Eden da Cruz estava internado no Into-AC desde o início do mês de março e morreu na quarta-feira (17). Mulher do servidor, Jaqueline Alves, espera a segunda filha do casal e também pegou Covid-19.
Por Aline Nascimento
Um pai amoroso, cuidadoso, marido apaixonado, atencioso e um homem voltado para família. É assim que o policial penal Eden Carlos de Souza da Cruz, de 38 anos, é descrito pela mulher, Jaqueline Alves, de 33 anos, grávida de 9 meses da segunda filha do casal. Na quarta-feira (17), a Covid-19 interrompeu os planos de Eden de terminar de montar o quarto da filha.
Após mais de 15 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), em Rio Branco, o policial penal morreu vítima da doença. Ele era servidor público desde 2008 e descrito pelos colegas de trabalho como um homem muito alegre, companheiro e que lutava pela categoria.
O Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) divulgou uma nota lamentando a morte do servidor. (Veja nota na íntegra mais abaixo).
Além do servidor, a mulher Jaqueline e a segunda filha do casal, uma adolescente de 13 anos, também foram infectados pelo novo coronavírus. Jaqueline e a adolescente são do grupo de risco, a menina tem asma e a mãe usa um dreno no pulmão, mas as duas já estão curadas e não precisaram ser internadas por causa da doença.
“Nunca passou pela minha cabeça perder meu marido. Ele era um paizão, daqueles de acordar de manhã e pular na cama e chamar para tomar café, dizer que ama. Era um esposo de excelência, cuidadoso, zeloso, sempre se preocupou com nossa casa. Era o homem da casa, eu não tinha preocupação com nada. Coloquei meu marido no hospital, uma pessoa sadia, e não voltou para casa. Estava ansioso para conhecer a filha”, relembrou Jaqueline entre lágrimas.
Policial penal era pai de uma adolescente de 13 anos e esperava a chegada da segunda filha, batizada de Estela — Foto: Arquivo da família
Primeiros sintomas
Eden Cruz começou a sentir os primeiros sintomas da doença após um plantão no Complexo Penitenciário de Rio Branco no dia 21 de fevereiro. Ele chegou em casa com uma tosse, falou para a esposa que podia ser Covid porque alguns colegas estavam afastados com a doença.
Preocupado com a saúde da mulher, que tem uma gravidez de risco, o policial penal foi fazer um exame para saber se estava com coronavírus quando a tosse não passou. O teste rápido deu negativo, mas o médico receitou os remédios para o tratamento e mandou ele se isolar em casa.
A partir de então, o policial passou a ficar trancado dentro do quarto sem contato com a família. Porém, alguns dias depois, a filha adolescente disse que não sentia mais gosto e nem cheiro da comida. Jaqueline percebeu que a filha estava infectada e foi fazer um exame para saber se também estava com a doença.
“Levantei cedo e fui fazer o exame para tirar ele de dentro do quarto. Na hora que estava recebendo o resultado do exame, que deu positivo, ele ligou dizendo que não estava legal e que estava indo para o Into. Quando foi por volta das 14 horas me ligou para eu ir para lá que não estava legal. Passei oito dias sem ver ele, só falando por telefone quando estava no quarto em casa, e não sabia como estava. Quando cheguei no Into vi que estava muito cansado e não conseguia falar direito”, relembrou a mulher.
No mesmo dia, o policial já ficou internado na observação unidade. Já no período da noite, o servidor ligou novamente para a mulher dizendo que iria para o leito e que ela fosse assinar a documentação. No hospital, Jaqueline ainda chegou a conversar com o marido. Esse foi o último contato dos dois.
“No leito não pode entrar com celular. Meu os pertences dele, levei roupa e cobertor para ficar lá. No dia 4 [de março] o médico me ligou dizendo que ele tinha sido intubado, que a situação era grave e ele não estava respondendo. Falaram tão rápido que só entendi intubado. Os telefones do Into falham, a gente não entende o que os médicos dizem. Falei com a assistente social, fiz uma reclamação porque usam muito termo técnico e podiam simplificar”, disse Jaqueline.
Servidor era policial penal desde 2008 e trabalhava no Complexo Penitenciário de Rio Branco — Foto: Arquivo pessoal
Angústia e espera
Os dias seguintes foram de angustia e sofrimento para Jaqueline. Ela esperava ansiosamente o boletim médico com o estado de saúde do marido. Na terça (16), porém, o boletim não chegou como todo os dias e ela se desesperou. Até que o irmão do policial mandou alguns áudios falando sobre o estado de saúde dele.
“Ninguém conseguiu entender nada. Na lista que consta para os médicos só tem dois números, o meu e a segunda opção que é o meu irmão. O médico ligou para o irmão dele e passou o relatório. Fui dormir chorando querendo saber o estado de saúde do meu marido e quando foi na manhã do outro dia fui bater no Into desesperada querendo saber o estado de saúde dele. No relatório médico tinha que ligaram para mim e não colocou o horário. Falei que não tinham ligado, mas na lista constava que ligaram”, criticou.
