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Acre

Corpo do ex-governador Flaviano Melo é velado no Palácio Rio Branco

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Flaviano morreu aos 75 anos no hospital Albert Einstein, em São Paulo, na quarta-feira (20) após 10 dias internado por complicações causadas por uma pneumonia.

Corpo de Flaviano Melo chegou no voo 3267 da Latam, às 23h23, acompanhado da agora viúva, Luciana Videl, e dos filhos, além de Otilia Melo. Na saída da aeronave, o ex-governador do Acre Jorge Viana abraçou viúva. Foto: Sérgio Valle

Com Ac24horas/NoticiasdaHora/Contilnet

O corpo do ex-governador e ex-deputado federal Flaviano Melo chegou ao Aeroporto Internacional de Rio Branco, por volta das 23h40 desta sexta-feira (22). A chegada do corpo foi acompanhada por familiares, amigos e admiradores, além disso, correligionários do MDB, do qual Flaviano foi presidente estadual, estiveram presentes no aeroporto.

Esposa de Flaviano Melo, Luciana Vidal (de casaco branco), se desloca ao saguão do aeroporto. Foto: ContilNet

O corpo de Flaviano Melo chegou no voo 3267 da Latam, às 23h23, acompanhado da agora viúva, Luciana Videl, e dos filhos do ex-governador, Marcelo Melo e Luciano Melo, além de Otilia Melo, irmã de Flaviano

Minutos depois no saguão, a esposa de Flaviano foi recebida por amigos sob forte comoção. Foto: Sérgio Valle

O corpo de Flaviano Melo chegou na capital no voo comercial, em seguida, foi levado a uma funerária para procedimentos de conservação e troca de terno.

Uma comitiva de veículos acompanhou o carro funerário, onde seguiu para a funerária São Francisco onde foram feitos procedimentos no corpo do ex-governador Flaviano Melo. Foto: Sérgio Valle

Helena Soares da Silva, de 73 anos, trabalhava com Flaviano desde 1982 e chorou a perda do patrão e amigo. “É muito difícil para mim. Um amigo, um irmão, um pai. Assim como ele ajudou as pessoas aqui no Acre, ajudava todo mundo, também me ajudou”, afirmou.

Ainda no aeroporto Helena Soares da Silva, de 73 anos, que trabalhava com Flaviano desde 1982, chorou emocionada a perda do patrão e amigo. Foto: Helena Soares da Silva

Vagner Sales destaca legado de Flaviano e diz que MDB não se curva a cargos

Vagner Sales com mais de 40 anos de militância política ressaltou a responsabilidade que recai sobre a Executiva em manter vivo o trabalho construído por Flaviano Melo. Foto: Jardy Lopes

O novo presidente do MDB no Acre Vagner Sales destacou neste sábado, 23, o compromisso em dar continuidade ao legado do ex-senador e deputado Flaviano Melo, uma das figuras mais importantes do partido no estado.

Com mais de 40 anos de militância política ao lado de Flaviano, Vagner Sales reconheceu a importância do colega como um esteio do partido e ressaltou a responsabilidade que recai sobre a Executiva em manter vivo o trabalho construído. “O Flaviano deixou um legado que nenhum outro deixou no estado. Em qualquer lugar do Acre, há obras que são fruto de suas emendas parlamentares ou do trabalho de governo”, afirmou.

Socorro Neri relembra último encontro com Flaviano: “Minha trajetória é marcada por ele”

A deputada federal esteve no velório do ex-governador do Acre, no Palácio Rio Branco. Foto: Sérgio Vale

Socorro Neri, que já foi filiada ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), fez sua visita na manha deste sábado (23), no velório.

“Flaviano foi o maior político que nosso estado ja teve, o maior democrata, porque aliava o discurso com sua prática, e quem era do MDB sentia isso no dia a dia”, disse.

Ela relata ainda que Flaviano tinha um profundo amor pelo estado do Acre, deixando a iniciativa privada de lado para cumprir diversos mandatos em distintos cargos pelo estado.

“A minha trajetória de vida é marcada pelo Flaviano, fui MDB por muitos anos, nasci na política no MDB” destaca ela.

