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Líder do Governo na Aleac aponta alternativa para fim dos conflitos em Xapuri

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Deputado Manoel Moraes concedeu entrevista ao repórter Jorge Natal

Manoel Moraes diz que o plantio e cultura do café seriam saídas econômica e fator de geração de renda para ex-seringueiros abandonados pelo poder público

Criada em 1990, a Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex) foi pioneira no Brasil no conceito de unidade de conservação de uso sustentável, no qual as populações tradicionais pudessem ter permissão de não só morar dentro da floresta mas também realizar o extrativismo de bens naturais, como a castanha, a seringa e até a madeira – desde que dentro de um plano de manejo sustentável. Tudo, aliás, como defendia o líder sindical Chico Mendes, abatido a tiros dois anos antes de criação da Reserva que leva o seu nome. Da forma como foi criada, a Resex daria a seus moradores produtos como a castanha, a borracha, o açaí, os óleos vegetais e até a madeira, tudo poderia ser explorado racionalmente.

O tempo mostrou que que isso não deu certo. Propalada como alternativa à proteção do meio ambiente, mesmo quando a derrubada de árvores e retirada de madeira for uma atividade comercial intensa, o chamado manejo florestal, pelo menos nas florestas do Acre, não passou de uma farsa e as pessoas que deveriam ser beneficiárias pela exploração econômica, além de abandonadas pelo poder público, ficaram cada vez mais pobres.

Para piorar a situação, os seringais de cultivo do Centro-Sul do País acabaram de vez de sepultar qualquer possibilidade de extração de borracha de forma comercial rentável. A também difundida bioeconomia foi outra falácia – ou seja, as indústrias de fármacos e cosméticos nunca se instalaram por estas paragens. Resumo da ópera: não existe possibilidade de se auferir renda, o governo federal não oferece alternativas e as populações tradicionais estão abandonadas à própria sorte. Fomos até Xapuri, cidade que voltou a ser palco de luta agrária, para conversar entre os ocupantes da Resex que, aos poucos, foram se tornando fazendeiros – mas, ainda assim criadores de gado em pastagem que deveriam ter permanecido como floresta em pé, para conversar com o deputado estadual Manoel Moraes (Progressistas), que é líder do governo do Estado na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).

Embora tenha nascido em Rio Branco, o parlamentar é radicado há muitos anos no município e, além disso, tem como principal ação parlamentar as causas do homem do campo. Moraes também é fiscal ambiental de carreira do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama, autarquia federal que tem como missão primordial proteger o meio ambiente, garantir a qualidade ambiental e assegurar a sustentabilidade no uso dos recursos naturais. Em sua casa, ele nos concedeu esta entrevista.

O Aquiri – Como a política entrou na sua vida?

Manoel Moraes – A política faz parte da vida da gente e eu sempre ajudei as pessoas. A gente se ressentia de uma boa representação tanto no parlamento quanto aqui no executivo. Eu perdi duas eleições: uma para deputado estadual e outra para prefeito. Depois que ganhei a primeira eleição em 2010, não perdi mais de lá para cá. Já são quatro mandatos consecutivos.

A política, para mim, é um instrumento de transformação quando colocada verdadeiramente a serviço do povo.”

Deputado Manoel Moraes é o líder do Governo na Aleac

Aquiri – Quais são as principais bandeiras de luta do seu mandato? Manoel Moraes – Ao longo da minha trajetória como deputado estadual, sempre pautei minha atuação pelo compromisso com os que mais precisam, em especial o homem e a mulher do campo, que enfrentam desafios diários para produzir e sustentar suas famílias. A política, para mim, é um instrumento de transformação quando colocada verdadeiramente a serviço do povo. Por isso, tenho atuado com responsabilidade nos 22 municípios do Acre, com destaque para Xapuri, onde destino emendas todos os anos para melhoria da infraestrutura da cidade, entre outras áreas essenciais. Durante minha trajetória política, em prol do povo xapuriense, tenho lutado pela construção da ponte da Sibéria. Um sonho histórico da população, e que em breve se tornará realidade juntamente com a estrada da variante.

