Brasil
ICMS sobe em 9 estados e no DF e pode impactar alimentos e combustível
Estados aprovaram o aumento do imposto sobre mercadorias e serviços como um reflexo da reforma tributária
Por Metrópoles
Nove estados brasileiros e o Distrito Federal aprovaram o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o que pode refletir nos preços da gasolina e dos alimentos.
O reajuste do imposto foi aprovado na Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia e Tocantins.
Confira os reajustes por estado:
- Bahia: 19% para 20,5%
- Ceará: 18% para 20%
- Distrito Federal: 18% para 20%
- Maranhão: 20% para 22%
- Paraíba: 18% para 20%
- Paraná: 19% para 19,5%
- Pernambuco: 18% para 20,5%
- Rio de Janeiro: 20% para 22%
- Rondônia: 17,5% para 19,5%
- Tocantins: 18% para 20%
Aumento dos combustíveis
Diferente do que acontece com os produtos e serviços, a tarifa no combustível é ad rem. Isso significa que a cobrança é realizada com valor único que incide sobre a quantidade de litros.
A alíquota fixa do ICMS terá aumento a partir de 1º de fevereiro. O preço do litro da gasolina sairá de R$ 1,22 para R$ 1,37 e o do diesel e biodiesel terá um aumento de R$ R$ 0,12, passando de R$ 0,94 para R$ 1,06.
“No caso do ICMS, por uma decisão do Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária], a alíquota fixa do imposto sobre a gasolina e etanol passará de R$ 1,22 centavo para R$ 1,37 centavo a partir de fevereiro, ou seja, um aumento significativo referente à pressão por parte dos impostos”, explica Renan Silva, professor de economia do Ibmec Brasília.
Apesar do aumento no ICMS em todos os estados, no tocante aos combustíveis o presidente do Corecon-DF, César Bergo, destaca que os preços da gasolina e do etanol também podem sofrer influência da logística de distribuição.
“O que difere e acaba impactando o preço dos combustíveis nos estados é a mistura do álcool e da gasolina, porque varia de preço de estado para estado. E tem também as questões de frete, o distanciamento dos centros de produção. Então vai ter estado que vai estar mais caro em função disso”, enfatiza César Bergo.
Reajuste dos alimentos
Quanto aos alimentos, o ICMS varia de acordo com o estado e o tipo de produto. No entanto, o consumidor final é afetado pelo aumento da alíquota em decorrência da cadeia de produção, como o frete.
César Bergo ressalta que os preços dos alimentos podem sim ser impactados, no entanto, não é possível traçar uma métrica, uma vez que é necessário avaliar a incorporação da nova alíquota ao mercado. “Uma alíquota que você aplica sobre o preço, então acaba tendo esse impacto”.
Os produtos da cesta básica, por exemplo, podem apresentar um percentual diferente. No Distrito Federal esses itens possuem uma alíquota mínima de 7%, que valerá até 2027. Nesta lista estão incluídos arroz, leite, café e outros tópicos essenciais.
Tentativa de reajuste
A Assembleia Legislativa de Goiás aprovou, no final do ano passado, o projeto de reajuste de 17% para 19%. O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) defendeu que o aumento seria uma reação a uma possível queda na arrecadação causada pela reforma tributária.
O Metrópoles procurou o governo de Goiás, que afirmou que o texto ainda não foi sancionado e a promulgação se dá pela Mesa Diretiva da Assembleia.
A Alego foi questionada sobre o aumento do ICMS, mas não respondeu se o valor será reajustado ainda neste ano.
Na contramão das demais unidades da Federação, a Assembleia Legislativa de Rondônia aprovou o projeto que reduz a alíquota do ICMS de 21% para 19,5%.
Culpa do populismo
O reajuste da alíquota do ICMS nos estados se dá como um reflexo da aprovação da reforma tributária, do governo federal, no ano passado. Segundo o Ministério da Fazenda, a proposta irá simplificar o sistema tributário brasileiro.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, declarou em novembro do ano passado que o reajuste do ICMS nos estados é um reflexo do “populismo” adotado pela gestão de Jair Bolsonaro (PL).
