Acre
Detran fecha balanço dos primeiros dias com novas regras da Lei Seca
No primeiro fim de semana após as mudanças na legislação de trânsito sobre a lei seca, que passou a ser mais rígida com os motoristas que dirigem sobre efeito de bebidas alcoólicas, a Companhia de Trânsito da Polícia Militar e o Departamento Estadual de Trânsito do Acre (Detran) realizaram levantamento sobre as abordagens nas blitzes, testes de bafômetros e número de autuações. As mudanças foram aprovadas pelo congresso nacional na última semana e entrou em vigor logo após a aprovação.
Entre estas mudanças estão o aumento do valor da multa que passa dos R$ 957,70 para R$ 1.915,40, a diminuição da quantidade de álcool no organismo estipulada para a prisão do condutor que seria concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, além de permitir uso de novos meios para identificar um condutor alcoolizado como vídeos, imagens e prova testemunhal.
Com essas novas regras espere-se uma diminuição ainda maior no número de acidentes ocasionados por motoristas embriagados, as blitz da Operação Álcool Zero do Detran Acre já estão trabalhando sob as novas regras desde este último fim de semana, feriado de Natal. Nas blitzes foram realizados 412 testes com bafômetro deste número 50 condutores foram autuados por embriagues no volante e 3 foram presos por estarem acima do limite.
“Deste do início da Operação Álcool Zero, criada em 26 de março de 2011, já se percebe, notoriamente, os resultados positivos da política governamental de combate a embriaguez ao volante, implementada pelo Decreto Estadual 3064/2011, seja por meio dos dados estatísticos, seja por meio da redução dos percentuais de condutores que consomem bebida alcoólica e dirigem” diz o comandante da Cia de Trânsito e coordenador da operação Álcool Zero Major Márcio Alves.
Os condutores que são detidos por embriagues têm sua fiança definida pelo delegado que pode estabelecer o valor pela renda dos motoristas alcoolizados ou ainda pelo valor do veículo dirigido. O dinheiro arrecadado com a fiança é usado para investimentos na segurança pública de cada estado. O valor das multas fica aprisionado por até cinco anos, tempo que a legislação dá como prazo para correrem todos os recursos possíveis, e após esse período o dinheiro é utilizado na infraestrutura de avenidas, ruas e estradas e na educação de trânsito.
Além da diminuição dos acidentes com danos materiais e com vítimas fatais, as estatísticas apontam também para um maior cuidado com a documentação de veículos e habilitação. “Nossa meta é zerar com o número de acidentes com vítimas fatais, diminuir os acidentes com danos e fazer com que nossos motoristas respeitem mais a sinalização. As novas regras já são um passo importante para conquistarmos esta meta, começando pelo mais prejudicial no trânsito”, diz a diretora geral do Detran, Sawana Carvalho.
Alexandro Lima (Assessoria Detran)
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Acre
Produtores de castanha do Acre enfrentam barreiras para exportar para Bolívia e Peru por exigências fitossanitárias
Legislação federal sobre certificação travou envio do produto; estoques acumulam e prejuízos atingem toda a cadeia extrativista no estado

Uma reunião está prevista para esta sexta-feira (30), quando devem ser discutidas alternativas para definir a situação e tentar destravar a exportação. Foto: captada
Produtores de castanha-do-brasil (ou castanha-da-amazônia) no Acre estão com dificuldades para exportar o produto para países vizinhos, como Bolívia e Peru, devido a exigências de certificação fitossanitária previstas na legislação federal. A situação tem gerado acúmulo de estoques, redução na comercialização e prejuízos financeiros para comunidades extrativistas e cooperativas que dependem da venda internacional.
A falta de alinhamento entre os protocolos brasileiros e os requisitos dos países compradores tem sido apontada como principal entrave. Enquanto não há solução, produtores veem o produto perder valor de mercado e a safra ficar retida. O problema afeta especialmente a região do Alto Acre e regiões produtoras próximas à fronteira, onde a exportação para a Bolívia e o Peru e uma das principais rotas de escoamento.
Autoridades estaduais e representantes do setor buscam diálogo com o Ministério da Agricultura para flexibilizar ou adequar os trâmites, mas ainda não há previsão de normalização. A castanha é um dos produtos extrativistas mais importantes da economia acreana, gerando renda para milhares de famílias.
Diante do impasse, as comunidades extrativistas, os produtores foram recebidos pelo superintendente do MAPA no Acre, Paulo Felipe Teixeira Santos Trindade, em busca de diálogo e esclarecimentos. Uma reunião está prevista para esta sexta-feira (30), quando devem ser discutidas alternativas para definir a situação e tentar destravar a exportação.

