Brasil
O consumo de álcool diminuiu no Brasil, mas os episódios de excesso aumentaram
5,7% dos adolescentes brasileiros desenvolvem transtornos relacionados ao consumo de álcool em fases iniciais.
No Brasil, o consumo de álcool continua sendo um tema de grande preocupação para as autoridades de saúde e segurança pública. Embora pesquisas recentes mostrem uma diminuição no número de pessoas que bebem, os padrões de consumo entre aqueles que mantêm o hábito refletem níveis alarmantes de excesso, o que se traduz em hospitalizações, mortes e consequências sociais de grande impacto. Os números revelam um paradoxo: menos brasileiros consomem bebidas alcoólicas, mas aqueles que o fazem tendem a beber em maiores quantidades e com maior frequência, gerando um cenário complexo.
A terceira e mais recente edição da Pesquisa Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad), realizada em 2023 pela Universidade Federal de São Paulo em colaboração com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, entrevistou mais de 16.600 pessoas de todas as regiões do país. Os resultados mostram que, entre 2012 e 2023, o percentual de brasileiros que declararam ter consumido álcool nos últimos 12 meses caiu de 47,7% para 42,5%.

No entanto, essa diminuição na prevalência não implica necessariamente uma melhoria, uma vez que os episódios de consumo excessivo se tornaram mais frequentes. Em 2012, 46,3% dos adultos que bebiam reconheceram ter ingerido seis ou mais drinques em uma única ocasião; em 2023, essa proporção aumentou para mais de 60%, com uma média semanal de 5,3 bebidas por consumidor.
A diferença entre os sexos é acentuada. 68,8% dos homens que bebem admitiram ter tido episódios de consumo excessivo, contra 47,7% das mulheres. Além disso, mais de um terço da população adulta, ou seja, 34,7%, já passou por situações de embriaguez aguda relacionadas a acidentes ou problemas de saúde. A cerveja, de acordo com o relatório, é a bebida mais associada a padrões de risco e dependência. 31% dos consumidores apresentaram um consumo problemático e 28,6% cumprem os critérios de transtorno por consumo de álcool.

Quanto às diferenças regionais, o Sul e o Centro-oeste apresentam as taxas mais altas de consumo, com 71,4% e 70,1% da população declarando ter bebido no último ano, respectivamente. O Sudeste registra 61,4%, o Nordeste 62,1% e o Norte 60,7%. No entanto, as taxas de consumo excessivo em episódios variam: o Centro-oeste lidera com 16,3%, seguido pelo Nordeste com 12,5% e pelo Sudeste com 11,6%.
O panorama é ainda mais preocupante quando se analisam os dados entre adolescentes. Embora a lei brasileira proíba a venda e o fornecimento de álcool a menores de 18 anos, a realidade mostra outra coisa: mais da metade da população experimentou sua primeira bebida antes de atingir a maioridade e um em cada quatro começou a beber regularmente nessa fase.
Em 2006, 8% dos adolescentes atendiam aos critérios de transtorno por consumo de álcool; o número caiu para 4,6% em 2012, mas voltou a subir em 2023, atingindo 5,7%. A pesquisa também mostra que as meninas superam os meninos no consumo em todos os parâmetros, desde a experimentação até o consumo regular, o que alerta os especialistas sobre uma mudança de padrão.

Apesar da diminuição geral do consumo, o Brasil enfrenta uma carga considerável de problemas relacionados ao álcool. De acordo com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), o alcoolismo foi responsável por 10,5% das mortes relacionadas ao consumo no país e causa 21 mortes por dia. Entre 2022 e 2023, as hospitalizações por esse transtorno aumentaram 2,8%, com uma média de quatro internações por hora. A maioria dos hospitalizados são homens (86,4%), embora a proporção de mulheres internadas tenha crescido nos últimos anos, passando de 9,9% em 2010 para 13,6% em 2023.
