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Delator apresenta planilha que mostra supostos gastos para sítio investigado na Lava Jato em Atibaia
Emyr Diniz Costa Junior, ligado à Odebrecht, entregou planilha que aponta soma de R$ 700 mil, segundo o MPF.
G1

Imóvel é alvo de investigações contra o ex-presidente Lula (Foto: Nelson Almeida/AFP e Reprodução/TV Globo)
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou ao juiz Sérgio Moro nesta segunda-feira (27) uma planilha que mostra supostas movimentações financeiras feitas pelo setor de propinas da Odebrecht, cujo destino seria o pagamento de obras de um sítio em Atibaia, no interior paulista.
O imóvel é objeto de um processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de receber propina da empreiteira por meio das reformas no imóvel.
A planilha foi entregue ao MPF pelo ex-funcionário da empresa, Emyr Diniz Costa Júnior, que alegou ter feito uma cópia do documento no sistema de computador Drousys, usado pela Odebrecht para a comunicação sigilosa entre os funcionários.
Costa Júnior é um dos delatores ligados à empreiteira, e a investigação indica que ele foi o engenheiro responsável pelas obras no imóvel. A planilha aponta movimentações financeiras que totalizam R$ 700 mil.
Na planilha há indicações de quatro repasses de dinheiro. O documento aponta que os pagamentos foram feitos entre os dias 16 e 30 de dezembro de 2010, no último ano do governo Lula. Segundo a planilha, os pagamentos foram de R$ 300 mil, R$ 120 mil, R$ 197,9 mil e R$ 2,1 mil.
De acordo com o MPF, uma cópia idêntica do documento foi encontrada dentro de discos rígidos que contêm todos os dados armazenados no sistema Drousys e que foram apreendidas durante as investigações da Lava Jato.
A defesa de Costa Júnior afirma que o dinheiro foi repassado quando ele atuava em outra obra, chamada de Projeto Aquapolo, uma obra de saneamento realizada na região do ABC Paulista.
Os advogados do delator afirmam que a planilha corrobora o que disse Costa Júnior durante os depoimentos prestou no âmbito do acordo de delação premiada. A defesa afirma que os valores são compatíveis com as notas fiscais já apresentadas pelo MPF à Justiça, como provas da suposta propina ao ex-presidente Lula.
O MPF, porém, apenas confirma ter encontrado a cópia da planilha, sem fazer juízo de valor quanto à suposta prova apresentada.
Setor de propinas
Ainda de acordo com a defesa de Costa Júnior, a planilha mostra que os valores pagos em 2010 foram repassados pela equipe do chefe do setor de propinas da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, por intermédio da secretária Maria Lúcia Tavares.
Eles dizem que todo o dinheiro foi empregado na obra da reforma do sítio em Atibaia.
Sítio investigado
O sítio em Atibaia é um dos alvos de investigação da Lava Jato contra Lula. As investigações apontaram indícios de que ele seria o real proprietário do imóvel, que está registrado em nome de outros dois empresários.
A propriedade era usada com frequência pela família do ex-presidente, que alega que os donos liberaram o acesso ao local, por amizade.
Além de Lula e Costa Júnior, são réus neste processo o empresário Fernando Bittar, um dos donos do sítio; o ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht; o ex-presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro; o pecuarista José Carlos Bumlai; o advogado de Lula, Roberto Teixeira; e ex-funcionários ligados às construtoras citadas na denúncia.
‘Delírio acusatório’
Em nota, a defesa de Lula afirmou que a planilha não tem qualquer ligação com os supostos pagamentos para as obras no sítio em Atibaia.
De acordo com o advogado Cristiano Zanin Martins, que representa Lula, os valores são referentes a pagamentos feitos na obra do Projeto Aquapolo, mantida pela Sabesp.
“O documento, além de não ter qualquer valor probatório contra Lula, reforça que os fatos discutidos na ação não têm relação com os 7 contratos da Petrobras fundamentam a acusação, e que, consequentemente, com a Operação Lava Jato. Reforça, ainda, que essa acusação não se baseia em provas, mas sim no mau uso da lei para fins de perseguição política contra Lula, prática conhecida como ‘lawfare'”, afirma o advogado.
A defesa de Lula também nega que ele seja o proprietário do sítio e que tenha recebido qualquer valor da Odebrecht.
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Brasil chegou perto de voltar à ditadura, diz New York Times

© Antonio Augusto/STF
Os jornais mais influentes do mundo repercutiram o julgamento que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado e várias publicações relembraram o passado ditatorial do Brasil.