A situação tem provocado acúmulo de estoques e prejuízos financeiros, impactando diretamente toda a cadeia produtiva ligada ao extrativismo no estado. Foto: captada
O extrativista e produtor Said Fahrat, em entrevista à jornalista Anne Nascimento, explicou que, apenas em sua propriedade, há aproximadamente 15 mil latas de castanha estocadas, sem possibilidade de comercialização na fronteira do acre com Bolívia e Peru. O entrave está relacionado às exigências para emissão do Certificado Fitossanitário (CF), documento obrigatório para exportação de produtos de origem vegetal, conforme estabelece a Portaria nº 177/2021, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A norma define procedimentos rigorosos para garantir a segurança fitossanitária dos produtos exportados, incluindo inspeções visuais e o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo país importador. Na prática, porém, produtores afirmam que essas exigências têm dificultado o envio da castanha, que é um produto in natura e possui casca de origem vegetal.
“Já faz cerca de dois anos que estão exigindo que não tenha nem uma formiga. Castanha é madeira, a casca é madeira, e sempre aparece formiga. Isso acaba travando tudo”, relata o produtor, que atua no setor há mais de 40 anos.
Segundo ele, os países compradores não demonstram a mesma preocupação. “A Bolívia e o Peru aceitam o produto. Eles fazem a limpeza lá, tiram a sujeira, e isso não causa problema nenhum. Mesmo assim, a gente não consegue exportar”, afirma.
Disse mais.“A gente precisa vender. Tem muita gente com castanha parada, e toda a cadeia produtiva do Acre está sendo afetada”, destaca Farhat. Ele também alerta para os riscos econômicos da manutenção do cenário atual. “Se não for legalmente, há o risco de contrabando, e ninguém quer isso”, finaliza Said.

O entrave está relacionado às exigências para emissão do Certificado Fitossanitário (CF), documento obrigatório para exportação de produtos de origem vegetal. Foto: captada
A produção de castanha-do-brasil é um dos destaques do extrativismo do Acre.
Os cinco principais municípios produtores de castanha são:
- Xapuri (21%);
- Brasiléia (17%);
- Rio Branco (17%);
- Sena Madureira (15%);
- Epitaciolândia (11%).
A região do Alto Acre é responsável por 50% da castanha coletada no Acre, Baixo Acre vem com 34% e Purus, 15%.
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Acre
Polícia Civil prende em Rio Branco acusado de ser “executor” de facção criminosa que se escondia em obra de influenciadora digital
Homem atuava como operário em construção no bairro Bom Sucesso; é suspeito de tortura por encomenda e violência a mando de organização criminosa
O Disfarce no Canteiro de Obras, foi descoberto após investigação da Polícia Civil. A prisão ocorreu no bairro Bom Sucesso, em Rio Branco. Foto: captadaUm homem identificado pelas iniciais G. S. S., apontado como executor de alta periculosidade de uma organização criminosa que atua no Acre, foi preso na tarde desta terça-feira (27) no bairro Bom Sucesso, em Rio Branco. Ele estava trabalhando como operário na construção da casa de uma influenciadora digital local, tentando se esconder sob a identidade de trabalhador comum.
A operação foi realizada pela Delegacia-Geral de Manoel Urbano com apoio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a investigação, G. S. S. é suspeito de cometer tortura por encomenda e atos violentos a mando da facção, além de integrar esquemas de execução e intimidação em Rio Branco e no interior.
A influenciadora, cujo nome não foi divulgado, não teria conhecimento do histórico do operário. Após a prisão, ele foi encaminhado à Delegacia Central de Flagrantes (DEFLA) para os procedimentos legais.

O criminoso se passava por um trabalhador comum sob a supervisão de um mestre de obras, tentando evitar qualquer comportamento que levantasse suspeitas entre os colegas de trabalho. Foto: captada
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Justiça do Acre aceita denúncia contra dois homens por assassinato de ativista cultural Moisés Ferreira
Moisés Alencastro, 59 anos, colunista social foi morto a facadas em dezembro; réus respondem por homicídio qualificado e furto de veículo e celular

Os dois confessaram o crime, segundo o delegado. Eles passaram por audiência de custódia no dia 26 de dezembro, tiveram as prisões mantidas pela Justiça e foram levados para o Complexo Prisional de Rio Branco. Foto: captada
A Justiça do Acre aceitou a denúncia do Ministério Público contra Antônio de Sousa Morais, 22 anos, e Nataniel Oliveira de Lima, 23, acusados de matar o ativista cultural, advogado e servidor do MP-AC Moisés Ferreira Alencastro, de 59 anos, em dezembro de 2025. Com a decisão do juiz Alesson Braz, da 2ª Vara do Júri, os dois passam a réus no processo.
Moisés foi encontrado morto com quatro facadas no dia 22 de dezembro, e seu carro foi localizado abandonado na Estrada do Quixadá, zona rural de Rio Branco. Os suspeitos foram presos no dia 25. A denúncia aponta homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e furto do veículo e celular da vítima.

O carro foi achado abandonado na Estrada do Quixadá, zona rural de Rio Branco. Os suspeitos envolvidos no assassinato foram presos no dia 25 de dezembro na capital. Foto: captada
O caso agora segue para a fase de instrução processual e, posteriormente, será julgado pelo Tribunal do Júri. O advogado de Antônio, David Santos, informou que a defesa será apresentada no prazo legal e que seu cliente mantinha relacionamento com Moisés há mais de dois anos. O caso seguirá para instrução e depois será julgado pelo Tribunal do Júri.

O laudo cadavérico, anexado aos autos, apontou que Moisés morreu após sofrer cerca de quatro golpes de faca. Foto: captada

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