A mortalidade também reflete disparidades regionais e de gênero. Onze estados superam a taxa nacional de 3,6 mortes por 100 mil habitantes, com Piauí, Bahia, Espírito Santo e Tocantins na liderança. A maioria das mortes por alcoolismo ocorre entre pessoas com 55 anos ou mais, enquanto as hospitalizações afetam principalmente o grupo de 35 a 54 anos. Embora entre 2022 e 2023 tenha sido registrada uma queda de 9,2% nas mortes por alcoolismo, os números ainda não atingiram os níveis anteriores à pandemia da COVID-19.
O impacto do álcool não se limita à saúde, mas se estende à segurança pública. A chamada Lei Seca, em vigor desde 2008, completou 17 anos com um saldo de 3,2 milhões de infrações registradas por dirigir sob o efeito do álcool. Somente no Distrito Federal, entre 2008 e 2025, foram aplicadas mais de 294 mil multas, com uma média de 67 motoristas punidos por dia no último ano.
Embora as autoridades comemorem uma redução de 55% nas mortes por acidentes de trânsito relacionados ao álcool desde sua implementação, elas insistem que o risco persiste. Além disso, as companhias deseguros de automóveis alertam que os acidentes causados sob o efeito do álcool geralmente ficam fora da cobertura, o que aumenta não apenas as consequências legais, mas também os custos econômicos para os infratores.
Além disso, pesquisas associam o consumo de álcool a mortes violentas no Brasil. Um estudo da Universidade de São Paulo revelou que 50,1% das pessoas que morreram por causas violentas entre 2022 e 2024 haviam consumido alguma substância psicoativa horas antes, e 26,2% apresentavam álcool no sangue. A análise de mais de quatro mil amostras mostrou que, em acidentes de trânsito, 38% das vítimas haviam bebido, enquanto em suicídios, 29,4% apresentaram álcool no sangue. Em homicídios, a proporção chegou a 26,4%.
É importante ressaltar que, em nível regional, o consumo de álcool per capita também oferece uma perspectiva relevante. Dados internacionais indicam que a Argentina ocupa a 59ª posição entre 189 países, com uma média de 8 litros de álcool puro por pessoa por ano. Já o Brasil está logo abaixo, com 7,7 litros per capita, um número que o coloca entre os países com maior consumo na América Latina e que ajuda a explicar a magnitude dos desafios em matéria de saúde pública e segurança no trânsito.
Diante desse cenário, o governo federal promoveu novas ferramentas para enfrentar o problema. Durante a apresentação da Lenad III, foi lançada uma página temática do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, destinada a concentrar dados atualizados e facilitar a formulação de políticas públicas. Também foi apresentado um caderno de debate sobre políticas de preços e impostos sobre o álcool, elaborado em colaboração com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Segundo a pesquisadora Lísia von Diemen, reduzir a disponibilidade e aumentar o preço das bebidas, limitar a publicidade e facilitar o acesso ao tratamento são medidas essenciais para mitigar os danos.
Novas ameaças
O aumento da experimentação de drogas no Brasil acendeu novos sinais de alerta entre especialistas e autoridades. Um relatório recente elaborado pela Universidade Federal de São Paulo, como parte da terceira Pesquisa Nacional sobre Álcool e Drogas, revelou que cerca de 11,4 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, o que equivale a 6,60% da população, admitiram ter consumido cocaína ou crack alguma vez na vida.
Embora o uso recente, correspondente aos últimos 12 meses, tenha se mantido em torno de 2,20% — aproximadamente 3,8 milhões de pessoas —, a comparação com a pesquisa de 2012 mostra um aumento significativo na experimentação, já que há onze anos a porcentagem era de 4,43%.
