Conecte-se conosco

Acre

Acre tem 74 vereadores que declararam não ter bens à Justiça Eleitoral; veja lista completa com Brasiléia, Xapuri, Epitaciolândia e Capixaba

Publicado

em

Rio Branco e Cruzeiro do Sul empataram com 9 vereadores cada, informando não possuírem bens. Lista inclui vereadores reeleitos, engenheira, professores

Na capital os 21 vereadores eleitos em 2024, tomaram posse, 9 declaram a justiça eleitoral não terem bens. Foto: Jardel Angelim

Em todo o estado do Acre 252 vereadores foram eleitos nas eleições de 2024. Destes, 74 declararam não ter bens, o que representa quase 30% do total.Rio Branco e Cruzeiro do Sul empataram com 9 vereadores cada, que não declararam patrimônio.

As declarações foram feitas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dentre os que declaram não ter bens, seis informaram não ter o ensino fundamental completo 14 disseram ter concluído o ensino fundamental.

Já 21 vereadores comunicaram ter o ensino médio completo e 33 disseram ter superior completo entre os parlamentares sem bens declarados.

Vereadora Izabelle Araújo (REPUBLICANOS), eleita em Brasiléia declarou ao TSE a ocupação de engenheira, declarou não ter bens à justiça eleitoral. Foto: rede social 

Entre as profissões dos parlamentares que não declararam bens à Justiça Eleitoral estão servidores públicos municipais e estaduais, pecuaristas, empresários, advogados, vereadores reeleitos até mesmo policiais militares, cuja remuneração média está em torno de R$ 4,9 mil.

Na capital, Rio Branco, o ex-presidente da Câmara de Vereadores, Raimundo Neném (PL), Joaquim Florêncio (PL), Elzinha Mendonça (PP), que receberam salário mensal de R$ 17 mil desde abril de 2023, também declararam não ter bens.

Dois membros da nova mesa diretora, eleita na quarta-feira (1º), também fazem parte da lista. O empresário e presidente da Associação de Bares Restaurantes, Conveniências, Distribuidoras e Eventos do Acre (Abrace), Leôncio Castro, atual vice-presidente e a empresária Lucilene Vale (PP), casada com o deputado André Vale (Republicanos) , e conhecida por administrar uma drogaria em Rio Branco.

Vereador Cleomar Portela (PP), declarou ao TSE a ocupação de servidor público municipal e informou ter superior completo, foi eleito em Epitaciolândia, e declarou não ter bens à justiça eleitoral. Foto: rede social 

