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Kara-France minimiza pressão de mexicanos na luta com Moreno no UFC 277: “É onde cresço”

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O neozelandês Kai Kara-France estava no lugar certo na hora certa. Após emendar três vitórias seguidas no peso-mosca, ele achou que ainda teria que esperar pela quarta luta entre Deiveson Figueiredo e Brandon Moreno, mas a boa notícia chegou antes. Com o brasileiro campeão da divisão até 56,7kg machucado, Kara-France ganhou a vaga e agora vai enfrentar o mexicano e ex-campeão no próximo sábado, em Dallas, no UFC 277.

– Depois da minha última luta, em março, o matchmaker me disse que eu era o próximo. Sabia que iria enfrentar o vencedor da quarta luta entre Deiveson e Moreno. Me mantive pronto, voltei para a academia e continuei treinando. E então recebi uma ligação do meu empresário dizendo que esta luta não aconteceria. Eles queriam que eu lutasse com o Brandon pelo interino. O título mundial interino ainda é um título mundial – disse o lutador de 29 anos ao Combate.

Kai Kara-France encara Brandon Moreno na co-luta principal do UFC 277 — Foto: Evelyn Rodrigues

Kai Kara-France encara Brandon Moreno na co-luta principal do UFC 277 — Foto: Evelyn Rodrigues

Com triunfos contra Rogério Bontorin, Cody Garbrandt e Askar Askarov nas últimas apresentações, Kara-France atingiu a segunda posição no ranking peso-mosca. No sábado, contra Moreno, ele sabe que terá que encarar uma torcida fervorosa a favor do rival. Nada que o deixe apreensivo.

– Me sinto ótimo em Dallas, foi um longo caminho desde lá de casa, mas tudo aqui é exatamente o que eu esperava ao entrar num território hostil. Sei que um monte de mexicanos estará lá no sábado, pois é perto da fronteira com o México, mas eles serão bem vindos. Como eu disse antes, é algo que eu esperava, energia boa ou ruim. Me alimento disso. Quanto mais pressão, mais olhos em mim, é onde cresço. Então estou ansioso por esse desafio.

Mas o desafio de enfrentar Brandon Moreno não será novo. Kara-France perdeu para o mexicano em Las Vegas, no UFC 245, em 2019. O rival venceu na decisão unânime dos juízes. Dessa vez, em cinco rounds na co-luta principal do UFC 277, o neozelandês promete ser cerebral.

– Acertei alguns golpes logo no início e o derrubei duas vezes. Me sinto muito bem, muito rápido, e quando ele estiver correndo e tentando levar a luta para ele é quando vou passar por ele. Acho que isso é o que será diferente, meu QI de luta. E se essa for uma guerra de cinco rounds, vou estar pronto para ela.

Kai Kara-France perdeu para Brandon Moreno no UFC 249, em 2019, por decisão unânime — Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC

Kai Kara-France perdeu para Brandon Moreno no UFC 249, em 2019, por decisão unânime — Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC

O apetite de Kara-France também promete ser grande no sábado. Brando Moreno já foi campeão peso-mosca, enquanto o neozelandês quer levar para sua academia, a City Kickboxing, o terceiro cinturão do UFC e se juntar a Israel Adesanya e Alexander Volkanovski.

– Brandon teve o gosto de ser um campeão mundial, então ele está faminto para ter o cinturão de volta. Ele vai estar na minha frente, mas não quer tanto quanto eu quero. Tenho trabalhado toda minha vida por isso. É tudo uma questão de tempo e essa é a minha hora. Ele foi um campeão, teve que mudar seu camp, fez algumas mudanças, e eu não mudei nada no meu camp. Sempre treinei na City Kickboxing e acredito no processo. Nós temos campeões mundiais na nossa academia, Israel e Alex. Então, me motivo com isso. Eles me dão a confiança sabendo do que eu preciso. Vou ser o terceiro campeão da City Kickboxing no sábado.