No entanto, esse aumento não se traduziu necessariamente em um crescimento proporcional do consumo contínuo. Os pesquisadores apontaram que a estabilidade no uso recente, combinada com o aumento na prevalência histórica, sugere que mais pessoas se animaram a experimentar essas substâncias, embora nem todas tenham desenvolvido um padrão sustentado de consumo. Nesse sentido, a pesquisa alerta que, devido ao longo intervalo de 11 anos entre as medições, é provável que tenham ocorrido flutuações no número de usuários sem que elas tenham sido registradas nos dados disponíveis.
Outro aspecto relevante do estudo é que a prevalência foi maior entre os homens e na faixa etária de 25 a 49 anos. Além disso, foram detectadas maiores proporções de consumo entre pessoas de origem amarela e indígena, bem como entre indivíduos divorciados ou separados. Em relação aos fatores socioeconômicos, a relação com a escolaridade e a renda foi clara. Os índices mais elevados de consumo concentraram-se em pessoas com menor nível de escolaridade e em famílias com renda de até dois salários mínimos.
No que diz respeito especificamente à cocaína, o estudo mostrou que cerca de 9,3 milhões de brasileiros, ou seja, 5,38% da população, declararam ter usado a droga alguma vez na vida, contra 3,88% registrados em 2012. No entanto, o uso no último ano permaneceu estável em torno de 1,78%. Vale ressaltar que, entre aqueles que consumiram recentemente, quase metade relatou uso frequente, definido como diário ou mais de duas vezes por semana, o que implica um maior risco de complicações agudas e dependência.
Em relação ao crack, a pesquisa estimou que 1,39% dos brasileiros consumiram a droga pelo menos uma vez na vida e que 0,5% a consumiram no último ano, números que praticamente não mudaram em relação a 2012. No entanto, os pesquisadores alertaram que a amostra de usuários foi insuficiente para calcular com precisão a prevalência de transtornos associados a essa substância.
Além dessas tendências, o estudo incorporou pela primeira vez um módulo sobre a percepção do tráfico de drogas nas comunidades. De acordo com os resultados, quase 44% dos brasileiros percebem que o tráfico de drogas é frequente em seus bairros, especialmente nas regiões Sudeste e Norte, bem como nos grandes centros urbanos.
Por fim, soma-se a esse cenário a ameaça dos superopioides, como os nitazenos, até 50 vezes mais potentes que o fentanil, que já foram detectados em apreensões recentes e que, misturados com outras drogas, geram riscos mortais. A isso se soma o impacto persistente do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, configurando para o Brasil um duplo desafio na área da saúde pública.
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Governo do Acre sanciona lei que cria o Dia de Combate ao Feminicídio no calendário oficial do estado
Data será lembrada anualmente em 13 de abril, em referência ao caso da servidora Sara Araújo de Lima; objetivo é ampliar conscientização e fortalecer ações de prevenção à violência contra a mulher

O poder público poderá firmar parcerias com instituições de ensino e organizações para ampliar o alcance das ações
Lei institui data de conscientização e mobilização contra a violência de gênero no Acre
O governo do Acre sancionou a lei que cria o Dia de Combate ao Feminicídio, agora incluído no calendário oficial de eventos do estado. A medida foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (2).
A nova data será lembrada todos os anos em 13 de abril, em referência ao caso da servidora Sara Araújo de Lima, e tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a violência contra a mulher. De acordo com a legislação, a iniciativa busca incentivar o debate público e fortalecer ações de prevenção, além de dar maior visibilidade ao enfrentamento da violência de gênero.
A lei também prevê a realização de campanhas educativas, mobilizações sociais e atividades voltadas à conscientização, com participação de órgãos públicos e entidades da sociedade civil. Além disso, o poder público poderá firmar parcerias com instituições de ensino e organizações para ampliar o alcance das ações e fortalecer a rede de proteção às mulheres.
Importância da medida
A criação da data reforça a importância de políticas públicas voltadas à proteção, acolhimento e garantia de direitos das vítimas, além de estimular o engajamento da sociedade no combate ao feminicídio.

