O tucano Marcio Bittar percorreu 95% das cidades do Acre em busca de unificar os grupos de oposição e aparar as arestas criadas na última eleição municipal

RÉGIS PAIVA

    Em Brasileia, lideranças de vários partidos se reuniram com Bittar/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet
Em Brasileia, lideranças de vários partidos se reuniram com Bittar/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

A opinião geral no Brasil  é de que o Partido dos Trabalhadores (PT) está enfrentando a sua pior crise. Os recentes escândalos nacionais, cujos reflexos em políticos acreanos ainda não estão totalmente explicados, fazem com que os políticos ligados aos grupos de oposição ao Governo do Estado sonhem em eleger o próximo governador do Acre.

Ocorre que a última eleição para prefeito colocou alguns dos principais líderes em lados opostos de alguns palanques. O PSDB optou por uma coligação diferente dos demais partidos oposicionistas na maioria das cidades. Mesmo marchando unidos na maior parte das cidades, PMDB, PP, DEM e PSD, além de outras siglas oposicionistas, também estiveram em lados opostos em alguns palanques.

Marcio Bittar com o prefeito eleito de Plácido de Castro, Gedeon, percorreu 95% dos municípios em busca de unidade entre os partidos da oposição/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet
Marcio Bittar com o prefeito eleito de Plácido de Castro, Gedeon, percorreu 95% dos municípios em busca de unidade entre os partidos da oposição/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

O exemplo disso foi o senador Gladson Cameli (PP), que não pôde estar no palanque de Toinha Vieira (PSDB) em Sena Madureira, porque seu partido estava no palanque de Mazinho Serafim (PMDB). Por outro lado, ex-deputado Marcio Bittar não pôde apoiar Serafim porque o PSDB tinha Toinha Vieira como candidata. Bittar também não pôde subir nos palanques de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, embora tivesse mais afinidade com os candidatos peemedebistas dessas cidades. Em Tarauacá o PMDB esteve de um lado e PSD, PSDB de outro.

Para tentar recolocar todos os grupos no mesmo palanque, o ex-deputado Marcio Bittar realizou no mês de novembro uma viagem de 20 dias por 95% das cidades do Estado (Só faltou Santa Rosa do Purus, onde ele garante ir em janeiro próximo). Em cada uma delas, Bittar dedicou várias horas para se reunir com cada um dos líderes municipais dos partidos de oposição. A tarefa não vem sendo das mais fáceis, porque a colcha de retalhos que é a oposição do Acre ficou bastante despedaçada após as eleições.

Em Epitaciolândia, Bittar participou da inauguração da principal avenida da cidade com o prefeito André Hasem e outras lideranças políticas/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet
Em Epitaciolândia, Bittar participou da inauguração da principal avenida da cidade com o prefeito André Hasem e outras lideranças políticas/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

Bittar explica o porquê da peregrinação

“Estou andando o Acre inteiro por não ter desistido de nosso Estado, pois existem erros de todos nós, políticos. E o mais grave de todos foi a divisão de forças. E isso já houve em 2014, quando não ganhamos por estarmos divididos. Isso não pode voltar a acontecer, para o bem de nosso Estado”, ressaltou.

Por conta dessas experiências, Bittar disse ser o momento de ajudar a unir a oposição. O político afirmou que, por conta disso, foi a praticamente todos os recantos do Acre para buscar uma união em torno de um nome em comum e capaz de ser este aglutinador de forças.

O prefeito eleito de Assis Brasil, Zum, o atual prefeito, Zé do Posto, e lideranças do município receberam Bittar para conversar sobre unidade nas eleições 2018/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet
O prefeito eleito de Assis Brasil, Zum, o atual prefeito, Zé do Posto, e lideranças do município receberam Bittar para conversar sobre unidade nas eleições 2018/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

“Desde 2014, quando terminou o segundo turno, venho dizendo que temos um nome forte para enfrentar o PT, essa pessoa é o senador Gladson Cameli. Não temos dificuldades para reconhecer isso. Em política existe o momento para cada pessoa um e este é o momento dele”, afirmou.

Bittar destacou ser esta a primeira vez na História política do Acre na qual o principal nome já está posto e pronto para disputar o governo: “Ele só não será o próximo governador se alguma coisa pessoal o impedir”.

Segundo Bittar, as duas vagas para o senado têm de seguir o mesmo caminho e a escolha dos nomes devem ser daqueles cujo apoio popular seja medido em pesquisas independentes e em todo o Estado. “Temos de ter o candidato mais forte ao governo aliado com os dois candidatos igualmente mais fortes ao Senado”.

Bittar esteve em Xapuri, onde encontrou lideranças do PSDB e de outros partidos/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet
Bittar esteve em Xapuri, onde encontrou lideranças do PSDB e de outros partidos/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

O político disse ter interesse em disputar uma das vagas para o Senado e, como está a propor as regras de sondagem eleitoral prévia, disse se submeter a elas. “Se em 2018 tiver conseguido viabilizar meu nome para o senado, disputarei a eleição. Mas se não tiver conseguido, não posso impor meu nome e quem conseguir viabilizar, seja do PMDB, PP, PDSB ou do PSD, deve disputar”.

Na análise de Bittar, se o PT não tivesse sido gravemente ferido, a oposição teria levado uma surra nas eleições municipais: “Este foi o ano no qual a oposição mais se dividiu e este é o momento para remendar esta colcha de retalhos que virou a oposição. Por isso, o meu partido que não conte comigo para ser candidato com o intuito de dividir a oposição”.

Viagem permite traçar um retrato do Acre

“Estamos em um momento de muita dificuldade. O PT quebrou o Brasil e quebrou o Acre. É preciso rever esse modelo, termos uma outra visão, temos que virar a página. Eu ando pelo Acre inteiro esses anos todos e sempre falo muito da importância do projeto político do Acre estar ligado com o projeto político nacional”, revelou o político.

Prefeito eleito de Capixaba, José Augusto, e lideranças de vários partidos receberam Marcio Bittar e sua caravana com um café da manhã/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet
Prefeito eleito de Capixaba, José Augusto, e lideranças de vários partidos receberam Marcio Bittar e sua caravana com um café da manhã/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

Bittar acredita que para romper o atraso econômico do Acre é preciso estar integrado a um projeto de governo, o qual passa pela escolha de um excelente nome para o governo e uma igualmente capacitada bancada federal, tanto na Câmara quanto no Senado. A explicação está na necessidade de mudar algumas leis federais para destravar o Estado.

“Além disso, alguns municípios ainda não têm sequer uma ligação por estrada, como Thamaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa. Mas todos têm o direto de estarem ligados. Contudo, o Acre não dispõe dos recursos para fazer estas obras e é preciso estar ligado em um projeto nacional”, comentou.

Para o ex-deputado, o futuro do Acre passa por um acordo bilateral com o Peru, com uma ligação passando também por Cruzeiro do Sul, interligando o Estado com os mercados latinos do Pacífico, a costa oeste americana e os países da Ásia.

O político destacou que em qualquer bairro dos municípios do Acre, é possível ver dezenas de jovens sem ter o que fazer e isso pode mudar se a economia e a produção local oferecerem condições de vida a todos.

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