Conecte-se conosco

Flash

PF cumpre mandados de busca e apreensão contra transporte ilegal de imigrantes entre Acre e Peru

Publicado

em

Polícia Federal cumpre mandados judiciais para coibir prática dos coiotes no Acre — Foto: Nucom/PF-AC

Por Tácita Muniz

A Polícia Federal está cumprindo, nesta sexta-feira (26), quatro mandado de busca e apreensão nas cidades de Rio Branco e Assis Brasil, no Acre, em combate à migração ilegal feita pelos chamados coiotes – que transportam imigrantes clandestinamente.

As investigações que resultaram na Operação Advenus iniciaram após a PF identificar que estaria havendo o transporte ilegal de migrantes para o Peru, através do Rio Acre ou da Ponte da Integração – que separam as cidades de Assis Brasil e Iñapari – com ajuda de coiotes.

De acordo com as investigações, a região é uma rota conhecida por migrantes que buscam chegar a países como EUA e Canadá.

“Criminosos no município se aproveitam da vulnerabilidade desses migrantes e, em troca de dinheiro, prometem auxiliar a travessia de maneira ilegal para o Peru, sem, contudo, mencionar a probabilidade de insucesso de empreitadas dessa natureza”, diz a nota da PF.

Recentemente, a questão migratória se agravou na fronteira devido o Peru bloquear a entrada no país, em decorrência da pandemia. Com isso, uma crise humanitária se instalou na cidade de Assis Brasil, que atualmente tem mais de 300 imigrantes, de diversas nacionalidades, retidos. Além disso, um grupo de aproximadamente 40 imigrantes segue acampado na ponte.

“Acredita-se que a atuação dos coiotes é um dos fatores que contribuiu para o agravamento da situação”, pontua a PF.

O nome da operação remete à palavra estrangeiro em latim, uma vez que se sabe que os migrantes (estrangeiros) são aliciados por esses coiotes ao chegarem no município de Assis Brasil.

Mandados judiciais foram cumpridos em Assis Brasil e Rio Branco — Foto: Nucom/PF-AC

Ocupação

A situação dos imigrantes começou a ficar tensa desde o dia 14 deste mês, quando cerca de 400 imigrantes deixaram os abrigos que ocupavam e se concentrarem na Ponte da Integração, na fronteira com o Peru. Os imigrantes tentavam deixar o país, mas foram barrados pelas autoridades peruanas.

No dia 16, os imigrantes enfrentaram a polícia peruana e invadiram a cidade de Iñapari, no lado peruano da fronteira. Depois de confronto, o grupo foi reunido pelos policiais peruanos e mandado de volta para Assis Brasil.

A cidade de Assis Brasil registrou até esta quinta-feira (25), 1.119 casos de Covid-19. De acordo com o boletim da Sesacre, o município tem a maior taxa de contaminação pela doença no estado com 1.485 casos a cada 10 mil habitantes.

Rota inversa

Ainda em 2016, começou a ser registrado o fluxo desses mesmos imigrantes fazendo a rota inversa, agora de saída do Brasil para outros país e, mais uma vez, o Acre se tornou corredor de passagem para esses grupos. Apesar de haitianos serem a maioria, há também outras nacionalidades, como senegaleses, venezuelanos e outros.

Pandemia e fronteiras fechadas

A questão migratória no estado se agravou mais ainda em março do ano passado, quando foram registrados os primeiros casos de Covid no Estado. Com a pandemia, economia ruim e demissões, mais imigrantes começaram a chegar no Acre para poder conseguir sair do país. A maioria chega de avião em Rio Branco ou usam as rotas terrestres até a cidade de Assis Brasil.

Com os casos de Covid-19 aumentando, o Peru decidiu fechar as fronteiras com o Acre para evitar entrada e maior proliferação da doença no país. Em maio do ano passado, com alguns casos de Covid dentro dos abrigos de imigrantes montados em escolas de Assis Brasil, a prefeitura da cidade chegou a cobrar rigidez nas medidas de segurança sanitária.

Em março do ano passado, devido à pandemia e o número de imigrantes, a prefeitura decretou emergência na cidade e já pedia intervenção do governo federal.

Um ônibus com imigrantes chegou a ficar retido e foi liberado após algumas negociações. O número de imigrantes na cidade, segundo a prefeitura, chegou a 70 e 80 por dia, mas, sempre mudando e oscilando, dependendo de algumas aberturas do lado peruano.

Já no início deste ano, esse número caiu drasticamente e cidade chegou a ficar apenas com um imigrante. Com o novo aumento dos casos de Covid-19, o Peru fechou a fronteira novamente. A Secretaria de Segurança Pública do Acre disse que o Ministério de Relações Exteriores está em tratativa com o governo peruano, que, segundo ele, passa por um momento de instabilidade política e, portanto, o Brasil tem encontrado dificuldades em resolver a situação.

“Importante ressaltar que o Peru vive um momento instável politicamente, institucionalmente e consequentemente se torna mais difícil qualquer tratativa diplomática realizada por nosso país nesse momento”, disse o secretário de Segurança Pública do Acre, Paulo Cézar.