A nova data será lembrada todos os anos em 13 de abril, em referência ao caso da servidora Sara Araújo de Lima. Foto: captada
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“Autismo e Humanidade: toda vida tem valor” : 2/4 – Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo 2026
O autismo, também chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição do desenvolvimento do cérebro que afeta a comunicação, a interação social e os comportamentos

O Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, anualmente, foi designado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2007 para destacar a necessidade de aumentar a conscientização pública sobre o autismo.
Hoje, o movimento global expandiu-se para além da sensibilização, promovendo ativamente a aceitação, a valorização e a inclusão, reconhecendo as contribuições que as pessoas autistas fazem para as suas comunidades e para o mundo em geral.
Ao longo dos anos, progressos significativos foram alcançados, impulsionados em grande parte por aqueles que defendem os direitos das pessoas com autismo, que trabalharam incansavelmente para trazer as experiências vividas por elas para o centro dos debates mundiais.
Em 2026, a campanha será realizada sob o tema “Autismo e Humanidade: toda vida tem valor”, destacando a dignidade e o valor de todas as pessoas autistas como parte do futuro humano compartilhado.
Fundamentada nos princípios dos direitos humanos e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), esta visão considera crucial a inclusão da neurodiversidade para o desenvolvimento sustentável – quando as sociedades a abraçam, fortalecem a criatividade, a resiliência e a inovação, lançando as bases para comunidades mais justas, inclusivas e sustentáveis.
Ao afirmar que as vidas de pessoas autistas são parte integrante do progresso coletivo e da conquista dos ODS, a celebração clama por um futuro onde a diferença seja respeitada, a dignidade seja protegida e todas as pessoas possam prosperar.
O autismo, também chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição do desenvolvimento do cérebro que afeta a comunicação, a interação social e os comportamentos, influenciando a forma como a pessoa percebe, processa e interage com o mundo ao seu redor.
Ao longo das décadas, o TEA passou por diferentes classificações: inicialmente relacionado à esquizofrenia infantil, foi reconhecido nas décadas de 1970 e 1980 como um transtorno distinto do neurodesenvolvimento, com múltiplos níveis de intensidade e apresentações clínicas.
Em 2026, a campanha será realizada sob o tema “Autismo e Humanidade: toda vida tem valor”, destacando a dignidade e o valor de todas as pessoas autistas como parte do futuro humano compartilhado.
Fundamentada nos princípios dos direitos humanos e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), esta visão considera crucial a inclusão da neurodiversidade para o desenvolvimento sustentável – quando as sociedades a abraçam, fortalecem a criatividade, a resiliência e a inovação, lançando as bases para comunidades mais justas, inclusivas e sustentáveis.
Ao afirmar que as vidas de pessoas autistas são parte integrante do progresso coletivo e da conquista dos ODS, a celebração clama por um futuro onde a diferença seja respeitada, a dignidade seja protegida e todas as pessoas possam prosperar.
O autismo, também chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição do desenvolvimento do cérebro que afeta a comunicação, a interação social e os comportamentos, influenciando a forma como a pessoa percebe, processa e interage com o mundo ao seu redor.
Ao longo das décadas, o TEA passou por diferentes classificações: inicialmente relacionado à esquizofrenia infantil, foi reconhecido nas décadas de 1970 e 1980 como um transtorno distinto do neurodesenvolvimento, com múltiplos níveis de intensidade e apresentações clínicas.
É considerado um espectro porque se manifesta de formas diversas, com diferentes níveis de suporte necessários para cada pessoa.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o autismo não é uma doença e não tem cura. Trata-se de uma condição que acompanha o indivíduo ao longo da vida.
Globalmente, 1 em cada 127 pessoas recebe o diagnóstico de autismo, condição que está entre os 10 principais problemas cerebrais responsáveis por perda de saúde em todo o mundo.
