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Fiéis lotam Catedral da Sé em missa para homenagear papa Francisco

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Os bancos e corredores da Catedral da Sé, no centro da capital paulista, ficaram lotados no início da tarde desta segunda-feira (21) para acompanhar a missa em homenagem ao papa Francisco, que morreu pela manhã. A missa, que teve início às 12h, foi celebrada pelo cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.
No altar, ao lado de muitas flores, estava uma foto do papa. “Hoje fomos surpreendidos com a notícia do falecimento do papa Francisco. O papa Francisco, se eu pudesse dizer, escolheu um belo dia para morrer: uma segunda-feira da Páscoa, para dizer que a morte é redimida pela vida e pela ressurreição”, disse o cardeal aos fiéis ao iniciar a celebração.
Durante a homilia, o cardeal exaltou a vida de Francisco e sua missão junto à Igreja Católica. “O papa Francisco deixou uma marca importante na vida da Igreja e da humanidade. Naturalmente, nesses dias se farão muitas análises sobre a vida e o pontificado do papa Francisco. Mas uma coisa é certa: primeiramente, ele foi uma pessoa muito humana. E assim foi até o final. Nunca escondeu sua condição humana, mesmo em sua fragilidade. Não escondeu sua condição de cadeirante, quando não pôde mais caminhar. Não escondeu sua condição de enfermo, quando já tomava medicamentos muito fortes para as dores que sofria e suas artroses. E, mesmo no hospital, durante as semanas de internação, ele pediu que não fosse escondida sua condição de enfermo”, disse o cardeal.

Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, preside missa homenagem ao papa Francisco na Catedral da Sé – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Para dom Odilo, o papa deixa um grande exemplo de vida para a humanidade.
“Desde os pobres, os idosos, as crianças não desejadas, passando pelos migrantes indesejados, pelos refugiados, por aqueles que economicamente não contam e por aqueles que, ideologicamente ou religiosamente, pensam ou fazem diferente de nós, o papa Francisco deixou muito forte essa mensagem: não podemos descartar a pessoa humana. Todos são sempre filhos de Deus e, quanto mais sofre ou quanto mais é frágil, tanto mais merece nossa atenção e nosso cuidado. A condição humana é sim, também uma questão de fragilidade, não só de força ou eficiência. Creio que essa é uma mensagem do papa Francisco, de que esse mundo precisa estar presente para não ficar um mundo desumano.”
A fala de dom Odilo foi acompanhada por uma multidão presente na Catedral da Sé para homenagear o papa. Entre esses fiéis estava Elza Rosa, de 74 anos. Em pé, esperando pelo início da missa, ela disse à reportagem que o papa “era uma pessoa excelente”.
“Está doendo muito. A gente ama muito ele. Ele era uma pessoa santa e muito querida. Ele foi muito bom para nós, para o Brasil e para o mundo”, disse.

Missa em em homenagem ao papa Francisco, na Catedral da Sé – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Também em pé, próximo ao altar, estava Milton Moreira, 80 anos, que destacou a humildade do papa. “Ele era tão humilde que ficou sempre ao lado dos mais necessitados. Ele deu a vida pela unidade e pela paz no mundo. É uma grandeza muito infinita.”
“O papa Francisco não tinha preconceito com nada”, ressaltou a consultora óptica Dina Cavallari, 60 anos.
“Desde a pessoa mais humilde, independente de crença ou de sexualidade, ele sempre teve uma mente muito aberta. Gostava dele porque ele apoiava todas as classes. A igreja lotada hoje dá uma demonstração de muito carinho e de uma perda muito grande para nós”, lamentou Dina Cavallari.
Para a consultora, o novo papa, que será escolhido em conclave, deve “ter um pensamento mais atual para dar seguimento ao que está acontecendo no mundo hoje e ser um papa atualizado com a situação em que o mundo se encontra”.
Coletiva
Pouco antes de celebrar a missa na Sé, o cardeal dom Odilo Scherer conversou com jornalistas e falou sobre a importância do papa Francisco para a Igreja Católica. “Nós temos muito agradecer a Deus pela vida do papa Francisco que foi escolhido como pontífice no Conclave 2013 e deu uma grande contribuição para a Igreja dar passos adiante na linha da prática do Concílio Vaticano II”, exaltou. “Um dos destaques desse pontificado foi a continuidade da implantação do Concílio Vaticano II no que diz respeito à própria Igreja, de tornar a Igreja realmente mais missionária, não voltada para dentro ou apenas cuidando de si, mas uma Igreja para o mundo.”