O Aquiri – E como é ser líder do governo? Liderar uma bancada que só diz amém ao Governo é bom para o seu mandato? Manoel Moraes – Como líder do governo na Aleac, tenho buscado sempre o equilíbrio e o diálogo entre os poderes, representando o povo dentro dessas articulações, construindo soluções em parceria com o governador Gladson Cameli e com a vice-governadora Mailza, que têm demonstrado compromisso com as pautas dos municípios e com o desenvolvimento regional. Meu mandato também tem se dedicado a outras cidades, como Tarauacá, Mâncio Lima, Bujari, e às demais destino recursos para áreas essenciais como saúde, educação, assistência social e infraestrutura. Dizem que existe uma “maldição” do líder do governo não se reeleger e até encerrar a sua carreira política. Acredito que isso não irá acontecer, mas admitir que é uma função muito espinhosa.

O Aquiri – O senhor é um dos políticos que mais luta pela regularização fundiária. Comente sobre isso Manoel Moraes – Uma das causas que abracei com mais firmeza foi a da regularização fundiária, tanto nas áreas urbanas quanto nas áreas rurais. A falta de segurança jurídica tem travado o progresso de muitas famílias e comunidades que esperam, há décadas, pelo reconhecimento oficial de suas terras. Como resposta a essa realidade, propus e conseguimos aprovar a Lei nº 4.587, que foi sancionada pelo governo do Estado e garante a redução do prazo mínimo de ocupação para a regularização dos polos e quintais agroflorestais. Isso significa justiça para centenas de produtores, que antes eram penalizados pela burocracia, agora têm a chance de finalmente ter acesso ao título definitivo de suas terras. Cerca de 70% das propriedades no Acre não possuem documentação.

O Aquiri – Logo após a morte do Chico Mendes, o senhor veio coordenar o Ibama aqui em Xapuri. Como sobre isso. Manoel Moraes – A classe dos trabalhadores rurais e dos fazendeiros eram muito fortes e me jogaram aqui em Xapuri, que é uma localidade complexa. Por ter uma origem humilde e ter trabalhado na extinta Sudhevea (Superintendência da Borracha), tive algumas facilidades e ganhei o respeito das duas classes. Fui chefe aqui no município por dez anos e depois fui responsável pela fiscalização no Acre. Eu trabalhei na primeira picada da Resex. Alguns anos depois, que vim para o ICMBio

*”O morador, por não conseguir mais viver do extrativismo, teve que desmatar para buscar outras fontes de renda. O gado virou alternativa porque é uma fonte de renda segura para as famílias ”

Manoel Moraes nasceu em Rio Branco mas radicou-se em Xapuri

O Aquiri – O que está acontecendo aqui na zona rural de Xapuri?

Manoel Moraes – Isso é uma coisa altamente complexa. A Resex é do lado esquerdo de quem desce o rio e do lado direito de quem sobe. Apenas num local ela atravessou o Rio Acre e justamente onde está acontecendo essa confusão. As pessoas não sabiam que área era protegida e pensavam que era reserva de uma fazenda. A Resex foi criada em 1990, mas vieram colocar só 2006. Foram isso tem outro problema. O morador, por não conseguir mais viver do extrativismo, teve que desmatar para buscar outras fontes de renda. O gado virou alternativa porque é uma fonte de renda segura para as famílias. É preciso criar reservas e protegê-las, mas precisamos defender quem mora nela. Essa conta não está fechando. Existe um limite para a criação de gado, porém quem tem dez cabeças hoje, quer ter vinte amanhã e assim por diante, o que é natural no empreendedorismo rural. Existem casos de duas gerações ocupando a terra. Precisamos urgentemente de alternativa para esses moradores. Eu acredito que o café seja uma delas, mesmo porque essa cultura não vai trazer danos para o meio ambiente.

O Aquiri – Por que não existe uma única agroindústria em Xapuri? Manoel Moraes – Para existir indústrias é preciso ter matéria prima em escala, ou seja, produção. Em nossa região, a pecuária já está consolidada. Podemos usar os 20% permitido em lei e diversificar a produção de culturas vocacionais, principalmente com a sensação do momento que é o café. Quem vai resolver o problema de Xapuri e do Acre são os produtores rurais e uma cultura empreendedora. Mesmo com uma terra boa e um povo trabalhador, existem poucos estudos e investimentos nas nossas cadeias produtivas.