O campeão interino terá o cinturão colocado na cintura, mas uma missão das mais complicadas ainda estará por vir. O caminho natural é que o vencedor no sábado encare no fim do ano Deiveson Figueiredo. O brasileiro, campeão da divisão, se recupera de lesões nas mãos. Kara-France acredita que os dois ainda se encontrarão, como já desejou o paraense.

– Ele tem falado de mim há um tempo, tem dito que sou o cara que ele quer lutar, acho que quer que eu vença neste fim de semana. Ele vai estar lá sentado curtindo o show, e quando for a hora certa nós vamos nos enfrentar. Espero que a gente possa fazer essa unificação no meu lado do mundo, na Austrália ou Nova Zelândia.

De fato, Deiveson Figueiredo é aguardado na primeira fila em Dallas, já de olho na promoção da luta seguinte. A previsão é que o brasileiro chegue na cidade nesta quinta-feira para participar do UFC 277.

– Uma luta entre eu e Figueiredo casa bem. São golpes poderosos, ambos buscam o nocaute, são explosivos. Será uma luta divertida. Os fãs vão adorar! Isso é algo que temos que esperar, mas eventualmente vai acontecer. Meu jogo casa bem com o dele. Sinto que quando encontrar o caminho, vou passar por ele. Tudo vai acontecer na hora certa. Sei que ele está machucado agora, não está em camp neste momento, então vai estar lá no sábado. Ele vai nos ver trabalhando e o que vou fazer ao vivo, e depois dessa luta vou desafiá-lo e então nós podemos marcar.

Alex Volkanovski, Israel Adesanya e Kai Kara-France: equipe City Kickboxing pode ter três campeões no UFC — Foto: Cameron Spencer/Getty Images for UFC

Alex Volkanovski, Israel Adesanya e Kai Kara-France: equipe City Kickboxing pode ter três campeões no UFC — Foto: Cameron Spencer/Getty Images for UFC

Deiveson já chamou o cinturão interino em disputa de “cinturão de plástico” ao criticar a decisão do UFC de não aguardá-lo e colocar Brandon Moreno e Kara-France para se enfrentarem. O neozelandês não acredita que o brasileiro esteja em posição de reclamar de algo enquanto se recupera sem uma previsão de retorno ao octógono.

– Ainda é um título mundial, não importa se é de plástico ou papelão. Ele pode sentar e curtir, e falar o que quiser, ele está machucado. Ele não tem que falar sobre o que o UFC está fazendo. Quando for a hora certa vamos nos encontrar. Então, sente lá e curta o show, coma sua pipoca. Não coma demais para manter seu peso baixo e vamos no ver em breve – concluiu.

No sábado, o Combate transmite o “UFC 277” ao vivo e com exclusividade a partir de 19h (horário de Brasília). O Combate.com transmite o “Aquecimento Combate” e as duas primeiras lutas a partir de 18h30, assim como o SporTV 3e o YouTube do Combate. O site acompanha o evento em tempo real.

UFC 277
30 de julho de 2022, em Dallas (EUA)
CARD PRINCIPAL (23h, horário de Brasília):
Peso-galo: Julianna Peña x Amanda Nunes
Peso-mosca: Brandon Moreno x Kai Kara-France
Peso-pesado: Derrick Lewis x Sergei Pavlovich
Peso-mosca: Alexandre Pantoja x Alex Perez
Peso-meio-pesado: Magomed Ankalaev x Anthony Smith
CARD PRELIMINAR (19h, horário de Brasília):
Peso-meio-médio: Alex Morono x Matt Semelsberger
Peso-leve: Drew Dober x Rafael Alves
Peso-pesado: Don’Tale Mayes x Hamdy Abdelwahab
Peso-leve: Drakkar Klose x Rafa Garcia
Peso-meio-médio: Michael Morales x Adam Fugitt
Peso-galo: Joselyne Edwards x Ji Yeon Kim
Peso-meio-pesado: Nicolae Negumereanu x Ihor Potieria
Peso-meio-médio: Orion Cosce x Mike Mathetha

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Patrulha Maria da Penha se consolida no Acre como símbolo de enfrentamento à violência doméstica

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Programa da segurança pública estadual atua na proteção e acompanhamento de mulheres vítimas de violência de gênero

Com variás atuações no Acre, Patrulha Maria da Penha se torna um marco na luta contra a violência de gênero. Foto: Sejusp

Uma das políticas públicas que simbolizam o enfrentamento à violência de gênero no Acre é a Patrulha Maria da Penha, iniciativa da segurança pública estadual que há mais de seis anos atua na proteção e acompanhamento de mulheres vítimas de violência doméstica no Acre.