Velório de Flaviano Melo é aberto ao público, mas existem regras

O acesso até o Salão Nobre onde acontece o velório também será limitado pelo bom senso, já que são esperadas centenas ou milhares de pessoas durante o dia. Foto: Whidy Melo

Corpo de Flaviano Melo está sendo velado no Salão Nobre do Palácio Rio Branco, no centro da capital acreana, desde as 3h deste sábado (23) e permanecerá até por volta das 16h, quando será enterrado no cemitério São João Batista

Segundo a equipe de cerimonial do Governo do Acre, que faz a organização dos eventos fúnebres da despedida de Flaviano Melo, estão permitidas a entrada da população e encaminhamento até o primeiro piso do Palácio do Governo, mas há algumas recomendações não restritivas.

“Flaviano entra para história do Acre com H maiúsculo”, diz Jorge Viana

Jorge Viana, disse durante o velório de Flaviano Melo, que o ex-governador entrou para história do Acre com “H maiúsculo” por tudo que fez como governador, senador, deputado federal e dirigente partidário. Foto: Luciano Tavares

O ex-governador Jorge Viana, presidente da Apex, disse durante o velório de Flaviano Melo, no Palácio Rio Branco, na manhã deste sábado (23), que o ex-governador entrou para história do Acre com “H maiúsculo” por tudo que fez como governador, senador, deputado federal e dirigente partidário.

João Correia reforça necessidade de união no MDB após morte de Flaviano

Segundo João Correia, Flaviano foi a maior liderança do partido, ocupando cargos de prefeito, governador, senador e deputado federal por quatro legislaturas. Foto: Jardy Lopes

João Correia destacou a relevância histórica de Flaviano Melo para o MDB e para a política acreana.

“Flaviano foi uma espécie de fertilização do MDB. Ele construiu tudo que o partido tem de positivo, liderando com autonomia, sem se curvar a outras forças políticas. Ele era sábio, sóbrio e ousado quando necessário. O MDB só tem uma coisa a fazer: seguir o seu legado. Fora disso, o MDB não existirá”, afirmou Correia.

Correia ressaltou a importância de preservar a força política do MDB no estado, mantendo a autonomia e os princípios defendidos por Flaviano.

“Substituir um gigante não é coisa comum. Nós precisamos de um colegiado para discutir as questões essenciais com moderação e ousadia. A única saída para o MDB é seguir o legado do Flaviano e fazer isso de maneira coletiva”, explicou

Marcus Alexandre chora ao ver Flaviano em caixão: “me recebeu como um filho”

Marcus Alexandre observou o corpo de Flaviano Melo, chorou à beira do caixão e disse que o político deixa um legado de boa postura como homem público. Foto: Jardy Lopes

Marcus Alexandre, última aposta de Flaviano Melo na política, chegou cedo ao velório do ex-governador do Acre que acontece no Palácio Rio Branco, no centro da capital acreana, neste sábado (23). Marcus estava emocionado e se referiu ao padrinho político como um pai.

Ao ver o caixão, Marcus Alexandre observou o corpo de Flaviano Melo, chorou à beira do caixão e disse que o político deixa um legado de boa postura como homem público. “Eu tive nestes últimos 18 meses uma convivência quase que diária com o Flaviano. Fui recebido no MDB por ele como um pai recebe um filho. Quanto mais eu o conhecia, mais admirava. Respeitador, conciliador, aquele que pratica boa política. Pessoa que busca sempre o consenso, a união. Penso que quando a gente lembra do Flaviano, a lembramos de uma pessoa que sempre buscou trabalhar e nunca levantou a voz contra ninguém, nunca agrediu, nunca atacou. Foi um democrata na essência e deixa um legado de trabalho, de resultado e de postura de bom homem público”, disse.

Antônia Lúcia foi a velório de Flaviano durante a madrugada

A deputada federal Antônia Lúcia (Republicanos) foi a única politica com mandato a estar no Palácio Rio Branco para a chegada do corpo do ex-governador do Acre, Flaviano Melo. Foto: Whidy Melo

No velório, Antônia Lúcia cumprimentou os filhos de Flaviano, Leonardo e Marcelo Melo, a viúva Luciana Videl e demais familiares e amigos do ex-governador. Por volta das 4h, acompanhada de um assessor, se retirou.