 

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Prefeitura de Rio Branco lança editais do Carnaval Rio Branco Folia, Tradição e Alegria 2026 com aumento histórico na premiação

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O evento foi realizado no auditório da Prefeitura e marcou o anúncio do aumento significativo no valor total da premiação, que chega a R$ 45 mil, reafirmando o compromisso da gestão municipal com a valorização da cultura popular

A Prefeitura de Rio Branco lançou oficialmente, nessa terça-feira (13), os editais para os desfiles de Blocos Carnavalescos e para o concurso das Realezas do Carnaval Rio Branco Folia, Tradição e Alegria 2026. O evento foi realizado no auditório da Prefeitura e marcou o anúncio do aumento significativo no valor total da premiação, que chega a R$ 45 mil, reafirmando o compromisso da gestão municipal com a valorização da cultura popular.

Durante a coletiva, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, destacou o retorno dos desfiles de blocos carnavalescos à Avenida Getúlio Vargas e ressaltou a importância do incentivo público aos fazedores da cultura.

O prefeito de Rio Branco destacou o retorno dos desfiles de blocos carnavalescos à Avenida Getúlio Vargas e ressaltou a importância do incentivo público aos fazedores da cultura.(Foto: Val Fernandes/Secom)

“O Carnaval é uma das maiores manifestações populares do país e, em Rio Branco, não é diferente. Resgatamos essa festa no centro da cidade e agora ampliamos o apoio aos blocos e às realezas. Esse aumento na premiação é uma forma de reconhecer o esforço e os custos que os blocos têm para se organizar. Quem faz a festa são eles e o poder público tem o dever de valorizar isso”, afirmou o prefeito.

O diretor-presidente da Fundação Garibaldi Brasil (FGB), Klowsbey Viegas Pereira, explicou que os editais garantem legalidade, transparência e organização aos concursos, além de assegurarem a estrutura necessária para a realização do evento com segurança.

O diretor-presidente da Fundação Garibaldi Brasil (FGB), Klowsbey Pereira, explicou que os editais garantem legalidade, transparência e organização aos concursos, além de assegurarem a estrutura necessária para a realização do evento com segurança. (Foto: Val Fernandes/Secom)

“Estamos cumprindo todas as exigências legais para dar início à nossa grande festa. O Carnaval 2026 trará novidades importantes, como o retorno dos desfiles à Avenida Getúlio Vargas, e será ainda mais bonito do que nas edições anteriores realizadas na Praça da Revolução”, destacou.

As inscrições para os concursos de blocos carnavalescos e das realezas começam nesta sexta-feira (16) e podem ser feitas presencialmente na sede da Fundação Garibaldi Brasil – que fica na rua Goldwasser Santos – Bosque.

O vice-prefeito Alysson Bestene ressaltou o impacto positivo do Carnaval na economia local e na convivência familiar. (Foto: Val Fernandes/Secom)

O vice-prefeito Alysson Bestene ressaltou o impacto positivo do Carnaval na economia local e na convivência familiar. “Eventos como esse fortalecem o comércio, geram renda, oportunidades de trabalho e proporcionam momentos de lazer para as famílias. O sucesso de eventos anteriores mostra que estamos no caminho certo, promovendo cultura, segurança e desenvolvimento econômico”, afirmou.

Representantes dos blocos carnavalescos também participaram do lançamento. As rainhas de bateria Karol Bombom, do bloco Sambase, e Andressa Pink, do bloco Unidos do Fuxico, destacaram a importância do Carnaval como expressão cultural, identidade e fortalecimento da participação feminina na festa.

“É algo que vem no sangue, significa força, também representa atividade, principalmente enquanto mulher. E estar ali representando uma figura feminina dentro do Carnaval, para mim, é algo muito importante”, enfatizou a rainha do bloco Sambase. (Foto: Val Fernandes/Secom)

“É algo que vem no sangue, significa força, também representa atividade, principalmente enquanto mulher. E estar ali representando uma figura feminina dentro do Carnaval, para mim, é algo muito importante e faz parte da minha vida. Não existe Karol Bombom sem Carnaval”, enfatizou a rainha do bloco Sambase, que afirmou ainda que não sabe se vai disputar como Rainha do Carnaval.