O New York Times (NYT), dos Estados Unidos (EUA), disse que a investigação revelou que o Brasil chegou perto de voltar à ditadura e o francês Le Figaro destacou que a decisão é histórica para um país ainda “assombrado pela memória da ditadura militar (1964-1985)”.
O NYT escreveu que “a investigação revelou o quão perto o Brasil chegou de retornar a uma ditadura militar quase quatro décadas depois de sua história como uma democracia moderna” e que “Bolsonaro também parece estar apostando no apoio do Sr. Trump”.
Já o jornal ligado ao mercado financeiro de Wall Street, o The Wall Street Journal, destacou que o julgamento desferiu “um golpe em um dos aliados mais próximos do presidente Trump na América Latina”
O The Washington Post, principal jornal da capital dos EUA, destacou que a acusação afirma que os investigados “buscavam manter Bolsonaro no poder ‘a todo custo’, em um esquema de várias etapas que se acelerou depois que o político de extrema direita perdeu para o atual presidente”.
O jornal de Washington lembrou ainda que Bolsonaro era conhecido por “expressar nostalgia pela ditadura passada do país, desafiou abertamente o sistema judicial do Brasil durante seu mandato de 2019-2022”.
Além disso, a publicação citou que Bolsonaro tem apelado à mobilização de apoiadores e ao projeto de lei da anistia no Congresso Nacional para tentar escapar da condenação.
América Latina
O jornal argentino Clarín também deu destaque ao julgamento que tornou Bolsonaro réu nessa quarta-feira (26).
“O juiz Alexandre de Moraes, responsável pelo caso do Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro e inimigo declarado do ex-presidente, foi o primeiro a votar a favor da abertura de um processo criminal, e um segundo juiz acompanhou seu voto”, disse o Clarín.
O mexicano El Universal fez uma reportagem para repercutir a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o julgamento, destacando ainda os argumentos de Moraes e do Bolsonaro sobre a trama golpista.
“O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou Jair Bolsonaro o primeiro ex-presidente a ser julgado por tentativa de golpe de Estado desde o retorno da democracia”, disse o El Universal.
“Durante seu discurso, o juiz mostrou imagens dos eventos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, quando uma horda de apoiadores do líder de extrema direita destruiu as três sedes dos Poderes”, disse a publicação mexicana.
Europa
O tradicional jornal inglês The Guardian destacou que a decisão que tornou Bolsonaro réu “deixa o populista de extrema direita, que governou o Brasil de 2019 até o final de 2022, enfrentando o esquecimento político e uma possível pena de prisão de mais de 40 anos”.
Ainda segundo o Guardian, “enquanto muitos no Brasil se regozijam com a queda prevista do ex-presidente, outros temem quem pode seguir seus passos de extrema direita”.
O jornal espanhol El País disse que não é incomum que um ex-presidente seja julgado criminalmente no Brasil, “o que é inédito é que ele será levado a julgamento por um golpe”.
Um dos principais periódicos da França – o Le Figaro – destacou que a condenação “minaria as ambições de retornar ao poder” de Bolsonaro.
“A decisão é histórica em um país ainda assombrado pela memória da ditadura militar (1964-1985), recentemente revivida pelo fenomenal filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, vencedor do Oscar de melhor filme internacional”, escreveu o Le Figaro.
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Professor curitibano cria método revolucionário para desenvolver pessoas com Transtorno do Espectro Autista
O Método PAE, desenvolvido por Nilson Sampaio, é baseado na paciência, amor e empatia no ensino; a prática é aplicada desde 2019, potencializada por aulas de artes e desenho, em crianças e jovens de Curitiba (PR)
A realidade de mais de 2 milhões de brasileiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser transformada por meio de um método revolucionário criado pelo professor e especialista em inclusão, Nilson Sampaio. Aplicado desde 2019 em um seleto grupo de pacientes de Curitiba (PR) com TEA e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o Método PAE (Paciência, Amor e Empatia) é uma abordagem de ensino que valoriza a individualidade de cada aluno, reconhecendo que tanto crianças neurotípicas quanto neurodivergentes possuem formas únicas de aprender, tudo isso potencializado pela arte.