No Brasil, o Censo Demográfico 2022, do IBGE, identificou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), o que
corresponde a 1,2% da população brasileira. A prevalência foi maior entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%): 1,4 milhões de homens e 1,0 milhão de mulheres foram diagnosticados com autismo por algum profissional de saúde. Entre os grupos etários, o de maior prevalência foi o de 5 a 9 anos (2,6%).
O TEA é hoje compreendido como parte dos transtornos do neurodesenvolvimento, reconhecendo a diversidade de sintomas, comorbidades e trajetórias individuais. Essa abordagem permite que intervenções e apoio sejam personalizados, considerando as potencialidades e necessidades de cada pessoa, ao mesmo tempo em que valoriza o diagnóstico precoce e a inclusão social.
Os sinais desta condição costumam ser observados na primeira infância, embora possam se tornar mais evidentes ao longo do desenvolvimento, especialmente quando as demandas sociais aumentam.
Identificar o transtorno precocemente é essencial para promover intervenções eficazes. Existem indicadores de desenvolvimento esperados em cada faixa etária, e há sinais de alerta quando esses marcos não são atingidos:
– 0 a 6 meses: contato visual, sorrisos sociais, atenção para rostos.
– 6 a 12 meses: balbucio, resposta ao nome, imitação simples.
– 12 a 24 meses: primeiras palavras, apontar para mostrar interesse, brincar de faz-de-conta simples.
– 2 a 3 anos: combinação de palavras, interesse por outras crianças, brincadeiras simbólicas.
Sinais de alerta para o autismo:
– Ausência de contato visual ou expressões faciais.
– Não responder ao nome até os 12 meses.
– Atraso na fala ou regressão de habilidades já adquiridas.
– Pouco ou nenhum interesse por interações sociais.
– Comportamentos repetitivos (como balançar o corpo ou alinhar objetos).
– Resistência a mudanças na rotina.
– Hiper ou hipossensibilidade a sons, luzes, texturas.
Obs.: Esses sinais não garantem o diagnóstico de TEA, mas indicam a necessidade de avaliação multiprofissional.
Ciclos de vida no TEA
– Infância: Crianças com TEA podem apresentar dificuldades na identificação e na expressão de emoções, o que pode gerar comportamentos desafiadores como birras, agressividade ou isolamento. Esses comportamentos estão ligados à dificuldade de lidar com frustrações e situações sociais. A intervenção precoce com estratégias definidas pela equipe multiprofissional que acompanha a criança é essencial para promover a autorregulação emocional. Histórias sociais elaboradas enquanto curtas narrativas e jogos com expressões emocionais auxiliam a criança a compreender situações sociais, sentimentos e reconhecimento de expressão de emoções básicas.
Diante disso, quanto mais breve for iniciada a intervenção, por meio de apoio psicossocial, mais resultados positivos a criança terá, no sentido da construção de sua identidade e controle de seus sentimentos.
– Adolescência: Os adolescentes passam por uma fase de significativas mudanças nos contextos hormonais, sociais, físicos e cognitivos e, com isso, a dificuldade em identificar e expressar emoções, podendo surgir auto cobrança, pressões por independência, aceitação e autoestima, aumento de comportamentos relacionados a ansiedade e até isolamento social.
É importante focar na saúde mental, na construção da identidade e no apoio psicossocial durante a transição para a vida adulta, envolvendo o adolescente, a família e a escola no processo terapêutico, com acompanhamento psicológico contínuo, com ênfase na saúde emocional, orientação vocacional e formação da identidade.
– Vida adulta e envelhecimento: A busca por autonomia, inserção no trabalho e relações pessoais tornam-se situações prioritárias na fase adulta e ganham destaque. A pessoa com TEA nessa fase pode vir a enfrentar dificuldades com rotina flexível, sensibilidade a barulhos ou toques, ou dificuldade em lidar com emoções no trabalho ou nos relacionamentos, afetando suas relações e provocando sentimentos de solidão. Com o passar dos anos e o avançar da idade, os desafios emocionais podem persistir ou se intensificar.