Veja a lista completa por município de vereadores que declararam não ter bens
Acrelândia
  • Patrãozinho (PL), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter ensino fundamental completo.
  • Prof Rogério (PP), declara ao TSE a ocupação de professor de ensino fundamental e informou ter superior completo.
  • Rozeno Melo (REPUBLICANOS), declarou ao TSE a ocupação de agricultor e informou que lê e escreve.
Brasiléia
  • Izabelle Araujo (REPUBLICANOS), declarou ao TSE a ocupação de engenheira e informou ter superior completo.
Bujari
  • Alexandre Lima (PL), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter ensino médio completo.
  • Gelson (PP), declarou ao TSE a ocupação de vigilante e informou ter ensino fundamental completo.
Capixaba
  • Diego Paulista (PP), declarou ao TSE a ocupação de agricultor e informou ter ensino médio completo.
  • Marconde (UNIÃO), declarou ao TSE a ocupação de agricultor e informa ter lê e escreve.
  • Sebastião Oliveira (PL), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter ensino fundamental completo.
  • Willian Tessinari (UNIÃO), declara ao TSE a ocupação de operador de computador e informou ter ensino médio completo.
Cruzeiro do Sul
  • Enfermeira Manelisse (REPUBLICANOS), declarou ao TSE a ocupação de enfermeira e informou ter superior completo.
  • Franciney (PP), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter ensino fundamental completo.
  • Josafá Vale (UNIÃO), declarou ao TSE a ocupação de servidor público municipal e informou ter ensino médio completo.
  • Keleu (PP), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter ensino fundamental completo.
  • Manan Rural (PDT), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter ensino médio completo.
  • Mazinho da Br (MDB), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter ensino fundamental completo.
  • Tiago da Milênio (UNIÃO), declarou ao TSE a ocupação de policial militar e informou ter superior completo.
  • Valéria Lima (PP), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter superior completo.
  • Zé Roberto (PP), declarou ao TSE a ocupação de pescador e informou ter superior incompleto.
Epitaciolândia
  • Cleomar Portela (PP), declarou ao TSE a ocupação de servidor público municipal e informou ter superior completo
  • Miro Bispo (PDT), declarou ao TSE a ocupação de servidor público estadual e informou ter superior completo.
Jordão
  • Fernando Muniz (PDT), declarou ao TSE a ocupação de servidor público municipal e informou ter ensino médio completo.
  • Laura Yslen (PP), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter superior incompleto.
  • Oscar Sérgio (PDT), declara ao TSE a ocupação de servidor público estadual e informou ter superior completo.
Manoel Urbano
  • Endreo Mendes (PP), declarou ao TSE a ocupação de estudante, bolsista ou estagiário e informou ter ensino médio completo.
Marechal Thaumaturgo
  • Joao Luciano (PP), declarou ao TSE a ocupação de agricultor e informa ter ensino fundamental completo.
  • Joice Lopes (PODE), declarou ao TSE a ocupação de padeira e confeiteira e informou ter superior completo.
  • Junior da Restauração (PDT), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter ensino médio completo.
  • Prof Fatima Cruz (PSD), declarou ao TSE a ocupação de professora de ensino fundamental e informou ter superior completo.
  • Rudson Rogerio (PSD), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter superior completo.
  • Zeca do Assis (PSD), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter ensino fundamental incompleto.
Mâncio Lima
  • Alana Souza (PODE), declarou ao TSE a ocupação de produtora agropecuária e informa ter superior completo.
  • Jaluza do Val (PP), declarou ao TSE a ocupação de agricultora e informou ter superior completo.
  • Roneilson (MDB), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter ensino médio completo.
Plácido de Castro
  • Dim (PP), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter superior completo
  • Rogerio Ribeiro (PP), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter superior completo.
  • Zé Nunes (PP), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter superior completo.
Porto Acre
  • Juliano Moreira (PP), declarou ao TSE a ocupação de agricultor e informou ter ensino médio completo.
  • Prof Luan Luz (MDB), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter superior completo.
Porto Walter
  • Beliarte (PSD), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter ensino médio completo.
  • Cleide Silva (PP), declarou ao TSE a ocupação de vereadora e informou ter superior completo.
  • Nego do Temista (UNIÃO), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter ensino fundamental incompleto.
  • Racildo Cameli (UNIÃO), declarou ao TSE a ocupação de agricultor e informou ter ensino fundamental incompleto.
  • Rosildo Cassiano (PSD), declarou ao TSE a ocupação de agente administrativo e informou ter ensino médio completo.
Rio Branco
  • Aiache (PP), declarou ao TSE a ocupação de servidor público estadual e informou ter superior incompleto.
  • Bruno Moraes (PP), declarou ao TSE a ocupação de empresário e informou ter superior completo.
  • Elzinha Mendonça (PP), declarou ao TSE a ocupação de vereadora e informou ter superior completo.
  • Joaquim Florencio (PL), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter ensino fundamental completo.
  • Leôncio Castro (PSDB), declarou ao TSE a ocupação de empresário e informou ter ensino médio incompleto.
  • Lucilene da Droga Vale (PP), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter superior completo.
  • Marcio Mustafá (PSDB), declarou ao TSE a ocupação de empresário e informou ter ensino médio completo.
  • Matheus Paiva (UNIÃO), declarou ao TSE a ocupação de advogado e informou ter superior completo.
  • Raimundo Neném (PL), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter ensino fundamental completo.
Rodrigues Alves
  • Alcimar Silva (SOLIDARIEDADE), declarou ao TSE a ocupação de professor de ensino fundamental e informou ter superior completo.
  • Anagildo Câmara (PSD), declarou ao TSE a ocupação de servidor público municipal e informou ter superior completo.
  • Chico Vaqueiro (PL), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter ensino fundamental completo.
  • Elilson Teles (PSD), declarou ao TSE a ocupação de servidor público municipal e informou ter superior completo.
  • Magila Damasio (PSD), declarou ao TSE a ocupação de vereadora e informou ter ensino médio completo.
  • Orlinete Smyth (PL), declarou ao TSE a ocupação de empresária e informou ter ensino médio completo.
  • Raiden da Endemias (PL), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter superior completo.
Santa Rosa do Purus
  • Enio Kulina (MDB), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter ensino fundamental completo.
  • Louro do Juazeiro (PL), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter ensino fundamental incompleto.
Sena Madureira
  • Carlos Beliza (PSD), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter superior completo.
  • Francisco Maia (PP), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter superior completo.
  • Obede da V Cinco (REPUBLICANOS), declarou ao TSE a ocupação de gerente e informou ter ensino fundamental incompleto.
  • Real (PL), declarou ao TSE a ocupação de pecuarista e informou ter superior completo.
Senador Guiomard
  • Leiri do Mixico (REPUBLICANOS), declarou ao TSE a ocupação de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional e informou ter superior completo.
  • Telma Queiroz (PP), declarou ao TSE a ocupação de técnica de enfermagem e informou ter ensino médio completo.
Tarauacá
  • Careca (PP), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter superior incompleto.
  • Camila Figueiredo (PDT) assume a vaga deixada por Chico Batista, que morreu um mês após as eleições. Ela declarou ao TSE a ocupação de outros e informou ter superior completo.
  • Janaina Furtado (PP), declarou ao TSE a ocupação de professora de ensino fundamental e informou ter superior completo.
Xapuri
  • Jean da Saúde (REPUBLICANOS), declarou ao TSE a ocupação de servidor público estadual e informou ter ensino médio completo.
  • Kikinha Cordeiro (PDT), declarou ao TSE a ocupação de “outros” e informou ter ensino médio incompleto.
  • Professor Clemilton (UNIÃO), declarou ao TSE a ocupação de vereador e informou ter superior completo.

