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Facções criminosas no Acre: como o equilíbrio frágil é mantido entre PCC, CV e Bonde dos 13

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Especialistas apontam que tríplice fronteira e rotas do narcotráfico mantêm frágil pacto tácito entre facções; ausência de guerras abertas não significa paz

Apreensões na BR-364 e BR-317 são pontuais e visam o mercado local, com raras toneladas de cocaína. Foto: captada 

O Acre, com sua vasta malha de rios e florestas, continua sendo um ponto estratégico no mapa do narcotráfico internacional. Autoridades policiais revelam que o Estado não é o destino final das drogas, mas uma mera passagem para rotas maiores, com foco no Vale do Juruá como epicentro de operações. Lá, o Comando Vermelho (CV) investe a maior e melhor parte de seu poderio bélico, como fuzis, protegendo da “concorrência” as margens de rios e caminhos em meio à densa floresta. Neste cenário, a Polícia Civil avança em investigações integradas e descapitalização de bens, na intenção de enfraquecer o topo da pirâmide das facções.

Segundo Pedro Paulo Buzolin, coordenador da Divisão Especializada de Investigações Criminais Especiais (DEIC) da Polícia Civil do Acre, o interesse das facções não está nas cidades de baixa renda e população reduzida do estado, mas nas “rotas do tráfico que estão na mata, no rio”. O Vale do Juruá emerge como o principal corredor: drogas produzidas no Peru, especialmente na região de Pucallpa – onde a população é escassa e o controle é frouxo -, entram pelo Rio Solimões e seguem para o Amazonas, abastecendo portos no Suriname e Guiana para exportação à Europa. “É muito melhor trafegar pela Bolívia do que pelo Brasil”, explica Buzolin.

No Alto Acre, fronteira com a Bolívia e o Peru, o fluxo é menor para o centro do país, com grandes apreensões em Costa Marques (RO), mas sem o volume do Juruá. Apreensões na BR-364 e BR-317 são pontuais e visam o mercado local, com raras toneladas de cocaína. Maconha, outrora importada do Mato Grosso, agora é cultivada no Peru com tecnologia avançada, invertendo o fluxo para o sul. Em terras peruanas, por exemplo, se implantaram tecnologias para cultivo de coca e maconha em espaços cada vez mais confinados, maximizando os lucros como no Brasil, no mercado legal, é ensinado por cursos e visitas técnicas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

O Acre mantém um pacto tácito de não agressão entre as organizações, sustentado por interesses logísticos comuns no cenário internacional. Foto: captada 

O delegado-geral da Polícia Civil, José Henrique Maciel, complementa que essas rotas demandam proteção armada. “Eles investem em armamento de maior poderio na região do Vale do Juruá, em razão do avanço do transporte da droga”, diz. Os homicídios no Estado, em grande parte, resultam de disputas territoriais: “Quem estiver mais bem armado se defende ou avança no território do outro. Um revólver contra um fuzil, a chance é maior para quem tem o fuzil”. Vídeos divulgados pelas próprias facções, como um amplamente circulante na internet, mostram o uso de armamentos de grosso calibre nas margens do Rio Juruá. “Eles estão com armamento pesado fazendo a proteção das rotas do tráfego”, afirma Buzolin. Diferente de São Paulo, onde fuzis são ostentados nas ruas urbanas, no Acre o foco é estratégico em blindar carregamentos contra rivais ou forças de segurança. No Juruá, o CV lidera essa escalada.

Maciel reforça: “Eles estão cada vez mais com poderio de arma, tanto para o enfrentamento com as forças quanto entre eles”. Essa dinâmica explica o “boom de homicídios” entre 2016 e 2017, com mais de 948 casos no Estado – um pico impulsionado por mudanças no Paraguai, onde a morte de Jorge Rafaat abriu espaço para o PCC, forçando o CV a migrar para o norte, enfraquecendo a atuação do grupo criminoso Família do Norte (FDN) no Amazonas.