Antes disse que Flaviano Melo era o considerado o homem sem mandato mais atuante politicamente no Acre e morreu na cadeira de presidente do Movimento Democrata Brasileiro (MDB). São parlamentares do MDB o deputado estadual Tanízio Sá e os vereadores de Rio Branco Fábio Araújo (reeleito) e Célio Gadelha. Estão eleitos como vereador de Rio Branco para 2025 pelo MDB Neném Almeida e Eber Machado.

Eleitores de Flaviano chegam ao velório no Palácio: “mudou a história da minha família”

O espaço está aberto ao público até a saída para enterro no cemitério São João Batista, estimada para as 16h. Whidy Melo

José Cláudio Martins, de 60 anos, falou de Flaviano Melo como amigo. “Eu o considerava como meu amigo e não terá outro político inteligente como ele, que usava o que sabia para o bem”, disse.

Terezinha Carmélia, de 48 anos, afirmou que a despedida acontece por gratidão e respeito por Flaviano ter mudado a história de sua família. “A minha mãe era eleitora dele. Ele ajudou, deu emprego, deu casa pra minha mãe. Meu pai abandonou a minha mãe, ela ficou sem casa, meu pai foi lá e tirou as coisas dela, ficou com a roupa do corpo. Foi o Flaviano que deu emprego pra ela, deu a casa pra ela, mudou a história da nossa família. Minha mãe hoje já é morta faz vinte anos, mas a gente tem o respeito por ele, porque ele foi um bom prefeito, um bom governador, um bom deputado federal. Isso aí ninguém nesse Acre, ninguém, pode negar. As obras dele ainda estão aí. E as obras dos outros, que já foi depois dele, já estão deteriorada. A dele não, a dele ficou”, explicou.

Roberto Vaz afirma que Flaviano Melo aliava política com social: “administrador respeitado”

Segundo Vaz, como prefeito, Flaviano Melo adotou uma gestão democrática, buscando ouvir a população antes de aplicar os recursos públicos. Foto: Sérgio vale

O jornalista Roberto Vaz, proprietário do ac24horas, relembrou na manhã deste sábado, 23, a trajetória política e o impacto do político para o estado do Acre e para o MDB. Flaviano, que teve uma carreira de destaque, foi descrito por Vaz como um líder comprometido com o desenvolvimento do Acre e com uma gestão que aliava política e inclusão social.

Além disso, Flaviano era conhecido por sua habilidade em dialogar com diferentes correntes políticas, sendo considerado um político multipartidário. No entanto, essa abertura para conversas não comprometia sua fidelidade partidária. “Ele abria linha de conversação com todos, mas, na hora de decidir, não abria mão da posição partidária e do estatuto do seu partido. Era muito coerente”, explicou.

Outro aspecto destacado por Vaz foi a ética de Flaviano Melo no trato com adversários políticos. “Ele não era desonesto com seus adversários. Achava que a eleição era um período para decidir o futuro das pessoas, mas que, depois da eleição, era hora de todo mundo conviver junto”, ressaltou o jornalista.

Colega de MDB de Flaviano Melo durante 40 anos, o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales, lembrou do legado do ex-governador ao dizer que “em todo Acre há obras de Flaviano”. Foto: Luciano Tavares 

Velório de Flaviano tem momento ecumênico com orações de líderes religiosos

Durante a cerimônia, o pastor Afonso Geber, da Igreja Evangélica, e o padre Manoel, da Igreja Católica, conduziram uma oração conjunta, refletindo a diversidade religiosa e a importância do momento de despedida. Foto: Whidy Melo

O velório de Flaviano Mello, que ocorre neste sábado (23) no Palácio Rio Branco, contou com um momento de união religiosa em prol do ex-governador e líder político acreano. Durante a cerimônia, o pastor Afonso Geber, da Igreja Evangélica, e o padre Manoel, da Igreja Católica, conduziram uma oração conjunta, refletindo a diversidade religiosa e a importância do momento de despedida.

O ato ecumênico teve como objetivo unir a população acreana em um momento de reflexão e fé, pedindo forças para o estado e para a família de Flaviano Mello, que deixa um legado na política acreana. As orações pediram por conforto espiritual e proteção divina, além de agradecer a vida e o trabalho de Flaviano, que marcou a história política e administrativa do estado.

