no Pronto Socorro de Rio Branco depois de bater o carro que dirigia contra uma carreta estacionada em frente ao antigo hospital da cidade de Tarauacá, no interior do Acre, no dia 1. Ele foi transferido para a capital em uma UTI no ar no dia 2.
Após confirmar a morte cerebral dele, a família anunciou que iria doar os órgãos dele. O procedimento foi feito na sexta (6) na Central de Transplante do Acre.
Pacientes beneficiados
A coordenadora da Central de Transplantes, Regiane Ferrari, explicou que as córneas do cantor vão ser doadas para dois pacientes do Acre, o fígado já foi transplantado para um homem de 59 anos que mora na zona rural de Cruzeiro do Sul, no interior; o rim direito do cantor foi doado para um homem do Distrito Federal, em Brasília, e o esquerdo para uma mulher que mora em Goiânia.

Corrente de oração no momento da transferência do radialista para Rio Branco
Regiane acrescentou que os dois rins foram levados por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para os hospitais onde foram feitos os transplantes. Ela complementou que não conseguiram uma logística maior para doar também outros órgãos, como o coração que tem um prazo para retirada menor.
Comoção e corrente de oração
Uma verdadeira corrente de oração foi montada por amigos e parentes de Giovanni no momento em que ele estava sendo colocado no avião para ser transferido na segunda (2) e seguiu durante os dias de internação. Um vídeo, divulgado nas redes sociais, mostra várias pessoas de mãos dadas louvando e pedindo pela recuperação do rapaz.

Família e amigos fazem vigília pela recuperação de radialista que sofreu acidente grave
Ainda na segunda, já no pronto-socorro da capital, várias pessoas se reuniram em frente à unidade em oração pela vida dele. Durante a noite, uma vigília foi transmitida ao vivo nas redes sociais e na casa do pai dele, em Tarauacá, dezenas de familiares e amigos também fizeram uma vigília pedindo que ele se recuperasse.
Nas redes sociais, muitos amigos lamentaram a morte de Giovanni e relembraram uma das últimas postagens feita por ele há seis dias: “Mantenha a fé na crença se a ciência não curar, pois se não tem remédio, então remediado está. Já é um vencedor quem sabe a dor de uma derrota enfrentar. E a quem Deus prometeu nunca faltou, na hora certa o bom Deus dará”, escreveu fazendo referência à música Clareou, interpretada pelo sambista Diogo Nogueira.
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Patrulha Maria da Penha se consolida no Acre como símbolo de enfrentamento à violência doméstica
Programa da segurança pública estadual atua na proteção e acompanhamento de mulheres vítimas de violência de gênero

Com variás atuações no Acre, Patrulha Maria da Penha se torna um marco na luta contra a violência de gênero. Foto: Sejusp
Uma das políticas públicas que simbolizam o enfrentamento à violência de gênero no Acre é a Patrulha Maria da Penha, iniciativa da segurança pública estadual que há mais de seis anos atua na proteção e acompanhamento de mulheres vítimas de violência doméstica no Acre.
Criada com o objetivo de garantir o cumprimento das medidas protetivas e oferecer suporte às mulheres em situação de vulnerabilidade, a Patrulha Maria da Penha atua de forma integrada com o Judiciário, o Ministério Público e a rede de assistência social. O trabalho consiste em visitas periódicas, monitoramento de casos e orientação sobre os direitos das vítimas, contribuindo para a prevenção de novos episódios de violência.
O programa é considerado um dos pilares das políticas de segurança voltadas às mulheres no estado e tem se consolidado como referência na proteção de vítimas de violência doméstica. A iniciativa reforça o compromisso do governo do Acre com a promoção de uma cultura de paz e respeito aos direitos humanos.

Ao longo desse período, o serviço tem se consolidado como uma das frentes mais importantes de prevenção à reincidência da violência e, consequentemente, de combate ao feminicídio. Foto: captada
Criada em setembro de 2019, a patrulha tem como principal função fiscalizar o cumprimento de medidas protetivas de urgência, além de orientar e encaminhar as vítimas para a rede de proteção formada por instituições da Justiça, assistência social e segurança pública.
Ao longo desse período, o serviço tem se consolidado como uma das frentes mais importantes de prevenção à reincidência da violência e, consequentemente, de combate ao feminicídio.
Presença em várias regiões do estado
Atualmente, a Patrulha Maria da Penha já está presente em Rio Branco, Acrelândia, Plácido de Castro, Epitaciolândia, Brasiléia, Senador Guiomard, Bujari, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul, atuando em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre, por meio de termo de cooperação institucional.