Jaqueline passou mal com a confusão e, enquanto tentava entender a situação, o quadro do marido piorou e ele morreu na UTI. Ela tentava falar com os médicos quando foi avisada do óbito. “Não sabia que naquele exato momento meu marido estava morrendo. Ele era a pessoa mais saudável aqui de casa. Até brincava com ele diversas vezes que se o vírus chegasse na nossa casa as pessoas de risco eram eu e minha filha. Nunca me passou pela cabeça que quem iria dar uma entrada no hospital era ele”, contou.
Ainda segundo a mulher, Eden Cruz teve um machucado em um dos joelhos jogando bola ano passado. Daí surgiu uma trombose, que ele já iria tratar. Após ser infectado pelo novo coronavírus, o policial passou a ter alteração na pressão e na glicose.
“O quadro só se agravou. Trataram a trombose com anticoagulante. Estava tudo certo sobre isso. Minha filha quase não teve sintomas, eu peguei como se fosse uma gripe muito forte. Estamos com mais de 15 dias. Nunca passou isso pela minha cabeça, está doído. Estávamos junto há 18 anos, construímos tudo juntos”, acrescentou.
Eden Cruz e Jaqueline Alves estavam juntos há 18 anos — Foto: Arquivo pessoal
Irmão também morreu com Covid
Dias após ser internado no Into-AC, o irmão mais velho do policial também deu entrada na unidade e morreu logo depois também com Covid-19. Eden Cruz não sabia que o irmão estava internado doente e morreu sem saber que o irmão também perdeu a luta para a doença
“O irmão dele faleceu no dia 10 de março. Infelizmente, perdi duas pessoas importantes. Ele tinha o coração crescido, foi logo intubado, o vírus foi em cima disso. Ele [Eden] estava sedado e não sabia o que estava acontecendo aqui fora”, lamentou.
Filha planejada
Ainda segundo Jaqueline, o casal conseguiu comprar a casa própria recentemente e estava reformando a residência. Com a casa própria, Eden propões à mulher ter um segundo filho. Estela, como vai ser chamada a bebê, era muito esperada pelo pai.
“Foi uma criança planejada, sonhou muito dela, estava arrumando o quarto para ela, comprou todo o enxoval. Queria terminar a reforma antes dela nascer, mas, infelizmente, não deu tempo. Ele acordava, beijava minha barriga e dizia assim: ‘bom dia, Estela, papai ama você’. Todos os dias era assim, pedia para ela crescer logo que ele estava louco para conhecê-la”, contou entre lágrimas.
Mesmo com o apoio da família, principalmente dos pais que estão com ela em casa, Jaqueline se diz sem chão com a morte do marido. “Estou sem chão, perdi o homem da minha vida, meu amor, companheiro, a gente tem uma história juntos. Temos uma história juntos, os últimos anos da vida viveu intensamente, apresentou TCC, fez a planta da casa, construiu, decidiu ser pai novamente, escolhemos o nome do bebê. Quando eu estava doente era ele que cuidava de mim”, finalizou.
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) certificou, nesta quinta-feira, 5, cerca de 300 servidores de apoio pela conclusão da Formação Continuada para Servidores Não Docentes, em uma cerimônia realizada no auditório da SEE, em Rio Branco. A iniciativa encerra uma etapa de capacitação que reuniu agentes de portaria, assistentes educacionais, auxiliares de biblioteca e outros profissionais que atuam nas escolas públicas estaduais.
Cerimônia de certificação reuniu agentes de portaria, auxiliares de secretaria, assistentes educacionais e auxiliares de biblioteca. Foto: Mardilson Gomes/SEE
A formação, que começou no início da semana e alcançou 328 participantes, teve foco na melhora do clima e da convivência escolar, ética, competências pedagógicas e socioemocionais — temas considerados fundamentais para a atuação desses profissionais no cotidiano das unidades de ensino.
“Hoje é um momento de muita alegria, de muita satisfação para o Departamento de Formação da Secretaria de Estado de Educação”, destacou Lídia Maria Cavalcante, chefe do Departamento de Formação e Assistência Educacional. Ela lembrou que, embora esses educadores não atuem diretamente em sala de aula, “eles colaboram e contribuem para a educação do nosso estado”.
Lídia Maria Cavalcante Lima destaca a importância da valorização da equipe de apoio nas escolas. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Durante a formação, os participantes tiveram acesso a conteúdos que vão além do aspecto técnico da função, incluindo saúde mental, autocuidado, relações humanas, ética no trabalho e enfrentamento à violência escolar, contribuindo para uma atuação mais integrada com as equipes escolares.
Raimundo Barroso, auxiliar de secretaria da Escola Marina Vicente, destacou que a formação contribuiu para somar conhecimento à sua longa trajetória profissional. “Tenho mais de 40 anos de serviço público e já atuei em diversas funções dentro da escola. Esse curso veio para acrescentar ainda mais ao que já vivencio no dia a dia. A gente aprende, troca experiências e passa a compreender melhor o papel de cada um no funcionamento da escola”, afirmou.