O momento foi marcado pela emoção dos presentes que prestam suas homenagens ao politico, familiar e amigo. Foto: Vitor Paiva

Veja vídeo:

“Ele gostava de viver”, diz viúva de Flaviano Melo

A viúva de Flaviano Melo, a arquiteta e urbanista Luciana Videl lembrou que o ex-governador, com quem viveu durante 18 anos, “gostava de viver e encarava a vida com alegria”.

“Mais marcante é a sua bravura, a sua coragem e a sua humildade. O jeito de encarar a vida com alegria, maestria, o que ele mais gostava, ele gostava de viver”, disse.

Veja vídeo:

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Prefeitura de Epitaciolândia discute implantação do Projeto Hospeda Alto Acre

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A Prefeitura de Epitaciolândia realizou, na tarde desta terça-feira, 10, na Biblioteca Municipal, uma reunião estratégica para apresentação e alinhamento do Projeto Hospeda Alto Acre, iniciativa que visa o mapeamento, credenciamento e divulgação de meios de hospedagem formais e alternativos no município e em toda a região do Alto Acre.

A apresentação do projeto foi conduzida pela Secretária Municipal de Planejamento – SEPLAN, Neiva Tessinari, que destacou a importância da organização da rede de hospedagem diante do fortalecimento do calendário cultural, turístico e esportivo do município, com destaque para o Circuito Country 2026, além de feiras, shows e eventos institucionais.

O projeto tem como objetivo organizar a oferta de hospedagem, garantindo acolhimento adequado a visitantes, turistas, artistas, equipes técnicas e participantes de grandes eventos, além de fortalecer a economia local, fomentar o turismo regional, gerar renda e valorizar a hospitalidade da população.

Durante a reunião, foram discutidas as etapas do projeto, que incluem a publicação de edital de chamada pública, período de inscrições, análise das informações, consolidação de um banco de dados atualizado e a divulgação institucional das hospedagens credenciadas nos canais oficiais do município.

Participaram da reunião o prefeito Sérgio Lopes, acompanhado do vice-prefeito Sérgio Mesquita; a secretária municipal de Planejamento, Neiva Tessinari; a secretária municipal de Cultura, Francisca de Oliveira; o secretário municipal de Turismo, Jonas Cavalcante; a secretária municipal da Mulher, Jamiele Albuquerque; e a chefe de Gabinete, Lucineide Aparecida, Marcelo Galvão Secretário Municipal de Esportes e Francisco Rodrigues Secretário de Finanças.

A Prefeitura de Epitaciolândia reforça que o Projeto Hospeda Alto Acre representa mais um avanço no planejamento estratégico do município, preparando a cidade para receber grandes públicos com organização, qualidade e segurança, consolidando Epitaciolândia como um destino turístico acolhedor e preparado para o desenvolvimento sustentável.

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Prefeitura de Rio Branco intensifica manutenção viária em bairros da capital

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A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb), tem intensificado os trabalhos de manutenção viária em diferentes regiões da capital, com foco na recuperação de ruas e na melhoria da mobilidade urbana. Nesta terça-feira (10), as equipes estiveram concentradas na Rua São José, no bairro Floresta Sul, executando serviços de recomposição do pavimento.

A intervenção inclui a retirada do solo saturado, material comprometido pela umidade e a substituição por insumos adequados para garantir maior durabilidade da via. O processo técnico envolve ainda a aplicação de material bruto, o tratamento da camada de subbase, a preparação da base e, por fim, o revestimento asfáltico.

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Segundo o encarregado Francenildo Cacau, os serviços seguem o planejamento, sujeito às condições climáticas. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

De acordo com o encarregado da obra, Francenildo Cacau, os serviços seguem um cronograma condicionado às condições climáticas. “Estamos realizando a recomposição do pavimento com a troca do solo, substituindo o material saturado. Depois entra o material bruto, fazemos o tratamento da subbase, em seguida a base e, por fim, preparamos tudo para receber o revestimento. Trabalhamos conforme o clima permite, porque o período de inverno pode interromper as atividades. Com sol, seguimos normalmente”, explicou.

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Trabalhos atuam simultaneamente nas regionais da cidade, com serviços de pavimentação, remendo profundo e drenagem. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

Além da Rua São José, outras frentes de trabalho atuam simultaneamente nas regionais da cidade, com serviços de pavimentação, remendo profundo e drenagem. A iniciativa busca atender diversos bairros de forma contínua, garantindo mais segurança e conforto para motoristas e pedestres.

