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Festival Kãda Shawã Kaya celebra demarcação da terra indígena e união do Povo Shawadawa
Começou na Aldeia da Foz do Nilo, às margens do Rio Cruzeiro do Vale, um afluente do Rio Juruá, as festividades dos indígenas da Nação Shawadawa, que estão reunidos para celebrar sua cultura. A abertura foi na quinta-feira, 8, e o Festival se estende até domingo, 11.
Durante esses quatro dias, são realizadas muitas brincadeiras e danças inspiradas nos animais da floresta e em elementos da natureza. As pessoas se pintam com grafismos característicos, conhecidos como kenês, e se vestem com roupas típicas dos seus antepassados.

Simultaneamente durante as noites no kupichwa (templo), são realizadas cerimônias espirituais tradicionais, com medicinas da floresta. Os rituais com cantos, danças e pinturas corporais são embalados por instrumentos musicais, com o propósito de despertar a consciência dos participantes para o conhecimento ancestral dos povos originários.
A secretária extraordinária de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, que tem sua origem na Aldeia Foz do Nilo, é uma incentivadora do Festival Cultural do Povo Shawadawa.
“Esse é um reencontro do nosso povo, que comemora a demarcação do Território Arara [nome dado pelos brancos para os Shawadawa] e simboliza a libertação da sua escravidão aos seringalistas. Nesse tempo fomos obrigados a deixar de falar o nosso idioma original e perdemos muitos costumes. O Festival é um marco para a retomada cultural do Povo Shawadawa”, lembra Francisca.

Um dos aspectos mais importantes do Festival é o reencontro dos Shawadawa dos mais diferentes lugares.
“Estamos reunindo 11 aldeias, em torno de mil araras dos rios Cruzeiro do Vale, Bagé, Valparaiso, e também muitos que moram em cidades como Cruzeiro do Sul, Rio Branco, Marechal Thaumaturgo, Tarauacá e Feijó. E também recebemos visitantes Shanenawa, Puyanawa, Kuntanawa e pessoas de outros estados e países”, relata a secretária.
O 6º Festival Kãda Shawã Kaya teve o patrocínio da ONG norte-americana EDF e o apoio do governo do Acre, por meio da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi) e da Secretaria de Empreendedorismo e Turismo (Sete) e também da Prefeitura de Porto Walter.

“Foram investidos, na organização, 800 mil reais, que, na verdade, foram distribuídos para as diversas famílias que trabalharam na produção do Festival. Esse tipo de evento gera distribuição de renda para as comunidades indígenas. E movimenta o comércio de toda a região do Juruá. Em 2026, o governo do Acre terá, no seu calendário oficial, 24 festivais de diferentes etnias indígenas e todos receberão apoio do Estado”, informa Francisca.
Para a secretária, o mais importante desses eventos, além da geração de oportunidades e renda, é a divulgação e o fortalecimento das culturas originárias ancestrais do Acre.
“É inspirador ver a juventude à frente de todo o movimento cultural e o reconhecimento da riqueza desses conhecimentos por muitas pessoas que participam do Festival, do Brasil e do exterior. Isso é um alento para as novas gerações Shawadawa”, analisa Francisca Arara.

Momento de união do Povo Shawadawa
O professor Antonio Arara, com mais de 30 anos de magistério, é responsável pela alfabetização de milhares de Shawadawa espalhados pelas diferentes aldeias do Rio Cruzeiro do Vale, no município de Porto Walter. Ele tem uma participação ativa nas festividades.
“O Festival traz muita alegria para o nosso povo. A gente está recebendo ‘parentes’ indígenas de diversos lugares do estado e muitos brancos que são os nossos aliados”, conta.

“Durante esses dias, o nosso foco é debater o desenvolvimento econômico e social do nosso povo, brincando, dançando, apresentando a nossa culinária e as nossas pinturas. Mas, sobretudo, esse encontro é para mantermos a nossa união e o respeito uns pelos outros. Fora isso, todo esse movimento traz ainda recursos financeiros para as nossas famílias e fortalece a nossa cultura”, reflete o educador indígena.
Para Antônio Arara, todos os esforços para a produção do Festival Kãda Shawã Kaya se refletirão num futuro melhor para os jovens Shawadawa.

“Essa manifestação cultural do nosso povo é muito importante, porque envolve toda a juventude. A conexão com a ancestralidade, através das medicinas da floresta, dos cantos, das histórias dos nossos antepassados e das danças, afasta os nossos jovens da marginalidade e de outras tentações, como o consumo de álcool e drogas”, afirma o professor.
O exemplo e a inspiração da matriarca Shawadawa
Aidée Arara ou Kanamari (nome tradicional) tem 89 anos e acompanha todo o movimento do Festival Kãda Shawã Kaya da sua cozinha, de piso de paxiúba e cobertura de palha. Ali recebe os filhos, filhas, amigos e amigas, netos, bisnetos, sobrinhos, noras e genros, que chegam dos mais diferentes lugares para participar das festividades.
Todos vêm pedir a bênção de dona Aidée e aprender alguma coisa sobre a cultura Shawadawa. Ela domina o idioma tradicional e conhece as histórias das conquistas e também dos momentos difíceis do seu povo.

