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Denúncias de violações de direitos humanos caem no Acre em 2025, mas violência doméstica segue predominante
Dados da Ouvidoria Nacional apontam redução nos registros em relação a 2024; mães e filhos continuam entre os principais suspeitos, indicando persistência de agressões no ambiente familiar.

Os registros de denúncias de violações de direitos humanos no Acre apresentaram queda em 2025 na comparação com o ano anterior, conforme dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, atualizados até 26 de dezembro. Apesar da redução nos números gerais, o perfil dos suspeitos permanece praticamente inalterado, com predominância de familiares diretos, o que reforça a permanência da violência no ambiente doméstico.
Em 2025, o estado contabilizou 847 protocolos, que resultaram em 1.511 denúncias e 10.800 violações registradas. Em 2024, foram 1.060 protocolos, 1.877 denúncias e 12.193 violações. A comparação indica retração nos registros, embora os dados de 2025 ainda não representem o fechamento definitivo do período.
Mesmo com a diminuição dos números absolutos, a análise do vínculo entre suspeito e vítima revela a manutenção do padrão observado no ano anterior. Em 2025, mães (362 denúncias) e filhos(as) (321) lideram o ranking de suspeitos, seguidos por outros vínculos familiares (178) e pais (103). Irmãos(ãs), padrastos/madrastas e companheiros(as) também aparecem nas estatísticas, em menor proporção, reforçando que a maior parte das violações ocorre em relações de proximidade e confiança.
Em 2024, os filhos lideravam as denúncias (435), seguidos por mães (359) e pais (163). Embora os números tenham recuado em 2025, a estrutura das ocorrências apenas se inverteu. Outro dado que chama atenção é a quantidade de violações por denúncia: em 2025, as 1.511 denúncias concentraram 10.800 violações, indicando episódios recorrentes e múltiplas agressões em um mesmo contexto familiar, cenário semelhante ao registrado em 2024.
Para a diretora de Políticas de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania do Acre, Joelma Pontes, os dados reforçam a importância do controle social e da atuação integrada do poder público. Segundo ela, os conselhos exercem papel fundamental no monitoramento, fiscalização e acompanhamento das denúncias, em articulação com as políticas públicas implementadas pelo Estado.
Joelma destacou ainda que o trabalho ocorre sob a coordenação da vice-governadora e secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Mailza Assis, e ressaltou que a responsabilidade pela proteção e promoção dos direitos humanos é primordialmente do Estado, com atuação firme na prevenção, reparação dos danos, responsabilização dos agressores e garantia de direitos.
A diretora também enfatizou a atuação integrada da SEASDH com diversos conselhos de direitos, como os da Criança e do Adolescente, da Pessoa Idosa, da Pessoa com Deficiência, da Igualdade Racial e o Conselho LGBT. Outro destaque é o Centro de Referência em Direitos Humanos, vinculado à secretaria, que funciona como porta de entrada para o atendimento de pessoas em situação de violação.
Somente em 2025, o Centro contabilizou 491 atendimentos, número que evidencia a relevância do serviço na identificação, no acompanhamento e na proteção das vítimas. Para Joelma Pontes, o fato de a maioria das denúncias envolver familiares próximos reforça que o enfrentamento às violações de direitos humanos exige responsabilidade coletiva e atuação conjunta do Estado, da segurança pública, dos conselhos e da sociedade civil.
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TCE-AC discute segurança escolar e prevenção da gravidez na adolescência em reunião com Secretaria de Educação
Municípios da fronteira do Acre têm taxas de gravidez na adolescência quase duas vezes acima da média nacional. Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia e Xapuri apresentam índices que variam de 16,96% a 24,06%, conforme levantamento estadual

A agenda concentrou-se em duas pautas de alta sensibilidade social: segurança nas escolas e prevenção e enfrentamento da gravidez na adolescência, desafios que impactam a permanência escolar. Foto: cedida
O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) promoveu, nesta quarta-feira (7), uma reunião institucional com representantes da Secretaria de Estado de Educação para tratar de duas pautas consideradas de alta sensibilidade social: segurança nas escolas e prevenção e enfrentamento da gravidez na adolescência.
O encontro foi conduzido pela conselheira Naluh Gouveia, diretora da Escola de Contas do TCE, e contou com a presença do secretário-adjunto de Educação, Tião Flores, do secretário-adjunto de Administração e Finanças, Reginaldo Prates, e de técnicos das pastas.
As discussões abordaram os impactos desses temas na permanência escolar, na integridade dos estudantes e no desenvolvimento humano no estado. A reunião faz parte da atuação do TCE no acompanhamento de políticas públicas e no controle externo, com foco em questões que afetam diretamente a qualidade da educação e a proteção social de crianças e adolescentes no Acre.

