Acre
Governo do Acre envia bebê de Pauini para tratamento especializado em Manaus

“[Viajar de avião] vai ser uma experiência e tanto. Eu tô com muito medo, mas é o jeito: enfrentar. Pela saúde da minha filha eu enfrento tudo”, disse o pai. Foto: Agnes Cavalcante/Sesacre
O coração acelerado e o estado ofegante de Isadora foram os alertas iniciais para os pais, Isaías Sobrinho e Raimunda Nonata Avelino, perceberem que algo não estava bem. Após buscar atendimento médico em Pauini/AM, onde residem, eles acabaram vindo para a capital acreana em busca de atendimento especializado.
Em Rio Branco, veio o diagnóstico: com sete meses de vida recém-completados, a bebê sofre de cardiopatia congênita grave, conhecida como transposição das grandes artérias – um problema de formação do coração que faz com que o sangue não circule corretamente entre o corpo e os pulmões. Diante do quadro, os médicos indicaram a necessidade de uma cirurgia corretiva em caráter de urgência, que só pode ser realizada em um centro especializado de cirurgia cardíaca infantil de alta complexidade.
Em menos de uma semana, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), conseguiu uma vaga em uma unidade especializada em Manaus/AM, para onde a família decolou na madrugada desta sexta-feira, 31 de outubro
“Desde quando a minha esposa estava grávida, nós procuramos fazer tudo certinho com a gravidez dela. Desde o começo, nós fizemos pré-natal, fizemos as ultrassons, aí desde o começo nós percebíamos que o coração da nossa filha era acelerado. Quando ela teve, não foi normal, foi cesárea, e um tempo depois nós vimos que não era normal a nossa filha ‘tá’ daquele jeito, porque até de mamar ela ficava cansada. Aí nós procuramos ajuda, iniciamos os tratamentos dela lá na nossa cidade mesmo, mas só que lá não tem recurso pra isso, pra descobrir o que era a real situação dela. Aí nós consultamos ela lá e o doutor deu o encaminhamento pra ‘nós vir’ pra Rio Branco, que era pra ‘nós descobrir’ a real situação da nossa filha”, relata.
“Aqui, nós ‘fomos pego’ de surpresa por essa situação, que nós não ‘esperava’ ser tão grave assim a doença da nossa filha. Mas, graças a Deus, está ocorrendo tudo bem, que é pra nós, se Deus quiser, estar logo de volta à nossa casa”, complementou o pai.
A médica Aline Pontes, residente de pediatria, explicou o caso. Segundo ela, todo o tratamento inicial da bebê durou cerca de uma semana e, logo, veio a transferência assegurada pelo governo do Estado.
“Ela tem uma cardiopatia complexa grave, que é a transposição de grandes artérias, e hoje ela vai ser encaminhada para o centro de referência para poder fazer a correção dessa cardiopatia. A história da Isadora é que ela vinha com um cansaço; eles são de Pauini, do Amazonas, e a mãe, por meios próprios, buscou atendimento aqui em Rio Branco. Assim que foi feito o ecocardiograma, a médica cardiologista pediatra que viu a alteração já encaminhou a Isadora para fazer a internação hospitalar. A Isadora foi acompanhada por pediatras e cardiopediatras. O cardiopediatra avaliou ela, iniciou o tratamento e já solicitou o TFD dela”, conta a médica.
“Hoje a Isadora está indo na companhia da mãe e do pai para Manaus, para fazer a correção dessa cardiopatia. Em nome da Sesacre, do Hospital da Criança e da Residência Médica de Pediatria, estamos muito felizes com esse desfecho. Desejamos que a Isadora tenha uma recuperação incrível e que, em breve, possamos vê-la com ainda mais saúde”, salientou Pontes.
Isadora é a única filha do casal Raimunda Nonata Avelino e Isaías Sobrinho. Uma curiosidade é que esta foi a primeira viagem de avião dos pais, mas é por um bom motivo, relata o pai.
“[Viajar de avião] vai ser uma experiência e tanto. Eu tô com muito medo, mas é o jeito: enfrentar. Pela saúde da minha filha eu enfrento tudo”, disse ele.
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Acre
Acre fica fora do ranking dos 100 melhores hospitais públicos do SUS no Brasil
Levantamento nacional aponta desigualdade regional na saúde; apenas Pará e Amazonas representam a Região Norte na lista

Um levantamento nacional divulgado nesta semana revelou que o Acre está entre os sete estados brasileiros que não possuem hospitais classificados entre os 100 melhores do País no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Além do Acre, também ficaram fora do ranking Amapá, Rondônia e Roraima, na Região Norte, além de Alagoas, Mato Grosso e Paraíba, evidenciando a desigualdade regional na distribuição de unidades hospitalares de referência.
O estudo foi realizado pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Instituto Ética Saúde (IES), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). A avaliação considerou hospitais federais, estaduais e municipais com gestão integral pelo SUS, com dados coletados entre agosto de 2024 e julho de 2025.
De acordo com o ranking, São Paulo lidera a lista nacional, concentrando 30% dos hospitais selecionados. Em seguida aparecem Goiás, com dez unidades, Pará e Santa Catarina, com sete cada, além de Pernambuco e Rio de Janeiro, com seis hospitais cada.
Na Região Norte, apenas os estados do Pará e do Amazonas conseguiram inserir unidades entre as 100 melhores, com sete e três hospitais, respectivamente. Os demais estados da região, incluindo o Acre, ficaram de fora da seleção. Ao todo, os hospitais avaliados estão distribuídos em 19 estados e no Distrito Federal, com forte concentração nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Segundo o Ibross, os critérios utilizados na avaliação incluíram acreditação hospitalar, indicadores de mortalidade, taxa de ocupação, número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e tempo médio de internação. A lista integra a primeira edição do Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, que ainda irá selecionar os dez melhores hospitais públicos do País, com divulgação prevista para o mês de maio.
Ao comentar o resultado, o secretário de Estado de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, afirmou que o levantamento reflete um problema histórico enfrentado pelo País, especialmente nas regiões mais distantes dos grandes centros urbanos. Segundo ele, a ausência de hospitais acreanos no ranking revela uma desigualdade estrutural acumulada ao longo de décadas. Ainda assim, destacou que o governo estadual tem adotado medidas para mudar esse cenário.
“O Acre tem desafios importantes, mas estamos trabalhando para fortalecer a rede pública de saúde, com investimentos, modernização das unidades, regionalização dos serviços e melhoria contínua da assistência. Nosso objetivo é garantir que a população do interior tenha acesso ao mesmo padrão de cuidado oferecido nos grandes centros”, afirmou o secretário.
Com informações de AC24horas
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Rio Acre segue em queda e permanece bem abaixo da cota de alerta em Rio Branco
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Foto: Sérgio Vale



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