Muitos dos cantos, das danças e pinturas do Festival foram ensinados por Aidée para os mais jovens. Ela é mãe da secretária Francisca Arara e uma referência importante para a retomada cultural dos Shawandawa.
“Nós, preservando as nossas tradições, todos saberão sempre quem somos e seremos reconhecidos pela nossa cultura. Com essa idade que eu tenho, com 12 filhos, nunca senti ‘dor de mulher’ porque eu me alimento sem comer carne de gado e sem açúcar. Tomo os remédios naturais da floresta quando fico doente. Então o que eu ensino para o meu povo é viver como os nossos ‘antigos’, dando sempre valor aos conhecimentos dos nossos ancestrais”, conta.
Tudo o que acontece durante o Festival Aidée fica sabendo e comenta.
“Fico aqui da minha casa, ouvindo esses cantos lindos. Às vezes, vou lá no terreiro onde acontece o Festival dar uma olhada no que está acontecendo. Mas tenho que estar na minha casa para receber a todos. E quando acaba o Festival, fico só lembrando de tudo o que aconteceu, com uma saudade enorme”, afirma a matriarca.
As atividades do Festival Kãda Shawã Kaya são realizadas durante o dia todo e a noite inteira, com breves intervalos para alimentação e descanso. Ele fomenta a união e o fortalecimento dos conhecimentos ancestrais Shawadawa.
Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE
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Enem: alunos já podem emitir certificado do ensino médio; veja como

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibiliza, a partir desta sexta-feira (30/1), a emissão da declaração de atendimento às condições de certificação de conclusão do ensino médio a partir da nota do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). O documento será publicado na Página do Participante, e permite a pré-matrícula em instituições de educação superior.
De acordo com o Inep, cerca de 100 mil estudantes que realizaram o Enem 2025 fizeram a prova com a intenção de obter a declaração de conclusão do ensino médio.
Com a liberação do documento, os participantes do Enem vão poder utilizar a certificação para se inscreverem nos processos seletivos do Ministério da Educação (MEC) ainda neste ano. São eles:
- Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que já concluiu o processo de inscrições;
- Programa Universidade para Todos (Prouni), com inscrições abertas até 29 de janeiro; e
- Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que abrirá inscrições entre 3 e 6 de fevereiro.
A certificação pode ser emitida através da Página do Participante, no site do Inep, o participante vai poder emitir a declaração autenticada de conclusão.
Exigências
Para que o Enem seja considerado conclusão do ensino médio, o participante deve indicar previamente que deseja utilizar tal possibilidade. Além disso, tem que seguir as seguintes exigências:
- Alcançar a pontuação mínima em cada área do conhecimento (igual ou maior a 450 pontos);
- Alcançar pelo menos 500 pontos na redação; e
- Ter, no mínimo, 18 anos completos na data da primeira prova de cada edição do exame.
Certificado digital
A certificação digital de conclusão do ensino médio estará disponível a partir de 2 de março, por meio de sistema a ser disponibilizado no portal do Inep, para a emissão oficial do certificado de conclusão do ensino médio aos participantes. A certificação é emitida pelos institutos federais.
O documento digital vai facilitar a entrega do certificado ao participante, que não precisará ir até a sede da instituição, além de possibilitar o acesso à educação superior no mesmo ano da certificação.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Saiba quem são as irmãs presas por falsificar diplomas de medicina

Duas irmãs foram presas em flagrante suspeitas de tentar enganar o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) com diplomas falsos, na manhã dessa quarta-feira (28/1), em Cuiabá (MT). Stefany Benício França, de 27 anos, e Dayane Benício França, de 29 anos, foram detidas após funcionários identificarem inconsistências na documentação.
De acordo com CRM-MT as irmãs iniciaram o processo de registro em 9 de janeiro por meio da internet. No dia 20, as duas estiveram na sede do órgão para apresentar os documentos necessários e realizarem a captura biométrica.
O conselho identificou que, ao acessar a ata de colação de grau, os nomes não constavam como formandas no curso de medicina da faculdade informada. Os diplomas também apresentavam indícios de falsificação.
“Já cientes de que se tratava de um caso de falsificação, os responsáveis pelo setor encaminharam um e-mail às mulheres, informando-as de que o processo havia sido finalizado e que elas poderiam retirar a declaração de inscritas. Ao chegarem à sede do Conselho, a Polícia Militar foi acionada e deteve as mulheres”, detalhou o conselho.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL
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Ciclone extratropical: saiba que regiões serão afetadas por temporais

A formação de um ciclone extratropical, próximo à costa de São Paulo, traz instabilidades para boa parte das regiões do Brasil. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além do sul de Minas Gerais, estão sob alerta laranja de grandes volumes de chuva nesta seta-feira (30/1)
O fenômeno afetará o litoral e o leste do Paraná e de Santa Catarina. Somando com a baixa pressão no litoral, o ciclone vai provocar o aumento da chuva no leste, litoral e sul de São Paulo, além do Rio de Janeiro e grande parte de Minas Gerais.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a atuação do ciclone no oceano Atlântico pode provocar queda de granizo em grande parte do estado de SP e em municípios vizinhos de MG, especialmente na região do Triângulo Mineiro.
Sobre o ciclone
Um ciclone é um sistema meteorológico em larga escala, enquanto um tornado é um fenômeno localizado e de curta duração. Os extratropicais são os mais comuns no Brasil. Eles se formam em latitudes médias, entre 30° e 60°, associados a frentes frias e possuem núcleo frio.
De acordo com o Inmet, um ciclone é uma vasta área de baixa pressão atmosférica, que pode se estender por centenas ou até milhares de quilômetros. No Hemisfério Sul, os ventos giram no sentido horário em direção ao centro de menor pressão.
Esse movimento concentra ar quente e úmido, que sobe, se resfria e forma nuvens carregadas, resultando em chuvas intensas e ventos fortes sobre uma grande área. Um ciclone define as condições do tempo sobre uma região inteira por dias.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL










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