No processo de envelhecimento, os desafios emocionais podem persistir ou se intensificar, exigindo apoio contínuo e ambientes previsíveis. Muitos desenvolvem comportamentos e rotinas rígidas, a depender de sua autonomia, do suporte recebido e se há outras comorbidades correlacionadas.
É recomendado o acompanhamento terapêutico contínuo, focado na autoconfiança, gestão da ansiedade e inclusão social e profissional.
tenção às crises
As crises são respostas involuntárias e intensas a sobrecargas sensoriais, emocionais ou de comunicação, resultantes de um limite extrapolado de estresse. Elas ocorrem quando o cérebro do indivíduo com TEA não consegue processar estímulos como luzes, sons, mudanças de rotina. Dividem-se em meltdown (explosão externa) e shutdown (desligamento interno).
A reação externa intensa caracteriza-se por gritos, choro, agressividade (consigo ou com outros), fuga ou agitação motora. É uma forma de liberar a sobrecarga acumulada.
A crise interna ocorre muitas vezes de forma silenciosa. A pessoa se isola, fica com o “olhar vazio”, deita-se no chão, congela ou para de falar, pois o sistema a “desliga” devido ao excesso de estímulos.
Ter a companhia de uma pessoa de confiança, ouvir música, utilizar recursos lúdicos e a imaginação, dentre outros, são alternativas eficazes em momentos de crise, cabendo um planejamento de estratégias junto aos familiares e cuidadores, respeitando a individualidade da pessoa com TEA.
Em casos de urgência envolvendo pessoas com TEA, o atendimento deve ocorrer em Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) ou para serviços hospitalares de urgência, excluindo hospitais psiquiátricos. O objetivo inicial é a estabilização do indivíduo, realização de diagnóstico preliminar e definição das necessidades de encaminhamento para serviços como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros Especializados em Reabilitação (CER), Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou hospitais.
Em casos de crise aguda, marcada por quadro de agitação psicomotora com necessidade de contenção, hiperatividade, inquietação, angústia, irritabilidade, fala em excesso ou atitude hostil, física e/ou verbal, ameaçadora ou em franca agressão, torna-se necessário acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), por considerar a situação de risco à pessoa.
Recomendações
– Prevenção: Identificar sinais de alerta (agitação, ruídos, isolamento).
– Ambiente: Reduzir estímulos (apagar luzes, diminuir o som, dar espaço).
– Segurança: Garantir que a pessoa não se machuque durante a explosão.
– Acolhimento: Oferecer um local calmo para a recuperação e não forçar o diálogo durante a crise.
Rede de Apoio e Intersetorialidade no Sistema Único de Saúde (SUS)
A Rede de Apoio e a Intersetorialidade são formas de organizar o cuidado em saúde, garantindo que as pessoas recebam atendimento completo e coordenado dentro do SUS. A Rede de Apoio é formada por diferentes serviços e ações que se conectam para acompanhar os usuários ao longo do tempo. Já a Intersetorialidade reconhece que a saúde não depende só do atendimento médico, mas também de fatores como moradia, alimentação, renda, educação e acesso a serviços básicos.
Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista, isso significa que o cuidado precisa envolver não apenas a saúde, mas também áreas como educação, esporte, lazer, assistência social e cultura. O atendimento deve garantir encaminhamentos rápidos, profissionais preparados para identificar sinais precoces do TEA, uso de terapias e tecnologias adequadas, além de acesso a atividades que promovam inclusão e qualidade de vida.
A Lei nº 12.764/2012 assegura às pessoas com TEA direitos como acesso à educação, trabalho, moradia, assistência social e previdência. Por isso, a saúde tem o papel de articular ações com os outros setores para facilitar esse acesso. Um exemplo é o Programa Saúde na Escola (PSE), que une saúde e educação, e pode incluir atividades sobre autismo junto à comunidade escolar, fortalecendo a cidadania e a inclusão.
