Cotidiano
Conmebol ameaça Peñarol com portões fechados e até mudança de jogo para outro país
Entidade exige dos uruguaios por escrito garantia da segurança dos torcedores do Botafogo

Botafogo venceu o Peñarol por 5 a 0 no jogo de ida. Foto: Jorge Rodrigues
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A Conmebol advertiu a Associação Uruguaia de Futebol (AUF) não aceitar a determinação do governo do Uruguai que proíbe a presença da torcida do Botafogo no duelo com o Peñarol, no Estádio Campeón Del Siglo, nesta quarta-feira (30). A entidade exigiu a liberação da presença de cerca de 1.600 torcedores brasileiros que compraram ingressos, em carta enviada à AUF. Caso contrário, informou a Conmebol à AUF, o jogo de volta das semifinais da Libertadores pode ocorrer com portões fechados ou até mesmo em outro país
A reportagem apurou que a Conmebol deu prazo até esta terça-feira (29), às 10h, no horário do Paraguai e de Brasília, ao Peñarol e ao Ministério do Interior do Uruguai, para garantir, por escrito, a presença e a segurança dos torcedores do Glorioso que compraram ingresso para o jogo no estádio do Peñarol. Na carta, a Conmebol advertiu a AUF que se o Ministério do Interior quisesse exigir torcida única teria de solicitar com, no mínimo, oito dias de antecedência, para que o pedido fosse analisado.

A carta que a Conmebol enviou à Associação Uruguaia de Futebol – AUF (Foto: Reprodução)
Peñarol convoca reunião
Em comunicado enviado aos meios de comunicação uruguaios na noite desta segunda-feira (28), o presidente do Peñarol, Ignacio Ruglio, informou ter conhecimento de que o Ministério do Interior não vai mudar a decisão adotada. O dirigente acrescentou que está marcada para as 8h45m da manhã desta terça-feira (29) uma reunião do Conselho Diretor do Peñarol para uma tomada de posição. Ruglio realçou que o Peñarol quer jogar com a presença dos seus torcedores e voltou a culpar a torcida do Botafogo pelos incidentes que ocorreram no Rio.
Em maio passado, o Peñarol havia tentado, sem sucesso, proibir a venda de ingressos para a torcida do Rosario Central, da Argentina, no confronto que os dois clubes jogariam no dia 23 de maio, pela fase de grupos da Libertadores. Na ocasião, a Conmebol fez a mesma advertência ao clube uruguaio, ameaçando-o, inclusive, com a eliminação do torneio, caso os torcedores do adversário não tivessem garantias de entrar no Estádio Campeón del Siglo. Na ocasião, o Peñarol voltou atrás.
Entenda o caso
Nesta segunda-feira (28), o Ministério do Interior do governo do Uruguai proibiu a presença de torcedores do Botafogo no segundo jogo da semifinal da Libertadores, marcado para quarta-feira (30) contra o Peñarol, no Estádio Campeón del Siglo, às 21h30m (de Brasília). A medida foi tomada após conflitos registrados antes e durante o jogo de ida, no Rio de Janeiro, quando o Botafogo goleou por 5 a 0, no Nilton Santos, na última quarta-feira (23).
O ministro do Interior do Uruguai, Nicolas Martinelli, solicitou oficialmente à AUF (Associação Uruguaia de Futebol) que a partida tenha torcida única, citando “razões de segurança” para evitar novos conflitos. O pedido à AUF foi reforçado por meio de um ofício do Ministério do Interior, pasta do Governo do Uruguai, que recomendou que a associação tome as providências necessárias junto à Conmebol para garantir que o estádio seja exclusivo para a torcida do Peñarol.