Imigrantes seguem acampados — Foto: Raylanderson Frota/Arquivo pessoal

Pastoral do Migrante

Aurinete Brasil, vice-coordenadora da Pastoral do Migrante no Acre e assessora regional das Cáritas Diocesana, diz que o grupo tem acompanhado a situação na fronteira, articulando as tratativas com o governo, mas destacou que apenas uma medida da União deve ajudar no problema.

A Pastoral do Migrante foi criada há mais de um ano e neste período tem acompanhado esse fluxo no estado. A vice-coordenadora destaca ainda que esse retorno se dá por falta de oportunidades de trabalho.

“Muitas empresas e indústrias estão fechadas e os imigrantes querem ir para o México, que tem oportunidade onde dizem que receberam proposta. Também pensam em Colômbia e Estados Unidos, focando nessa ideia de que agora mudou o governo e que podem ter mais oportunidades.”

Gefron tem prendido coiotes na fronteira — Foto: Arquivo/Gefron

‘Coiotes’

Outro problema com esse fluxo é a atuação de coiotes, que facilitaram esse trânsito ilegal de um país a outro recebendo dinheiro desses imigrantes.

No dia 15 de fevereiro, um homem de naturalidade peruana foi preso suspeito de atuar como coiote no transporte de imigrantes entre Brasil e Peru. Com o suspeito ainda foram apreendidos dólares, soles peruano e uma quantia de R$ 60 mil em espécie. O flagrante foi feito pelo Grupo Especial de Fronteiras (Gefron).

Dois dias depois, dia 17, mais um peruano foi preso na BR-317, entre as cidades de Brasileia e Assis Brasil, no interior do Acre. Com o suspeito ainda foram apreendidos mais de 15 mil dólares, outros mais de R$ 200 e 140 soles peruanos. O flagrante foi feito pelo Grupo Especial de Fronteiras (Gefron).

Na mesma semana, um cubano de 37 anos que estava em um táxi lotação e foi flagrado já na entrada da cidade de Assis Brasil também foi preso pelo Gefron. Com o homem estavam mais de 30 imigrantes.

Esse tipo de flagrante não é incomum no Acre. Em outubro do ano passado, a Polícia Federal prendeu um homem por atuar com a migração ilegal de pessoas. Pelo menos dez imigrantes foram transportados pelo suspeito. A Defensoria Pública da União (DPU), que vai pedir para que eles não fossem deportados.

Isso sempre ocorre na fronteira, principalmente na região do Alto Acre. O Acre é o estado do país em que os 22 municípios estão dentro da faixa de fronteira. Das cidades do estado, 16 têm 100% do território dentro da faixa, são mais de 144,5 mil km² de área.

Aurinete diz ainda que há influência desses coiotes também no aumento desses imigrantes no estado. Segundo ela, isso acaba fomentando essa movimentação. Ela diz que o estado, por ser em área de fronteira e por sofrer há anos com a questão migratória, precisa criar um plano para em casos emergenciais como esses.

“Enquanto não tivermos uma política pública de estado e não de governo, não vamos sair do que estamos hoje, pois vamos viver assim: apagando fogo. É o que está acontecendo, estamos apagando fogo Estamos em região de fronteira, precisamos ter um plano de resposta emergencial, as pessoas adoecem de tanto ver calamidade”, finalizou.

Comentários

Continue lendo
Publicidade

Flash

Deracre informa situação da obra da Orla do Rio Acre em Brasileia e aguarda regularização de convênio federal para prosseguir

Publicado

em

O governo do Acre, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre), informou nesta quarta-feira, 25, que a obra da Orla do Rio Acre, em Brasileia, está com 51,04% dos serviços executados e permanece paralisada desde abril de 2024, após a interrupção do fluxo financeiro do convênio federal. O investimento é de R$ 16,7 milhões, oriundos de emenda parlamentar do senador Márcio Bittar.

O órgão mantém acompanhamento técnico e administrativo do contrato e já adotou as providências necessárias para viabilizar a continuidade da obra. O Deracre acionou a Representação do Governo do Acre em Brasília (Repac) para solicitar ao Ministério das Cidades a regularização financeira indispensável à retomada dos serviços.

Intervenção visa conter a erosão e criar uma área de lazer. Foto: Ascom/Deracre

Foi elaborado relatório técnico com levantamento atualizado das condições da área e registro das intervenções executadas até a paralisação. O documento foi encaminhado à instituição financeira responsável pelo contrato para análise e encaminhamentos.

“Estamos acompanhando tecnicamente a situação. A falta de continuidade dos serviços ao longo do período pode ter influenciado no ocorrido. O relatório técnico é que vai orientar os encaminhamentos e a retomada da obra”, afirmou a presidente do Deracre, Sula Ximenes.

Deracre aponta que paralisação pode ter contribuído para situação na Orla do Rio Acre. Foto: Ascom/Deracre

A proteção da margem foi executada conforme o projeto aprovado, utilizando o sistema bolsacreto, técnica que consiste na aplicação de mantas preenchidas com concreto para reforço do barranco do rio, dentro das normas de engenharia aplicáveis a esse tipo de intervenção. O Deracre destaca que, nas margens dos rios da região, são comuns os chamados “terras caídas”, fenômeno natural que provoca erosão nos barrancos em razão da dinâmica das águas. A avaliação técnica considera esse contexto e o fato de que a obra ainda não foi concluída.