“Eu sou uma pessoa que eu gosto de viver de emoções, brasileira nata que deixa tudo para cima da hora, então ainda não foi decidido, mas pode acontecer”, completou Karol Bombom.

Andressa Pink, a rainha de bateria do bloco Unidos do Fuxico afirmou que ama estar à frente da bateria de seu bloco como rainha e, assim como sua colega não vai disputar para Rainha do Carnaval. (Foto: Val Fernandes/Secom)

Andressa Pink, a rainha de bateria do bloco Unidos do Fuxico afirmou que ama estar à frente da bateria de seu bloco como rainha e, assim como sua colega não vai disputar para Rainha do Carnaval.

“Carnaval para mim é uma coisa maravilhosa uma coisa que eu sempre gostei muito é um momento de se divertir de curtir bastante de se entregar 100%, dar o seu coração, para mim o carnaval é mais focado no desfile dos blocos, que eu foco muito, eu amo estar ali à frente do meu bloco amo estar à frente da minha bateria e é isso, é maravilhoso. É muito bom a prefeitura ter trazido novamente o carnaval aqui para o centro, que aí vem mais pessoas, que curtam bastante, são dias maravilhosos de muita curtição e muita alegria”, frisou Pink.

Programação do Carnaval da Família 2026

  • 13 de fevereiro: Escolha da Rainha do Carnaval e do Rei Momo
  • 14 de fevereiro: Escolha da Rainha Gay e da Rainha Trans
  • 15 de fevereiro: Desfile dos blocos Unidos do Fuxico e Sambase
  • 16 de fevereiro: Desfile dos blocos Sem Limites e Seis é Demais

Os desfiles terão início às 19h30, na Avenida Getúlio Vargas.

Premiação dos Blocos Carnavalescos

  • 1º lugar: R$ 20 mil
  • 2º lugar: R$ 10 mil
  • 3º lugar: R$ 6 mil
  • 4º lugar: R$ 5 mil
  • 5º lugar: R$ 4 mil

Total da premiação: R$ 45 mil

Premiação do Concurso das Realezas

  • 1º lugar: R$ 4.350,00
  • 2º lugar: R$ 2.550,00
  • 3º lugar: R$ 1.500,00

A Prefeitura de Rio Branco reafirma seu compromisso com a promoção da cultura, o fortalecimento da economia local e a valorização das manifestações populares que fazem parte da identidade do povo acreano.

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Imunização de Assis Brasil é destaque no Alto Acre e celebra resultados em reunião de alinhamento para 2026

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A Coordenação Municipal de Imunização de Assis Brasil realizou, nesta semana, uma importante reunião de agradecimento e alinhamento estratégico com a equipe de vacinadores e profissionais da rede municipal de saúde. O encontro marcou o encerramento do ciclo de ações de 2025 e deu início ao planejamento das estratégias de imunização para o ano de 2026.

O principal objetivo da reunião foi reconhecer o empenho e a dedicação dos profissionais que garantiram ao município o título de maior cobertura vacinal do Alto Acre em 2025, alcançando e, em diversos imunobiológicos, superando as metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Graças ao trabalho integrado da equipe, Assis Brasil obteve resultados expressivos em vacinas estratégicas do calendário nacional, como:

•BCG

•Pneumo 10

•Meningo C

•Tríplice viral (1ª dose)

•DTP

•Pólio VIP

•HPV

Esses avanços representam mais proteção à população, fortalecem a prevenção de surtos e garantem maior segurança sanitária para o município.

Durante a reunião, o Diretor Municipal de Imunização, Missias da Costa, destacou que os resultados alcançados são fruto de um trabalho que vai além da sala de vacina, contando com o apoio de diversos setores da Secretaria Municipal de Saúde. O diretor ressaltou o papel fundamental dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e das equipes que atuam diariamente nas unidades de saúde do município, contribuindo de forma direta para o alcance das metas.

A Prefeitura de Assis Brasil, por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Assis Brasil, tem sido peça-chave nesse avanço, garantindo apoio institucional, planejamento estratégico e melhores condições de trabalho às equipes. O compromisso da gestão municipal com a saúde pública reflete-se nos investimentos contínuos em ações preventivas e na valorização dos profissionais, resultando em uma cobertura vacinal de excelência.

