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Acre celebra o Dia Mundial do Turismo e destaca potenciais e diversidade de experiências

Museu dos Povos Acreanos faz parte do segmento histórico-cultural em Rio Branco. Foto: Pedro Devani/Secom
O turismo é responsável por gerar milhões de empregos diretos e indiretos em diferentes partes do mundo. Mais do que impulsionar a economia, a atividade valoriza o patrimônio histórico, cultural e natural. No Acre, múltiplos segmentos estão presentes no cotidiano de visitantes e moradores, revelando a variedade de experiências que o estado oferece.
Da arqueologia às tradições indígenas, passando pelo ecoturismo, pela observação de aves e pelo histórico-cultural, o Acre demonstra que seu potencial vai muito além da floresta. Para marcar o Dia Mundial do Turismo, celebrado neste sábado, 27, conheça os principais segmentos que fortalecem a economia acreana.
Turismo histórico-cultural: memória e identidade
O segmento histórico-cultural valoriza a memória e os patrimônios arquitetônicos do Acre. De acordo com a mestre em Turismo e servidora da Secretaria de Turismo e Empreendedorismo (Sete), Adalgisa Bandeira, este segmento pode ser encontrado em Rio Branco, por meio dos museus, prédios históricos, praças, monumentos e igrejas.
Além da capital, Adalgisa cita municípios como Cruzeiro do Sul, Brasiléia, Xapuri e Porto Acre como importantes referências.
Para a guia Marina Luckner, do Museu dos Povos Acreanos, não há turismo sem cultura e destaca a importância do segmento. “O segmento histórico-cultural valoriza os nossos patrimônios, sejam eles imateriais ou materiais. Trazer para os jovens, principalmente, sobre a história deles e das famílias deles, é conhecimento e resgate à memória”, afirma.
Turismo indígena: identidade e reciprocidade
O turismo indígena tem se fortalecido nos últimos anos por meio dos festivais culturais. Segundo Adalgisa, eles começaram após um encontro realizado em 2000.
O segmento é encontrado principalmente em Mâncio Lima, com o povo Puyanawa; em Tarauacá, com os Yawanawa e Huni Kuin; em Feijó, com os Shanenawa; e em Assis Brasil, com os Jaminawa e Manchineri.