The post Deracre informa situação da obra da Orla do Rio Acre em Brasileia e aguarda regularização de convênio federal para prosseguir appeared first on Noticias do Acre.

Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

Comentários

Continue lendo

Flash

Presidente Nicolau Júnior destaca força do Parlamento Amazônico e reforça protagonismo do Acre na articulação regional

Publicado

em

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), deputado Nicolau Júnior (PP), destacou a importância estratégica do Parlamento Amazônico para o fortalecimento das pautas da região Norte, durante a solenidade de posse da nova Mesa Diretora da Instituição, realizada no Plenário da Casa. O evento marcou a eleição do deputado Afonso Fernandes (Solidariedade), para a presidência do Parlamento Amazônico no biênio 2026–2027, consolidando pela terceira vez o Acre à frente do colegiado que reúne parlamentares dos nove estados da Amazônia Legal. A solenidade contou com a presença de políticos dos nove estados amazônicos.

Em entrevista concedida durante a programação institucional, Nicolau Júnior ressaltou que a presença de um parlamentar acreano na presidência do Parlamento Amazônico amplia a capacidade de articulação política do Estado em nível nacional. Ele pontuou que a Instituição funciona como um espaço de união das forças políticas da região para enfrentar problemas históricos que impactam diretamente a população amazônica. “É um conjunto de forças que reúne os nove estados do Norte para debater temas importantes e buscar soluções para problemas antigos da nossa região, como a questão dos voos, que prejudicam muito o Acre e outros estados amazônicos”, afirmou.

O presidente da Aleac enfatizou ainda, que o principal objetivo do Parlamento Amazônico é integrar as bancadas estaduais, federais e o Senado em torno de pautas comuns, fortalecendo a representação da Amazônia no Congresso Nacional. Para Nicolau Júnior, essa articulação é fundamental para dar visibilidade às demandas regionais e avançar em soluções concretas. “O Parlamento Amazônico tem que servir para unir os deputados estaduais, a bancada federal e os senadores, para que possamos alcançar êxito na resolução de muitos problemas que a Amazônia enfrenta”, concluiu.

Durante a abertura da solenidade, Nicolau Júnior também deu as boas-vindas às delegações que participaram do evento, destacando a hospitalidade do Acre e a importância do intercâmbio institucional entre os estados e países da região amazônica. Em sua fala, o parlamentar agradeceu a presença das autoridades e ressaltou o simbolismo do encontro para o fortalecimento da integração regional. “É uma honra muito grande receber todos vocês aqui no nosso estado. Muitos já conhecem o Acre, outros estão tendo essa oportunidade agora, mas todos são muito bem-vindos”, declarou.

O presidente cumprimentou ainda, parlamentares acreanos, representantes do Parlamento Amazônico e autoridades convidadas, reforçando que o momento representa união e diálogo em torno de pautas comuns da região. Segundo ele, a realização da solenidade no Acre reafirma o compromisso do Parlamento estadual com o debate regional e com a construção de soluções coletivas para os desafios da Amazônia.

Texto: Andressa Oliveira
Fotos: Sérgio Vale e Ismael Medeiros

Comentários

Continue lendo

Flash

Após cinco anos, prefeitura inicia obra de drenagem em rua em frente à própria autarquia em Epitaciolândia

Publicado

em

Foto: Divulgação/Ascom

Intervenção começa em ano eleitoral e beneficia trecho estratégico próximo ao prédio da administração municipal

Depois de cinco anos de gestão, a Prefeitura de Epitaciolândia iniciou nesta semana uma obra de drenagem na Rua Capitão Pedro Vasconcelos, via que passa em frente ao prédio da própria administração pública. A intervenção ocorre em ano eleitoral, período em que o prefeito Sérgio Lopes é apontado como pré-candidato a deputado estadual.

De acordo com informações divulgadas no site oficial do município, os serviços incluem a instalação de bueiros e bocas de lobo no trecho que vai da Praça Brasil–Bolívia até a esquina com a Travessa Lírio dos Vales. O objetivo é melhorar o escoamento da água da chuva e ampliar a capacidade de vazão do sistema de drenagem.

Foto: Divulgação/Ascom

A prefeitura afirma que a obra atende a uma demanda antiga dos moradores da região, que enfrentam dificuldades principalmente no período chuvoso, quando o acúmulo de água compromete o tráfego de veículos e pedestres.

Apesar do início dos trabalhos, a gestão municipal é alvo de críticas pela demora na execução de melhorias estruturais em outras áreas da cidade. Moradores apontam que diversos bairros ainda aguardam intervenções prometidas ao longo do mandato, especialmente nas áreas de infraestrutura urbana.

Até o momento, a administração não informou prazo para conclusão da obra nem se há previsão de ampliação dos serviços para outros pontos do município.

Comentários

Continue lendo