Conecte-se conosco

Brasil

Festival Kãda Shawã Kaya celebra demarcação da terra indígena e união do Povo Shawadawa

Publicado

em

Começou na Aldeia da Foz do Nilo, às margens do Rio Cruzeiro do Vale, um afluente do Rio Juruá, as festividades dos indígenas da Nação Shawadawa, que estão reunidos para celebrar sua cultura. A abertura foi na quinta-feira, 8, e o Festival se estende até domingo, 11.

Durante esses quatro dias, são realizadas muitas brincadeiras e danças inspiradas nos animais da floresta e em elementos da natureza. As pessoas se pintam com grafismos característicos, conhecidos como kenês, e se vestem com roupas típicas dos seus antepassados.

Aldeia da Foz do Lino realiza mais uma edição do Festival Kãda Shawã Kaya. Foto: Pedro Devani/Secom

Simultaneamente durante as noites no kupichwa (templo), são realizadas cerimônias espirituais tradicionais, com medicinas da floresta. Os rituais com cantos, danças e pinturas corporais são embalados por instrumentos musicais, com o propósito de despertar a consciência dos participantes para o conhecimento ancestral dos povos originários.

A secretária extraordinária de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, que tem sua origem na Aldeia Foz do Nilo, é uma incentivadora do Festival Cultural do Povo Shawadawa.

“Esse é um reencontro do nosso povo, que comemora a demarcação do Território Arara [nome dado pelos brancos para os Shawadawa] e simboliza a libertação da sua escravidão aos seringalistas. Nesse tempo fomos obrigados a deixar de falar o nosso idioma original e perdemos muitos costumes. O Festival é um marco para a retomada cultural do Povo Shawadawa”, lembra Francisca.

Francisca Arara é secretária de Estado dos Povos Indígenas e participa das festividades. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Um dos aspectos mais importantes do Festival é o reencontro dos Shawadawa dos mais diferentes lugares.

“Estamos reunindo 11 aldeias, em torno de  mil araras dos rios Cruzeiro do Vale, Bagé, Valparaiso, e também muitos que moram em cidades como Cruzeiro do Sul, Rio Branco, Marechal Thaumaturgo, Tarauacá e Feijó. E também recebemos visitantes Shanenawa, Puyanawa, Kuntanawa e pessoas de outros estados e países”, relata a secretária.

O 6º Festival Kãda Shawã Kaya teve o patrocínio da ONG norte-americana EDF e o apoio do governo do Acre, por meio da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi) e da Secretaria de Empreendedorismo e Turismo (Sete) e também da Prefeitura de Porto Walter.

Festival movimenta comércio e turismo da região do Juruá. Foto: Cleiton Lopes/Secom

“Foram investidos, na organização, 800 mil reais, que, na verdade, foram distribuídos para as diversas famílias que trabalharam na produção do Festival. Esse tipo de evento gera distribuição de renda para as comunidades indígenas. E movimenta o comércio de toda a região do Juruá. Em 2026, o governo do Acre terá, no seu calendário oficial, 24 festivais de diferentes etnias indígenas e todos receberão apoio do Estado”, informa Francisca.

Para a secretária, o mais importante desses eventos, além da geração de oportunidades e renda, é a divulgação e o fortalecimento das culturas originárias ancestrais do Acre.

“É inspirador ver a juventude à frente de todo o movimento cultural e o reconhecimento da riqueza desses conhecimentos por muitas pessoas que participam do Festival, do Brasil e do exterior. Isso é um alento para as novas gerações Shawadawa”, analisa Francisca Arara.

Cultura e tradição são celebradas na aldeira durante do Festival. Foto: Pedro Devani/Secom

Momento de união do Povo Shawadawa

O professor Antonio Arara, com mais de 30 anos de magistério, é responsável pela alfabetização de milhares de Shawadawa espalhados pelas diferentes aldeias do Rio Cruzeiro do Vale, no município de Porto Walter. Ele tem uma participação ativa nas festividades.

“O Festival traz muita alegria para o nosso povo. A gente está recebendo ‘parentes’ indígenas de diversos lugares do estado e muitos brancos que são os nossos aliados”, conta.

Antonio Arara é responsável pela alfabetização do povo Shawadawa. Foto: Cleiton Lopes/Secom

“Durante esses dias, o nosso foco é debater o desenvolvimento econômico e social do nosso povo, brincando, dançando, apresentando a nossa culinária e as nossas pinturas. Mas, sobretudo, esse encontro é para mantermos a nossa união e o respeito uns pelos outros. Fora isso, todo esse movimento traz ainda recursos financeiros para as nossas famílias e fortalece a nossa cultura”, reflete o educador indígena.

Para Antônio Arara, todos os esforços para a produção do Festival Kãda Shawã Kaya se refletirão num futuro melhor para os jovens Shawadawa.

Professor destaca importância do Festival para a comunidade. Foto: Cleiton Lopes/Secom

“Essa manifestação cultural do nosso povo é muito importante, porque envolve toda a juventude. A conexão com a ancestralidade, através das medicinas da floresta, dos cantos, das histórias dos nossos antepassados e das danças, afasta os nossos jovens da marginalidade e de outras tentações, como o consumo de álcool e drogas”, afirma o professor.