Festival Atsa Puyanawa, em Mâncio Lima. Foto: Marcos Vicentti/Secom
A historiadora Liliane Puyanawa reforça a importância do etnoturismo, que permite vivenciar tradições indígenas de perto: “para nós, é uma oportunidade de transmitir saberes, cultura e tradição. Para quem participa, é uma experiência de aprendizado e respeito”.
Turismo arqueológico: grandiosidade ancestral
A arqueóloga Raquel Frota, servidora da Sete, explica que o segmento possibilita o reconhecimento da história ancestral do Acre, especialmente por meio dos geoglifos.
“O segmento é tudo que envolve o descobrimento e a visitação de sítios arqueológicos, cerâmicas e componentes preservados em museus, que falam sobre povos que viveram aqui há muitos séculos. Hoje temos geoglifos que estão aptos à visitação, como o Baixa Verde, o Severino Calazans e o Jacó Sá, todos na BR-317. Esse segmento é importantíssimo para que a gente se reconheça enquanto seres humanos capazes de realizar obras grandiosas, sem precisar olhar apenas para exemplos da Europa ou de outros continentes”, explica.
Em todo o estado, já foram identificados mais de mil geoglifos, mas apenas 462 foram registrados, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que tombou como patrimônio cultural do Brasil a estrutura do Sítio Arqueológico Jacó Sá, em 2018.
Ecoturismo: natureza e sustentabilidade
No Acre, o ecoturismo se desenvolve principalmente em áreas de proteção ambiental. “As pessoas vão visualizar o panorama e contemplar o meio ambiente preservado. No estado, podemos encontrar no Parque Nacional da Serra do Divisor, em Mâncio Lima, na Área de Proteção Ambiental [APA] Lago do Amapá, em Rio Branco, e em outros locais da capital e do interior”, explica Adalgisa.
O guia de turismo Tássio Fúria, da empresa Fúria Aventura, reforça que o ecoturismo é um dos carros-chefes do estado:
“As pessoas vêm em busca de trilhas, caminhadas, contato com comunidades, árvores centenárias, animais, rios e até frutas da região. Para quem vem de grandes cidades, isso é um diferencial enorme”, destaca.
Observação de aves: riqueza da biodiversidade
O Birdwatching, ou observação de aves, tem conquistado visibilidade nacional e internacional no Acre. A prática consiste em registrar aves raras ou endêmicas, especialmente em áreas como o Parque Nacional da Serra do Divisor e o Parque Estadual Chandless.
O biólogo Ricardo Plácido, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), reforça o crescimento da observação de aves no Acre. “A atividade tem crescido muito nos últimos dez anos. O Acre é repleto de espécies que chamam a atenção do Brasil e do mundo, inclusive espécies novas que foram recentemente descritas, então é um local da Amazônia em que há grandes possibilidades de você ter surpresas ao ‘passarinhar’”, explica.
O biólogo registrou em foto, pela primeira vez na história, o tovacuçu-xodó (grallaria eludens). O registro aconteceu em janeiro de 2025, no habitat natural da ave, no Parque Estadual Chandless, situado entre os municípios de Manoel Urbano, Sena Madureira e Santa Rosa do Purus.
Turismo religioso
De acordo com Adalgisa, o turismo religioso é voltado para a fé: “as pessoas que estão em busca da fé, da cura, participam de manifestações religiosas. Está ligado a essas questões. Em Rio Branco, a referência é a Catedral Nossa Senhora de Nazaré e outras paróquias importantes, e também o Círio de Nazaré, uma festividade religiosa que atrai muitos fiéis”.
Este segmento pode ser encontrado também em Cruzeiro do Sul, com a Catedral Nossa Senhora da Glória e o novenário que acontece celebração à padroeira da cidade, e em Xapuri, com a festividade religiosa em celebração ao dia de São Sebastião, que marca o dia 20 de janeiro.
“Temos também outros santos da floresta que podem estar relacionados ao segmento. Em Assis Brasil tem uma procissão em celebração a Santa Raimunda Alma do Bom Sucesso, especialmente entre os seringueiros e povos da floresta, e São João do Guarani em Xapuri, que não são canonizados pela Igreja Católica, mas populares acreditam ser milagrosos”, explica.
Turismo de aventura
Neste segmento, as trilhas são destaque, com a Trilha Chico Mendes, de longo curso, como principal referência.
“A trilha Chico Mendes está implantada para até sete pernoites e o retorno com oito dias, mas pode ser feito por etapas, parcialmente em até três dias ou somente até a primeira colocação. Além disso, temos também o Parque Nacional da Serra do Divisor, que tem uma caminhada em trilha na montanha na Serra. Na área Norte do Parque, existe uma comunidade chamada Pé da Serra e lá tem várias cachoeiras, uma associação de moradores e tem equipamentos de hospedagem, que oferecem estadia, alimentação e guia local”, afirma.
Turismo de negócios e eventos
Grandes eventos realizados no estado também movimentam o turismo, como a Expoacre, em Rio Branco, e a Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, que atraem visitantes locais, nacionais e internacionais.
“É o segmento que mais atrai visitantes ao Acre, porque quando elas não vêm pela história do estado, elas vêm em busca de fechar negócios ou participar de eventos. Além da Expoacre na capital e em Cruzeiro do Sul, há festivais muito popularizados que atraem turistas locais aos municípios onde são realizados os eventos”, explica.
Em 2025, levantamento da Sete apontou que hotéis de Rio Branco registraram altas taxas de ocupação durante a 50ª edição da Expoacre. O estudo, realizado em seis estabelecimentos, reforça a relevância da feira não apenas como vitrine de negócios, mas também como geradora de renda para o turismo.
Celebração em dose dupla
Neste sábado também se comemora o Dia do Turismólogo e dos Profissionais do Turismo, responsáveis por elaborar políticas e iniciativas que impulsionam o setor.
Para o secretário da Sete, Marcelo Messias, também turismólogo, a data celebra a importância do setor e dos profissionais que atuam como fortalecedores do setor. “O turismo gera renda, movimenta a economia e valoriza a nossa identidade cultural. No Acre, temos a alegria de contar com profissionais dedicados que transformam potenciais em experiências únicas para quem nos visita. Cada segmento valoriza a força do estado e mostra ao mundo nossas riquezas. Parabenizo os turismólogos e todos que atuam neste setor, que unem esforços para consolidar cada vez mais o Acre como destino turístico”, destaca.

