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Com nacionalidade italiana, padre Paolino Maria Baldassari, da Ordem dos Servos de Maria, veio para o Brasil ainda jovem, com 24 anos, e construiu no interior do Acre uma história de vida que o mundo reconhece. Colecionador de muitos títulos e prêmios, nesta quarta-feira, 29, o líder da Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Sena Madureira, foi homenageado pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC).

Padre Paolino recebeu a Comenda do Cinquentenário, instituída por ocasião dos 50 anos do MPAC, em 2013, ainda na gestão da procuradora Patrícia Rêgo. Ele era o único entre as 40 personalidades escolhidas, como forma de reconhecimento, por contribuir para o engrandecimento do Ministério Público, que ainda não havia recebido a medalha.

“É o reconhecimento do Ministério Público ao trabalho de um verdadeiro pastor de Deus na terra. O padre Paolino é um exemplo. O Ministério Público é a instituição que defende os interesses sociais e individuais indisponíveis, e nada mais justo do que reconhecer o trabalho deste homem que defende e luta pelo povo”, destacou o procurador-geral de Justiça Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto.

O vigário não participou da sessão solene em que as homenagens foram feitas no final daquele ano porque, segundo ele, não poderia deixar seus pacientes sem atendimento. Mais que um líder religioso, o morador mais ilustre da cidade, além de missas, realiza um trabalho social que rendeu a ele o título de ‘médico da floresta’.

Aos 88 anos, diariamente, frei Paolino atende doentes numa antessala da paróquia. Cada paciente sai de lá com o remédio, na dose certa, para o seu problema. O religioso é também colecionador de inúmeras desobrigas, nome dado por ele ao serviço que leva aos ribeirinhos e indígenas dos rios da região de Sena Madureira, atendimento de saúde, ações humanitárias, além da missão religiosa. Esse trabalho é retratado no documentário intitulado ‘O missionário da floresta’, produzido e veiculado pela TV Senado.

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Amigo do Ministério Público

Autor da proposta que concedeu a comenda ao padre Paolino, o procurador Álvaro Luiz Pereira lembrou que seu pedido foi prontamente aprovado pelos demais membros do Colégio de Procuradores. Durante a cerimônia na casa paroquial, o procurador disse que o religioso é um ‘amigo do Ministério Público’ e que sua trajetória serve de inspiração.

“Quando cheguei ao Acre, ouvi falar do senhor como um homem que dedicou a sua vida aos mais fracos, humildes, ao povo que vivia às margens dos rios, longe dos gabinetes, entregues à própria sorte. E o senhor fez uma opção por essas pessoas, sendo o médico delas, apresentando esperança. Sua história serve de bússola na minha vida para que eu seja útil de alguma forma”, comentou.

Álvaro Luiz destacou ainda que o Ministério Público é que sente-se honrado em prestar a homenagem. “É uma honra entregar esse reconhecimento do MP Estadual ao padre por sua santidade, seu trabalho e, sobretudo, pelo amor que o senhor devota aos mais pobres, mais humildes, que estão muito longe ainda dos nossos gabinetes, mas que pensamos um dia, com o MP na Comunidade, tê-los mais próximos, inspirados pelo seu exemplo”, acrescentou.

 

Esperança material e espiritual

Liderança religiosa, médico da floresta, padre Paolino também recebeu, em 2004, o título de Doutor Honoris Causis, da Universidade Federal do Acre (Ufac), por sua luta em defesa do meio ambiente.

Ao receber a homenagem do MP Estadual, ele considerou-se surpreso. “Com quase 90 anos, a gente não pensa mais nessas coisas; pensa que os mais novos é que precisam disso”.

O padre também diz sentir-se feliz por poder dar esperança espiritual e material. “Era a minha vocação ser padre e médico. Não tinha escola, fiz escola. Não tinha médico, tentei ser médico. Eu realizei as minhas vocações. Quando era pequeno, dizia que queria ser padre e médico para dar uma esperança espiritual e material. A minha ideia é terminar os meus dias trabalhando, poder ajudar até Deus me chamar”, conclui.

Também participaram da entrega da Comenda, o secretário-geral do MPAC, Celso Jerônimo; o ouvidor-geral do MPAC, João Pires; o procurador Flávio Augusto Siqueira; e servidores da Promotoria de Sena Madureira.

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