Raimundo Barroso, auxiliar de secretaria da Escola Marina Vicente, participou da Formação Continuada para Servidores Não Docentes promovida pela SEE. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Já Maria Eneide de Freitas, auxiliar de secretaria da mesma unidade escolar, ressaltou a importância do reconhecimento das equipes de apoio.
“Esses três dias de formação foram muito proveitosos. Cada conteúdo trouxe um aprendizado que vamos levar para o nosso trabalho diário, no atendimento aos alunos, aos pais e à comunidade escolar. Muitas vezes, apenas os professores têm acesso a capacitações, e essa formação mostrou que nós, administrativos e servidores de apoio, também somos parte fundamental da escola. Fomos lembrados, valorizados, e isso faz toda a diferença”, concluiu.
A Prefeitura de Rio Branco participou, nesta quinta-feira (5), da Sessão Solene de Aposentadoria do conselheiro Valmir Gomes Ribeiro, realizada no Plenário do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). O Executivo municipal foi representado pelo secretário municipal de Articulação Institucional Rennan Biths, que esteve presente em nome do prefeito em exercício Alysson Bestene.
A solenidade marcou o encerramento de uma trajetória de mais de 36 anos de dedicação ao Tribunal de Contas do Estado, reunindo autoridades, membros da Corte, servidores, familiares e convidados. Durante o evento, foram destacadas a contribuição institucional do conselheiro e sua atuação em prol do fortalecimento da fiscalização dos recursos públicos.
Rennan Biths destacou o reconhecimento da gestão municipal pelos importantes serviços prestados pelo conselheiro ao Estado do Acre e à administração pública. (Foto: Luiz Cordeiro/Secom)
Rennan Biths ressaltou o reconhecimento da gestão municipal pelos relevantes serviços prestados pelo conselheiro ao Estado do Acre e à administração pública.
“Desejamos ao conselheiro muita saúde e sucesso nesta nova fase da vida. Que seja um tempo para aproveitar mais a família, os filhos e os netos, mas que, de alguma forma, continue contribuindo com sua experiência para o crescimento do nosso estado e, especialmente, da nossa capital”, destacou Rennan Biths.
Ao final da solenidade, a presidente do TCE-AC, conselheira Dulcinéia Benício de Araújo Barbosa, destacou o legado e a trajetória do conselheiro na Corte. (Foto: Luiz Cordeiro/Secom)
Em seu discurso de despedida, Valmir Gomes Ribeiro agradeceu as homenagens recebidas e relembrou, com emoção e bom humor, sua trajetória no Tribunal de Contas.
“Me sinto muito honrado em receber todas essas homenagens, porque aqui estão meus amigos. Geralmente a recepção da chegada é maior que a da saída, mas hoje está sendo o contrário. O cafezinho da chegada sempre é mais quente”, afirmou.
Encerrando a solenidade, a presidente do Tribunal de Contas do Estado do Acre, conselheira Dulcinéia Benício de Araújo Barbosa, destacou o legado deixado pelo conselheiro ao longo de sua atuação na Corte.
“O conselheiro Valmir Ribeiro deixa uma contribuição inestimável para o Tribunal de Contas e para o Estado do Acre. Sua trajetória é marcada pela ética, pelo compromisso com o serviço público e pelo fortalecimento institucional desta Casa”, afirmou a presidente.
A vice-governadora Mailza Assis recebeu, nesta quinta-feira, 5, em seu gabinete, o novo procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), Oswaldo D’Albuquerque Lima, acompanhado de equipe jurídica composta por procuradores, defensores públicos e juízes. Oswaldo D’Albuquerque foi eleito em 2025 para assumir a Procuradoria-Geral de Justiça durante o biênio 2026-2028.
A visita de cortesia insere-se nas ações de fortalecimento do diálogo institucional entre o Ministério Público e o governo do Acre, construído ao longo das gestões do governador Gladson Camelí com o objetivo de ampliar a cooperação entre as instituições e aprimorar os trabalhos desenvolvidos em benefício da população acreana.
Visita de cortesia insere-se nas ações de fortalecimento do diálogo institucional entre o Ministério Público e o governo do Acre. Foto: Neto Lucena/Secom
“É uma honra receber o procurador-geral Oswaldo D’Albuquerque em nosso gabinete, fortalecendo as relações institucionais e contribuindo para a melhoria dos trabalhos desenvolvidos em todo o Acre. Aproveito para desejar boa sorte na execução do seu ofício ao longo de toda a gestão e reafirmar que estamos sempre à disposição para dialogar e trabalhar juntos pelo Acre”, enfatizou Mailza Assis.
“Aproveito para desejar boa sorte na execução do seu ofício ao longo de toda a gestão e reafirmar que estamos sempre à disposição para dialogar e trabalhar juntos pelo Acre” Foto: Neto Lucena/Secom
Durante o encontro, estiveram presentes, além do procurador-geral de Justiça Oswaldo D’Albuquerque, o assessor de Relações Institucionais, procurador de Justiça Sammy Barbosa Lopes; o secretário-geral, promotor de Justiça Adenilson de Souza; e a procuradora de Justiça Kátia Rejane.
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