Brasil
Em defesa de Moro, Bolsonaro diz que legado do ex-juiz contra a corrupção ‘não tem preço’
Presidente afirma que houve ‘invasão criminosa’ das comunicações do atual ministro da Justiça e que lhe deu ‘dois beijos héteros’ em aparições públicas de apoio

Presidente Jair Bolsonaro e ministro Sergio Moro assistem a jogo entre Flamengo e CSA, em Brasília Foto: Jorge William 12/06/2019 / Agência O Globo
Gustavo Maia
BRASÍLIA — Em suas primeiras declarações públicas sobre a divulgação de mensagens de Sergio Moro pelo site de notícias “The Intercept Brasil” , no domingo, o presidente JairBolsonaro defendeu nesta quinta-feira o ministro da Justiça e da Segurança Pública e exaltou sua trajetória como juiz federal, dizendo que o que ele fez pelo combate à corrupção no país “não tem preço”.
Bolsonaro afirmou ainda que houve uma “invasão criminosa” e chegou a questionar a veracidade das mensagens. Ainda segundo o presidente, “ninguém forjou provas” para a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sentenciada em primeira instância por Moro, então juiz do caso do tríplex no Guarujá em Curitiba. Para o presidente, pelo histórico, o ex-magistrado “faz parte da História do Brasil”.
– O que ele fez não tem preço. Ele realmente botou pra fora, mostrou as vísceras do poder, a promiscuidade do poder no tocante à corrupção. A Petrobras quase quebrou, fundos de pensão, muitos quebraram, o próprio BNDES, eu falei agora há pouco aqui, nessa época R$ 400 e poucos bilhões entregues para companheiros comunistas e para amigos do rei aqui dentro. Ele faz parte da história do Brasil – acrescentou Bolsonaro.
Reportagens do “Intercept” mostraram mensagens trocadas entre o então juiz e o procurador Deltan Dallagnol. Segundo o site, Moro deu orientações ao procurador sobre como atuar em processos da operação Lava-Jato, inclusive em um que investigava Lula e o levou à prisão. Procuradores também teriam discutido como barrar uma entrevista do líder petista à “Folha de S. Paulo”, autorizada pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski.
O presidente havia participado nesta quinta-feira do lançamento de um um programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para apoio a hospitais filantrópicos — uma linha de crédito de R$ 1 bilhão —, no Palácio do Planalto, quando parou para falar com jornalistas. Depois de tratar de outros temas, ele foi questionado sobre Moro e ameaçou encerrar a entrevista, como havia feito ao ser indagado sobre o assunto em uma coletiva na terça-feira, em São Paulo.

No último domingo 9, o ministro da Justiça Sergio Moro foi uma das pessoas que teve conversas vazadas em reportagem publicada pelo “The Intercept Brasil” Foto: Jorge William 20-05-2019 / Agência O Globo
Lembrado que fez gestos de apoio a Moro desde terça-feira, como a aparição pública ao lado do ministro em evento da Marinha e o convite para acompanhá-lo ao jogo entre Flamengo e CSA , na noite de quarta-feira, ele passou a falar sobre o caso das mensagens.
– Olha só, ontem foi o dia dos namorados. Em vez de eu chegar em casa e dar um presente para a minha esposa, eu dei um beijo nela. Não é muito melhor? Eu dei um beijo hétero no nosso querido Sergio Moro. Dois beijos héteros. Fomos lá na Marinha com ele – declarou, no início da resposta.
Relativizando o vazamento dos diálogos entre Moro e Dallagnol, o presidente sugeriu que, caso suas conversas pelo telefone fossem divulgadas, ele também teria problemas. E insinuou ter dúvidas sobre se as mensagens vazadas são verdadeiras.
– Ah, vazou… Se vazar o meu aqui, tem muita brincadeira que faço com colegas ali que vão me chamar de novo tudo aquilo que me chamavam durante a campanha. E houve uma quebra criminosa, invasão criminosa, se é [que] o que está sendo vazado é verdadeiro ou não – declarou.