Comentários

Continue lendo
Publicidade

Acre

Comunicar na Amazônia: os desafios e as estratégias do sistema público do Acre

Publicado

em

Por Verônica Pimentel*

Comunicar na Amazônia é um desafio que vai muito além da produção de conteúdos. Trata-se de construir pontes entre o Estado e a população em um território marcado por distâncias geográficas, diversidade cultural, limitações de conectividade e realidades sociais distintas.

No Acre, essa missão exige planejamento, integração institucional e sensibilidade para compreender que a informação pública precisa chegar de forma clara, acessível e confiável a todos os cidadãos, independentemente de onde estejam.

Em um cenário nacional cada vez mais digitalizado, é comum associar a comunicação pública às redes sociais e às plataformas online. No entanto, na realidade amazônica, a comunicação se constrói de forma híbrida, combinando meios digitais, rádios públicas, portais institucionais e canais tradicionais, formando um sistema integrado de informação.

Essa diversidade de meios não é uma fragilidade, mas uma estratégia. Ela permite que o poder público alcance populações urbanas, rurais, ribeirinhas e comunidades mais distantes, respeitando as particularidades territoriais, culturais e sociais de cada região.

Nesse contexto, o Sistema Público de Comunicação do Acre foi estruturado para atuar de forma articulada, garantindo unidade institucional, padronização das informações e coerência nas mensagens transmitidas à sociedade. A integração entre redes sociais, rádios públicas e a Agência de Notícias permite ampliar o alcance, fortalecer a credibilidade e reduzir ruídos informacionais.

Antes desse processo de organização, a comunicação institucional era marcada por iniciativas isoladas, baixa padronização e pouca articulação entre os diferentes canais. Esse cenário dificultava o acesso da população às informações oficiais e enfraquecia a percepção de transparência e eficiência do Estado.