No bairro Vitória, na estrada São Francisco, outra equipe realiza serviços de tapa-buracos e recapeamento asfáltico. O responsável pela obra, Pedro Henrique, destacou que a ação contempla toda a extensão da via.

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No bairro Vitória, na estrada São Francisco, outra frente de trabalho executa serviços de tapa-buracos e recapeamento do asfalto. Segundo o responsável pela obra, Pedro Henrique, as intervenções abrangem toda a extensão da via. (Foto: Marcos Araújo/Secom)

“Nessa localidade, estamos fazendo tapa-buracos, retirando o material saturado que está mole e colocando asfalto de qualidade. Também há serviço de recapeamento, e esse trabalho seguirá por toda essa via, até a entrada do Quixadá”, afirmou.

A Prefeitura reforça que os trabalhos fazem parte de um cronograma permanente de manutenção viária, com o objetivo de melhorar a trafegabilidade, reduzir riscos de acidentes e promover mais qualidade de vida à população.

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Fonte: Conteúdo republicado de PREFEITURA RIO BRANCO

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Indígena é baleado por armadilha na Terra Indígena Campinas-Katukina, em Cruzeiro do Sul

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João Carlos Catoquina foi atingido na perna ao buscar ervas medicinais; liderança acusa invasores e pede investigação urgente

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) coordenou uma operação de retirada de invasores na Terra Indígena Campinas Katukina, no Acre. Foto: captada 

Com Juruá 24horas e Ibama 

Um indígena foi baleado na perna após acionar uma armadilha improvisada com arma de fogo na Terra Indígena Campinas-Katukina, em Cruzeiro do Sul, no último domingo. A vítima, João Carlos Catoquina, estava na mata coletando ervas medicinais para tratar o neto quando o disparo ocorreu. O projétil atingiu a panturrilha, mas não atingiu o osso, evitando ferimentos mais graves.

A denúncia foi feita pela liderança Puá Nuke Koí, que afirmou que o uso de armadilhas com armas não faz parte da cultura do povo Nuke Koí. “Essa armadilha foi colocada por alguém de fora, do entorno da terra indígena”, declarou. No mesmo dia, outro disparo na área matou o cachorro de um parente e quase atingiu a esposa do cacique.

Após o acidente, João Carlos foi atendido pela equipe de saúde indígena, socorrido pelo Samu e encaminhado para Cruzeiro do Sul. Puá Nuke Koí esteve na cidade para registrar a ocorrência e cobrar investigação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Polícia Federal e outros órgãos. “O que aconteceu representa um risco real à vida do nosso povo”, concluiu.

Equipes federais destruíram acampamentos temporários utilizados por ocupantes ilegais e apreenderam equipamentos empregados no desmatamento, como motosserras, lonas, ferramentas e estruturas de apoio às práticas ilícitas. Foto: Ibama/AC

No último mês de novembro de 2025, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) coordenou uma operação de retirada de invasores na Terra Indígena Campinas Katukina, Cruzeiro do Sul, no Acre. A ação, foi realizada durante o feriado da Proclamação da República, ocorreu em cooperação com a Polícia Federal, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF).

A iniciativa integra a segunda fase da Operação Xapiri AC, que atua no enfrentamento a crimes ambientais em territórios indígenas no acre. Feriados e fins de semana costumam ser aproveitados por invasores para avançar sobre áreas protegidas.

Durante a fiscalização, as equipes federais destruíram acampamentos temporários utilizados por ocupantes ilegais e apreenderam equipamentos empregados no desmatamento, como motosserras, lonas, ferramentas e estruturas de apoio às práticas ilícitas. O objetivo das ações é desarticular a logística da ocupação e impedir a continuidade da degradação ambiental, principalmente em terras indígenas.

A ação ocorreu após levantamentos do Grupo de Combate ao Desmatamento do Ibama no Acre, que identificou focos de desmatamento e ocupações ilegais na porção sudoeste da Terra Indígena. Na primeira fase da operação, houve prisões em flagrante e multas que somam cerca de R$ 390 mil.

Segundo o coordenador, um grupo interinstitucional de comando e controle foi estabelecido para monitorar os envolvidos. As investigações preliminares indicam que o objetivo dos invasores era lucrar com a grilagem para futura implantação de atividades agropecuárias.

