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Guerra a facções gera brecha para incursão militar dos EUA na AL

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Em julho de 2024, o Departamento de Estado dos EUA informou que o Trem de Aragua é uma “crescente ameaça que representa para as comunidades americanas”

Droga apreendida em operação no AM: EUA declara facções como terroristas e abrem possibilitar de incursão miliar na América Latina. Imagem: Reprodução/Facebook

Por Rafael Custódio, da Agência Pública

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou mais de 70 atos no seu primeiro dia de governo. No pacote de políticas de combate ao narcotráfico, a Casa Branca anunciou um ato extraordinário que coloca o país em “emergência nacional” e passa a classificar cartéis e organizações criminosas como terroristas.

O anúncio acendeu um sinal de alerta no Ocidente e, em especial, para os latino-americanos, sobre a possibilidade de o governo estadunidense realizar incursões militares nos países que compõem o continente.

A lista de organizações criminosas e cartéis que atuam em solo estadunidense e que passarão a ser classificadas como terroristas deve ficar pronta em até 15 dias após o anúncio do ato. No entanto, a Casa Branca cita dois exemplos de facções criminosas, o La Mara Salvatrucha 13, de salvadorenhos, e o Trem de Aragua, de origem venezuelana.

De forma genérica, o republicano também cita os cartéis mexicanos e sua atuação no sul dos Estados Unidos, na fronteira entre os dois países, uma área de fluxo imigratório intenso. A ordem descreveu que “em certas partes do México, eles funcionam como entidades quase governamentais, controlando quase todos os aspectos da sociedade”.

Embora seja a maior organização criminosa das Américas em exercício, o Primeiro Comando da Capital (PCC), que também tem indícios de atuação nos Estados Unidos, não foi citado no texto. Segundo o professor e pesquisador Thiago Rodrigues, do Departamento de Relações Internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense), a ordem executiva “tem um tom altamente repressivo” e “parece ser um aceno de apoio a perspectivas de ultradireita na América Latina”.

“O Trem de Arágua me parece ter sido citado como uma forma de abrir espaço para uma intervenção contra o regime bolivariano da Venezuela”, avaliou Thiago Rodrigues.

Em julho de 2024, o Departamento de Estado dos EUA informou que o Trem de Aragua é uma “crescente ameaça que representa para as comunidades americanas”. Além disso, pagaria 12 milhões de dólares a quem fornecesse informações sobre os líderes da facção venezuelana, que estariam escondidos na Colômbia e Venezuela.

No mesmo dia em que a Casa Branca anunciou o combate ao Trem de Aragua, o Ministério Público da Venezuela havia declarado que a organização criminosa estava desmantelada, em virtude de duas operações que culminaram em 48 prisões, incluindo a dos líderes da facção.

O Trem de Aragua teve origem no estado de Aragua, no norte da Venezuela, nos anos 2010. Segundo a apuração da jornalista e escritora venezuelana Ronna Rísquez, autora do livro El Tren de Aragua. La banda que revolucionó el crimen organizado en América Latina, o grupo também teria estabelecido relações de parceria com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na Bolívia, onde supostamente ocorreu troca de armas.

Há indícios de atuação do Trem de Aragua em pelo menos sete países, sendo eles Brasil, Colômbia, Peru, Chile, Equador, Bolívia e Estados Unidos, conforme a declaração da Casa Branca na ordem extraordinária.

Nos Estados Unidos, os governadores do Texas e Colorado afirmaram ter prendido 31 supostos integrantes do Trem de Aragua, de acordo com a apuração do jornal O Globo.

Recado indireto ao Brasil

Após o anúncio da ordem extraordinária, instaurou-se a preocupação de quais ações os Estados Unidos poderiam tomar com relação ao Brasil, berço de uma das maiores facções criminosas em atuação, o Primeiro Comando da Capital, e com atuações em solo estadunidense.

O professor de relações internacionais Thiago Rodrigues diz que, embora não cite o PCC, o anúncio pode ser interpretado como um recado indireto para o Brasil.

“Existe um potencial teórico, conceitual para isso. Eu não acho que o documento, no momento, diga que há a possibilidade concreta, próxima de uma intervenção na Amazônia a título de combate a essas organizações. Mas [também] não há nada no documento que impeça chegar a isso”, disse.

Ato político

A ordem de Trump faz citação também à Mara Salvatrucha 13, conhecida como MS-13, uma organização criminosa que nasceu nas ruas de Los Angeles, na Califórnia, ainda na década de 1980, composta majoritariamente por salvadorenhos.