Dom Odilo Scherer destaca legado do papa Francisco – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Outro aspecto que ele citou como importante desse pontificado foi o de ter “coragem em tomar medidas novas, drásticas e fazer legislações novas para corrigir uma chaga moral existente no meio de membros do clero”.
Essas chagas, explicou depois o cardeal, se referem a denúncias de abusos e de pedofilia dentro da Igreja Católica. “O papa Bento XVI já levou muito a sério essas questões, por exemplo, de corrupção moral, pedofilia e abusos sexuais dentro do clero. O papa Francisco prosseguiu nisso e fez uma legislação para claramente limpar essas situações que, naturalmente, atingem uma porcentagem muito pequena no clero. Mas acaba que todo o clero leva a fama”, disse.
“O papa Francisco, justamente, pôs a mão nessa chaga e, felizmente, também com bastante firmeza e êxito. Mas isso não significa que isso está resolvido porque essa é uma condição humana que sempre pode voltar. Por isso mesmo requer tanto um cuidado com a escolha dos candidatos quanto cuidado na formação para que os sacerdotes não caiam nessa situação, não caiam nessa tentação”, completou.
Segundo ele, o papa Francisco também será lembrado por ter deixado como legado a escolha por cardeais de fora do eixo europeu. “O papa escolheu muitos cardeais de regiões mais periféricas da Igreja, até mesmo em países onde a presença da Igreja é mínima para dar ocasião de ouvir e de participar”, disse. “O papa Francisco se preocupou com as periferias do mundo. As periferias sociais, as geográficas e, até mesmo, as periferias econômicas e também dentro da igreja”, acrescentou.
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Gastos com viagens a serviço somam R$ 7 bilhões no governo Lula

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou R$ 7 bilhões com viagens a serviço nos três primeiros anos do terceiro mandato, segundo dados do Portal da Transparência analisados pelo Metrópoles. O valor inclui despesas de ministérios e órgãos federais, mas não considera viagens feitas diretamente pelo presidente.
Em 2025, o montante somou R$ 2,35 bilhões — uma redução de 1% em comparação ao ano anterior, quando o total registrado foi de R$ 2,37 bilhões. No entanto, a média dos gastos no terceiro mandato do petista segue superior aos governos anteriores.
Os R$ 7 bilhões gastos desde 2023 superam a soma dos seis anos que antecederam o governo Lula, de 2017-2022. Cabe ressaltar que, entre 2020 e 2021, as restrições impostas devido à pandemia de Covid-19 resultaram em uma queda nas viagens realizadas e, consequentemente, no valor gasto.
Veja a evolução, ano a ano, de recursos aplicados em viagens a serviço do governo federal:
Viagem a trabalho
- De acordo com as informações do Portal da Transparência, entre 2015 e 2025 o governo desembolsou R$ 16,1 bilhões com viagens a serviço.
- O ano de 2024 bateu recorde no período analisado: R$ 2,37 bilhões. Já 2020, que viveu o auge da pandemia, registrou o menor volume de gastos, de R$ 545 milhões.
- O valor engloba o pagamento de passagens, diárias e outros gastos, como restituições, taxa de agenciamento e demais serviços.
- O levantamento não inclui viagens realizadas pelo presidente.
- Ministérios da Justiça, Defesa e Educação lideram o ranking dos órgãos que mais gastaram em 2025.
Recortes
Do total desembolsado em 2025, a maioria foi destinada a deslocamentos dentro do país. Segundo o levantamento, as viagens nacionais somaram R$ 2,079 bilhões, enquanto as internacionais ficaram na faixa de R$ 276 milhões.
Os destinos mais frequentes foram São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Pará — sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em novembro. Já Sergipe, Amapá, Acre, Alagoas e Espírito Santo receberam menos visitas de representantes do Poder Executivo.
Entre os órgãos que mais gastaram, o Ministério da Justiça e Segurança Pública ocupa o primeiro lugar no ranking — R$ 396 milhões gastos em 2025. Em seguida vêm Defesa (R$ 311 milhões); Educação (R$ 304 milhões); e Meio Ambiente e Mudança do Clima (R$ 126 milhões).
Para classificar os gastos com ministérios, a reportagem levou em consideração os dados disponíveis na consulta detalhada do Portal da Transparência.
O que diz o governo Lula
Em nota, o Ministério do Meio Ambiente informou que o valor empenhado — ou seja, reservado para pagar — em 2025 foi de R$ 145,6 milhões, referente a gastos com diárias e passagens do órgãos e de entidades vinculadas, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O valor informado pelo ministério foi levantado junto ao Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP).
“Do montante mencionado acima, sob administração Direta do MMA foram gastos aproximadamente R$ 10,2 milhões. O uso desta quantia foi para coordenação, articulação institucional e participação em agendas técnicas e estratégicas fundamentais para a formulação de políticas públicas”, informou o ministério.
Ainda de acordo com o órgão, o maior volume de empenho — R$ 90,9 milhões — ocorreu por parte do Ibama, “pela necessidade operacional e descentralizada das atividades de campo do instituto”.
“Foram quase R$ 50,4 milhões aplicados nas ações em áreas federais prioritárias e R$ 24,8 milhões na fiscalização ambiental e de prevenção e combate a incêndios florestais. O ICMBio empenhou cerca de R$ 43,1 milhões, com gastos na gestão e manutenção de unidades de conservação, além de ações presenciais em áreas remotas. As demais unidades e entidades vinculadas (SFB, JBRJ, FNMA e Fundo Clima) apresentam participação residual”, ressalta.
O Metrópoles procurou os demais ministério mencionados, que não se manifestaram até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Gás do Povo inclui mais 950 mil famílias e chega a 17 capitais