A atuação estratégica da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) permitiu a consolidação de diretrizes, fluxos de produção, identidade institucional e mecanismos de monitoramento, transformando a comunicação em uma política pública estruturada, contínua e orientada ao interesse coletivo.

Esse trabalho encontra respaldo nos princípios constitucionais que asseguram o direito fundamental de acesso à informação, a publicidade dos atos administrativos e a transparência na gestão pública, bem como na Lei de Acesso à Informação, que estabelece o dever permanente do Estado de informar a sociedade. Nesse sentido, a atuação da Secom ultrapassa a dimensão operacional e se consolida como instrumento de garantia de direitos coletivos.

Informar, nesse contexto, não é apenas divulgar ações governamentais. É criar condições para que a população compreenda políticas públicas, acompanhe investimentos, participe das decisões e exerça plenamente sua cidadania.

Atualmente, o funcionamento do Sistema Público de Comunicação envolve planejamento editorial, definição de prioridades, acompanhamento de dados, análise de alcance e avaliação permanente dos conteúdos produzidos. Cada informação passa por processos de checagem, adequação de linguagem e contextualização territorial antes de chegar ao público.

Esse cuidado é essencial em um ambiente marcado pela circulação intensa de desinformação. Em regiões onde o acesso à informação é mais limitado, notícias falsas, boatos e conteúdos distorcidos tendem a se espalhar com maior facilidade, impactando decisões individuais e coletivas.

Nesse cenário, o Sistema Público de Comunicação cumpre também uma função educativa, preventiva e mobilizadora. Ao oferecer informações oficiais, verificadas e acessíveis, contribui para a formação cidadã, para a mudança de comportamentos sociais e para o fortalecimento de campanhas de interesse público nas áreas de saúde, educação, segurança, meio ambiente e direitos humanos.

Outro aspecto relevante é a valorização, com investimentos contínuos, das rádios públicas, que atuam como instrumento de inclusão informacional. Em muitas localidades, elas continuam sendo o principal meio de acesso às notícias, aos serviços públicos e às orientações governamentais, cumprindo papel fundamental na integração territorial, especialmente por serem, em diversos casos, o único meio de comunicação em mais de 700 comunidades isoladas, além de atuarem nos 22 municípios do Estado.

Paralelamente, os ambientes digitais ampliam a capacidade de diálogo com a população, permitindo maior interação, transparência e agilidade na divulgação das ações governamentais. A combinação entre tradição e inovação é uma das marcas da comunicação pública no Acre.

Além da dimensão tecnológica, comunicar na Amazônia exige sensibilidade social. A diversidade cultural, os modos de vida, as formas de organização comunitária e as especificidades regionais precisam ser considerados na construção das narrativas institucionais. Não se trata apenas de informar, mas de dialogar com realidades distintas, respeitar identidades e promover inclusão.

Nesse processo, os dados e as métricas assumem papel estratégico. O monitoramento de alcance, engajamento e impacto permite ajustes permanentes nas estratégias, garantindo maior eficiência, maior aderência às demandas sociais e maior efetividade das políticas públicas.

A formação contínua das equipes, a valorização dos servidores e o investimento em inovação também são pilares fundamentais para a sustentabilidade do Sistema Público de Comunicação e para a consolidação de uma comunicação pública responsável.

Comunicar na Amazônia, portanto, é exercer um trabalho técnico, político, jurídico e social. É compreender que a informação pública é um direito fundamental e que sua qualidade impacta diretamente a democracia, a participação social e a confiança nas instituições.

Mais do que divulgar ações governamentais, o Sistema Público de Comunicação do Acre constrói pontes entre gestão e população. Fortalece vínculos sociais, consolida uma cultura de transparência, amplia o acesso aos direitos e contribui para a transformação de realidades por meio da informação.

Em um território desafiador e diverso, comunicar com responsabilidade, sensibilidade e estratégia é uma forma concreta de promover cidadania, inclusão e desenvolvimento. Na Amazônia, informar é também cuidar, educar, mobilizar e fortalecer a democracia.

