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Só educação midiática ‘salva’ jovens da manipulação pelas fake news

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A opinião dos especialistas é que há um equívoco comum de intuir que os jovens da geração Z nascem sabendo, e, por isso, são chamados de nativos digitais

Brasil é o pior país na capacidade dos jovens em identificar fake news. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O Brasil foi o país com o pior desempenho em uma pesquisa da OCDE que mediu a capacidade das pessoas em verificar conteúdos e identificar notícias falsas. Divulgado em julho, o levantamento feito em 21 países simulou uma rede social e pediu aos participantes que classificassem as notícias encontradas nela.

A Austrália foi o país com maior habilidade em identificar falsos conteúdos, com quase 90% de êxito nos questionários aplicados. De acordo com a OCDE, a percepção geral da pesquisa foi de que 60% das pessoas conseguem distinguir o que é informação verdadeira e falsa. No Brasil, essa média ficou em 54%.

Os resultados do último Pisa – avaliação que mede os conhecimentos dos estudantes de 15 anos – mostram que apenas 2% dos jovens brasileiros estão nos níveis mais altos de proficiência em leitura e, logo, aptos a diferenciar fato e opinião e encontrar informações implícitas no texto.

São dados que mostram um terreno muito fértil para disseminação de fake news e interromper esse curso exige investimento e comprometimento na implementação de uma educação midiática.

“Conceitualmente, isso significa desenvolver habilidades para que crianças e adolescentes, a partir do chão da escola, possam aprender a acessar informação, analisar criticamente e a criar conteúdos de forma ética e responsável”, disse Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta e uma das participantes do Meet Point que o Estadão promoveu na sexta-feira (8) para discutir o assunto.

Apenas com a educação midiática, acrescenta, é que os jovens vão aprender a fazer o uso ético das ferramentas e desenvolverão olhar aguçado aos conteúdos que chegam todos os dias nas telas. “O estudo mostrou que polarização política, os vieses relacionados a crenças e ideologias, e a falta de entendimento dos diferentes gêneros textuais geram a desinformação. E isso é um caldo propício para que a gente acabe acreditando em notícias fraudulentas, em conteúdos manipulados”, acrescenta a especialista.

Aluno da 3ª série do ensino médio da escola municipal Rubens Paiva, no Jardim Ângela, um bairro periférico de São Paulo, Juliano Luz Soares dos Santos corrobora e mostra na prática como isso é importante. Ele participa do projeto Imprensa Jovem, que consiste na formação para que os estudantes aprendam a distinguir gêneros textuais e a produzir conteúdo jornalístico, a partir de entrevistas e apuração adequada de acontecimentos.

“Foi uma evolução pessoal, por perceber que muita coisa eu não sabia”, diz. Um grande aprendizado, conta, foi conseguir discernir entre os diferentes tipos de conteúdos, a partir da própria construção de um texto. “No início do ano, muitos não conseguiam ter esse discernimento. Era comum que num texto (que deveria ser noticioso) tivesse muita opinião e aparecesse expressões como ‘eu acho’. Daí a gente foi aprendendo”.

Jovens ligadas na internet: educação sobre mídia é essencial para evitar manipulação. Foto: Rovena Rosa/ABr

Estudante protagonista

Ao propor que os alunos aprendam enquanto produzem, o projeto da escola em que Juliano estuda considera o protagonismo do estudante, o que é fundamental no engajamento e resultados da educação midiática. “Na educação midiática, a gente precisa muito da ação dos professores, mas a gente entende também que, quando há o protagonismo do estudante, o diálogo entre eles acaba fluindo de uma maneira diferente, eles aprendem com eles mesmos, e isso tem uma efetividade muito grande”, afirma Caio de Godoy Camargo, supervisor de Tecnologias de Apoio à Aprendizagem do Sesi (Serviço Social da Indústria).

Nas escolas da rede foi criado o Projeto Sesi Influencers, que consiste em prover ferramentas para que os alunos possam analisar os cenários, perceber como se dá a desinformação, analisar os diferentes vieses e refletir as dinâmicas em que se dá essa construção de discurso. Conscientes desse processo, os estudantes aprendem a criar conteúdo com responsabilidade e ética e acabam por replicar o aprendizado no ambiente familiar, questionando os pais sobre os conteúdos que recebem por WhatsApp – rede em que as fake news se propagam rápido e facilmente.

“Ele impacta não só a comunidade escolar, mas também toda a comunidade. A família, por exemplo, recebe informações por WhatsApp e os nossos estudantes já estão criando a cultura da checagem, de entender o que está por trás da informação”, diz.

Nativos digitais, só que não

A opinião dos especialistas é que há um equívoco comum de intuir que os jovens da geração Z nascem sabendo, e, por isso, são chamados de nativos digitais. Mas, alertam, há uma diferença entre usar a tecnologia e estar preparado para isso.

“Eles estão interessados, mas focados em alguns elementos. Quando a gente olha para o todo, ficam lacunas que é preciso trabalhar dentro da educação. Se a gente não formá-los, estarão suscetíveis a um bombardeio de desinformação dentro das próprias bolhas em que estão”, diz Camargo. “É preciso desenvolver o poder de questionar para propiciar uma educação emancipadora”.