Mosaico da torcida do Botafogo no Nilton Santos antes da partida contra o Peñarol, do Uruguai. Foto: Isabelle Favieri
Nota oficial do Botafogo
“O Botafogo discorda veementemente das decisões das autoridades uruguaias. O clube acredita que o Uruguai é um país que reúne plenas condições para garantir a realização do duelo com total segurança. O Botafogo reafirma ainda que é contra qualquer tipo de violência e que preza por uma disputa leal em campo.
O regulamento é claro no sentido de que a obrigação da manutenção da segurança é de responsabilidade do Clube Local ou da Federação/Confederação Nacional. Em face do que foi apresentado, está evidente que o Peñarol e a Polícia de Montevidéu (Policia Nacional do Estado Maior – Ministério do Interior) assumiram a incapacidade em garantir a segurança de torcedores e delegações de ambas as equipes. O Botafogo acredita que essa infração do regulamento não deve passar impune pela Conmebol. Por este motivo, estamos acompanhando junto à entidade os desdobramentos para assegurar o estrito cumprimento do regulamento da competição.
Uma decisão unilateral como esta abre um precedente muito perigoso para a competição, pois o critério de ‘falta de segurança’ poderá ser usado por qualquer outra agremiação para impedir a entrada da torcida visitante nos jogos da Conmebol. O Botafogo crê que o clube que não garantir segurança da torcida visitante não pode ser beneficiado por suas próprias falhas.
As tensões existentes devem ser resolvidas de forma diplomática pelos clubes. Nesse sentido, o Botafogo tomou todas as providências possíveis – incluindo uma comunicação oficial antes do duelo de ida – onde reforçou a importância de que seus torcedores prezassem pela paz e respeito ao adversário, fato que culminou em um comportamento exemplar dos alvinegros. Porém, o que foi visto desde então, por parte da direção do Peñarol, são discursos inflamados e uma posição contrária à boa prática institucional. Em meio a isso, fica o questionamento: ‘Ora, se a direção do Peñarol mostrasse uma postura mais construtiva e pacificadora, estaríamos discutindo este tema de segurança no dia de hoje?’
O Botafogo confia na Conmebol para tomar as medidas cabíveis visando a segurança de todos os envolvidos e a manutenção do equilíbrio esportivo.
Por fim, o Botafogo acionou o Itamaraty, o Ministério dos Esportes e a Policia Federal/Interpol com o intuito de preservar a segurança dos torcedores que estão em Montevidéu.”
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Preço da carne sobe em Rio Branco: acém, picanha e fígado lideram altas, aponta pesquisa da Ufac
Levantamento do PET Economia mostra aumento em todos os 14 cortes analisados; ovos também registraram variação de 8,55%

Além da carne, o levantamento identificou aumento em outros produtos ligados ao consumo doméstico. A cartela com 30 ovos apresentou variação de 8,55% no período analisado. Foto: captada
O preço da carne registrou aumento em Rio Branco, segundo levantamento realizado pelo Programa de Educação Tutorial (PET) Economia da Universidade Federal do Acre (Ufac), que acompanha semanalmente os valores praticados em supermercados e açougues da capital acreana. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (16).
A pesquisa considerou preços coletados entre sábado (8) e sexta-feira (14) de março de 2026 e analisou 14 tipos de cortes de carne, identificando aumento no valor médio de todos os produtos pesquisados no período.
Principais altas
Entre as principais altas estão:
-
Acém: variação de 5,90%
-
Picanha: aumento de 4,85%
-
Fígado: alta de 4,61%
Açougues x supermercados
A pesquisa também comparou os preços praticados em açougues e supermercados da capital. Na maioria dos casos, os valores encontrados nos supermercados ficaram acima dos registrados nos açougues :
| Corte | Preço médio (açougues) | Preço médio (supermercados) |
|---|---|---|
| Picanha | R$ 66,63 | R$ 81,98 |
| Filé | R$ 66,01 | R$ 84,10 |
| Coxão mole | R$ 36,82 | R$ 46,98 |
| Fraldinha | R$ 36,50 | R$ 45,08 |
Outros produtos
Além da carne, o levantamento identificou aumento em outros produtos ligados ao consumo doméstico. A cartela com 30 ovos apresentou variação de 8,55% no período analisado.
Impacto no orçamento familiar
De acordo com o PET Economia, a elevação dos preços impacta diretamente o orçamento das famílias acreanas, já que a carne possui peso relevante na alimentação da população.
Análise de especialista
O professor de economia da Ufac, Rubicleis Gomes, explica que o aumento tem relação com fatores ligados à produção e à demanda pelo produto:
“Nós vamos ter um conjunto de fatores que explicam esta situação. Espera-se que em 2026 tenhamos um aumento de aproximadamente 10%. Temos impactos do lado da oferta: com o aumento do preço dos bezerros, o pecuarista opta por reter as fêmeas no campo, em vez de abatê-las, na expectativa de que os bezerros nascidos no ano seguinte terão um valor elevado. E do lado da demanda: a demanda aquecida no mercado interno em função do aumento do rendimento das famílias e também o aumento da demanda internacional. Conclusão: aumento de preços”, afirmou.
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“Não estou aqui pra ser vice”: Bocalom reafirma candidatura ao governo e aguarda definição do PSDB
Prefeito de Rio Branco descarta compor chapa com Alan Rick e diz que conversa decisiva com os tucanos ocorre nesta terça (17)