Questionado se acha normal uma conversa entre um juiz e um procurador como a divulgada pelo site de notícias, Bolsonaro respondeu com ironia.
– Normal é conversa com doleiro, com bandidos, com corruptos… Isso é normal? Nós estamos unidos do lado de cá para derrotar isso daí. Ninguém forjou provas nessa questão lá da condenação do Lula.
Comparação com Médici
Bolsonaro comentou a ida ao Mané Garrincha com Moro e comparou a reação do pública nas arquibancadas do estádio à recebida pelo ex-presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) durante a ditadura militar.
– Fui lá com o Moro. O Moro torce lá pro Maringá. Fui com ele ontem aqui no Mané Garrincha e fomos aplaudidos. Quase que só acontecia lá atrás quando o Médici ia no Maracanã – afirmou o presidente.
Os dois, que foram aplaudidos pela parte da torcida mais próxima da tribuna, ganharam camisas do time carioca de alguns torcedores e as vestiram. O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o vice-presidente Hamilton Mourão acompanharam a partida com Bolsonaro.
Um torcedor que estava na arquibancada logo abaixo das autoridades tirou a camisa do Flamengo que usava e a jogou para cima. Bolsonaro a pegou e a vestiu. Depois, o próprio presidente pediu que outro torcedor também jogasse sua camisa. Ele fez isso e Moro, num sorriso tímido, aceitou e a vestiu.
Comentários
Brasil
Operação prende seis suspeitos de fraudes contra turistas da COP 30 no Brasil
Grupo atuava com anúncios falsos de imóveis e causou prejuízo milionário; cidadão italiano é apontado como líder do esquema
Comentários
Brasil
Valterlucio Bessa Campelo analisa cientificamente a pesquisa para Governo do Acre divulgada na segunda, 23
Temos a primeira pesquisa de preferência eleitoral de 2026 para Governador, Senador e Presidente, além de outras informações importantes. Vem por encomenda de uma empresa de comunicações, portanto, sem viés de preferência. Foi realizada pela Delta Agência de Pesquisa e entrevistou 1.006 eleitores, em 18 municípios, com 95% de intervalo de confiança e margem de erro de 3,1 pontos. Aos números. O que eles nos dizem?
Dizem que Alan Rick tem, já na espontânea, praticamente os mesmos números de todos os outros somados. (7,95% contra 8,04%). Ou seja, de cada 100 eleitores que já tem na ponta da língua em quem vai votar, metade vota no Alan Rick.
Dizem que no cenário estimulado (quando são apresentados os candidatos), o resultado é praticamente o mesmo. Alan Rick lidera com 40,36% contra 39,66 dos outros (Mailza, Bocalom, Thor Dantas e Dr. Luizinho) somados. Isso dá vitória no primeiro turno para Alan Rick.
Dizem que num cenário sem o Bocalom, Alan Rick ganharia com folga no primeiro turno com 45,92% contra 28,03% dos outros somados. O resto não sabem ou não quiseram responder. Dizem que em um eventual segundo turno entre Alan Rick e Mailza Assis, Alan Rick ganharia ainda mais fácil, com 48,51% contra 27,24 %. O resto não sabem ou não quiseram responder.
Dizem que no caso de segundo turno com o Bocalom, o Alan Rick ganharia ainda mais folgadamente. Praticamente um esculacho de 58,25% contra 19,58% do Bocalom. O resto não sabe ou não quiseram responder.
Um dado muito observado por todos os que acompanham as eleições é a rejeição do candidato. Vejamos quem o eleitor quer ver pelas costas. Neste caso, Alan Rick, o de maior preferência tem a menor rejeição (6,56%) seguido de Mailza Assis com 8,55%. Tião Bocalom é o mais rejeitado com incríveis 34,19%.