Comandante-geral da PMAC, Marta Renata Freitas, ressaltou os avanços trazidos pela Patrulha. Foto: Sejusp
Quando a patrulha completou seis anos, em 2025, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, José Américo Gaia, em publicação da Agência de Notícias do Acre, destacou que a iniciativa representa um marco na proteção às mulheres no estado.
“A criação da Patrulha Maria da Penha é um passo significativo na proteção das mulheres, garantindo que elas tenham apoio e segurança em momentos de vulnerabilidade. Com essa iniciativa, reforçamos nosso compromisso de construir uma sociedade mais justa e igualitária”, afirmou.

Secretário de Estado de Segurança Pública, José Américo Gaia, destaca que a Patrulha Maria da Penha é um passo significativo na proteção das mulheres. Foto: Sejusp
Expansão para novos municípios
Apesar dos avanços, o desafio ainda é ampliar a presença da patrulha em todo o território acreano. Atualmente, o estado conta com núcleos em oito municípios, mas o objetivo é alcançar todos os 22 municípios. A coordenadora estadual da Patrulha Maria da Penha, tenente-coronel Cristiane, explica que a expansão vem ocorrendo de forma gradual, conforme a disponibilidade de efetivo e estrutura.
“A patrulha Maria da Penha está sediada em Rio Branco, mas atende todos os municípios do estado. Em seis anos, conseguimos ampliar para oito municípios e seguimos trabalhando para alcançar todo o Acre”, afirmou.
Segundo ela, o município de Xapuri está entre os que estão sendo avaliados para receber um núcleo da patrulha.
“O objetivo é instalar núcleos em todos os municípios, mas isso exige efetivo e estrutura. Xapuri é um dos locais que estão sendo estudados para receber a Patrulha Maria da Penha”, explicou.
As declarações da coordenadora da patrulha foram feitas durante visita a Xapuri, durante ações da Operação Mulheres, iniciativa integrada do Governo Federal voltada ao enfrentamento da violência de gênero. Durante a operação, equipes percorreram municípios do interior levando orientação, fortalecendo a rede de proteção e ampliando o diálogo com a população.

Durante o encontro em Xapuri a tenente-coronel Cristianere forçou a integração entre a política estadual de segurança pública e as ações desenvolvidas nos municípios do interior. Foto: captada
Canais de denúncia
Além da atuação direta da patrulha, as autoridades reforçam a importância da denúncia para romper o ciclo de violência.
Entre os principais canais disponíveis estão:
190 – Polícia Militar, em casos de emergência
181 – Disque denúncia anônima
180 – Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas
Os serviços permitem que vítimas ou testemunhas denunciem casos de violência com segurança, contribuindo para a responsabilização dos agressores e para a proteção das mulheres.

Atuação da Patrulha Maria da Penha tem se extendido aos municípios do interior acreano, frisou tenente-coronel Cristiane. Foto: Meure Amorim
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Caçadores desaparecidos em Porto Walter são resgatados de helicóptero após cinco dias perdidos na mata
Edson Nascimento de Araújo e Francisco Marcos da Silva Lima sobreviveram comendo frutas e seguiram igarapé até encontrar comunidade; bombeiros orientam uso de GPS offline e permanência no local em caso de desorientação

Os dois estavam em um grupo de cinco pessoas, o grupo foi dividido e Edson e Francisco se separaram dos demais. Foto: captada
Os caçadores Edson Nascimento de Araújo, de 51 anos, e Francisco Marcos da Silva Lima, de 31, foram resgatados de helicóptero na tarde de sexta-feira (20) após se perderem em uma mata próximo ao Rio Cruzeiro do Vale, zona rural de Porto Walter, interior do Acre.
Os dois estavam em um grupo de cinco pessoas e saíram para a caçada na última segunda-feira (16). Na terça-feira (17), o grupo foi dividido e Edson e Francisco se separaram dos demais. Os caçadores fizeram um abrigo com palhas e combinaram de se reencontrar na manhã de quinta-feira (19).
Após retornarem para o ponto de encontro, os demais caçadores perceberam que Edson e Francisco tinham se perdido, voltaram para a comunidade e chamaram os bombeiros.
O Corpo de Bombeiros seguiu para o local na manhã de sexta-feira (20), mas, assim que iniciaram as buscas, foram informados de que os caçadores tinham sido achados e estavam em outra comunidade.
Conforme o comandante do 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Cruzeiro do Sul, major Josadac Cavalcante, os homens caminharam até a Comunidade Veneza após seguirem pelo Igarapé Natal, distante cerca de 32 km de onde moram.
Os caçadores não estavam machucados, mas desorientados e precisaram de atendimento médico. Sem condições para caminhar, os dois foram levados de helicóptero.
Relato dos caçadores
“Apesar das nossas buscas, eles conseguiram chegar até essa comunidade, onde foi pedido socorro de lá. Estavam bem, contudo, bastante cansados e sem ferimentos. Pegaram muita chuva e ficaram desorientados devido à falta de sol, que é como geralmente se orientam nas caçadas”, disse o major.
Ainda conforme o comandante, os caçadores contaram que passavam o dia andando e dormiam à noite desorientados sem perceber que iam e voltavam sempre para o mesmo lugar entre terça e quinta. “Já na sexta-feira conseguiram seguir pela praia do Igarapé Natal e chegaram até uma comunidade”, destacou.
Apesar de estarem com espingarda e fogo, os homens não encontraram nenhuma caça e se alimentaram apenas dos frutos achados na mata.
Orientações dos bombeiros
O major destacou que é indicado que os caçadores baixem o mapa no celular antes de saírem para as expedições.
“O GPS funciona sem internet e facilita bastante, contudo, ao se perderem, o indicado é permanecer o mais próximo do local da desorientação e ainda, caso achem algum igarapé, seguir sempre descendo, pois vai chegar a um igarapé maior e provavelmente terá uma comunidade por perto”, concluiu.