Thiago Rodrigues explica que o processo massivo de deportação de supostos integrantes da gangue, feito ainda no governo do ex-presidente Ronald Reagan (1981-1988), levou a organização criminosa a se expandir em El Salvador.

Na avaliação do professor, a citação à organização criminosa salvadorenha é uma demonstração de apoio ao governo de ultradireita do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, um dos convidados para comparecer à posse de Trump, em 20 de janeiro.

“A citação ao grupo de El Salvador [MS-13] me parece mais destinada a fortalecer um governo de ultradireita, que é o do Bukele, do que colocar esse governo sob a mira de Washington”, disse.

A ação da gangue já despertava preocupações a Donald Trump ainda no seu primeiro mandato. Em abril de 2014, quatro pessoas foram encontradas decapitadas em uma floresta de Long Island e a autoria seria da gangue MS-13. Na época, o presidente havia classificado o grupo como “perverso”.

O ultradireitista Bukele trata a MS-13 como o seu principal alvo, tendo ganhado espaço no noticiário internacional após prender cerca de 2% da população de El Salvador como forma de combate ao crime organizado.

Guerra ao narcotráfico

Em setembro de 2024, o então candidato republicado à Casa Branca declarou que votaria a favor da legalização da maconha para uso de adultos no estado da Flórida, o que o colocou em desacordo com o então governador do estado Gavin Newsom.

O posicionamento de Trump foi publicado, na época, na rede Truth Social, onde ele disse que “é hora de acabar com as prisões e encarceramentos desnecessários de adultos por pequenas quantidades de maconha para uso pessoal. Devemos também implementar regulamentações inteligentes, proporcionando ao mesmo tempo acesso aos adultos a produtos seguros e testados. Como morador da Flórida, votarei ‘SIM’ na emenda 3 em novembro”. O uso recreativo da maconha no estado segue proibida.

Na avaliação do professor Thiago Rodrigues, a política de combate ao narcotráfico nos Estados Unidos não deve atingir o processo de legalização da maconha, uma vez que o produto tem sido explorado pelo capital farmacêutico.

“Do ponto de vista do outro tipo de legalização, que é a legalização para consumo recreativo, também já há interesses bilionários que mobilizam, nos Estados Unidos, grandes corporações”, argumentou o docente.

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Violência doméstica cresce 27% no Acre nos dois primeiros meses de 2026

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Rio Branco concentra quase metade dos casos; Estado registra 1.152 ocorrências de janeiro a fevereiro

O Acre iniciou 2026 com aumento significativo nos casos de violência doméstica. Nos meses de janeiro e fevereiro, foram registrados 1.152 ocorrências, segundo dados do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do Ministério Público do Acre. O número representa alta de 27,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 905 casos.

Janeiro liderou o registro de ocorrências, com 592 casos, enquanto fevereiro apresentou leve redução, com 560 notificações. Apesar da diminuição, os números ainda mostram a gravidade e a persistência do problema.

A capital, Rio Branco, concentra quase metade dos casos, totalizando 565, o que equivale a 49,05% do total estadual. Na sequência estão Cruzeiro do Sul (110 casos), Sena Madureira (71), Tarauacá (51) e Feijó (47).

Outros municípios também registraram números significativos, como Brasiléia (45), Xapuri (41) e Senador Guiomard (38). Já cidades menores, como Jordão e Santa Rosa do Purus, tiveram seis casos cada, enquanto Assis Brasil e Rodrigues Alves registraram sete ocorrências.

O levantamento reforça a necessidade de políticas públicas efetivas de prevenção, acompanhamento e proteção às vítimas de violência doméstica em todo o estado.

Outros municípios também registraram números relevantes, como Brasiléia (45), Xapuri (41) e Senador Guiomard (38). Foto: arquivo

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Sem prisões, mortes de trabalhadores na Cidade do Povo seguem sem respostas

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Família cobra justiça após quase duas semanas do crime que matou dois jovens durante entrega de tijolos em Rio Branco

Duas semanas após as mortes de Gustavo Gabriel Bezerra Soster, de 17 anos, e Daniel Dourado de Sousa, de 22, ainda não há presos pelo crime ocorrido no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco.

A família de Daniel informou à imprensa que ainda não foi ouvida pela Polícia Civil. Uma prima da vítima, que preferiu não se identificar, afirmou que os familiares cobram justiça e vivem à espera de respostas. A reportagem não conseguiu contato com parentes de Gustavo.

Segundo a Polícia Civil, o caso segue sob investigação, mas, até o momento, nenhuma prisão foi realizada.