As três facções

O Acre abriga três facções principais, cada uma com origens e estratégias distintas, moldadas pelo interesse financeiro nas rotas.

Comando Vermelho (CV): De origem carioca, domina o Vale do Juruá e o Alto Acre. Controla a entrada de drogas pelo Peru e Paraguai, com domínio no fluxo fluvial para o Amazonas.

Primeiro Comando da Capital (PCC): Paulista e mais hierárquico, tem presença fraca no Acre. Prefere rotas inferiores via Mato Grosso do Sul para abastecer o Sudeste, evitando o “ar” acreano. “O PCC não demonstra tanto interesse aqui pelo ar. Tem uma quantidade pequena na região do Alto Acre”, diz Buzolin. Há influência no Baixo Acre, mas sem domínio territorial expressivo.

Bonde dos 13 (B13): Facção regional, nascida no Acre, é a mais enfraquecida. Seu último reduto é a Cidade do Povo, com “resistência” pontual em Sena Madureira. “O Bonde ainda tem uma resistência na Cidade do Povo”, relata Buzolin. O B13 surgiu em meio a migrações de facções em Porto Velho (RO), mas perdeu força após o racha interno da FDN.

Ainda de acordo com as autoridades, os grupos operam como “empresas” financeiras, priorizando rotas sobre domínios urbanos, mas hoje, há relativa tranquilidade. “Eles estão relativamente tranquilos porque o interesse financeiro foi alcançado”, observa Buzolin.

Fracasso da aliança Bonde dos 13 (B13) e Terceiro Comando Puro

Em 2023, o B13 tentou se aliar ao Terceiro Comando Puro (TCP), do Rio de Janeiro, para contrabalançar o CV e o PCC. A união, divulgada nacionalmente, chegou ao Acre com pichações e movimentações. Um acreano ligado ao B13 foi preso na Maré (RJ) em incursão policial, sinalizando a ambição. No entanto, a aliança ruiu rapidamente. “Foi uma junção que se espalhou pelo país, mas a tendência foi retornar o afastamento”, afirma Maciel.

Avanços no combate: integração e descapitalização

Apesar dos desafios, as autoridades destacam progressos no enfrentamento. A Polícia Civil investe em qualificação de pessoal, aquisição de equipamentos e integração de forças. “Avançamos com capacitação, valorizando o pessoal, e cooperações como entre o Grupo Especial de Operações em Fronteiras do Acre (GEFRON), Polícia Militar, Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP), através do Sistema Integrado de Segurança Pública do Acre (SISP)”, enumera Maciel. Outras parcerias com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), uma estrutura de cooperação criada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), tem rendido apreensões significativas com a atuação da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal.

Buzolin enfatiza a mudança cultural na atuação policial, “não só prender, mas descapitalizar”, através do foco em identificação patrimonial que inclui apreensões expressivas de valores, casas, propriedades rurais e gado. “São investigações mais trabalhosas, demandando aporte tecnológico”, diz, citando laboratórios de informática em desenvolvimento.

As facções evitam conflitos que atraiam atenção indesejada das autoridades, prejudiquem o transporte de cargas ilícitas ou interrompam o fluxo financeiro. Foto: captada 

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Ulisses Torres começa a montagem do Rio Branco visando semifinal

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Foto PHD: Ulisses Torres pretende definir o Rio Branco no treino de quinta(12)

O técnico Ulisses Torres começa no treino desta terça, 10, no José de Melo, a montagem da equipe para o confronto contra o Galvez em uma das semifinais do Campeonato Estadual Sicredi de 2026. A partida será disputada no sábado, 14, às 15 horas, no Tonicão, e o Estrelão precisa vencer para reverter à vantagem do Imperador.

Dheryke volta aos treinos

O meia/atacante Dheryke, recuperando-se de uma lesão no púbis, voltou aos treinos nesta segunda, 9, no José de Melo e deve ser mais uma opção contra o Galvez.