A Operação Xapiri AC reforça o compromisso do Estado brasileiro com a proteção dos povos indígenas, a preservação da Amazônia e o combate às ocupações ilegais em áreas de relevante interesse socioambiental.

Acampamento ilegal é destruído durante operação integrada na Terra Indígena Campinas Katukina, no Acre. Foto: Ibama/AC

Diante da gravidade dos fatos envolvendo o indígena João Carlos Catoquina, que foi baleado na perna, a liderança geral do povo da aldeia Katukina, Puá Nuke Koíesteve esteve em Cruzeiro do Sul para registrar oficialmente a denúncia e cobrar providências das autoridades que recentemente estiveram nas terras dos Campinas Katikinas em uma ação. Ele informou que busca apoio de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Polícia Federal e outras instituições responsáveis.

“Viemos às autoridades para que esse caso seja devidamente investigado e esclarecido. O que aconteceu foi dentro do nosso território e representa um risco real à vida do nosso povo”, concluiu.

Um indígena acabou caindo em uma armadilha com arma de fogo, que atingiu sua perna, na altura da panturrilha. Segundo o líder Puá, o disparo não chegou a atingir o osso. Foto: captada 

Terra Indígena Campinas-Katukina, município de Cruzeiro do Sul

Para contextualizar a importância da Terra Indígena Campinas/Katukina, é fundamental compreender quem é o povo que habita esse território e a relação histórica que mantém com a região.

O povo Noke Ko’í, também conhecido como Katukina, pertence ao tronco linguístico Pano e soma atualmente cerca de 895 pessoas, segundo dados da Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). As comunidades vivem em duas terras indígenas: a TI Campinas/Katukina, com aproximadamente 32.633 hectares, e a TI Rio Gregório, que se estende por cerca de 187.400 hectares. Esses territórios estão localizados nos municípios de Tarauacá e Cruzeiro do Sul, no Acre.

A história do povo Noke Ko’í é profundamente ligada aos rios e à floresta. De acordo com sua tradição oral, a origem do povo remonta a um mito ancestral que narra o surgimento dos primeiros Noke Ko’í a partir de uma oca situada à beira do mar, semelhante a uma teia de aranha. Sem conseguir sair, eles clamaram por ajuda até que Deus os ouviu, abriu uma porta e permitiu que seguissem seu caminho. Na travessia de um grande rio, um jacaré teria servido de ponte. Embora o mito mencione o mar, os próprios Noke Ko’í afirmam que sua origem está ligada à região do rio Juruá, onde vivem até hoje, especialmente às margens do rio Campinas.

O primeiro contato intenso com a população não indígena ocorreu durante o ciclo da borracha. Os Katukina passaram a trabalhar nos seringais para garantir a própria sobrevivência, cortando seringa em troca de alimentos e outros itens básicos. Além disso, realizavam trabalhos braçais, como o preparo e o cultivo de roças. Naquele período, tanto indígenas quanto não indígenas viviam sem posse formal da terra, deslocando-se conforme a oferta de trabalho, a presença de peixes nos rios e a abundância de caça na mata.

Ao longo desse processo, os Noke Ko’í viveram em diferentes seringais da região, como o Seringal Rio Branco, no rio Tauarí, o Seringal Sete Estrelas, no rio Gregório, e, por fim, o Seringal Campina, área que deu origem à atual Terra Indígena Campinas/Katukina.

A luta pela garantia territorial ganhou força a partir da atuação do sertanista Antônio Macedo e do antropólogo Terri Valle de Aquino, que, à época, integravam a Comissão Pró-Indígenas do Acre. O trabalho resultou na demarcação da Terra Indígena em 1984, com homologação oficial em 1993. As principais lideranças envolvidas nesse processo histórico foram Francisco de Assis da Cruz e André Rodrigues de Souza.

Hoje, a Terra Indígena Campinas/Katukina representa não apenas um espaço físico, mas um território de memória, identidade cultural e sobrevivência para o povo Noke Ko’í, cuja relação com a floresta e os rios permanece central para seu modo de vida.

De acordo com Puá Nuke Koí, liderança geral do povo, o caso aconteceu por volta das 11 horas da manhã, na aldeia Katukina. A vítima foi João Carlos Catoquina, seu tio. Foto: captada 

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