“Até agora estamos sem saber de nada. O meu primo nunca participou de nada errado. Tiraram o sonho dele, que era trabalhar para construir a casa e dar um teto para a filha, que chama por ele todos os dias”, relatou a prima, emocionada.

De acordo com ela, Daniel não conhecia o outro jovem morto. As vítimas teriam tido os celulares acessados pelos criminosos, que buscavam supostos indícios de ligação com facções rivais.

“Queremos justiça pelo meu primo e por outras mortes que acontecem. Isso não pode ficar impune”, acrescentou.

A família de Daniel relatou que ainda não foi ouvida pela Polícia Civil. Uma prima dele, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que a família quer justiça pela morte do rapaz. Foto: captada 

Dinâmica do crime

Daniel e Gustavo trabalhavam em uma cerâmica e foram até o conjunto habitacional realizar a entrega de tijolos em um canteiro de obras, acompanhados de outros trabalhadores.

Durante a ação, criminosos abordaram o grupo, renderam as vítimas e sequestraram quatro pessoas. Elas foram levadas até uma área próxima à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), onde os suspeitos verificaram os celulares em busca de possíveis vínculos com facções.

Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ao identificarem supostos indícios, os criminosos executaram dois dos trabalhadores no local.

A Polícia Militar foi acionada, isolou a área e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou as mortes.

Ainda conforme a investigação, câmeras de segurança próximas ao local foram destruídas pelos autores do crime, o que dificulta o avanço das apurações.

Gustavo Bezerra (es.) e Daniel Dourado (dir.) entregavam tijolos no Conjunto Habitacional Cidade do Povo quando foram mortos. Foto: captadas

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Suspeito de feminicídio segue foragido mais de três meses após crime no Acre

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Homem monitorado por tornozeleira teve prisão preventiva decretada, mas ainda não foi localizado pelas autoridades

O presidiário Antônio José Barbosa Pinto, de 54 anos, continua foragido mesmo após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça. Até o momento, ele não foi localizado pelas forças de segurança.

Segundo as investigações, o suspeito era monitorado por tornozeleira eletrônica quando cometeu o feminicídio contra Maria da Conceição Ferreira da Silva, de 46 anos.

Antônio José Barbosa Pinto é procurado pela polícia como principal suspeito de assassinar a companheira, Maria da Conceição Ferreira da Silva. Foto: captada 

A prisão preventiva foi determinada no último dia 14 de dezembro de 2025, um dia após o crime. No entanto, passados mais de três meses, Antônio José segue sendo procurado.

De acordo com o histórico criminal, ele já possuía condenações por homicídio e tentativa de assassinato. Em 17 de dezembro de 2014, matou o diarista Manoel Amorim da Silva, de 50 anos, na zona rural do município de Manoel Urbano.

De acordo com o inquérito policial, Maria da Conceição foi encontrada morta dentro de casa pela filha. Foto: captada 

Segundo a Polícia Civil, com base em perícia preliminar evidenciada pela rigidez do corpo da vítima, Maria da Conceição foi morta entre as 3h30/4h30 e o foragido rompeu a tornozeleira eletrônica às 4h37, horário apontado pelo Sistema de Monitoramento Penitenciário.

De acordo com o inquérito policial, Maria da Conceição foi encontrada morta dentro de casa pela filha por volta das 12h20 do sábado (13). Segundo relato policial, a jovem havia ido ao local para comemorar o aniversário da mãe.

Ao chegar à residência, a jovem percebeu o portão e a porta dos fundos abertos. No quarto, encontrou a mãe caída ao lado da cama, de bruços e com sangue no local, conforme descreve o relatório policial. Próximo ao corpo havia uma faca, apontada como a arma usada no crime.

A perícia inicial indicou que a vítima sofreu cerca de cinco golpes de faca na região do tórax. Ainda segundo os autos, câmeras de segurança da residência foram desligadas antes do crime.

“O desligamento das câmeras indica premeditação. O rompimento da tornozeleira minutos após a estimativa da morte indica fuga e consciência da ilicitude”, apontou a representação da Polícia Civil ao pedir a prisão preventiva do suspeito.

O crime ocorreu em dezembro do ano passado, e, até o momento, ele não foi localizado pelas forças de segurança. Foto: captada 

A Polícia Civil reforça que informações que possam ajudar na localização do foragido podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 181 ou 190.

Maria da Conceição era viúva e mantinha um relacionamento com Antônio José, que era irmão do falecido marido da vítima. Vizinhos relataram à polícia episódios de agressividade por parte do suspeito. Foto: captada 

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