“Os governadores foram afetados por medidas populistas no meio do ano passado [2022], que foram as leis complementares que tomaram deles o ICMS sobre os combustíveis. Tomaram na mão grande. Ninguém [os governadores] ali participou disso”, disse o ministro. “Aquilo era populismo barato para tentar ganhar voto e ameaçar o processo democrático”, completou.
A reforma tributária substitui os tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS pelo Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), um dos temas de conflito entre os governos federal e estaduais.
O ICMS e ISS terão uma redução gradativa, de 2029 a 2032. A intenção do Executivo é apresentar propostas para evitar uma perda na arrecadação dos estados.
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Nikolas Ferreira se pronuncia sobre os três anos do 8 de Janeiro

Reprodução/Redes sociais
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) comentou, nesta quinta-feira (8/1), os três anos dos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele criticou as condenações impostas aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, afirmando que há desproporcionalidade nas penas e “injustiça” contra parte dos condenados.
“Qual, afinal de contas, era o crime que essas pessoas deveriam responder? Depredação de patrimônio público. Ponto. Eles quebraram, isso é crime e ninguém concorda com isso. Mas quando você pega a pena, ela é de seis meses a três anos. Essas pessoas deveriam estar livres hoje. Mas não estão”, disse.
Assista:
08/01 – e o que você tem a ver com isso? pic.twitter.com/UusENSyvpy
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) January 8, 2026
Ao todo, 1.734 pessoas foram denunciadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo 8/1. Dessas, 810 já foram condenadas, sendo 415 por crimes graves e 415 por crimes menos severos, como incitação e associação criminosa. Outras 14 foram absolvidas.
Além disso, 564 acordos de não persecução penal foram firmados, com medidas como prestação de serviços comunitários e cursos sobre democracia, resultando em ressarcimento superior a R$ 3 milhões aos cofres públicos. Ainda tramitam 346 ações penais em fase final e 98 denúncias, em sua maioria relacionadas a financiadores dos atos.
Nikolas questionou ainda o que considera disparidade entre as punições do 8 de Janeiro e casos de corrupção: “Quem você acha que atenta mais contra a democracia? Pessoas que depredaram patrimônio público ou políticos que colocaram milhões de reais em malas, foram condenados por corrupção e hoje estão livres?”.
Nikolas fala sobre Bolsonaro e veto ao PL da Dosimetria
O deputado disse que as condenações teriam como objetivo “colocar medo” na direita e afirmou que há perseguição política. Nikolas classificou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como “desproporcional”.
“Não é uma luta por A ou B. Não é: ‘porque você quer fazer tudo isso para livrar o Bolsonaro da cadeia’. Eu também acho a prisão dele completamente desproporcional, mas, em específico, essas pessoas que estavam ali no dia 8 são pessoas que estão sendo literalmente punidas para servir de exemplo, para colocar medo na direita. Afinal, se fosse de forma isonômica, igualitária, para realmente fazer justiça, seria preciso condenar também os ataques que aconteceram no Congresso pela esquerda em 2006, 2014 e 2017”, disparou.
Em 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou os mentores da trama golpista que culminou nos ataques de 8 de Janeiro. A Primeira Turma do STF apontou o ex-presidente Jair Bolsonaro como líder da organização criminosa que tentou o golpe de Estado. Ministros, chefes militares e autoridades públicas também foram condenados, marcando a primeira vez na história do país em que generais receberam condenação por tentativa de golpe.
Entre os condenados estão o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional; o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; e Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e então secretário de Segurança Pública do DF. Cinco policiais militares do Distrito Federal também foram condenados por omissão.
O parlamentar também criticou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto que tratava da dosimetria das penas relacionadas aos atos de 8 de Janeiro. O veto foi assinado nesta quinta-feira (8/1), durante um evento no Palácio do Planalto em memória dos atos antidemocráticos. Ele garantiu que o Congresso derrubaria a decisão do Executivo.
“Eu trabalhei ativamente para aprovar a urgência do PL da Anistia, e nós aprovamos com ampla maioria. Também aprovamos a dosimetria, que era o possível naquele momento e representava uma redução da dor dessas pessoas. Agora, o Lula veta, e eu não tenho dúvidas de que nós iremos derrubar esse veto no Congresso”, disse.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Após veto de Lula, relator da dosimetria no Senado protocola novo projeto de anistia

Waldemir Barreto/Agência Senado
O senador Esperidião Amin (PP-SC), relator do Projeto de Lei da Dosimetria, vetado nesta quinta-feira (8/1) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou um novo projeto que propõe o perdão total das penas aplicadas aos condenados pela trama golpista.
