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Reveses no STF e ausências: CPI do Crime Organizado empaca no Senado

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Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
imagem colorida presidente e relator da CPI do Crime Organizado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senadoenfrenta dificuldades para manter o ritmo das investigações. Decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitaram medidas aprovadas pelo colegiado e a ausência de depoentes em sessões recentes têm provocado atrasos na agenda de trabalho da comissão.

Instalada em novembro de 2025, a CPI foi criada para investigar a atuação de organizações criminosas, milícias e esquemas de lavagem de dinheiro no país. A comissão é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) e tem como relator o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).  O prazo da CPI é de 120 dias, mas esse período pode ser prorrogado desde que haja requerimento assinado por um terço dos parlamentares.

Parte das dificuldades recentes decorre de decisões do Supremo Tribunal Federal que suspenderam medidas de investigação aprovadas pelos parlamentares.

Uma das decisões foi proferida pelo ministro Gilmar Mendes, que interrompeu a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de uma empresa investigada pela comissão, ligada ao também magistrado Dias Toffoli. As quebras dos sigilos eram referentes à empresa Maridt Participações S.A.

O colegiado recorreu da determinação, argumentando que a suspensão compromete diligências consideradas essenciais para o avanço das apurações.

Além do pedido para suspender os efeitos da decisão, os parlamentares ingressaram com uma petição para que o processo tenha a distribuição revista no Supremo.


A dificuldade da CPI do Crime Organizado avançar

  • CPI enfrenta paralisação parcial no Senado: decisões do STF e ausência de depoentes têm atrasado as investigações do colegiado.
  • STF suspende quebra de sigilos de empresa investigada: ministro Gilmar Mendes barrou acesso a dados da Maridt Participações S.A., ligada a Dias Toffoli.
  • Sessões canceladas por falta de depoentes: convocados como Cláudio Castro, Ibaneis Rocha e Roberto Campos Neto não compareceram às oitivas.
  • Relator critica impacto das decisões judiciais: Alessandro Vieira diz que impedir quebras de sigilo prejudica a produção de provas da CPI.

Depoentes faltosos

A CPI também tem enfrentado dificuldades para reunir depoentes. Em várias das reuniões previstas, a sessão acabou sendo cancelada após a ausência de convidados ou convocados para prestar esclarecimentos, como o caso do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Os casos mais recentes de cancelamento da sessão por ausência do depoente foi a de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central (BC), que teve um habeas corpus concedido pelo ministro do STF André Mendonça que o desobrigou a comparecer à sessão.

O colegiado também tinha a expectativa de ouvir o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Entretanto, ele foi preso novamente pela Polícia Federal (PF) no mesmo dia em que deveria prestar esclarescimentos.

Outro depoimento previsto para o mesmo dia era o do cunhado de Vorcaro, o empresário Fabiano Campos Zettel, que também foi preso pela PF.

Alessandro Vieira critica decisões

Ao Metrópoles, o relator do colegiado, Alessandro Vieira, admitiu que as decisões da Suprema Corte atrapalham o andamento das investigações.

“É preciso distinguir as decisões: aquelas que permitem que o convocado, por ser investigado, fique calado ou não compareça, são razoáveis e compatíveis com a jurisprudência. Já as decisões que impedem quebras de sigilo se mostram equivocadas. Estas atrapalham muito o andamento da CPI“, declarou.

O senador explicou que os depoimentos de investigados são ferramentas de defesa, pois fica permitido “calar, omitir e até mentir”. “Já os documentos obtidos com as quebras são provas inquestionáveis e ajudam a montar o quebra-cabeça do fato investigado”, afirmou.

A sequência de cancelamentos e adiamentos tem prejudicado o cronograma da comissão, que depende das oitivas e da análise de dados sigilosos para avançar nas investigações.

Apesar dos entraves, integrantes da CPI afirmam que pretendem reorganizar a agenda de trabalho nas próximas semanas e aguardam uma definição do STF sobre os recursos apresentados pela comissão. A expectativa é retomar as oitivas e ampliar a coleta de informações antes da elaboração do relatório final.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL

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Violência doméstica cresce 27% no Acre nos dois primeiros meses de 2026

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Rio Branco concentra quase metade dos casos; Estado registra 1.152 ocorrências de janeiro a fevereiro

O Acre iniciou 2026 com aumento significativo nos casos de violência doméstica. Nos meses de janeiro e fevereiro, foram registrados 1.152 ocorrências, segundo dados do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do Ministério Público do Acre. O número representa alta de 27,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 905 casos.

Janeiro liderou o registro de ocorrências, com 592 casos, enquanto fevereiro apresentou leve redução, com 560 notificações. Apesar da diminuição, os números ainda mostram a gravidade e a persistência do problema.

A capital, Rio Branco, concentra quase metade dos casos, totalizando 565, o que equivale a 49,05% do total estadual. Na sequência estão Cruzeiro do Sul (110 casos), Sena Madureira (71), Tarauacá (51) e Feijó (47).

Outros municípios também registraram números significativos, como Brasiléia (45), Xapuri (41) e Senador Guiomard (38). Já cidades menores, como Jordão e Santa Rosa do Purus, tiveram seis casos cada, enquanto Assis Brasil e Rodrigues Alves registraram sete ocorrências.

O levantamento reforça a necessidade de políticas públicas efetivas de prevenção, acompanhamento e proteção às vítimas de violência doméstica em todo o estado.