O Corpo de Bombeiros seguiu para o local na manhã de sexta-feira (20), mas, assim que iniciaram as buscas, foram informados de que os caçadores tinham sido achados e estavam em outra comunidade. Foto: captada
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MPF denuncia dois homens por ocupação ilegal e desmatamento na Reserva Chico Mendes
Operação Mezenga apreendeu mais de 1.400 cabeças de gado dentro da unidade de conservação; denúncia foi apresentada à Justiça na quinta-feira (19)

A reserva extrativista abrange os municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Sena Madureira e Xapuri e tem uso restrito a atividades extrativistas sustentáveis por populações tradicionais. Foto: captada
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia criminal contra dois homens por crimes cometidos durante a ocupação irregular da Reserva Extrativista Chico Mendes, no interior do Acre. A ação, protocolada na última quinta-feira (19), é resultado da Operação Mezenga, deflagrada pela Polícia Federal para apurar invasões, desmatamento e criação ilegal de gado na unidade de conservação.
Durante a investigação, a Polícia Federal apreendeu mais de 1.400 cabeças de gado dentro da reserva e em áreas adjacentes. A reserva extrativista, criada em 1990, abrange os municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Sena Madureira e Xapuri e tem uso restrito a atividades extrativistas sustentáveis por populações tradicionais.
Crimes apontados na denúncia
Na denúncia, o MPF aponta a prática de:
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Invasão de terras da União
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Prestação de informações falsas em cadastro ambiental
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Desmatamento
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Uso de fogo
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Criação irregular de gado em área protegida

Localização da Reserva Extrativista Chico Mendes em relação a América do Sul, PanAmazônia e Estado do Acre. Fonte dados: IBGE e HyBAM.
Pedidos à Justiça
Além da condenação criminal pelos crimes ambientais, o MPF requereu à Justiça a desocupação das áreas invadidas e a proibição de atividades econômicas incompatíveis com a reserva, como a pecuária extensiva.
Acordos de não persecução penal
Outros três investigados que confessaram a prática dos fatos assinaram acordo de não persecução penal e assumiram obrigações voltadas à reparação dos danos causados e à regularização ambiental das áreas afetadas.
A Operação Mezenga foi deflagrada em agosto de 2024 e teve como foco o combate ao desmatamento e à grilagem na região da reserva. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos municípios de Rio Branco, Brasiléia, Sena Madureira e Xapuri.

Além da condenação pelos crimes, o MPF requereu à Justiça a desocupação das áreas invadidas e a proibição de atividades econômicas incompatíveis com a reserva, como a pecuária. Foto: captada
A Resex Chico Mendes
Com 931 mil hectares, a Reserva Extrativista Chico Mendes é uma unidade de conservação federal e está localizada no sudeste do Acre. A sua área se espalha pelos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Capixaba, Epitaciolândia, Rio Branco, Sena Madureira e Xapuri. Ela foi criada em 12 de março de 1990, a partir do Decreto Presidencial no 99.144.
É considerada uma UC emblemática não só por levar o nome do líder seringueiro Chico Mendes, mas também por ser o resultado da resistência e da organização dos povos da floresta pelo seu direito de permanecer e viver de modo tradicional, em meio ao avanço da agropecuária na Amazônia entre as décadas de 1970 e 1980.
A partir de sua criação – quase um ano e meio após o assassinato de Chico Mendes – as famílias tiveram o direito de ficar em suas respectivas colocações, adotando-se uma reforma agrária diferenciada para a Amazônia. Por este modelo, seria assegurado o direito de posse da terra com uma exploração sustentável dos recursos florestais e uma agricultura e criação de animais de base familiar.

Na denúncia, o MPF aponta a prática de invasão de terras da União, prestação de informações falsas em cadastro ambiental, desmatamento, uso de fogo e criação irregular de gado em área protegida. Foto: captada

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