Os índices nos municípios do alto acre apontam o município de Brasiléia com números altíssimos na apresentação, os números impressionam, ja Rio Branco TEM menor índice regional, mas ainda elevado frente ao país. Foto: captada
Os municípios da região de fronteira do Acre apresentam taxas de gravidez na adolescência quase duas vezes superiores à média nacional, segundo dados apresentados em reunião do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) com a Secretaria de Educação. Os índices municipais apontam Assis Brasil com 24,06% (51 casos), Brasiléia com 16,96% (76), Epitaciolândia com 17,02% (48) e Xapuri com 20,08% (53) — números considerados altíssimos pelas autoridades. No baixo acre, a capital Rio Branco aparece com 14,24% (674), menor índice regional, mas ainda elevado frente ao país.
O cenário foi discutido em encontro realizado nesta quarta-feira (7) entre a conselheira Naluh Gouveia, diretora da Escola de Contas do TCE, e representantes da Secretaria de Educação, que trataram da prevenção da gravidez precoce como pauta prioritária para a permanência escolar e a proteção social de adolescentes. A situação reforça a necessidade de políticas públicas intersetoriais voltadas à saúde, educação e assistência social na região.
Panorama por municípios (2024)
A conselheira Naluh Gouveia destacou a gravidade dos indicadores e a urgência de políticas públicas eficazes:

O encontro consolidou a compreensão de que segurança escolar e gravidez na adolescência são desafios interligados, que exigem resposta articulada entre educação, saúde e assistência social. Foto: captada
Políticas públicas com foco em proteção e permanência escolar
O que os dados dizem
Segundo dados do Ministério da Saúde, os adolescentes representam entre 20% e 30% da população mundial, sendo aproximadamente 23% no Brasil. A gravidez na adolescência é um dos principais desafios dessa faixa etária, especialmente em países em desenvolvimento. No Brasil, cerca de 400 mil adolescentes engravidam anualmente. Em 2014, por exemplo, nasceram 28.244 bebês de mães entre 10 e 14 anos e 534.364 de mães entre 15 e 19 anos.

Osvaldo Amorim, presidente do Conselho Estadual de Saúde. Foto: Luan Martins/Sesacre

Em 2025 aconteceu a 1ª Jornada de Conscientização e Prevenção da Gravidez Não Intencional na Adolescência. A iniciativa contou com a participação de acadêmicos, além do público em geral. Foto: captada
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Após incêndios criminosos, situação no Belo Jardim está sob controle, diz coronel

O coordenador de Segurança Pública, Coronel Atahualpa Ribeira, afirmou em entrevista à imprensa que a situação no bairro Belo Jardim, em Rio Branco, está sob controle das forças de segurança. Ele destacou que os responsáveis pelos incêndios registrados na terça-feira, 06, já foram identificados e que as investigações estão em andamento.
Os membros de uma facção criminosa teriam inclusive expulsado as duas famílias, obrigadas a mudar de endereço e morar em outro local da cidade, cujo endereço é desconhecido. De acordo com Atahualpa, o ataque ocorreu na briga entre facções que acontece há anos na região. “Um faccionado trocou de lado e os membros da facção tocaram fogo na casa dele, e ocorreu o revide do outro lado”, comentou.
O coordenador de Segurança Pública reconheceu que a situação na região é grave, e que as forças de segurança estão dando resposta à altura, com dezenas de prisões e apreensões de armas e drogas. “Estamos trabalhando duro para deixar a população com a maior segurança possível, com três linhas de policiamento: o preventivo por parte do 2º BPM, responsável pela área; o ostensivo e repressivo com o BOPE e suas companhias Giro e Rotam; e o repressivo qualificado por parte da Polícia Civil, na instauração de inquéritos, reconhecimento e indiciamentos de acusados”, explicou o coronel.
Atahualpa confirmou que, de fato, os imóveis estavam vazios no momento dos incêndios. Disse também das dificuldades enfrentadas pelas forças de segurança em obter informações, já que a população está blindada com a implantação da chamada “lei do silêncio” em todos os pontos dominados por facções. “Até as próprias vítimas se recusam a falar. Para ter uma ideia da situação, somente após o meio-dia de ontem alguém procurou a Delegacia de Polícia para fazer o registro, e mesmo assim sem fornecer maiores detalhes”, comentou.
Segundo o coordenador de segurança, desse e de outro caso semelhante registrado na região, a Polícia Civil já instaurou inquérito, e alguns infratores já estão devidamente identificados, sendo a prisão de todos uma questão de tempo. O oficial voltou a afirmar que a situação está sob controle, que o policiamento já foi reforçado na região e que a sensação de segurança no bairro Belo Jardim é o mínimo que pode ser oferecido à população.



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