Brasil
Câmara aprova limite a gasto de campanha e outras alterações em regras eleitorais

Plenário aprovou texto que altera pontos como prestação de contas dos partidos e quantidade de candidatos nas eleições – Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Deputados vão analisar na semana que vem emendas que podem alterar o projeto. Texto compatibiliza a legislação atual à PEC da Reforma Política, cuja votação também poderá ser concluída na próxima semana.
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira o substitutivo do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao projeto de lei da minirreforma eleitoral (PL 2259/15). Entre outros pontos, o texto trata de limites das doações para campanhas, dos gastos de campanha, da prestação de contas e da quantidade de candidatos.
A análise dos destaques e das emendas será feita em sessão extraordinária na próxima terça-feira (14) pela manhã. Os partidos vão propor mudanças pontuais ao texto por meio de emendas aglutinativas.
Gastos de campanha
Quanto ao limite de gastos com campanha, a proposta fixa tetos diferenciados segundo o cargo em disputa. Para presidente da República, governador e prefeito, o limite será definido com base nos gastos declarados para cada cargo na eleição imediatamente anterior à promulgação da futura lei.
No município ou estado em que houve apenas um turno na eleição para prefeito ou governador, o limite futuro será de 70% do maior gasto declarado para o cargo. Esse limite valerá para o primeiro turno.
Onde houve dois turnos, o limite será de 50% do maior gasto declarado para o cargo. Esse é o caso também da disputa para presidente da República, já que a última eleição teve dois turnos.
Em ambas as situações, de 70% ou 50%, se houver segundo turno nas eleições seguintes à vigência da futura lei, os gastos desse pleito adicional serão de 30% em relação ao primeiro turno dessas mesmas eleições.
Já os gastos nas campanhas eleitorais dos candidatos às eleições para senador, deputado estadual, distrital e vereador serão limitados a 70% do maior gasto declarado na circunscrição para o respectivo cargo.
A mudança em relação ao texto apresentado na terça-feira foi para o cargo de deputado federal, que passou de 70% para 65% do maior gasto efetuado, considerando todo o País.
Como a campanha mais cara em 2014 para deputado federal, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), custou R$ 8,4 milhões, o teto passa a ser R$ 5,46 milhões. No Senado, o teto será R$ 12,83 milhões (70% de R$ 18,33 milhões).
Doações a campanhas
No tópico de doações, o relator disciplina limites seguindo a permissão para doações de empresas privadas a partidos, item constante da PEC 182/07, da reforma política.
Além do limite na lei atual de as empresas doarem até 2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição, as doações totais serão de até R$ 20 milhões, e as doações feitas a um mesmo partido não poderão ultrapassar 0,5% desse faturamento.
Gravações
Em processos eleitorais, a gravação de conversa privada, ambiental ou telefônica não poderá ser utilizada como prova se tiver sido feita por um dos partícipes sem o conhecimento do outro ou sem prévia autorização judicial.
Também nesse tipo de processo, quando ele levar à perda do mandato, o testemunho de uma pessoa sem outras provas não será aceito.
Candidatas mulheres
Outra mudança incluída pelo relator em relação ao texto apresentado na terça-feira foi o gasto mínimo dos partidos com campanhas de mulheres a cargos legislativos.
Em vez de começar com 30% dos recursos do Fundo Partidário que o partido deverá destinar a todas as campanhas para cargos legislativos e diminuir para 20% e 15% nas eleições subsequentes, o relator definiu que o montante para as campanhas de mulheres variará de 5% a 15% nas três primeiras eleições seguintes à futura lei.
Assim, de todos os recursos do fundo direcionados às campanhas para cargos legislativos (vereador, deputado estadual, distrital e federal), um percentual nessa faixa deverá financiar apenas as campanhas das candidatas.
Reprovação das contas
O projeto acaba com a suspensão de repasses do Fundo Partidário caso o partido tenha suas contas desaprovadas pela Justiça Eleitoral. Isso valerá apenas se a legenda não prestar contas.
O partido que tiver as contas reprovadas terá apenas que devolver os valores considerados irregulares, com multa de até 20% do valor questionado.
A devolução ocorrerá com o desconto das quotas a receber do fundo em até 12 meses, exceto no segundo semestre do ano em que houver eleições.