“Ainda não estou completamente recuperado, mas esse é momento de um esforço a mais. A semifinal é muito importante para o Rio Branco”, declarou Dheryke.

João Carlos fora

O lateral João Carlos, por causa de problemas particulares, está fora dos treinamentos do Rio Branco e tem poucas chances de ser relacionado no primeiro jogo da semifinal.

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Galvez vai para semifinal do Campeonato Estadual sem desfalques

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Foto Gilson Melo: Galvez chega na semifinal com a melhor campanha da 1ª fase

Os jogadores do Galvez iniciaram nesta segunda, 9, no CT do Imperador, a preparação para o duelo da semifinal do Campeonato Estadual Sicredi de 2026 contra o Rio Branco. O jogo será disputado no sábado, 14, às 15 horas, no Tonicão, e o Galvez joga por uma vitória para ser finalista.

A equipe sofreu com lesões durante a fase de classificação, mas terá o grupo completo no momento decisivo.

Sem favoritismo

O técnico Maurício Carneiro descartou favoritismo da equipe na semifinal do Estadual.

“Vamos enfrentar um time de muita tradição e de camisa pesada. Precisamos trabalhar forte durante a semana e chegar bem preparados no confronto decisivo”, comentou o treinador.

Recuperar e tático

Segundo Maurício Carneiro, a prioridade da semana é para os treinos táticos e a recuperação dos atletas.

“Chegar com todos os atletas no melhor nível é fundamental. Será uma semana de ajustes importantes”, afirmou Maurício Carneiro.

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Bocalom vai a Brasília para definir filiação ao PSDB e deve ter resposta nesta terça

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Prefeito de Rio Branco afirma que encontro com presidente nacional da legenda, Aécio Neves, definirá os rumos de sua candidatura ao governo do Acre em 2026

Bocalom confirmou que o encontro na capital federal terá como foco justamente a definição partidária. Foto: captada 

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, viaja nesta segunda-feira (9) a Brasília para definir sua filiação ao PSDB e discutir os próximos passos de uma eventual candidatura ao governo do Acre. A informação foi confirmada pelo próprio chefe do Executivo municipal antes do embarque para a capital federal.

Bocalom deixou o Partido Liberal (PL) após ser convidado a se retirar da sigla, na qual pretendia disputar o comando do Palácio Rio Branco. Agora, o prefeito negocia seu retorno ao PSDB, legenda pela qual construiu sua trajetória política.

“Nós temos uma bela história dentro do PSDB. Fomos candidatos seis vezes pelo partido, então o 45 tem uma ligação muito forte com a imagem do Bocalom”, declarou.

O encontro com o presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves, está marcado para esta terça. Segundo o prefeito, ficou acertado que a direção nacional da legenda dará uma posição definitiva sobre sua filiação já na terça-feira (10).

Bocalom informou que custeará a viagem com recursos próprios e que solicitou licença de um dia da prefeitura para tratar da agenda partidária.

“Não tenho dúvida nenhuma. Até porque estou indo com passagem paga pelo meu bolso, estou pedindo férias de um dia. Estarei em Brasília tratando exatamente desse assunto”, afirmou.

E disse mais. “Vai ser nesta terça. Eu estou com fé de que vai dar certo, mas tem tanta coisa sendo feita contra a gente nos últimos dias que fico até assim. Então, vamos esperar, mas eu tenho fé que vai dar certo”, finalizou Bocalom.

Ao mesmo tempo em que está em conversas com Bocalom, o diretoria do PSDB/Acre também articula a possibilidade de ingressar na base de apoio à pré-candidatura de Alan Rick e Mailza ao Governo.

Caso a filiação seja confirmada, o PSDB deverá abrigar a pré-candidatura de Bocalom ao governo do Acre nas eleições de 2026.

O encontro com o presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves, está marcado para esta terça. Foto: captada 

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