Ao final, permanece uma convicção: na Amazônia, comunicar é, acima de tudo, cuidar das pessoas por meio da informação. É fortalecer direitos, promover cidadania e consolidar a democracia.

*Verônica Pimentel é chefe do Departamento de Marketing e Inovação da Secretaria de Estado de Comunicação do governo do Acre (Secom); publicitária; especialista em Marketing Digital e Comportamento do Consumidor; mestranda em Comunicação Digital, com ênfase em Marketing Político.

The post Comunicar na Amazônia: os desafios e as estratégias do sistema público do Acre appeared first on Noticias do Acre.

Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

Comentários

Continue lendo

Acre

Em 16 anos, carne e grãos desafiam hegemonia do extrativismo e redesenham a economia acreana

Publicado

em

Por Marky Brito e Joquebede Oliveira*

A economia acreana passou por uma transformação profunda nos últimos 16 anos, deixando para trás a histórica dependência do extrativismo e abrindo espaço para uma agropecuária cada vez mais competitiva. É o que revela o recém-lançado relatório da Seplan, Panorama do Comércio Exterior do Acre: Evolução e Tendências (2010–2025), que detalha como carne e grãos passaram a redesenhar a estrutura produtiva e o perfil exportador do estado.

Carne bovina, carne suína e soja passaram a liderar a pauta exportadora, impulsionando um ciclo de crescimento que reposiciona o Acre no cenário do comércio internacional. Nesse período, o estado acumulou US$ 490 milhões em superávit e registrou crescimento médio anual de 11% nas exportações — quase três vezes a média brasileira.

O ponto de partida, no entanto, foi desafiador. Entre 2010 e 2014, ainda sob os efeitos da crise financeira global, o Acre enfrentou retração média de 23,2% ao ano nas exportações. A pauta era altamente concentrada: madeira e castanha respondiam por 85% das vendas externas, e o Reino Unido absorvia quase metade de tudo o que o estado exportava. A queda abrupta das exportações madeireiras expôs a fragilidade desse modelo e abriu caminho para uma reestruturação que ganharia força nos anos seguintes.

A partir de 2015, o estado iniciou um processo de diversificação, com a entrada gradual das proteínas animais. Mas a virada decisiva ocorreu entre 2020 e 2022, quando a soja registrou crescimento médio anual de 242%, saltando de US$ 1,2 milhão para US$ 14,3 milhões. Esse avanço marcou a transição definitiva de uma economia baseada em produtos florestais para uma matriz agropecuária mais robusta e integrada às cadeias globais.

O triênio mais recente consolidou essa mudança. Entre 2023 e 2025, as exportações cresceram 46,9% ao ano, alcançando o recorde histórico de US$ 98,9 milhões em 2025. A carne bovina assumiu a liderança da pauta, seguida pela soja e pela carne suína. O desempenho do último trimestre reforça essa tendência: outubro registrou US$ 8,86 milhões em vendas; novembro, mesmo com retração sazonal, já superava todo o acumulado de 2024; e dezembro encerrou o ano com alta de 20,9%, impulsionado pela castanha e pela carne bovina.

Outro aspecto marcante é a interiorização da atividade exportadora. Em 2010, Rio Branco concentrava 61% das vendas externas. Em 2025, o mapa mudou: Brasileia assumiu a liderança, com US$ 26,66 milhões, impulsionada pela carne suína e pela castanha; Senador Guiomard tornou-se o principal polo da carne bovina; e Rio Branco passou a ocupar a terceira posição, com uma pauta mais diversificada. O movimento indica que o desenvolvimento econômico deixou de se concentrar na capital e avançou para áreas de fronteira e municípios estratégicos.

A geografia comercial também se redesenhou. O Acre deixou de mirar prioritariamente a Europa e passou a se conectar com mercados mais próximos e dinâmicos. O Peru tornou-se o principal destino anual das exportações, com 27,2% do total, funcionando tanto como comprador quanto como corredor logístico para outros mercados. Emirados Árabes Unidos e Turquia consolidaram-se como compradores da carne bovina acreana, ampliando a presença do estado no Oriente Médio.

