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EJA abre caminhos para quem deseja concluir os estudos no Acre

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Tarefas simples do dia a dia, como pegar um ônibus, pagar um boleto ou conferir o troco no comércio, podem se tornar grandes desafios para quem não sabe ler ou não teve a oportunidade de concluir os estudos.

Essa ainda é a realidade de milhões de brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar de o Brasil ter registrado em 2024 a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica, em 2016, cerca de 9,1 milhões de pessoas ainda não sabem ler ou escrever um bilhete simples.

EJA devolve autonomia, dignidade e novas oportunidades para quem decidiu retomar os estudos no Acre. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Entre os idosos, o cenário é ainda mais sensível. Dados do IBGE apontam que 5,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais eram analfabetas em 2024, o que corresponde a 14,9% da população idosa e mais da metade do total de analfabetos no país.

Diante dessa realidade, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação (SEE), tem intensificado ações de conscientização e fortalecimento da Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade que representa uma verdadeira porta de entrada para quem deseja retomar os estudos, recuperar a autonomia e transformar a própria história.

‘Estudar é coisa boa’

Na prática, a EJA tem mudado vidas. É o caso de Raimunda da Silva, de 65 anos, aluna da Escola Marina Vicente, em Rio Branco. Após interromper os estudos ainda jovem para cuidar da família e trabalhar no roçado, ela encontrou na EJA a chance de realizar um sonho antigo.

“Quando eu era jovem, tive oportunidade de estudar, mas casei, formei família e ficou mais difícil. Agora voltei porque a escola é perto da minha casa e venho com os vizinhos. Estou gostando muito. Hoje já consigo pegar qualquer ônibus, sei para onde ele vai. Antes, eu precisava sempre de alguém comigo”, relatou.

Aos 65 anos, Raimunda da Silva encontrou na EJA a chance de realizar o sonho de aprender a ler e conquistar mais independência no dia a dia. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Raimunda conta que voltou a estudar com um objetivo claro: aprender a ler para ter mais independência e realizar um sonho pessoal. “Eu tenho muita vontade de ler a Bíblia. Eu sei que, se eu me esforçar, vou conseguir. Já aprendi bastante coisa e sei que vou aprender muito mais”, afirmou, emocionada.

Além da autonomia no dia a dia, o retorno à sala de aula também devolveu a autoestima. “Hoje eu assino meu nome, renovei meus documentos, já sei mexer melhor com meu dinheiro. É muito ruim não saber ler. Um pouquinho do que eu aprendi já está me servindo muito”, completou.

O impacto da EJA também é percebido pela família. A filha de dona Raimunda, Gardiane da Costa, de 37 anos, destaca a transformação vivida pela mãe em poucos meses de aula. “Hoje eu vejo a minha mãe outra pessoa. Em menos de seis meses, ela já conhece todas as letras, junta palavras, faz contas, vai ao mercado sozinha. Ela não quer faltar às aulas de jeito nenhum. O estudo mudou tudo”, contou.

O incentivo da família é fundamental para que jovens, adultos e idosos permaneçam na escola e sigam firmes na conclusão dos estudos. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Gardiane reforça que o incentivo familiar e a proximidade da escola fazem toda a diferença. “Nunca é tarde para aprender. O estudo muda a história de qualquer pessoa. Uma escola perto de casa, com uma equipe acolhedora, incentiva muito mais. A EJA precisa desse cuidado, desse olhar humano”, disse.

Outra história que representa a força da EJA é a de Carlos Cézar Furtado, de 55 anos, também aluno da Escola Marina Vicente. Ele decidiu voltar a estudar após anos dedicados exclusivamente ao trabalho e à família.

Carlos Cézar Furtado, de 55 anos, voltou à sala de aula para concluir os estudos e ampliar as oportunidades no futuro. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Quando a gente para de estudar, esquece das coisas. Agora estou escrevendo melhor, aprendendo de novo. Vergonha não pode existir. Vergonha é roubar. Estudar é coisa boa”, afirmou. Para ele, concluir os estudos significa ampliar horizontes. “Lá na frente, tem melhoria, tem mais capacidade para ser alguma coisa na vida”, completou.

Direito garantido e novas oportunidades

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade da educação básica que garante o direito à escolarização para pessoas que, por diferentes motivos, não tiveram acesso ou não conseguiram concluir os estudos na idade considerada regular. O público-alvo inclui jovens a partir de 15 anos, para o ensino fundamental, e 18 anos, para o ensino médio.

“Não existe idade errada para estudar. Pela EJA, o aluno pode concluir o ensino fundamental, o ensino médio e ainda ter acesso a cursos de qualificação profissional, voltados para o mercado de trabalho ou para o aperfeiçoamento na área em que já atua”, explicou o chefe do Departamento da EJA da SEE, Jessé Dantas.

EJA está em funcionamento nos 22 municípios do estado, em escolas urbanas, rurais e comunidades tradicionais. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Ele destaca ainda que estudantes da EJA no ensino médio podem ser contemplados com o programa Pé-de-Meia, auxílio do governo federal destinado a alunos entre 19 e 24 anos, desde que atendam aos critérios do CadÚnico.

“A proposta pedagógica da EJA respeita a história, a experiência e o ritmo de aprendizagem de cada aluno. É uma educação contextualizada, que fortalece a autonomia, a cidadania e a participação social”, ressaltou.

Escolas próximas às comunidades fortalecem o acesso, a permanência e o sucesso dos alunos da EJA. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Atualmente, a EJA está presente nos 22 municípios do Acre, em 124 escolas, incluindo unidades urbanas, do campo e em comunidades tradicionais. A política educacional busca alcançar jovens, adultos e idosos que sonham em aprender a ler, escrever e concluir a educação básica, abrindo caminhos para novas oportunidades.