Pois bem. Por dedução, a preço de hoje podemos afirmar de cada candidato o seguinte:
Alan Rick. Apesar de alguns políticos e analistas encarnarem o São Tomé “Só acredito vendo”, fica claro, faltando seis meses para o pleito, que o jogo começará com Alan Rick em pole position. Não é muito provável que diferença tão grande seja tirada à base da “máquina” como sugerem alguns. A campanha, erros e acertos, contingências e o velho imponderável estão na coxia.
Tião Bocalom. Considerando que ele figurava à frente da Mailza até fins do ano passado e, agora, alguns meses depois, está atrás cinco pontos percentuais; considerando que a sua rejeição é estratosférica para a linha da partida, considerando que, conforme a pesquisa, 58,96% dos eleitores de Rio Branco desaprovam sua gestão, não é demais supor que entra para fazer figuração. Ele que não se engane com elevados, o eleitor pobre não está nem aí para isso, e a eventual aprovação já foi precificada ao longo do tempo. Daqui a seis meses o elevado estará pichado e o eleitor reclamando da falta de água.
Mailza Assis. Considerando que ganhou cerca de 10 pontos percentuais (passou de 15% para 20% entre novembro e março), é lícito dizer que inicia um novo momento, aquele em que o apoio do Gladson se fez mais incisivo, obras estão sendo entregues e a “máquina” já está em marcha, reconheçamos. O problema é que seu crescimento se deu às custas de Bocalom. A preferência somada dos dois em novembro é a mesma de hoje.
Seu verdadeiro opositor, o senador Alan Rick teve até um ligeiro aumento. Mais uma coisinha. Note-se que quando Bocalom é tirado da pesquisa, seus parcos 15% dividem-se entre 6% para o Alan Rick, 4% para Mialza e 6% o resto vai para os indecisos. Ou seja, o eleitor que hoje prefere Bocalom, em sua ausência se divide mais ou menos em partes iguais entre Alan e Mailza.
Sim, eu sei, todos sabem que “A pesquisa é o retrato de hoje, pode mudar”; “Tem muita água para correr” Jura? “A política é dinâmica” Garante, não é estática não? “Quando a máquina funcionar muda muita coisa” Sério? Cooptaram o TRE? “Já vi muitos saírem por último e chegarem em primeiro” Sério? Então, por que ninguém quer sair por último?
Importante mesmo é avaliar a tendência. Por exemplo. O Alan Rick está estacionado em 40% há meses, talvez uma 4 ou cinco pesquisas deram isso. Aí está uma tendência de estabilidade em alto patamar que, no caso dele, vem resistindo fortemente, apesar de contar com uma aliança diminuta, sem grandes prefeituras e sem o Governo do Estado e suas máquinas poderosíssimas segundo alguns analistas. Curioso que para 45% do eleitorado, é Alan Rick quem melhor representa a direita no Acre.
Como Bocalom praticamente despencou, não se pode ainda falar de tendência, mas o caso é preocupante. Ele perdeu a poderosa camisa bolsonarista do PL, foi salvar o jantar entre tucanos antibolsonaristas, tem alta rejeição no eleitorado e uma administração reprovada por quase 60% dos eleitores da cidade que administra. Como vai reverter isso sem forças partidárias etc.?
A Mailza vem numa tendência ascendente. Devagarzinho, mas com todo o aparato governamental, ganhou recentemente o apoio do PL através do senador Marcio Bittar, o que fortalece sua campanha em termos de televisão, de apoio da campanha presidencial etc. Tem ainda a questão da assunção ao cargo de governadora que tanto pode ser bom como não. É que suceder um sujeito que sai com mais de 60% de aprovação não é nada fácil. Se, lá por julho-agosto, o eleitor sentir que houve uma queda de performance, arrisca abandoná-la e aí, babau!
Como se vê, o quadro que parece muito confuso, fica especialmente claro quando examinamos uma pesquisa bem feita, com as perguntas certas. Embora certos políticos e analistas as depreciem, porque não conhecem o mínimo de estatística ou porque os resultados lhe desagradam, recomenda-se observá-las. Outras virão, fatos serão relevantes, mudanças são possíveis (não obrigatórias), a campanha tem importância e assim por diante. Por enquanto, é isso.
Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites.
Comentários
Brasil
Deracre fortalece infraestrutura e avança com ações no hospital, vias urbanas e aeródromo de Feijó
Entre os resultados estão o melhoramento de cem quilômetros de ramais, com frentes nas regiões dos rios Envira e Maravilha, e a reabertura do Ramal Joaquim Souza, com 56 km recuperados
O governo do Acre, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre), executa nesta terça-feira, 24, serviços de drenagem e preparação para pavimentação do pátio de estacionamento do Hospital-Geral Doutor Baba, em Feijó, com foco na organização do acesso e na melhoria do fluxo de veículos na unidade. A intervenção reorganiza a circulação no local e amplia a segurança de pacientes, visitantes e profissionais de saúde.
A presidente do Deracre, Sula Ximenes, destaca que a obra integra as ações prioritárias do Estado voltadas à melhoria da estrutura das unidades públicas.“Essa é uma determinação do governador Gladson Camelí e da vice-governadora Mailza Assis: investir na estrutura das unidades públicas. Aqui no hospital, estamos organizando o acesso, melhorando a circulação e garantindo mais segurança para quem chega e para quem trabalha”, afirma.
No município, o Deracre também avança para a conclusão das obras na Rua Pedro Alexandrino, que incluem construção de calçadas e implantação de sinalização viária. A via está em fase final e será entregue no dia 28, contribuindo para a mobilidade e a organização do tráfego em um dos principais eixos urbanos da cidade.
“Essa é uma obra que a população vai perceber no dia a dia. A rua ganha estrutura, organização e mais segurança para quem circula por aqui”, destaca Sula.
Feijó também concentra o aeródromo mais movimentado do Acre, que recebe serviços de manutenção na pista de pouso, com nivelamento, correção de pontos desgastados e recomposição da superfície. As operações são efetuadas em horário reduzido, das 6h às 13h, entre os dias 3 e 31 de março, conforme Notam, para garantir a execução dos trabalhos.



Ações do Deracre melhoram mobilidade e acesso em diferentes frentes em Feijó. Foto: Ascom/Deracre
“A pista precisa estar em condição adequada para pousos e decolagens, e esse serviço garante mais segurança nas operações”, afirmou a presidente do Deracre.
As ações em andamento se somam aos serviços executados pelo Deracre em Feijó durante a Operação Verão 2025. Entre os resultados estão o melhoramento de cem quilômetros de ramais, com frentes nas regiões dos rios Envira e Maravilha, e a reabertura do Ramal Joaquim Souza, com 56 km recuperados, restabelecendo a ligação com o município de Envira, no Amazonas.

Sula Ximenes lidera ações do Deracre e fortalece infraestrutura em Feijó. Foto: Ascom/Deracre
“Esse serviço manteve os ramais em condições de tráfego, garantiu o escoamento da produção e o deslocamento das famílias entre as comunidades e a cidade”, destaca Sula.
Na área urbana, o Estado executou a terraplanagem para construção do prédio do Instituto Federal do Acre (Ifac) e firmou parceria com a prefeitura para reconstrução da Ponte do Diabinho.
“A terraplanagem viabilizou a implantação da nova estrutura do Ifac, e a parceria com a prefeitura garante a reconstrução da ponte, que é importante para a mobilidade na região”, observa.
O apoio ao município incluiu a cessão de mil toneladas de asfalto para manutenção das vias urbanas, 20 tubos de Pead (polietileno de alta densidade), com seis metros cada, e 50 mil litros de combustível destinados ao abastecimento de máquinas e à execução dos serviços.
“Esse material permitiu manter as frentes de trabalho em funcionamento durante o período de verão e garantir a execução dos serviços previstos”, afirma.

Novo campus do Ifac em Feijó começa a ser construído com apoio do Deracre. Foto: Ascom/Deracre




Você precisa fazer login para comentar.