Criada com o objetivo de garantir o cumprimento das medidas protetivas e oferecer suporte às mulheres em situação de vulnerabilidade, a Patrulha Maria da Penha atua de forma integrada com o Judiciário, o Ministério Público e a rede de assistência social. O trabalho consiste em visitas periódicas, monitoramento de casos e orientação sobre os direitos das vítimas, contribuindo para a prevenção de novos episódios de violência.

O programa é considerado um dos pilares das políticas de segurança voltadas às mulheres no estado e tem se consolidado como referência na proteção de vítimas de violência doméstica. A iniciativa reforça o compromisso do governo do Acre com a promoção de uma cultura de paz e respeito aos direitos humanos.

Ao longo desse período, o serviço tem se consolidado como uma das frentes mais importantes de prevenção à reincidência da violência e, consequentemente, de combate ao feminicídio. Foto: captada 

Criada em setembro de 2019, a patrulha tem como principal função fiscalizar o cumprimento de medidas protetivas de urgência, além de orientar e encaminhar as vítimas para a rede de proteção formada por instituições da Justiça, assistência social e segurança pública.

Ao longo desse período, o serviço tem se consolidado como uma das frentes mais importantes de prevenção à reincidência da violência e, consequentemente, de combate ao feminicídio.

Presença em várias regiões do estado

Atualmente, a Patrulha Maria da Penha já está presente em Rio Branco, Acrelândia, Plácido de Castro, Epitaciolândia, Brasiléia, Senador Guiomard, Bujari, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul, atuando em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre, por meio de termo de cooperação institucional.

Comandante-geral da PMAC, Marta Renata Freitas, ressaltou os avanços trazidos pela Patrulha. Foto: Sejusp

Quando a patrulha completou seis anos, em 2025, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, José Américo Gaia, em publicação da Agência de Notícias do Acre, destacou que a iniciativa representa um marco na proteção às mulheres no estado.

“A criação da Patrulha Maria da Penha é um passo significativo na proteção das mulheres, garantindo que elas tenham apoio e segurança em momentos de vulnerabilidade. Com essa iniciativa, reforçamos nosso compromisso de construir uma sociedade mais justa e igualitária”, afirmou.

Secretário de Estado de Segurança Pública, José Américo Gaia, destaca que a Patrulha Maria da Penha é um passo significativo na proteção das mulheres. Foto: Sejusp

Expansão para novos municípios

Apesar dos avanços, o desafio ainda é ampliar a presença da patrulha em todo o território acreano. Atualmente, o estado conta com núcleos em oito municípios, mas o objetivo é alcançar todos os 22 municípios. A coordenadora estadual da Patrulha Maria da Penha, tenente-coronel Cristiane, explica que a expansão vem ocorrendo de forma gradual, conforme a disponibilidade de efetivo e estrutura.

“A patrulha Maria da Penha está sediada em Rio Branco, mas atende todos os municípios do estado. Em seis anos, conseguimos ampliar para oito municípios e seguimos trabalhando para alcançar todo o Acre”, afirmou.

Segundo ela, o município de Xapuri está entre os que estão sendo avaliados para receber um núcleo da patrulha.

“O objetivo é instalar núcleos em todos os municípios, mas isso exige efetivo e estrutura. Xapuri é um dos locais que estão sendo estudados para receber a Patrulha Maria da Penha”, explicou.

