Acre
Divulgadores brasileiros da Telexfree americana podem estar cometendo crime, diz advogado André Neri
Da redação, com Luciano Tavares
Depois que a Telexfree foi bloqueada no Brasil, em junho do ano passado, após uma ação da juíza Thaís Borges, da 2ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco, vários divulgadores da empresa optaram por investir na Telexfree americana. Porém, esses divulgadores podem estar cometendo crime. A conclusão é do advogado André Neri. Isso porque as atualizações são feitas a partir do Brasil, onde a empresa teve proibida suas atividades.
“Embora a atividade da Telexfree tenha sido suspensa no Brasil, alguns divulgadores optaram por continuar na empresa através de sua agência (ou congênere) no exterior. A esse respeito cabe dizer que a lei penal brasileira tem efeito sobre as ações cometidas em todo território nacional e, embora o ciberespaço ainda careça de regulamentações, se é a partir do território nacional que o divulgador utiliza o computador e acessa a internet para captações e divulgações da Telexfree, nada impede a incidência da norma penal brasileira caso a conduta seja reprimível criminalmente. Isso, claro, se a conduta praticada pelos divulgadores se amealhar à conduta praticada pelos organizadores. Explico: o crime de pirâmide financeira necessita do dolo do autor, sendo necessário ao divulgador o conhecimento acerca da insustentabilidade do negócio, de que seu ganho só advém diretamente do prejuízo dos demais. Caso isso ocorra a conduta incide na norma do art. 2º, IX, da Lei 1.521/51. Também existe a possibilidade da conduta ser penalmente reprimível no país de origem da empresa a qual os brasileiros estão filiados, no caso os EUA, o que também poderia atrair a responsabilização penal”, comenta o advogado.
Ainda para o advogado não restam dúvidas de que a empresa pratica pirâmide financeira. Para ele o MP acertou ao denunciar o suposto esquema mesmo ferindo o interesse de milhares de pessoas em todo país.
“Acho que não restam dúvidas acerca da caracterização da Telexfree como pirâmide financeira. Não há sustentabilidade do negócio. Não há produção de bens ou serviços. Quando o ingresso de novos divulgadores estagnar, a base da pirâmide arca com o prejuízo e ela cai. A esse respeito a SEAE/MF já emitiu parecer exaustivo, com o qual concordo, concluindo que a Telexfree é um esquema de pirâmide financeira. Veja bem, o Ministério Público é o órgão responsável pela defesa da ordem jurídica e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Havendo indícios de que a Telexfree executa o esquema de pirâmide financeira, é dever maior do MP mover-se no sentido de garantir que os efeitos desta fraude sejam os menores possíveis e atinjam o menor número possível de cidadãos. A ação não apenas é acertada como é necessária à defesa dos objetivos institucionais do MP. Claro que a ação desagrada muita gente que estava (ou pretendia estar) se dando bem na Telexfree, mas o papel do MP não é agradar ao poderio financeiro e sim garantir o cumprimento das leis, que por sua vez traduzem os comportamentos e valores aceitos na sociedade. Poucas pessoas e poucas instituições se dariam o trabalho de desagradar um contingente financeiro tão poderoso em defesa de algo tão ideal. Essa atuação, portanto, só merece elogios de quem tem apreço pela Justiça e pela sociedade. E agora, qual a melhor saída para os divulgadores? Bom, salvo melhor juízo a Telexfree tende a não retornar à atividade no Brasil. Aos divulgadores prejudicados resta procurar se habilitar no crédito bloqueado”, completou.
André Neri também questiona o patrocínio da Telexfree ao Botafogo do Rio de Janeiro. “Falando em crédito, mesmo com o patrimônio bloqueado a Telexfree fechou contrato de patrocínio com o Botafogo. Patrocinar com que dinheiro? Um caixa de dotações especiais para casos especiais? É mais uma prova que os divulgadores necessitam participar do processo mediante habilitação no crédito, inclusive neste montante direcionado ao patrocínio do time carioca”, conclui.
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Jovem morre após aplicação de medicamento em farmácia; família protesta nas ruas de Tarauacá e MP investiga
Mayko Oliveira França deixou três filhos pequenos. Após sentir tonturas, ele recebeu uma injeção aplicada por atendente de estabelecimento comercial; quadro se agravou e ele não resistiu
A morte do jovem Mayko Oliveira França, de 31 anos, em Tarauacá, mobilizou familiares e amigos que realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira, 30, em frente à Praça da Juventude. O grupo percorreu as proximidades do fórum e da delegacia da cidade cobrando justiça e esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso.
Segundo a mãe e a esposa de Mayko, ele deixou três filhos pequenos. A família afirma que o jovem, descrito como saudável, teria sido vítima de um possível erro no atendimento no interior da unidades de prestação de assistência farmacêutica.