No campo logístico os avanços são significativos. A participação da via rodoviária nas exportações saltou de 2,2% em 2010 para 27,6% em 2025, impulsionada pela atuação da unidade da Receita Federal de Assis Brasil e pela consolidação do corredor para o Pacífico. Embora a via marítima ainda responda pela maior parte do escoamento, o futuro acesso ao porto de Chancay, no Peru, abre uma oportunidade histórica para o Acre se conectar diretamente ao mercado asiático e à costa oeste dos Estados Unidos.

Apesar dos avanços, persistem gargalos que limitam o potencial de expansão. A BR-364 e a BR-317 seguem como pontos críticos, com trechos vulneráveis e manutenção insuficiente. A modernização aduaneira nas fronteiras com Peru e Bolívia é urgente, assim como obras estruturantes, como o Anel Viário de Brasileia. A ferrovia planejada para conectar o Brasil ao Pacífico via Acre surge como solução estratégica para superar as fragilidades das rodovias federais e reduzir custos logísticos.

A trajetória da balança comercial entre 2010 e 2025 mostra um estado que começa a transformar sua localização estratégica em vantagem competitiva. O Acre deixa de ser periferia econômica e passa a se posicionar como corredor logístico e comercial da Amazônia, peça-chave da Rota de Integração Quadrante Rondon.

Neste cenário, o superávit recorde de US$ 93,72 milhões em 2025 aponta para a possibilidade de um ciclo duradouro de desenvolvimento, desde que os investimentos em infraestrutura e facilitação comercial avancem. O desafio para 2026 será consolidar essa virada, garantindo que o “Feito no Acre” chegue cada vez mais longe, com mais competitividade e maior valor agregado, possibilitando maior distribuição de renda entre os acreanos.

Acesse aqui o relatório Panorama do Comércio Exterior do Acre: Evolução e Tendências: 2010-2025.

*Marky Brito é engenheiro florestal (UFRA), com MBA em Gestão de Projetos (FGV), e é diretor de Desenvolvimento Regional (DIRDR/Seplan)

Joquebede Oliveira, é economista (Ufac) e chefe da Divisão de Estatísticas e Monitoramentos de Indicadores (Dimei/Seplan).

The post Em 16 anos, carne e grãos desafiam hegemonia do extrativismo e redesenham a economia acreana appeared first on Noticias do Acre.

Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

Comentários

Continue lendo

Acre

Pedestre é atropelado na faixa e sofre traumatismo craniano na Avenida Ceará, em Rio Branco

Publicado

em

Motorista parou para prestar socorro, mas deixou o local antes da chegada da polícia

Paulo Bernardo Pereira, de 59 anos, ficou ferido após ser atropelado na tarde deste sábado (14), enquanto atravessava a Avenida Ceará pela faixa de pedestres, no bairro Tangará, em Rio Branco.

Segundo relato da própria vítima, ele caminhava pela via e decidiu atravessar na faixa quando foi surpreendido por um veículo modelo Voyage, de cor branca, que seguia no sentido bairro–centro em alta velocidade. Sem tempo para reagir, acabou atingido pelo automóvel.

Com o impacto, Paulo foi arremessado ao solo, bateu a cabeça contra o asfalto e sofreu um corte profundo, além de traumatismo cranioencefálico (TCE) de natureza leve e múltiplas escoriações pelo corpo.

O condutor do veículo chegou a parar para prestar socorro, mas deixou o local antes da chegada das autoridades.

Populares acionaram a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A ambulância de suporte básico 05 realizou os primeiros atendimentos no local e, após estabilização do quadro clínico, encaminhou a vítima ao pronto-socorro de Rio Branco, em estado de saúde estável.

Policiais do Batalhão de Trânsito estiveram na ocorrência, porém o motorista já não se encontrava no local. O caso deverá ser apurado pelas autoridades competentes.

Comentários

Continue lendo