Outros municípios também registraram números relevantes, como Brasiléia (45), Xapuri (41) e Senador Guiomard (38). Foto: arquivo

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Sem prisões, mortes de trabalhadores na Cidade do Povo seguem sem respostas

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Família cobra justiça após quase duas semanas do crime que matou dois jovens durante entrega de tijolos em Rio Branco

Duas semanas após as mortes de Gustavo Gabriel Bezerra Soster, de 17 anos, e Daniel Dourado de Sousa, de 22, ainda não há presos pelo crime ocorrido no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco.

A família de Daniel informou à imprensa que ainda não foi ouvida pela Polícia Civil. Uma prima da vítima, que preferiu não se identificar, afirmou que os familiares cobram justiça e vivem à espera de respostas. A reportagem não conseguiu contato com parentes de Gustavo.

Segundo a Polícia Civil, o caso segue sob investigação, mas, até o momento, nenhuma prisão foi realizada.

“Até agora estamos sem saber de nada. O meu primo nunca participou de nada errado. Tiraram o sonho dele, que era trabalhar para construir a casa e dar um teto para a filha, que chama por ele todos os dias”, relatou a prima, emocionada.

De acordo com ela, Daniel não conhecia o outro jovem morto. As vítimas teriam tido os celulares acessados pelos criminosos, que buscavam supostos indícios de ligação com facções rivais.

“Queremos justiça pelo meu primo e por outras mortes que acontecem. Isso não pode ficar impune”, acrescentou.

A família de Daniel relatou que ainda não foi ouvida pela Polícia Civil. Uma prima dele, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que a família quer justiça pela morte do rapaz. Foto: captada 

Dinâmica do crime

Daniel e Gustavo trabalhavam em uma cerâmica e foram até o conjunto habitacional realizar a entrega de tijolos em um canteiro de obras, acompanhados de outros trabalhadores.

Durante a ação, criminosos abordaram o grupo, renderam as vítimas e sequestraram quatro pessoas. Elas foram levadas até uma área próxima à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), onde os suspeitos verificaram os celulares em busca de possíveis vínculos com facções.

Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ao identificarem supostos indícios, os criminosos executaram dois dos trabalhadores no local.

A Polícia Militar foi acionada, isolou a área e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou as mortes.

Ainda conforme a investigação, câmeras de segurança próximas ao local foram destruídas pelos autores do crime, o que dificulta o avanço das apurações.

Gustavo Bezerra (es.) e Daniel Dourado (dir.) entregavam tijolos no Conjunto Habitacional Cidade do Povo quando foram mortos. Foto: captadas

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Suspeito de feminicídio segue foragido mais de três meses após crime no Acre

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Homem monitorado por tornozeleira teve prisão preventiva decretada, mas ainda não foi localizado pelas autoridades

O presidiário Antônio José Barbosa Pinto, de 54 anos, continua foragido mesmo após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça. Até o momento, ele não foi localizado pelas forças de segurança.

Segundo as investigações, o suspeito era monitorado por tornozeleira eletrônica quando cometeu o feminicídio contra Maria da Conceição Ferreira da Silva, de 46 anos.

Antônio José Barbosa Pinto é procurado pela polícia como principal suspeito de assassinar a companheira, Maria da Conceição Ferreira da Silva. Foto: captada 

A prisão preventiva foi determinada no último dia 14 de dezembro de 2025, um dia após o crime. No entanto, passados mais de três meses, Antônio José segue sendo procurado.

De acordo com o histórico criminal, ele já possuía condenações por homicídio e tentativa de assassinato. Em 17 de dezembro de 2014, matou o diarista Manoel Amorim da Silva, de 50 anos, na zona rural do município de Manoel Urbano.

De acordo com o inquérito policial, Maria da Conceição foi encontrada morta dentro de casa pela filha. Foto: captada 

Segundo a Polícia Civil, com base em perícia preliminar evidenciada pela rigidez do corpo da vítima, Maria da Conceição foi morta entre as 3h30/4h30 e o foragido rompeu a tornozeleira eletrônica às 4h37, horário apontado pelo Sistema de Monitoramento Penitenciário.

De acordo com o inquérito policial, Maria da Conceição foi encontrada morta dentro de casa pela filha por volta das 12h20 do sábado (13). Segundo relato policial, a jovem havia ido ao local para comemorar o aniversário da mãe.

Ao chegar à residência, a jovem percebeu o portão e a porta dos fundos abertos. No quarto, encontrou a mãe caída ao lado da cama, de bruços e com sangue no local, conforme descreve o relatório policial. Próximo ao corpo havia uma faca, apontada como a arma usada no crime.

A perícia inicial indicou que a vítima sofreu cerca de cinco golpes de faca na região do tórax. Ainda segundo os autos, câmeras de segurança da residência foram desligadas antes do crime.

“O desligamento das câmeras indica premeditação. O rompimento da tornozeleira minutos após a estimativa da morte indica fuga e consciência da ilicitude”, apontou a representação da Polícia Civil ao pedir a prisão preventiva do suspeito.

O crime ocorreu em dezembro do ano passado, e, até o momento, ele não foi localizado pelas forças de segurança. Foto: captada 

A Polícia Civil reforça que informações que possam ajudar na localização do foragido podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 181 ou 190.

Maria da Conceição era viúva e mantinha um relacionamento com Antônio José, que era irmão do falecido marido da vítima. Vizinhos relataram à polícia episódios de agressividade por parte do suspeito. Foto: captada 

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