E quem vai ensinar a geração que já nasceu sabendo? Sim, os professores – que, por uma questão cronológica, não nasceram sabendo e seguem não aprendendo isso nos currículos das licenciaturas ou graduação em pedagogia.

“Isso não é parte da formação inicial e, além disso, a formação do professor acontece em um espaço de tempo e a sociedade evoluiu”, acrescenta Camargo. “É preciso que as instituições entendam que esse é um assunto importante e precisa ser priorizado”.

Até porque educação midiática não é assunto periférico nem recente; já está previsto nos marcos normativos. A presidente do Instituto Palavra Aberta explica que cinco das dez competências básicas da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) abrangem a educação digital e para a cidadania. “O que a gente precisa é instrumentar, formar o professor para que ele utilize os marcos que já estão previstos para integrar a camada da educação midiática. E isso não é mudar a forma como você dá aula, mas introduzir a camada da análise crítica, tanto na hora de verificar o conteúdo como na hora de produzir”.

Ao aprender a produzir conteúdo com esse olhar crítico, o jovem consegue refletir, por exemplo, sobre o impacto de criar um meme a partir da foto de um amigo, sobre cyberbullying. “Aprende sobre responsabilidade, a pensar ‘qual é o meu papel nesse ambiente onde posso criar, compartilhar e disseminar informações o tempo todo?’”, explica Patricia Blanco.

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Gastos com viagens a serviço somam R$ 7 bilhões no governo Lula

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Michael Melo/Metrópoles
Imagem colorida de avião

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou R$ 7 bilhões com viagens a serviço nos três primeiros anos do terceiro mandato, segundo dados do Portal da Transparência analisados pelo Metrópoles. O valor inclui despesas de ministérios e órgãos federais, mas não considera viagens feitas diretamente pelo presidente.

Em 2025, o montante somou R$ 2,35 bilhões — uma redução de 1% em comparação ao ano anterior, quando o total registrado foi de R$ 2,37 bilhões. No entanto, a média dos gastos no terceiro mandato do petista segue superior aos governos anteriores.

Os R$ 7 bilhões gastos desde 2023 superam a soma dos seis anos que antecederam o governo Lula, de 2017-2022. Cabe ressaltar que, entre 2020 e 2021, as restrições impostas devido à pandemia de Covid-19 resultaram em uma queda nas viagens realizadas e, consequentemente, no valor gasto.

Veja a evolução, ano a ano, de recursos aplicados em viagens a serviço do governo federal:


Viagem a trabalho

  • De acordo com as informações do Portal da Transparência, entre 2015 e 2025 o governo desembolsou R$ 16,1 bilhões com viagens a serviço.
  • O ano de 2024 bateu recorde no período analisado: R$ 2,37 bilhões. Já 2020, que viveu o auge da pandemia, registrou o menor volume de gastos, de R$ 545 milhões.
  • O valor engloba o pagamento de passagens, diárias e outros gastos, como restituições, taxa de agenciamento e demais serviços.
  • O levantamento não inclui viagens realizadas pelo presidente.
  • Ministérios da Justiça, Defesa e Educação lideram o ranking dos órgãos que mais gastaram em 2025.

Recortes

Do total desembolsado em 2025, a maioria foi destinada a deslocamentos dentro do país. Segundo o levantamento, as viagens nacionais somaram R$ 2,079 bilhões, enquanto as internacionais ficaram na faixa de R$ 276 milhões.

Os destinos mais frequentes foram São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Pará — sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em novembro. Já Sergipe, Amapá, Acre, Alagoas e Espírito Santo receberam menos visitas de representantes do Poder Executivo.

Entre os órgãos que mais gastaram, o Ministério da Justiça e Segurança Pública ocupa o primeiro lugar no ranking — R$ 396 milhões gastos em 2025. Em seguida vêm Defesa (R$ 311 milhões); Educação (R$ 304 milhões); e Meio Ambiente e Mudança do Clima (R$ 126 milhões).

Para classificar os gastos com ministérios, a reportagem levou em consideração os dados disponíveis na consulta detalhada do Portal da Transparência.

O que diz o governo Lula

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente informou que o valor empenhado — ou seja, reservado para pagar — em 2025 foi de R$ 145,6 milhões, referente a gastos com diárias e passagens do órgãos e de entidades vinculadas, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O valor informado pelo ministério foi levantado junto ao Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP).

“Do montante mencionado acima, sob administração Direta do MMA foram gastos aproximadamente R$ 10,2 milhões. O uso desta quantia foi para coordenação, articulação institucional e participação em agendas técnicas e estratégicas fundamentais para a formulação de políticas públicas”, informou o ministério.

Ainda de acordo com o órgão, o maior volume de empenho — R$ 90,9 milhões — ocorreu por parte do Ibama, “pela necessidade operacional e descentralizada das atividades de campo do instituto”.