Importante: O cuidado não se limita à pessoa com TEA: é essencial olhar para a saúde e o bem-estar dos cuidadores. Muitas vezes, mães e responsáveis ficam sobrecarregados quando não têm rede de apoio, o que pode gerar sofrimento para eles e para a criança. Por isso, é necessário cuidar tanto da criança quanto de quem cuida dela, fortalecendo os vínculos familiares e comunitários.
Onde buscar atendimento para pessoas com TEA no SUS:
– Unidades Básicas de Saúde (UBS);
– Centros de Atenção Psicossocial (CAPS/CAPSi);
– Centros de Especialidades / Policlínicas locais;
– Centros Especializados em Reabilitação (CER);
– Hospitais de referência.
Obs.: A disponibilidade dos serviços pode variar conforme o município; os serviços de saúde do SUS devem ser procurados na cidade ou região.
Celebração do Dia Mundial de Conscientização do Autismo
Em um momento em que a desinformação e a retórica retrógrada sobre a vida das pessoas autistas estão ressurgindo, o Instituto de Neurodiversidade (ION), apoiado pela ONU, promove um evento virtual alusivo à data, como um chamado à ação para que se superem as narrativas limitantes e reconheçam-se a dignidade inerente, a igualdade de direitos e o valor incondicional de cada pessoa autista.
Evento virtual “Autismo e Humanidade: toda vida tem valor”
Data: 2 de abril de 2026
Transmissão ao vivo pelo canal da ONU no YouTube e na plataforma WebTV
No Brasil, a campanha será comemorada com o tema: “Autonomia se constrói com apoio”, enfatizando que a autonomia autista exige suporte coletivo, inclusão e acessibilidade. Com o objetivo de promover a conscientização e a valorização das pessoas no espectro, foi escolhida a hashtag oficial #RESPECTRO, para ser utilizada nas redes sociais.

Fontes:
Autismo e Realidade (são Paulo – SP)
Canal Autismo
Ministério da Saúde
Organização das Nações Unidas (ONU)
Organização Mundial da Saúde (OMS)
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Brasil
UFAC abre concurso público para Técnicos Administrativos com 8 vagas e salários de até R$ 5,2 mil
Inscrições para cargos técnico-administrativos em educação vão de 6 de abril a 7 de maio; provas objetivas serão aplicadas no dia 31 de maio, nos campi de Rio Branco e Cruzeiro do Sul

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet. Foto: captada
A Universidade Federal do Acre (UFAC) publicou o edital nº 1/2026 para concurso público destinado ao preenchimento de oito vagas imediatas para cargos da carreira de Técnico-Administrativo em Educação (TAE), além da formação de cadastro de reserva. As oportunidades são para os níveis médio, técnico e superior, com lotação nos campi de Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
Cargos, vagas e remuneração
Os salários variam conforme o nível de classificação. Para cargos de nível D (médio/técnico), o vencimento básico é de R$ 3.181,39. Já para cargos de nível E (superior), o salário inicial é de R$ 5.215,39. Todos os aprovados recebem ainda auxílio-alimentação no valor de R$ 1.175,00, além de incentivos à qualificação, que podem acrescer de 25% a 75% à remuneração conforme a titulação.
O cadastro de reserva em cargos da carreira em educação com reserva de 5% das vagas para pessoas com deficiência, 25% para as pessoas pretas ou pardas, 3% para pessoas indígenas e 2% para pessoas autodeclaradas quilombolas. As inscrições começam dia 6 de abril. Encerra dia 07/05, data da prova dia 31/05, gabarito para o dia 01/07, com 8 vagas.