O exemplo e a inspiração da matriarca Shawadawa

Aidée Arara ou Kanamari (nome tradicional) tem 89 anos e acompanha todo o movimento do Festival Kãda Shawã Kaya da sua cozinha, de piso de paxiúba e cobertura de palha. Ali recebe os filhos, filhas, amigos e amigas, netos, bisnetos, sobrinhos, noras e genros, que chegam dos mais diferentes lugares para participar das festividades.

Todos vêm pedir a bênção de dona Aidée e aprender alguma coisa sobre a cultura Shawadawa. Ela domina o idioma tradicional e conhece as histórias das conquistas e também dos momentos difíceis do seu povo.

Aidée é mãe da secretária Francisca Arara. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Muitos dos cantos, das danças e pinturas do Festival foram ensinados por Aidée para os mais jovens. Ela é mãe da secretária Francisca Arara e uma referência importante para a retomada cultural dos Shawandawa.

“Nós, preservando as nossas tradições, todos saberão sempre quem somos e seremos reconhecidos pela nossa cultura. Com essa idade que eu tenho, com 12 filhos, nunca senti ‘dor de mulher’ porque eu me alimento sem comer carne de gado e sem açúcar. Tomo os remédios naturais da floresta quando fico doente. Então o que eu ensino para o meu povo é viver como os nossos ‘antigos’, dando sempre valor aos conhecimentos dos nossos ancestrais”, conta.

“Preservando as nossas tradições”, afirma Aidée. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Tudo o que acontece durante o Festival Aidée fica sabendo e comenta.

“Fico aqui da minha casa, ouvindo esses cantos lindos. Às vezes, vou lá no terreiro onde acontece o Festival dar uma olhada no que está acontecendo. Mas tenho que estar na minha casa para receber a todos. E quando acaba o Festival, fico só lembrando de tudo o que aconteceu, com uma saudade enorme”, afirma a matriarca.

As atividades do Festival Kãda Shawã Kaya são realizadas durante o dia todo e a noite inteira, com breves intervalos para alimentação e descanso. Ele fomenta a união e o fortalecimento dos conhecimentos ancestrais Shawadawa.








Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

Comentários

Continue lendo
Publicidade

Brasil

Câmara aprova porte do spray de pimenta usado por polícia a mulheres

Publicado

em

Getty Images/ Evgen_Prozhyrko
Imagem colorida de mulher portando spray de pimenta. PL prevê porte de spray e arma de choque para mulheres em SP. - Metrópoles

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (11/3) um projeto de lei que permite às mulheres portar spray de pimenta utilizado por forças policiais. A medida faz parte de uma ofensiva da Casa para aprovar projetos na semana do Dia Internacional da Mulher e agora segue para o Senado.

A “oleoresina de capsicum” é uma matéria-prima concentrada extraída da pimenta, que provoca ardência intensa nos olhos, na pele e nas mucosas, usada em sprays de pimenta.

O uso e a comercialização de spray de pimenta com essa matéria-prima são restritos a forças de segurança pública e às Forças Armadas, pois o produto consta em listas de itens controlados pelo Exército e na legislação sobre armas químicas ou incapacitantes.

A proposta altera o Estatuto do Desarmamento para que, no artigo que trata das punições pelo porte de “arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito”, seja incluída a exceção para o spray à base de oleoresina. O porte fica permitido para mulheres maiores de 18 anos. Para jovens a partir de 16 anos, é necessária autorização dos pais.

A portadora também precisa ter residência fixa e não possuir antecedentes criminais.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

Comentários

Continue lendo

Brasil

CPMI insiste em ouvir Vorcaro. Mendonça pode levar caso a Turma do STF

Publicado

em

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta quarta-feira (11/3) que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve liberar para análise da Segunda Turma da Corte um recurso apresentado pela comissão contra a decisão que dispensou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de prestar depoimento.

Segundo Viana, o ministro sinalizou que o recurso deve ser pautado “em breve”. “Não nos falaram sobre data”, disse. O senador e o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), se reuniram na noite desta quarta com André Mendonça, relator no STF de ações que apuram fraudes na Previdência e no Banco Master.

Mendonça também foi responsável por decidir que a ida de Daniel Vorcaro à CPMI era facultativa e que caberia ao banqueiro decidir se gostaria ou não de comparecer ao colegiado.

O presidente da CPMI afirmou que o recurso já foi protocolado na Corte e que considera a presença de Vorcaro “fundamental” para a continuidade dos trabalhos da comissão.

“É uma questão de honra o comparecimento [de Daniel Vorcaro]”, disse Carlos Viana.

Segundo o senador, na reunião que durou cerca de meia hora, André Mendonça não fez qualquer juízo a respeito do recurso da CPMI que defende que Vorcaro compareça à comissão.

“Ele vai colocar na Turma e vai aguardar a decisão. Não fez qualquer posição ou opinião pessoal”, afirmou.

Para Carlos Viana, o resultado da análise do recurso da CPMI pode sinalizar um “desequilíbrio de Poderes”. O parlamentar disse ter feito desabafos a André Mendonça sobre o que classificou como “interferências” do STF em atribuições do Congresso.