As declarações da coordenadora da patrulha foram feitas durante visita a Xapuri, durante ações da Operação Mulheres, iniciativa integrada do Governo Federal voltada ao enfrentamento da violência de gênero. Durante a operação, equipes percorreram municípios do interior levando orientação, fortalecendo a rede de proteção e ampliando o diálogo com a população.

Durante o encontro em Xapuri a tenente-coronel Cristianere forçou a integração entre a política estadual de segurança pública e as ações desenvolvidas nos municípios do interior. Foto: captada 

Canais de denúncia

Além da atuação direta da patrulha, as autoridades reforçam a importância da denúncia para romper o ciclo de violência.

Entre os principais canais disponíveis estão:

190 – Polícia Militar, em casos de emergência

181 – Disque denúncia anônima

180 – Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas

Os serviços permitem que vítimas ou testemunhas denunciem casos de violência com segurança, contribuindo para a responsabilização dos agressores e para a proteção das mulheres.

Atuação da Patrulha Maria da Penha tem se extendido aos municípios do interior acreano, frisou tenente-coronel Cristiane. Foto: Meure Amorim

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Caçadores desaparecidos em Porto Walter são resgatados de helicóptero após cinco dias perdidos na mata

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Edson Nascimento de Araújo e Francisco Marcos da Silva Lima sobreviveram comendo frutas e seguiram igarapé até encontrar comunidade; bombeiros orientam uso de GPS offline e permanência no local em caso de desorientação

Os dois estavam em um grupo de cinco pessoas, o grupo foi dividido e Edson e Francisco se separaram dos demais. Foto: captada 

Os caçadores Edson Nascimento de Araújo, de 51 anos, e Francisco Marcos da Silva Lima, de 31, foram resgatados de helicóptero na tarde de sexta-feira (20) após se perderem em uma mata próximo ao Rio Cruzeiro do Vale, zona rural de Porto Walter, interior do Acre.

Os dois estavam em um grupo de cinco pessoas e saíram para a caçada na última segunda-feira (16). Na terça-feira (17), o grupo foi dividido e Edson e Francisco se separaram dos demais. Os caçadores fizeram um abrigo com palhas e combinaram de se reencontrar na manhã de quinta-feira (19).

Após retornarem para o ponto de encontro, os demais caçadores perceberam que Edson e Francisco tinham se perdido, voltaram para a comunidade e chamaram os bombeiros.

O Corpo de Bombeiros seguiu para o local na manhã de sexta-feira (20), mas, assim que iniciaram as buscas, foram informados de que os caçadores tinham sido achados e estavam em outra comunidade.

Conforme o comandante do 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Cruzeiro do Sul, major Josadac Cavalcante, os homens caminharam até a Comunidade Veneza após seguirem pelo Igarapé Natal, distante cerca de 32 km de onde moram.

Os caçadores não estavam machucados, mas desorientados e precisaram de atendimento médico. Sem condições para caminhar, os dois foram levados de helicóptero.

Relato dos caçadores

“Apesar das nossas buscas, eles conseguiram chegar até essa comunidade, onde foi pedido socorro de lá. Estavam bem, contudo, bastante cansados e sem ferimentos. Pegaram muita chuva e ficaram desorientados devido à falta de sol, que é como geralmente se orientam nas caçadas”, disse o major.

Ainda conforme o comandante, os caçadores contaram que passavam o dia andando e dormiam à noite desorientados sem perceber que iam e voltavam sempre para o mesmo lugar entre terça e quinta. “Já na sexta-feira conseguiram seguir pela praia do Igarapé Natal e chegaram até uma comunidade”, destacou.

Apesar de estarem com espingarda e fogo, os homens não encontraram nenhuma caça e se alimentaram apenas dos frutos achados na mata.

Orientações dos bombeiros

O major destacou que é indicado que os caçadores baixem o mapa no celular antes de saírem para as expedições.

“O GPS funciona sem internet e facilita bastante, contudo, ao se perderem, o indicado é permanecer o mais próximo do local da desorientação e ainda, caso achem algum igarapé, seguir sempre descendo, pois vai chegar a um igarapé maior e provavelmente terá uma comunidade por perto”, concluiu.