As matrículas da EJA seguem abertas até o dia 6 de fevereiro e estão sendo realizadas diretamente nas escolas estaduais, tanto na zona urbana quanto na zona rural.

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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

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Em crise, Correios colocam imóveis à venda e esperam arrecadar até R$ 1,5 bilhão

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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
correios setor bancario norte

Os Correios iniciaram uma nova etapa do plano de reestruturação com o lançamento de um processo de alienação de imóveis próprios em diferentes regiões do país. A iniciativa prevê a venda de ativos considerados ociosos e pode gerar até R$ 1,5 bilhão em receitas até dezembro, segundo a estatal.

Os primeiros leilões estão programados para os dias 12 e 26 de fevereiro, e terão oferta inicial de 21 imóveis. Os certames serão realizados de forma totalmente digital e estarão abertos à participação de pessoas físicas e jurídicas.

A medida integra um conjunto de ações voltadas à reorganização financeira da empresa, com foco na redução de custos fixos e na retomada da capacidade de investimento.

De acordo com os Correios, os recursos obtidos com a venda dos imóveis deverão ser direcionados ao fortalecimento das operações logísticas, à modernização da infraestrutura e à sustentabilidade financeira de longo prazo da estatal.

A empresa afirma que as alienações não terão impacto na prestação dos serviços à população.

Imóveis em diferentes estados

Nesta primeira fase, o portfólio inclui imóveis localizados em estados, como Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo.

Entre os ativos ofertados, estão prédios administrativos, antigos complexos operacionais, terrenos, galpões, lojas e apartamentos funcionais.

Os valores iniciais variam de cerca de R$ 19 mil a R$ 11 milhões, o que, segundo a empresa, amplia o alcance dos leilões para investidores de diferentes perfis. Outros imóveis classificados como ociosos ainda estão em fase de preparação para futuras etapas de venda.

Reequilíbrio financeiro

A alienação de ativos integra o plano mais amplo de reestruturação dos Correios, que prevê ações de curto, médio e longo prazos para melhorar a eficiência operacional e restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro da empresa. A estratégia inclui revisão de estruturas, otimização de custos e iniciativas voltadas à modernização das operações logísticas.

A estatal busca, com essas medidas, adaptar sua estrutura ao cenário atual do setor postal e logístico, marcado pela queda do volume de correspondências tradicionais e pelo crescimento das encomendas impulsionadas pelo comércio eletrônico.

Nesse contexto, a venda de ativos considerados subutilizados é vista como forma de liberar recursos para áreas estratégicas e aumentar a competitividade da empresa.

Os editais, a descrição dos imóveis e o cronograma dos leilões estão disponíveis nos canais oficiais dos Correios e da leiloeira responsável pelos certames. A expectativa da empresa é que novas rodadas de alienação ocorram ao longo do ano, conforme os ativos forem preparados para venda.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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Governo federal libera R$ 363 mil ao Acre para compra de medicamentos de alto custo do SUS

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Recursos serão destinados a tratamentos de doenças crônicas, raras ou de alta complexidade; repasse segue produção ambulatorial registrada pelo estado

Em nível nacional, a portaria prevê a transferência de R$ 575,5 milhões para estados e o Distrito Federal, com média mensal de R$ 191,8 milhões, reforçando o custeio da assistência farmacêutica especializada em todo o país. Foto: captada 

O Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 363.177,24 ao Acre para financiar a aquisição de medicamentos de alto custo do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica do SUS. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (6) e prevê o pagamento integral no primeiro trimestre de 2026, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março.

O valor corresponde à média mensal aprovada com base nos dados registrados pelo estado nos meses de setembro, outubro e novembro de 2025 no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS). O Acre não recebeu ajustes adicionais e terá acesso ao montante total para custear medicamentos do Grupo 06, Subgrupo 04 da tabela do SUS, voltados principalmente ao tratamento de doenças crônicas, raras e de maior complexidade.

Nacionalmente, a portaria prevê a transferência de R$ 575,5 milhões para estados e o Distrito Federal, com média mensal de R$ 191,8 milhões. Os repasses são realizados pelo Fundo Nacional de Saúde aos fundos estaduais, seguindo critérios técnicos baseados na produção ambulatorial apresentada por cada unidade federativa.

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Ufac entrega cartões do Banco do Brasil a jovens pesquisadores

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A iniciativa reforça a valorização da produção do conhecimento e garante um ponto de partida importante para os jovens que ingressam na universidade

A Ufac realizou no auditório da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), a entrega dos cartões do Programa de Apoio a Jovens Pesquisadores, viabilizado por meio do edital n.º 40/2025. Ao todo, 15 estudantes foram contemplados e cada projeto científico selecionado recebeu R$ 6 mil para atender a demandas sociais e regionais.

Para a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Lima Carvalho, o apoio institucional aos editais tem contribuído de forma significativa para a consolidação de grupos que desenvolvem pesquisas relevantes na região. Segundo ela, a iniciativa reforça a valorização da produção do conhecimento e garante um ponto de partida importante para os jovens que ingressam na universidade. “Esse aporte de recursos permite que eles iniciem seus trabalhos e se preparem para disputar novas chamadas de fomento, qualificando-se e se fortalecendo na área”, destacou.

A iniciativa integra a política institucional de pesquisa da Ufac. O valor recebido pelos pesquisadores é operacionalizado por meio de cartões individuais do Banco do Brasil, o que garante maior autonomia e agilidade na execução das atividades. A proposta busca reduzir entraves burocráticos e ampliar a inserção de novos pesquisadores no ambiente acadêmico.

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