Viana defendeu que, além da decisão que livrou Vorcaro de depor, o STF deve analisar outros cinco recursos protocolados pela CPMI para rever entendimentos que dispensaram outros investigados de depor.

“Estamos chegando a um ponto em que precisamos que o Congresso tome um posicionamento”, declarou o senador.

Críticas a Dino

Carlos Viana e Alfredo Gaspar voltaram a criticar a decisão do ministro do STF Flávio Dino que anulou votações da CPMI que determinaram quebras de sigilo em 26 de fevereiro. Segundo eles, o tema também foi discutido com André Mendonça.

Dino afirmou que o procedimento adotado pelo colegiado — com votação em bloco e sem análise individual dos requerimentos — não está de acordo com a Constituição. Entre os beneficiados pela decisão está Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia tido sigilos quebrados pela CPMI.

Para Carlos Viana, a decisão de Flávio Dino foi “política” e pode inviabilizar os trabalhos da comissão.

“Coloquei ao ministro que essa decisão inviabiliza a continuidade das investigações. A quebra é necessária para gerar provas. Enquanto o plenário do Supremo não julgar, estaremos em uma insegurança jurídica. É uma decisão que atrapalha”, afirmou.

Prazo apertado

Além do pedido para rever decisões, a cúpula da CPMI do INSS também pediu acesso a investigações conduzidas pela Polícia Federal que envolvem o Banco Master e a Previdência.

Segundo Carlos Viana, André Mendonça sinalizou, contudo, que apenas inquéritos concluídos podem ser compartilhados pela PF.

O senador afirmou que a CPMI teme que o entendimento atrapalhe os trabalhos da comissão. A preocupação está relacionada com o prazo de funcionamento do colegiado.

Sem sinalização do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), sobre uma eventual prorrogação, a CPMI do INSS entrou na reta final dos trabalhos. Criada para funcionar por 180 dias, a comissão pode ter de encerrar suas atividades em 28 de março.

Alfredo Gaspar e Carlos Viana afirmaram que ainda aguardam uma resposta de Davi Alcolumbre sobre o pedido apresentado pela comissão para prorrogar os trabalhos da CPMI.

Eles também reiteraram que, caso o senador não se manifeste, o colegiado poderá recorrer ao STF para obrigá-lo a estender o funcionamento da comissão.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

Comentários

Continue lendo

Brasil

Detento é morto após sofrer 160 golpes de estilete em presídio de SC

Publicado

em

Divulgação/PCSC
Imagem colorida, Detento é morto após sofrer 160 golpes de estilete em presídio de SC - Metrópoles

O detento Ramon de Oliveira Machado, de 31 anos, foi assassinado com 160 golpes de estilete dentro do Presídio Regional de Araranguá, em Santa Catarina, no dia 20 de fevereiro deste ano. O inquérito da Polícia Civil (PCSC) foi concluído nessa terça-feira (10/3).

A investigação apontou que três detentos participaram do crime e foram indiciados por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e por impossibilitar a defesa da vítima. Além de fraude processual, por terem destruído provas.

Os suspeitos foram identificados pelos apelidos Ceifador, Fantasma (Jean) e Romário.

Segundo a corporação, Romário já havia assumido a autoria do crime logo após o assassinato, mas permaneceu em silêncio durante o depoimento formal na delegacia. As investigações, porém, concluíram que ele não agiu sozinho.


Entenda o caso

  • De acordo com o inquérito, Ramon estava jogando baralho na entrada do alojamento, onde também estavam outros 27 detentos, quando o ataque começou.
  • Antes da agressão, os três suspeitos foram até os fundos do alojamento e conversaram brevemente. Em seguida, retornaram ao local onde a vítima estava.
  • Nesse momento, Ceifador desferiu o primeiro golpe, atingindo o rosto de Ramon. Logo depois, aplicou outro golpe na nuca da vítima.
  • Ferido, Ramon tentou fugir e correu em direção a uma das camas do alojamento, mas foi perseguido e atacado repetidamente pelos outros detentos, sofrendo ao todo 160 perfurações.
  • O delegado responsável pelo caso, Jorge Ghiraldo, afirmou que o laudo e os depoimentos confirmaram que o ataque foi cometido com estiletes improvisados.

Acusados jogaram estiletes dentro do vaso

Após o assassinato, segundo a investigação, Romário arrastou o corpo até o banheiro do alojamento, onde lavou a vítima com água sanitária. Em seguida, jogou as roupas e os estiletes usados no crime no vaso sanitário, o que impediu a recuperação dos objetos.

A PCSC aponta que a lavagem do corpo teve o objetivo de destruir possíveis impressões digitais, conforme relataram outros detentos.

Depois disso, o suspeito voltou a arrastar o corpo até a entrada do alojamento, bateu na porta da cela para chamar os agentes penitenciários e ergueu um estilete, momento em que teria confessado o crime.

Com a conclusão das investigações, o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e agora será analisado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que decidirá sobre o oferecimento de denúncia contra os suspeitos.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

Comentários

Continue lendo