O Corpo de Bombeiros seguiu para o local na manhã de sexta-feira (20), mas, assim que iniciaram as buscas, foram informados de que os caçadores tinham sido achados e estavam em outra comunidade. Foto: captada 

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MPF denuncia dois homens por ocupação ilegal e desmatamento na Reserva Chico Mendes

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Operação Mezenga apreendeu mais de 1.400 cabeças de gado dentro da unidade de conservação; denúncia foi apresentada à Justiça na quinta-feira (19)

A reserva extrativista abrange os municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Sena Madureira e Xapuri e tem uso restrito a atividades extrativistas sustentáveis por populações tradicionais. Foto: captada

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia criminal contra dois homens por crimes cometidos durante a ocupação irregular da Reserva Extrativista Chico Mendes, no interior do Acre. A ação, protocolada na última quinta-feira (19), é resultado da Operação Mezenga, deflagrada pela Polícia Federal para apurar invasões, desmatamento e criação ilegal de gado na unidade de conservação.

Durante a investigação, a Polícia Federal apreendeu mais de 1.400 cabeças de gado dentro da reserva e em áreas adjacentes. A reserva extrativista, criada em 1990, abrange os municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Sena Madureira e Xapuri e tem uso restrito a atividades extrativistas sustentáveis por populações tradicionais.

Crimes apontados na denúncia

Na denúncia, o MPF aponta a prática de:

  • Invasão de terras da União

  • Prestação de informações falsas em cadastro ambiental

  • Desmatamento

  • Uso de fogo

  • Criação irregular de gado em área protegida

Localização da Reserva Extrativista Chico Mendes em relação a América do Sul, PanAmazônia e Estado do Acre. Fonte dados: IBGE e HyBAM.

Pedidos à Justiça

Além da condenação criminal pelos crimes ambientais, o MPF requereu à Justiça a desocupação das áreas invadidas e a proibição de atividades econômicas incompatíveis com a reserva, como a pecuária extensiva.

Acordos de não persecução penal

Outros três investigados que confessaram a prática dos fatos assinaram acordo de não persecução penal e assumiram obrigações voltadas à reparação dos danos causados e à regularização ambiental das áreas afetadas.

A Operação Mezenga foi deflagrada em agosto de 2024 e teve como foco o combate ao desmatamento e à grilagem na região da reserva. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos municípios de Rio Branco, Brasiléia, Sena Madureira e Xapuri.

Além da condenação pelos crimes, o MPF requereu à Justiça a desocupação das áreas invadidas e a proibição de atividades econômicas incompatíveis com a reserva, como a pecuária. Foto: captada

A Resex Chico Mendes

Com 931 mil hectares, a Reserva Extrativista Chico Mendes é uma unidade de conservação federal e está localizada no sudeste do Acre. A sua área se espalha pelos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Capixaba, Epitaciolândia, Rio Branco, Sena Madureira e Xapuri. Ela foi criada em 12 de março de 1990, a partir do Decreto Presidencial no 99.144.

É considerada uma UC emblemática não só por levar o nome do líder seringueiro Chico Mendes, mas também por ser o resultado da resistência e da organização dos povos da floresta pelo seu direito de permanecer e viver de modo tradicional, em meio ao avanço da agropecuária na Amazônia entre as décadas de 1970 e 1980.

A partir de sua criação – quase um ano e meio após o assassinato de Chico Mendes – as famílias tiveram o direito de ficar em suas respectivas colocações, adotando-se uma reforma agrária diferenciada para a Amazônia. Por este modelo, seria assegurado o direito de posse da terra com uma exploração sustentável dos recursos florestais e uma agricultura e criação de animais de base familiar.

Na denúncia, o MPF aponta a prática de invasão de terras da União, prestação de informações falsas em cadastro ambiental, desmatamento, uso de fogo e criação irregular de gado em área protegida. Foto: captada

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