A declaração foi dada ao comentar as articulações políticas para o próximo pleito, incluindo conversas com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e a possibilidade de alianças com outros nomes da política acreana. Foto: captada
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, afirmou durante agenda da abertura do ano letivo municipal, nesta segunda-feira (16), que não pretende disputar as eleições como candidato a vice-governador e reforçou que seu objetivo é concorrer ao governo do Acre nas eleições de 2026.
A declaração foi dada ao comentar as articulações políticas para o próximo pleito, incluindo conversas com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e a possibilidade de alianças com outros nomes da política acreana.
Questionado sobre uma eventual composição como vice em uma chapa encabeçada pelo senador Alan Rick (Republicanos), o prefeito foi direto ao responder.
“Eu não tô aqui pra ser vice”, afirmou.
Negociações com o PSDB
Bocalom também comentou sobre as negociações partidárias em andamento e disse que mantém diálogo com a direção nacional do PSDB para definir seu futuro político. O movimento ocorre após o Partido Liberal (PL) ter comunicado ao prefeito que não apoiaria sua pré-candidatura ao governo.
“Já é a terceira conversa que temos com o PSDB nacional. Amanhã deverá ser uma conversa definitiva, porque precisamos definir logo. Temos que formar chapa para deputado federal e deputado estadual”, disse.
O prefeito relembrou que já teve uma longa trajetória no partido e destacou que foi no PSDB que construiu boa parte de sua carreira política.
“Aquele partido me acolheu em seis eleições. Ganhamos duas eleições no Acre e quatro aqui em Rio Branco”, afirmou.
Alinhamento político
Apesar das negociações, Bocalom afirmou que segue alinhado politicamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), embora tenha enfrentado dificuldades para permanecer no Partido Liberal, legenda ligada ao ex-chefe do Executivo federal.
O prefeito já havia manifestado publicamente, em declarações anteriores, que recebeu com tristeza a decisão do PL, mas que respeita a posição do partido e compreende a estratégia adotada.
Caso a filiação ao PSDB se confirme, Bocalom retornaria a uma sigla pela qual já disputou eleições anteriores, onde obteve vitórias em Acrelândia e outras disputas importantes no estado. A reunião definitiva com as lideranças nacionais do PSDB deve selar o destino do prefeito, que busca consolidar sua pré-candidatura ao governo estadual.
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Acre tem 82,3% das famílias endividadas, aponta pesquisa da Fecomércio
Percentual é superior à média nacional de 80,2%; comprometimento da renda atinge 31,7% e é maior entre famílias com até 5 salários mínimos

Um lado positivo também observado no Acre é que o número de famílias que afirmam não terem condições de pagar suas dívidas vem diminuindo mensalmente. Foto: captada
A Pesquisa sobre o Endividamento e Inadimplência com Consumidor (PEIC), divulgada recentemente pela Confederação Nacional do Comércio, traz resultados preocupantes sobre o endividamento em todo o País. Os dados revelam que 80,2% das famílias brasileiras estão endividadas em fevereiro — o maior valor em toda a série histórica.
Dessas, 29,6% estão com dívidas atrasadas há mais de 30 dias, e 12,6% afirmam não ter condições de pagá-las no momento, tornando-se inadimplentes . Por outro lado, o percentual de famílias que fazem tal afirmação foi menor do que o observado em janeiro, indicando que as famílias consumidoras estão mais dispostas a manter as contas em dia ou com pouco atraso.
Cenário no Acre
No Acre, as análises da Federação do Comércio (Fecomércio-AC) mostram situação semelhante, com 109.059 famílias endividadas, ou seja, 82,3% delas — percentual superior à média nacional.
O número de famílias com contas em atraso há mais de 30 dias chegou a 38,4%, atingindo 50.915 famílias.
Um lado positivo também observado no Acre é que o número de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas vem diminuindo mensalmente, saindo de 15.392 famílias em janeiro para 14.662 em fevereiro — uma redução de 4,98%, indicando que as famílias do estado estão preocupadas em manter as contas em dia.
Comprometimento da renda
As famílias endividadas comprometem 31,7% da renda, o mesmo percentual percebido em janeiro, mas maior do que o observado ao longo de 2025.
Tal comprometimento atinge com mais intensidade famílias com renda de até 10 salários mínimos, com forte concentração nas famílias com renda de até 5 salários. Enquanto isso, o comprometimento das famílias com renda superior a 10 salários mínimos é de 28,1%.
Análise da Fecomércio
Egídio Garó, assessor da presidência da Fecomércio Acre, analisa o cenário:
“O consumo está sob a influência da pouca oferta do crédito e da alta taxa Selic, que deve permanecer elevada até o final do ano, segundo projeções. Mesmo com tais dificuldades, as famílias estão consumindo mais do que necessário. Se por um lado há a melhoria do poder aquisitivo, que leva ao consumo, por outro, muitas famílias, notadamente de renda de até 5 salários, utilizam com demasia o crédito nas compras de produtos não duráveis e as fazem parceladamente. Esse último fator dificulta o planejamento doméstico e, consequentemente, levará as famílias a um endividamento ainda maior”.
Com Fecomércio Acre

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