O programa social Gás do Povo foi ampliado e vai incluir 950 mil novas famílias na segunda fase de implementação, com chegada prevista em 17 capitais brasileiras a partir de 26 de janeiro.
O benefício garante a recarga gratuita do botijão de gás de cozinha em revendas credenciadas pelo governo federal, como parte da nova versão do programa que substitui o Auxílio Gás.
A expansão faz parte de um modelo adotado pelo governo para ampliar o acesso ao gás de cozinha e aliviar o orçamento de famílias inscritas no Cadastro Único com renda per capita mais baixa. Na primeira fase, o benefício já havia sido liberado em capitais como Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e outras grandes cidades, beneficiando cerca de 1 milhão de famílias.
Com a inclusão das novas capitais nesta etapa, o número total de famílias atendidas chega a aproximadamente 1,95 milhão.
Como funciona o Gás do Povo
Além disso, segundo o Executivo, a medida busca fortalecer o suporte social às famílias mais vulneráveis, reduzindo o impacto do custo do gás de cozinha no orçamento doméstico.
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, destacou o impacto social e econômico do programa no orçamento das famílias de baixa renda. “O benefício alivia o orçamento familiar dos mais pobres, que podem destinar o dinheiro que gastariam no botijão para comprar alimentos ou suprir outra necessidade básica”, disse.
A expectativa é que em março o programa seja expandido para todos os municípios do país, beneficiando 15 milhões de famílias.

Saiba quais são os critérios para fazer parte do programa:
- Famílias inscritas e com cadastro atualizado no CadÚnico nos últimos 24 meses;
- Renda mensal por pessoa igual ou inferior a meio salário-mínimo;
- Beneficiários do Bolsa Família têm prioridade na inclusão;
- Responsável familiar precisa ter CPF regularizado;
- Benefícios sociais como Tarifa Social e Minha Casa, Minha Vida não impedem o recebimento do Gás do Povo.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Nikolas rebate críticas sobre caminhada: Estou de férias, faço o que quiser
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) rebateu, nesta sexta-feira (23/1), críticas relacionadas à chamada “caminhada pela liberdade”. Questionado sobre quem estaria financiando a iniciativa, o parlamentar afirmou que todas as despesas são pagas com recursos próprios e negou receber qualquer tipo de doação ou auxílio financeiro de apoiadores.
“Eu estou tirando o meu próprio dinheiro. Gasolina, alimentação, eu que estou pagando para mim. E as pessoas estão se mobilizando, entregando água, café. Agora, é muito engraçado, bicho, porque o pessoal vai focar em quem está financiando a caminhada, né? Em quem está financiando o contrato milionário da mulher do Moraes? Porque eu estou de férias, eu como deputado, eu faço o que eu quiser”, afirmou o parlamentar.
Segundo Nikolas, a iniciativa ocorre de forma “orgânica e pacífica” e não utiliza recursos públicos. Ele disse que cada pessoa usa o próprio dinheiro “da forma que quiser”, mas ressaltou que não faz uso de verba parlamentar para a atividade.
“Nós estamos aqui de uma forma orgânica, pacífica. E, obviamente, cada um usa o dinheiro da forma que quiser. Tem gente que usa dinheiro, por exemplo, de conta parlamentar para ser desviado. Eu não faço isso. Estou tirando o meu próprio dinheiro”, declarou.
Perguntado se teria recebido auxílio financeiro de apoiadores ou algum tipo de financiamento, o deputado negou. “Não. Eu pedi para as pessoas não doarem absolutamente nada, nem por Pix, nem por vaquinha”, disse.
Caminhada de Nikolas Ferreira
A chamada “caminhada pela liberdade” teve início na segunda-feira (19/1) e percorre cerca de 200 quilômetros entre Paracatu, no interior de Minas Gerais, e Brasília. A previsão é de que Nikolas chegue à capital federal neste domingo (25/1), quando deve ser recebido por apoiadores.
No mesmo dia, está previsto um ato intitulado “Manifestação Acorda Brasil”, com concentração a partir das 12h, na Praça do Cruzeiro, em Brasília. O evento marca o encerramento da mobilização.
Ao justificar a iniciativa, o parlamentar citou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão, além da situação jurídica de pessoas presas em decorrência dos atos de 8 de Janeiro.
Desde o início do trajeto, a caminhada tem reunido apoiadores e aliados políticos ao longo do percurso. Parlamentares ligados ao bolsonarismo passaram a divulgar a mobilização nas redes sociais e a declarar apoio público ao ato previsto para o domingo.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL


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