Todo o método desenvolvido por Sampaio foi criado a partir de experiências do professor com crianças e jovens dentro do espectro autista, que têm seus sentidos potencializados por técnicas de arte e desenho. “A arte é um potencializador de desenvolvimentos do autista, que passam pelo comportamento, desenvolvimento emocional, habilidades sociais e outras funções, e impactam até mesmo na entrada dessa pessoa no mercado de trabalho”, destaca o professor.
O PAE não apenas respeita estas diferenças, como também as utiliza como base para promover autonomia e um aprendizado significativo, com atendimento personalizado direto na casa do aluno. “Aplicar os pilares do método, que são a paciência, o amor e a empatia no ensino destas crianças e adolescentes não apenas melhora o aprendizado acadêmico, mas também fortalece a autoestima e a independência. O PAE ajuda a criar um ambiente seguro, onde os alunos se sentem respeitados e confiantes para explorar o conhecimento sem medo de errar”, explica Sampaio.
Sampaio enfatiza a importância da assistência na troca de conhecimento entre aluno e professor ao organizar fluxos, enfrentar e respeitar rotinas e situações peculiares de cada aluno dentro do espectro, encontrando um ponto de flexibilidade para a autonomia deles. O especialista destaca, por exemplo, uma de suas alunas, que se destaca pela escolha artística peculiar de só retratar o personagem Mickey Mouse em todos os seus desenhos.
A paciência aborda o ritmo próprio do desenvolvimento e aprendizado de cada aluno dentro do método. “Os alunos geralmente precisam de mais tempo que o usual para compreender um conceito, muitos precisam de repetições constantes”, conta Sampaio. De acordo com o PAE, ter paciência significa respeitar esse tempo, criar um ambiente seguro para o erro e entender que o progresso não é linear. “Ensinar sem pressa e sem cobranças excessivas fortalece a confiança do aluno e permite que ele realmente absorva o conhecimento”, diz.
O pilar relacionado ao amor se reflete no cuidado, na persistência e na alegria em ensinar. “Trabalhar com crianças, especialmente aquelas com desafios na comunicação, ou na adaptação a diferentes contextos, exige um envolvimento genuíno. Além disso, crianças aprendem por observação e repetição, e se forem cercadas por atitudes amorosas, tenderão a reproduzir esse comportamento”, detalha.
O último pilar é a empatia, considerada fundamental para que o educador consiga perceber o mundo a partir da perspectiva do aluno. Compreender as dificuldades e necessidades da criança possibilita intervenções mais eficazes e respeitosas. “Quando um professor ou cuidador se coloca no lugar do outro, consegue identificar barreiras no aprendizado e propor soluções mais adequadas”, completa Sampaio.
Sobre Nilson Sampaio
O especialista trabalha a inclusão por meio da arte e é especialista em inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Sampaio iniciou sua carreira artística com apenas 14 anos, contribuindo com diversos veículos de comunicação do país e lançando diversos livros autorais. É graduado em Gravura (EMBAP) e em Licenciatura em Artes Visuais (Unespar). Desde 2013, dedica-se à arte para neurodivergentes.
Sampaio possui especialização em Educação Especial e Inclusão, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Neuroaprendizagem. Além disso, tem formação continuada no trabalho colaborativo pedagógico para o TEA na própria UFPR. Para completar, está concluindo uma Certificação Internacional em Análise do Comportamento QASP-S. Mais informações no perfil oficial do especialista no Instagram: @oprofessorsampaio.
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Professor e empresária são presos por tortura e roubo após descoberta de traição
O professor universitário Adelson Alves de Lima Júnior, de 46 anos, e sua esposa, a empresária Luana Lopes Lemos, de 36, foram detidos em Rorainópolis, Sul de Roraima, sob suspeita de tortura, lesão corporal grave, constrangimento ilegal, ameaças e roubo. A prisão ocorreu após Adelson descobrir uma traição por parte de Luana, conforme informou a Polícia Civil.
As vítimas do casal incluem um jovem de 21 anos, considerado amante de Luana, e uma ex-funcionária de 36 anos, que estava ciente do caso extraconjugal. O delegado Rick Silva revelou que, em outubro de 2023, Adelson torturou e agrediu o amante. Em fevereiro deste ano, o celular da ex-funcionária foi roubado como uma forma de advertência devido ao seu conhecimento sobre o relacionamento.
Além de roubar o celular da ex-funcionária, eles também apagaram imagens das câmeras de segurança que flagraram parte da ação do dia em que o amante foi torturado. Luana é dona de uma cafeteria e também foi candidata à vereadora em Rorainópolis em 2024. Adelson é professor universitário de instituições públicas na região.
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