Na Sete, os profissionais da área estão alinhados quanto ao que é ser turismólogo e o que é fazer turismo. Para eles, a profissão é essencial, desde o planejamento, até a consolidação do produto turístico na prateleira para comercialização ao cliente. Mais que fomentar a economia, segundo os profissionais, trabalhar com o turismo é fortalecer a identidade, história e cultura do destino Acre.
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Acre terá sábado de calor, sol entre nuvens e chuvas rápidas
Temperaturas podem chegar aos 34ºC e não há previsão de temporais no estado

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Acre e Peru selam acordo entre Zona de Processamento de Exportação e Zona Especial de Desenvolvimento de Ilo para viabilizar saída ao Pacífico
O governo do Acre consolidou, nesta semana, um importante acordo para aprimorar a logística e impulsionar a economia regional. Em um ação estratégica para efetivar a tão sonhada rota bioceânica, a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) firmou um acordo de cooperação internacional entre a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre e a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) de Ilo, no Peru.

A parceria visa integrar os regimes aduaneiros especiais dos dois países, transformando o Acre em um elo logístico privilegiado entre a Amazônia brasileira e os mercados asiáticos através do Oceano Pacífico.

O secretário de Indústria Ciência e Tecnologia (Seict) Assurbanipal Mesquita, visitou nesta sexta-feira, 21 a ZED de Ilo para conhecer o funcionamento da Zona de Exportação e dialogar com os empresários regionais.


Jorge atua como articulador entre universidades, governo e setor privado. Foto: Alice Leão Secom.
O membro regional do Centro de Estudos da Universidade de la Calle, Reinaldo Cordova, foi convidado a participar dessas reuniões e acordos de cooperação, como articulador desse importante espaço de diálogo de integração que estão levando a diante o governo do Acre junto ao governo do Sul do Peru. “Vimos que essa aliança pode ser estendida a outros espaços, com o governo do norte do Chille. Com o apoio do meio acadêmico criaremos o espaço de diálogo e integração que não se encerra no Sul do Peru, juntos podemos integrar os estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e o governo do Norte do Chille.
Mercado global
Localizada estrategicamente no sul do Peru, a ZED de Ilo está conectada à Rodovia Interoceânica Sul, que liga o território peruano ao Brasil. A cidade abriga o Porto de Ilo e possui proximidade com o Porto de Matarani, oferecendo uma infraestrutura robusta para o escoamento de mercadorias.

Para o titular da Seict, Assurbanipal Mesquita, o acordo não é apenas institucional, mas uma mudança de paradigma para o setor produtivo acreano.