O encontro também foi um momento de alinhamento das metas para 2026, com foco no fortalecimento de estratégias como:

•Vacinação nas escolas, por meio do Programa Saúde na Escola (PSE);

•Ações extramuros;

•Busca ativa de faltosos;

•Intensificação da vacinação em áreas rurais;

•Ampliação da cobertura da vacina contra o HPV em adolescentes.

 

A reunião reforçou ainda o compromisso da gestão municipal com a valorização dos profissionais da imunização, reconhecendo que o sucesso do programa é resultado direto do trabalho técnico, humano e responsável de cada servidor.

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Defesa Civil de Rio Branco já retirou 18 famílias de áreas de risco desde janeiro

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Alagamentos, desmoronamentos e chuvas intensas mantêm capital em alerta; rios nas cabeceiras devem influenciar nível do Rio Acre nos próximos dias

Foto: ac24horas

O coordenador da Defesa Civil Municipal de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, informou que 18 famílias já foram removidas de áreas de risco desde o início de janeiro em razão de alagamentos e desmoronamentos provocados pelas fortes chuvas na capital acreana. A declaração foi feita em entrevista ao repórter David Medeiros, do ac24horas Play, nesta quarta-feira (14).

As famílias foram encaminhadas para aluguel social transitório, por meio de ação conjunta entre a Defesa Civil e a Secretaria Municipal de Assistência Social, após a constatação de que não havia condições seguras de permanência nos imóveis atingidos.

“São famílias impactadas por alagamentos de igarapés e por desmoronamentos, consequência direta do excesso de chuvas”, explicou Falcão.

Segundo o coordenador, o encaminhamento segue critérios técnicos rigorosos. Inicialmente, a família indica um local para moradia temporária; em seguida, o imóvel de origem passa por vistoria da Defesa Civil, que avalia a impossibilidade de retorno; por fim, é realizada avaliação socioeconômica pela Assistência Social. “Muitas dessas casas, mesmo após a vazante, ficam estruturalmente comprometidas e com risco iminente de desmoronamento”, afirmou.

Os desmoronamentos foram registrados principalmente nos bairros Preventório, Aeroporto Velho, Mocinha Magalhães e Parque das Palmeiras. Em outras áreas, embora não tenha ocorrido colapso total, o risco permanece elevado, exigindo monitoramento constante.

Falcão também atualizou a situação dos abrigos emergenciais construídos no Parque de Exposições a partir de dezembro de 2025. Ao todo, foram construídos 74 abrigos pela Secretaria Municipal de Infraestrutura. Durante o período mais crítico, 156 famílias foram retiradas de áreas de risco, sendo 103 acolhidas em escolas devido às enxurradas.

“Restou um saldo de 53 famílias, e por isso construímos pelo menos 20 abrigos a mais do que o necessário naquele momento. Caso o Rio Acre volte a atingir a cota de transbordamento, de 15,40 metros, ainda teremos estrutura para atender a população”, garantiu.

Segundo o coordenador, em situação de emergência, é possível construir até 50 abrigos em 24 horas, seguindo orientação do prefeito Tião Bocalom.

Chuvas nas cabeceiras elevam preocupação

A Defesa Civil segue atenta ao comportamento dos rios nas cabeceiras. Em Brasiléia, o nível subiu 3,5 metros nas últimas 24 horas, situação semelhante à registrada em Xapuri, além da elevação do Rio Xapuri e do Riozinho do Rola, considerado um dos mais perigosos para a capital.

Apesar de Brasiléia já apresentar vazante, a preocupação é com o volume de água que ainda deve chegar a Rio Branco. “Essa água leva cerca de 60 horas para chegar e pode elevar ainda mais o nível do Rio Acre”, explicou Falcão.

A previsão da Defesa Civil é de que o impacto mais significativo ocorra a partir de sexta-feira, considerando o tempo de deslocamento das águas: Assis Brasil (72h), Brasiléia (60h), Xapuri (48h), Capixaba (24h) e Riozinho do Rola (3h).

Solo saturado agrava cenário

O coordenador destacou ainda que o solo de Rio Branco está cerca de 90% saturado, o que agrava a situação. “As chuvas intensas, como os 20,8 milímetros registrados na terça-feira, fazem com que a água escoe diretamente para os igarapés e para o rio, impedindo a vazante”, concluiu.

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