Após a aplicação, o quadro clínico se agravou rapidamente. Nos dias seguintes, Mayko passou a apresentar dores intensas e complicações. Mesmo retornando ao local em busca de ajuda. Foto: captada
De acordo com informações encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Acre, Mayko procurou uma farmácia da cidade no dia 18 de março após sentir tonturas. Durante o atendimento, recebeu a recomendação para aplicação de um medicamento injetável, procedimento realizado por uma atendente do estabelecimento.
Após a aplicação, o quadro clínico se agravou rapidamente. Nos dias seguintes, ele passou a apresentar dores intensas e outras complicações. Mesmo retornando ao local em busca de ajuda, não houve melhora.
No dia 20 de março, já em estado crítico, Mayko foi levado ao Hospital Dr. Sansão Gomes. Profissionais da unidade teriam identificado indícios de possíveis irregularidades no atendimento inicial, levantando dúvidas sobre a forma como a medicação foi aplicada e a dosagem utilizada.


No último dia 20 de março, já em estado crítico, ele foi levado ao Hospital Dr. Sansão Gomes. Profissionais teriam identificado indícios de possíveis irregularidades no atendimento inicial. Foto: captada
O paciente apresentou sinais graves, incluindo comprometimento dos rins e outras complicações clínicas. Após ser estabilizado, foi transferido para Cruzeiro do Sul, mas não resistiu e morreu no mesmo dia.
O Ministério Público já abriu investigação para apurar as circunstâncias do caso. A família segue mobilizada em busca de justiça e cobra que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.

O paciente apresentou sinais graves, incluindo comprometimento dos rins e outras complicações clínicas. Após ser estabilizado, foi transferido para Cruzeiro do Sul, mas não resistiu. Foto: captada
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Estudantes da UFAC levam análise econômica às ruas de Assis Brasil
Ação de extensão aproximou universidade da comunidade com dados sobre desenvolvimento local
Alunos do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Acre, campus de Assis Brasil, realizaram uma ação de extensão nas ruas do município com o objetivo de compartilhar conhecimentos acadêmicos com a população.
Durante a atividade, foram distribuídos panfletos com os principais resultados dos trabalhos desenvolvidos na disciplina de Macroeconomia II e no projeto de extensão “Análise Macroeconômica Comparativa: Estrutura Produtiva, Mercado de Trabalho e Desenvolvimento entre Assis Brasil (AC) e o Brasil”, coordenado pela professora Graziela Gomes Bezerra.
O estudo teve como foco comparar indicadores econômicos e sociais do município com o cenário nacional, utilizando dados macroeconômicos para avaliar aspectos como estrutura produtiva, mercado de trabalho e desenvolvimento social.
A iniciativa buscou aplicar, na prática, os conteúdos trabalhados em sala de aula, aproximando o conhecimento acadêmico da realidade local e promovendo o diálogo com a comunidade.
Ao todo, cinco trabalhos foram apresentados. Um dos estudos, desenvolvido pelas alunas Laisa Silva Cardilha e Andreiany da Silva Rodrigues Sales, com contribuições de Iraci Marques de Araújo, destacou desigualdades no acesso à educação, saúde e serviços sociais em Assis Brasil, apontando limitações no desenvolvimento do município em comparação com a média nacional.
A ação reforça o papel da universidade na produção e disseminação de conhecimento, contribuindo para a reflexão sobre os desafios e potencialidades da realidade local.
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Rio Acre ultrapassa cota de alerta em Rio Branco e mantém cenário de atenção




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