Acre
Juíza faz “pente-fino” e não encontra dinheiro nas contas da Secretaria de Saúde do Acre
O fato é que, mesmo com a determinação judicial, a pasta não entregou os remédios às pacientes, nem pagou as multas relativas ao descumprimento da sentença. Com a desobediência, a juíza do caso, Isabelle Torturela, do Juizado Especial da Fazenda Pública da Comarca de Rio Branco, teria determinado um verdadeiro pente-fino nas contas da secretaria, mas nenhum dinheiro foi encontrado.
Num documento, obtido pelo ac24horas, a juíza do caso explica que a conta bancária em que buscou-se o dinheiro foi informada pela própria secretaria. Diante da negativa em sequestrar o dinheiro da pasta, a magistrada, insatisfeita, determinou que todas as demais contas em nome da Secretaria de Saúde, em qualquer que seja o banco, sejam verificadas e, em havendo valor necessário, tenham a quantia confiscada.
A situação, segundo paciente Jamile Romano, está insustentável. Por telefone, ela afirma que já não sabe mais o que fazer porque “nem a juíza eles estão obedecendo e a cada dia minha situação fica pior. Eu preciso do medicamento para controlar esse problema de saúde, mas, infelizmente, a secretaria não cumpre a decisão, não deixou dinheiro nas contas, nem dá satisfação e só mandam eu esperar”, conta.
Com o passar dos dias, e sem a medicação orientada pela médica que as acompanha, o quadro clínico das pacientes só piora. As dores e inchaços só aumentam à medida que as crises aparecem. É o que conta Bruna Colin, que descobriu ser portadora da doença há quatro anos, quando teve uma gravidez interrompida.
“Convivo com essa doença há quatro anos. Quando tenho crises fico de cama. Eu sei que a secretaria tem muita coisa para fazer, mas espero que eles resolvam o meu problema. Até hoje, por exemplo, nunca me procuraram ou disseram se vão pagar pelo menos a multa por não entregarem o medicamento. Já vai completar dois meses e nada de repassarem o remédio. Esse medicamento vai me ajudar muito, de verdade, não aguento mais tantas crises”, acredita.
JUIZA É DESMENTIDA
Procurada, a Secretaria de Saúde disse não ser verdadeira a afirmação de que não há dinheiro nas contas da instituição. A alegação, feita pela juíza Isabelle Torturela, nos autos do processo, foi duramente rebatida pelo secretário adjunto de Administração e Finanças, Kleyber Guimarães.
O órgão explicou em nota que mantém, sim, dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS) em contas bancárias. O gestor também afirmou que o “Estado atua para atender “ e “garantir o atendimento aos pacientes.”
Até a manhã desta quarta-feira, dia 2 de junho, o Tribunal de Justiça do Acre não havia se manifestado sobre o episódio, mas, segundo apurou o portal, o processo já está em fase de execução e um novo despacho deve ser dado a qualquer momento.
SOBRE O LÚPUS
O lúpus eritematoso sistêmico (LES ou lúpus) é uma doença autoimune, ainda de causa desconhecida, que pode afetar praticamente qualquer parte do corpo. O sistema imune dos indivíduos passa a não diferenciar suas próprias células de células ou outros organismos invasores. Como resultado, o organismo dos doentes passa a atacar sua próprias células, dando origem a inflamações e danos nos tecidos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3% da população mundial tem ou irá desenvolver o lúpus. A doença é mais comum entre mulheres negras e latinas. O tratamento precoce é de fundamental importância para garantir a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.
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Acre
Rios do Acre seguem acima da média histórica e mantêm autoridades em alerta no fim de janeiro
Boletim da Sema aponta níveis elevados nas principais bacias do estado, reflexo das chuvas intensas registradas desde o início do ano.

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Acre
Indígena Puyanawa fica ferido após disparo acidental durante caçada no interior do Acre
Espingarda teria caído e disparado acidentalmente na Terra Indígena, em Mâncio Lima; vítima sofreu fratura e foi levada ao Hospital do Juruá.

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Acre
Boletim indica precipitações intensas e continuidade das chuvas até fevereiro

O Acre enfrenta um dos meses de janeiro mais chuvosos dos últimos anos, com acumulados expressivos registrados em todas as regiões do estado. Dados do Boletim do Tempo nº 14, divulgado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) nesta segunda-feira (26), mostram que, entre 1º e 26 de janeiro de 2026, vários municípios ultrapassaram com folga as médias climatológicas esperadas para todo o mês.
Segundo o levantamento, Brasiléia lidera o ranking de chuva acumulada, com 670,8 milímetros, seguida por Rio Branco, que já soma 542,4 mm. Também se destacam os volumes registrados em Manoel Urbano (418,8 mm), Jordão (344,8 mm), Assis Brasil (308,4 mm), Xapuri (300,4 mm) e Porto Acre (299,4 mm). Em praticamente todos esses municípios, os índices superam as médias históricas para o período, reforçando o cenário de chuvas acima do normal em 2026.
Além dos dados por município, estações e comunidades rurais também registraram acumulados elevados. Locais como Colônia Dolores (388,2 mm), Seringal Guarany (343,6 mm) e Seringal São José (308,8 mm) figuram entre os pontos com maior volume de precipitação no início do ano, evidenciando que as chuvas têm sido bem distribuídas tanto em áreas urbanas quanto rurais.
Previsão semanal mantém cenário de muita chuva
A tendência, segundo a Sema, é de continuidade das chuvas nos próximos dias. A previsão semanal, válida para o período de 26 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026, indica volumes entre 50 mm e 150 mm em grande parte do estado. O prognóstico do modelo NCEP/GFS aponta ainda anomalia positiva de precipitação, ou seja, chuvas acima do esperado para esta época do ano em boa parte do território acreano.
Esse cenário reforça o estado de atenção das autoridades, especialmente em regiões cortadas por grandes rios, já que o excesso de chuva contribui para a elevação gradual dos níveis fluviais. Por outro lado, o volume elevado de precipitação ajuda a reduzir riscos ambientais associados à estiagem, como queimadas e incêndios florestais.
A Sema destaca que o monitoramento hidrometeorológico segue contínuo e que novos boletins serão divulgados para acompanhar a evolução das chuvas e seus impactos. A orientação é para que a população fique atenta aos comunicados oficiais, especialmente em áreas historicamente suscetíveis a alagamentos e cheias.


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