Edital UFAC: Vagas
Os interessados poderão concorrer aos seguintes cargos ofertados:
| Cargo | Requisitos | Vencimento Básico | Vagas Totais |
|---|---|---|---|
| Assistente em Administração | Ensino Médio Profissionalizante ou Médio Completo com experiência mínima de 12 meses | R$ 3.181,39 | 2 |
| Técnico em Agropecuária | Ensino Médio Profissionalizante na área ou Médio Completo com Curso Técnico e registro no conselho | R$ 3.181,39 | 1 |
| Técnico em Laboratório (Biologia) | Ensino Médio Profissionalizante na área ou Médio Completo com Curso Técnico e registro no conselho | R$ 3.181,39 | 1 |
| Bibliotecário-Documentalista | Curso Superior em Biblioteconomia ou Ciências da Informação e registro no conselho | R$ 5.215,39 | 1 |
| Museólogo | Curso Superior em Museologia e registro no conselho de classe | R$ 5.215,39 | 1 |
| Músico | Curso Superior em Música e registro no conselho de classe | R$ 5.215,39 | 1 |
| Nutricionista | Curso Superior em Nutrição e registro no conselho de classe | R$ 5.215,39 | 1 |
As oportunidades de ingresso são para candidatos de nível médio, técnico e superior, que terão salários de R$ 3.181,39 a R$ 5.215,39, mais benefícios como auxílio-alimentação de R$ 1.175,00 e outros, de acordo com a legislação em vigor.
Edital UFAC: Inscrição
As inscrições no concurso estão a cargo do Instituto ACCESS – www.access.org.br das 14h do dia 06 de abril até as 23h59min do dia 07 de maio de 2026, observado o horário local. A taxa de inscrição custa R$ 60,00 para cargos de níveis médio e técnico e R$ 100,00 para os cargos de nível superior.
Haverá isenção da taxa de inscrição no concurso público, os candidatos que se enquadrarem em uma das situações abaixo:
- que pertençam a família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), do Governo Federal;
- que sejam doadores de medula óssea em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde.
A isenção deverá ser solicitada no período de 06 a 07 de abril de 2026.
Provas
O concurso constará de prova objetiva com 60 questões, sendo:
| Disciplina | Nº de Questões | Peso por Questão | Pontuação Máxima |
|---|---|---|---|
| Língua Portuguesa | 10 | 2 | 20 |
| Informática Básica | 5 | 1 | 5 |
| Geografia e História do Acre | 5 | 1 | 5 |
| Legislação e Fundamentos da Administração Pública | 10 | 1 | 10 |
| Conhecimentos Específicos | 30 | 2 | 60 |
| TOTAL | 60 | – | 100 |
As provas objetivas serão realizadas no dia 31 de maio de 2026, nas cidades de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, das 08h às 12h para os cargos de Assistente em Administração, Técnico em Agropecuária, Técnico em Laboratório/Área: Biologia e das 14h as 18h para Bibliotecário documentalista, Museólogo, Músico e Nutricionista nos locais divulgados a partir do dia 25 de maio.
Os gabaritos preliminares das provas serão divulgados no dia seguinte ao da aplicação das mesmas.
Para ser aprovado, o candidato deverá obter 50% da pontuação máxima da sua prova objetiva e ter acertado, no mínimo, uma questão de cada prova.
O prazo de validade deste concurso público é de dois anos, contados a partir da data de homologação do resultado final. Esse prazo poderá ser prorrogado uma única vez, por igual período, a critério da Universidade Federal do Acre – UFAC.
Regime jurídico e validade
O regime de contratação é o estatutário, regido pela Lei Federal nº 8.112/1990. Os aprovados estarão sujeitos a estágio probatório de três anos e a permanência mínima na localidade de lotação por 36 meses, salvo exceções legais. O prazo de validade do concurso será de dois anos, a contar da homologação do resultado final, podendo ser prorrogado por igual período.
O concurso é organizado pelo Instituto Access, que pode ser contatado pelo telefone 0800 000 5799, WhatsApp (61) 99155-9112 ou e-mail [email protected]. Mais informações estão disponíveis no edital completo, publicado no Diário Oficial da União.

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