“Estamos construindo uma ponte real para o desenvolvimento. A integração entre a ZPE Acre e a ZED de Ilo permite que o empresário acreano olhe para o Pacífico não mais como um horizonte distante, mas como uma rota viável e competitiva. Nossa missão é reduzir o ‘Custo Brasil’, encurtando o tempo de trânsito para a Ásia e barateando o frete de insumos essenciais”, destacou o secretário.
O papel estratégico da ZPE Acre
A ZPE do Acre, como distrito industrial incentivado, é a peça-chave dessa engrenagem. Com o novo acordo, empresas instaladas na zona acreana terão suporte técnico e logístico facilitado para utilizar os portos peruanos.
Entre as vantagens diretas da cooperação está a Exportação, que viabiliza o ganho de competitividade para produtos como proteína animal, madeira, café, castanha e grãos. Além disso, promove a facilitação na entrada de máquinas, equipamentos e fertilizantes, reduzindo a dependência dos portos do Sudeste e Sul do Brasil. Do lado peruano, a Integração Produtiva, gera o intercâmbio de tecnologia e possibilidade de consolidação de cargas em território peruano.
“A ZPE Acre entra em uma nova fase. Com essa parceria, passamos a oferecer um ambiente de negócios onde a logística é o diferencial. Queremos atrair novos investimentos que vejam no Acre a porta de saída natural para o mercado global”, reiterou Assurbanipal.
Investimentos
O acordo prevê ainda a realização de missões comerciais e rodadas de negócios entre empresários brasileiros e peruanos. A expectativa é que, nos próximos meses, o fluxo de mercadorias pelo eixo Peru-Brasil ganhe um novo ritmo, consolidando o estado como o principal hub logístico da Amazônia Ocidental.
Com essa iniciativa, o Governo do Acre reafirma seu compromisso com a geração de emprego e renda, posicionando a economia local no centro das decisões da integração sul-americana.
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Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE
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Sepi realiza 3ª etapa do diagnóstico participativo em terras indígenas do Acre
Com o objetivo de mapear benefícios e identificar prioridades nas terras indígenas do Acre, a Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi) realizou, entre os dias 9 e 19 de fevereiro, a 3ª etapa do diagnóstico participativo no Território Indígena Kaxinawá do rio Jordão, no município de Jordão, que abrange as Terras Indígenas do Alto, Médio e Baixo rio Jordão, além do Seringal Independência.
Etapas do Diagnóstico
A 1ª etapa, realizada de 30 de junho a 9 de julho de 2025, contemplou os Territórios Indígenas Puyanawa, no município de Mâncio Lima e Nukini/Katukina/Kaxinawá, em Feijó. No caso da 2ª etapa, ocorrida de 8 a 19 de outubro de 2025, abrangeu os Territórios Indígenas Noke Koe, em Cruzeiro do Sul, e Nukini e Nawa, em Mâncio Lima.

Diagnóstico foi conduzido de forma planejada e gradual, com articulação junto às lideranças. Foto: Cedida
A 1ª etapa, realizada de 30 de junho a 09 de julho de 2025, contemplou os Territórios Indígenas Puyanawa, no município de Mâncio Lima e Nukini/Katukina/Kaxinawá, em Feijó. No caso da 2ª etapa, ocorrida de 08 a 19 de outubro de 2025, abrangeu os Territórios Indígenas Noke Koe, em Cruzeiro do Sul, e Nukini e Nawa, em Mâncio Lima.
Metodologia participativa e intercultural
A ação adotou metodologia participativa e intercultural, com escuta ativa, coleta de dados em campo e realização de oficinas articuladas com as lideranças, para mapear territórios e relações institucionais, além de identificar necessidades e prioridades para a implementação dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) nas terras indígenas do Acre.
O diagnóstico participativo já apresenta resultados preliminares em territórios como o Kaxinawá do rio Jordão, que abrange o Alto, Médio e Baixo rio Jordão, e a Terra Indígena do Seringal Independência, onde as entrevistas registraram a presença e a atuação de diferentes instituições.
A secretária Extraordinária de Povos Indígenas, Francisca Arara, ressaltou que a Sepi, dará continuidade às próximas etapas até a conclusão do processo, consolidando as informações levantadas e garantindo, ao final, a devolutiva à população indígena de forma transparente e acessível.
O diagnóstico identificou a atuação de diversas instituições nos territórios, entre elas o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE) e secretarias do município de Jordão, como Educação, Esportes, Produção e Obras. Também foram mencionadas organizações de representação e apoio, como a Comissão Pró-Indígena (CPI), a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC), a Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ) e as associações Huni Kuĩ do baixo e do alto rio Jordão.
As ações contemplam a educação, com o pagamento de professores e a manutenção de escolas, a área social, com apoio a programas como o Bolsa Família, além da atuação da Funai na regularização territorial e capacitação e do DSEI na assistência à saúde indígena. Na gestão territorial e ambiental, a AMAAIAC paga bolsas aos Agentes Agroflorestais Indígenas com recursos da Sepi, por meio do Programa REM Acre – Fase II.
Fonte: Conteúdo republicado de AGENCIA ACRE

















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