“Foram quase R$ 50,4 milhões aplicados nas ações em áreas federais prioritárias e R$ 24,8 milhões na fiscalização ambiental e de prevenção e combate a incêndios florestais. O ICMBio empenhou cerca de R$ 43,1 milhões, com gastos na gestão e manutenção de unidades de conservação, além de ações presenciais em áreas remotas. As demais unidades e entidades vinculadas (SFB, JBRJ, FNMA e Fundo Clima) apresentam participação residual”, ressalta.

O Metrópoles procurou os demais ministério mencionados, que não se manifestaram até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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Gás do Povo inclui mais 950 mil famílias e chega a 17 capitais

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Roberta Aline/ MDS
Homem olhando preço do botijão de gás

O programa social Gás do Povo foi ampliado e vai incluir 950 mil novas famílias na segunda fase de implementação, com chegada prevista em 17 capitais brasileiras a partir de 26 de janeiro.

O benefício garante a recarga gratuita do botijão de gás de cozinha em revendas credenciadas pelo governo federal, como parte da nova versão do programa que substitui o Auxílio Gás.

A expansão faz parte de um modelo adotado pelo governo para ampliar o acesso ao gás de cozinha e aliviar o orçamento de famílias inscritas no Cadastro Único com renda per capita mais baixa. Na primeira fase, o benefício já havia sido liberado em capitais como Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e outras grandes cidades, beneficiando cerca de 1 milhão de famílias.

Com a inclusão das novas capitais nesta etapa, o número total de famílias atendidas chega a aproximadamente 1,95 milhão.

Como funciona o Gás do Povo

Além disso, segundo o Executivo, a medida busca fortalecer o suporte social às famílias mais vulneráveis, reduzindo o impacto do custo do gás de cozinha no orçamento doméstico.

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, destacou o impacto social e econômico do programa no orçamento das famílias de baixa renda. “O benefício alivia o orçamento familiar dos mais pobres, que podem destinar o dinheiro que gastariam no botijão para comprar alimentos ou suprir outra necessidade básica”, disse.

A expectativa é que em março o programa seja expandido para todos os municípios do país, beneficiando 15 milhões de famílias.

Saiba quais são os critérios para fazer parte do programa:

  • Famílias inscritas e com cadastro atualizado no CadÚnico nos últimos 24 meses;
  • Renda mensal por pessoa igual ou inferior a meio salário-mínimo;
  • Beneficiários do Bolsa Família têm prioridade na inclusão;
  • Responsável familiar precisa ter CPF regularizado;
  • Benefícios sociais como Tarifa Social e Minha Casa, Minha Vida não impedem o recebimento do Gás do Povo.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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Nikolas rebate críticas sobre caminhada: Estou de férias, faço o que quiser

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) rebateu, nesta sexta-feira (23/1), críticas relacionadas à chamada “caminhada pela liberdade”. Questionado sobre quem estaria financiando a iniciativa, o parlamentar afirmou que todas as despesas são pagas com recursos próprios e negou receber qualquer tipo de doação ou auxílio financeiro de apoiadores.

“Eu estou tirando o meu próprio dinheiro. Gasolina, alimentação, eu que estou pagando para mim. E as pessoas estão se mobilizando, entregando água, café. Agora, é muito engraçado, bicho, porque o pessoal vai focar em quem está financiando a caminhada, né? Em quem está financiando o contrato milionário da mulher do Moraes? Porque eu estou de férias, eu como deputado, eu faço o que eu quiser”, afirmou o parlamentar.

Segundo Nikolas, a iniciativa ocorre de forma “orgânica e pacífica” e não utiliza recursos públicos. Ele disse que cada pessoa usa o próprio dinheiro “da forma que quiser”, mas ressaltou que não faz uso de verba parlamentar para a atividade.

“Nós estamos aqui de uma forma orgânica, pacífica. E, obviamente, cada um usa o dinheiro da forma que quiser. Tem gente que usa dinheiro, por exemplo, de conta parlamentar para ser desviado. Eu não faço isso. Estou tirando o meu próprio dinheiro”, declarou.

Perguntado se teria recebido auxílio financeiro de apoiadores ou algum tipo de financiamento, o deputado negou. “Não. Eu pedi para as pessoas não doarem absolutamente nada, nem por Pix, nem por vaquinha”, disse.

Caminhada de Nikolas Ferreira

A chamada “caminhada pela liberdade” teve início na segunda-feira (19/1) e percorre cerca de 200 quilômetros entre Paracatu, no interior de Minas Gerais, e Brasília. A previsão é de que Nikolas chegue à capital federal neste domingo (25/1), quando deve ser recebido por apoiadores.

No mesmo dia, está previsto um ato intitulado “Manifestação Acorda Brasil”, com concentração a partir das 12h, na Praça do Cruzeiro, em Brasília. O evento marca o encerramento da mobilização.

Ao justificar a iniciativa, o parlamentar citou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão, além da situação jurídica de pessoas presas em decorrência dos atos de 8 de Janeiro.

Desde o início do trajeto, a caminhada tem reunido apoiadores e aliados políticos ao longo do percurso. Parlamentares ligados ao bolsonarismo passaram a divulgar a mobilização nas redes sociais e a declarar apoio público ao ato previsto para o domingo.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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