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Cotidiano

Prédio do antigo Aeroporto Presidente Médici é demolido após anos de abandono

O responsável pela obra que não tem permissão para falar sobre o que será construído no lugar. Enquanto isso, os moradores assistem entusiasmados os trabalhos dos operários.    

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Por Wanglézio Braga - acrenews

“Se resumiu a isso aí, um monte de pedras, concretos, que talvez vão ser usados para tapar os buracos nas ruas do bairro”. As aspas são do aposentado Mário Júlio Silva, 68 anos, ao descrever do que sobrou do terminal de passageiros do Aeroporto Presidente Médici localizado no Segundo Distrito de Rio Branco. Abandonado há muitos anos, sendo esconderijo de bandidos e abrigo para usuários de drogas, o prédio foi completamente demolido nos últimos dias, deixando um ambiente mais limpo e seguro.

A reportagem esteve no local onde falou com alguns moradores que relataram da insegurança que o espaço oferecia para quem vive na região ou simplesmente pega a rota alternativa que liga as Avenidas Amadeo Barbosa e Chico Mendes.

“Você encontrava e presenciava de tudo. Era gente apanhando, era casal saindo do prédio, era ponta de cigarro, era pedaço de pau, cápsula de bala, roupa velha, lixo, era dependente químico tocando o terror, era muito feio isso aqui. Muito inseguro (…). Nós só vivíamos com medo de andar aqui e ser atacada! Que bom que resolveram mexer nisso, já passou da hora”, relatou a doméstica, Zulmira Nascimento.

O Aeroporto foi construído na década de 60 e operou pela última vez em novembro de 1999. A família proprietária das terras usadas na construção do segundo aeródromo da capital, venceu um processo na justiça federal após ingressar contra o estado que não havia efetuado, ao longo dos anos, o pagamento do aluguel ou posse definitiva do terreno.

Nos últimos dias quem passa no local é possível presenciar trabalhadores fazendo a limpeza do terreno e a remoção dos entulhos. Alguns objetos como pneus para aviões, escadas de acesso às aeronaves, peças e objetos usados pela tripulação são achados com facilidade. Como não existe um museu da aviação ou espaço destinado para esse fim, tudo é jogado no caminhão que carrega os detritos para o descarte definitivo.

Há pelo menos dois anos, uma parte do terreno é usada por autoescolas para execução de aulas práticas de condução de veículos. Outras duas áreas funcionam oficinas mecânicas. Já na parte antiga do terminal de passageiros, por muitos anos, ficou sem destinação por causa do inventário para os herdeiros.

O responsável pela obra que não tem permissão para falar sobre o que será construído no lugar. Enquanto isso, os moradores assistem entusiasmados os trabalhos dos operários.

“Hoje ficam só as saudades. Eu estava acostumado toda manhã vir aqui e lembrar como foi bom ter vivido nos tempos em que funcionava o aeroporto. Meu pai era vendedor e sempre na hora da chegada dos aviões a gente vinha juntos para tentar vender algumas coisas para os viajantes, pro pessoal das companhias. A gente conheceu muitos pilotos, pessoal do aeroporto, eram amigos e são até hoje (…) O lado bom disso é que agora vamos ter paz”, comenta Mário.

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