A proposta diz que “ficam anistiados os indivíduos processados ou condenados pelo Supremo Tribunal Federal por fatos relacionados aos eventos do dia 8 de janeiro de 2023, desde que as condutas possuam motivação política ou eleitoral, ainda que praticadas por meio de apoio material, logístico, financeiro, prestação de serviços, manifestações públicas, publicações em meios de comunicação social, plataformas digitais ou mídias sociais”.
Ao Metrópoles Amin afirmou que “não concorda” que a redução de penas fosse a “solução”. O senador acrescentou que defende a nulidade do inquérito que levou a condenações como a de 27 anos e 3 meses do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, um dos equívocos é o fato de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, alvo de um plano de assassinato relacionado à trama, ser o relator do caso.
“Se o processo é nulo, as penas não existem. A anistia é uma decisão do Congresso, assegurada pela Constituinte”, declarou o parlamentar.
Ainda não há previsão de quando o texto será analisado. Amin disse que, por ter protocolado a proposta nesta quinta-feira, ainda não houve tempo de conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável por despachar o texto às comissões.
O que diz o texto
A proposta também estabelece que a anistia alcance “quaisquer medidas de restrições de direitos”, inclusive aquelas impostas por decisões liminares ou sentenças, com recursos esgotados ou não, que limitem a liberdade de expressão e de manifestação em redes sociais. Na prática, a medida resultaria na restituição de contas e perfis que foram bloqueados ao longo das investigações.
O texto exclui do perdão:
- Violência física: crimes contra a vida e lesão corporal (agressões).
- Vandalismo qualificado: danos ao patrimônio histórico ou artístico, incêndio e explosão. Nesse caso, situações como a do homem que quebrou o relógio do Palácio do Planalto e da mulher que pichou a estátua da Justiça ficariam de fora.
- Crimes graves: terrorismo, tortura, tráfico de drogas e crimes hediondos.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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STJ nega liberdade a acusado por fraude de R$ 813 milhões via Pix

Felipe Menezes/Metrópoles
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, negou pedido de revogação da prisão preventivade um empresário acusado de integrar esquema de desvio de mais de R$ 813 milhões por meio do sistema de pagamentos instantâneos Pix. O caso envolve a apuração de crimes, como organização criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro.
A prisão preventiva do empresário foi decretada no curso da investigação policial que apura o ataque cibernético contra a C&M Software, empresa que presta serviços a diversas instituições participantes do chamado arranjo Pix – conjunto de regras e procedimentos do Banco Central para viabilizar o funcionamento do sistema.
Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, foi apontado que os criminosos invadiram o sistema da C&M Software e, passando-se por pessoas jurídicas, efetivaram mais de 400 transferências Pix fraudulentas, bem como realizaram a troca dos valores por criptomoedas, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos ativos.
O empresário investigado foi localizado e preso na Argentina, tendo sido posteriormente transferido ao Brasil, onde está preso em penitenciária em São Paulo.
Habeas corpus
O primeiro pedido de habeas corpus foi impetrado pela defesa do empresário no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), com indeferimento da liminar pelo relator. O mérito do habeas corpus ainda não foi analisado pelo colegiado do tribunal estadual.
No novo habeas corpus – desta vez dirigido ao STJ –, a defesa alegou falta de fundamentação concreta da decisão que manteve a custódia, sustentando que não estariam presentes os requisitos legais da prisão preventiva. Argumentou, ainda, que os fatos investigados não envolveriam violência ou grave ameaça, que o investigado possui condições pessoais favoráveis e que seriam suficientes medidas cautelares alternativas, como restrições de deslocamento e monitoramento eletrônico.
Ao analisar o caso, o ministro Herman Benjamin destacou que o STJ, salvo situações excepcionais, não pode examinar habeas corpus contra decisão que apenas indefere liminar no tribunal de origem, quando o mérito ainda não foi julgado. Segundo o presidente da Corte, aplica-se ao caso o entendimento consolidado na Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal, que impede a análise do pedido nessa fase processual.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL


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