Hoje, a desaprovação das contas também gera a responsabilização dos dirigentes partidários. Pelo projeto, a responsabilização pessoal civil e criminal dos dirigentes partidários em razão da desaprovação das contas somente ocorrerá devido a irregularidade grave e insanável decorrente de conduta dolosa que tenha implicado enriquecimento ilícito e lesão ao patrimônio do partido político.
Candidatos por vaga
De acordo com o substitutivo, será menor o número de candidatos que cada partido ou coligação poderá registrar. A mudança atinge as candidaturas a vereador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital. Em vez de 150% do número de vagas a preencher, como ocorre hoje, cada partido poderá indicar até 110% desse número.
As coligações, que atualmente podem indicar candidatos em número até 200% das vagas, passam a ter o direito de indicar 150%.
Os números de candidatos permanecem os mesmos para vereadores em cidades com até 100 mil eleitores: 150% nos partidos e 200% nas coligações.
Nos estados em que o número de lugares a preencher para a Câmara dos Deputados for de até 12 vagas, tanto o partido quanto a coligação poderão registrar o dobro de vagas a preencher.
A regra atual prevê essa possibilidade para as bancadas com até 20 vagas. Assim, a mudança retira dessa exceção os estados de Goiás, Maranhão, Pará e Santa Catarina, cujas bancadas têm mais que 12, mas menos que 20 deputados.
Voto em trânsito
Apesar de rejeitada a inclusão no texto constitucional, o voto em trânsito para todos os cargos retorna ao debate com sua inclusão no texto do projeto da minirreforma eleitoral. Esse voto será permitido em urnas especiais instaladas em municípios com mais de 100 mil eleitores.
De acordo com as regras, se a pessoa estiver em trânsito dentro do próprio estado, poderá votar para todos os cargos, exceto prefeito e vereador. Se ela estiver fora do estado, poderá votar apenas para presidente da República, como ocorre atualmente.
Em todos os casos, esse tipo de voto dependerá de habilitação antecipada perante a Justiça Eleitoral em até 45 dias antes do pleito.
Íntegra da proposta:
Comentários
Brasil
Dosimetria: Paulinho critica Lula e diz que trabalhará contra o veto
Relator do projeto de redução de penas diz que petista “desconsidera” Congresso ao assinar veto durante cerimônia do 8 de Janeiro
O presidente do Solidariedade e relator do projeto de lei da Dosimetria, o deputado Paulinho da Força (SP), criticou o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), feito simbolicamente na cerimônia que marcou os três anos dos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro.
O sindicalista disse que o projeto, que reduzia penas para os condenados pelos ataques e podia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), representava uma “carta branca da paz institucional” e que trabalha para derrubar o veto em uma sessão conjunta do Congresso Nacional.
PL da Dosimetria
- O Projeto de Lei da Dosimetria estabelece a redução de penas para condenados por envolvimento nos atos golpistas.
- Pela proposta, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses por chefiar um plano golpista após a derrota nas eleições de 2022, poderia ter a pena reduzida para cerca de 2 anos em regime fechado.
- Com o veto de Lula, a matéria volta para o Congresso, que vai definir se derruba ou mantém o veto.
- Segundo o texto aprovado no Parlamento, em caso de condenações por mais de um dos crimes contra instituições democráticas listados no Código Penal, deverá permanecer a pena mais severa, não podendo mais ter a cumulatividade de tempo de reclusão.
- A pena poderá ser reduzida em dois terços se os crimes forem cometidos em contexto de multidão — desde que o condenado não tenha exercido papel de liderança ou de financiador.
- Condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, mesmo em casos de reincidência, terão direito à progressão de regime se tiverem cumprido ao menos um sexto da pena.
“Ao vetar esse projeto, Lula desconsidera uma construção coletiva do Congresso e reabre tensões que já haviam sido superada, optando pelo confronto em vez do diálogo”, diz a nota.
Paulinho cita o apoio dos Estados Unidos à proposta e diz que “dosimetria não é anistia”. Depois da aprovação do projeto da Câmara, o governo de Donald Trump citou o projeto para justificar a retirada de sanções contra o Brasil.
Como mostrado pelo Metrópoles, a oposição fiadora da dosimetria quer acelerar uma sessão para a derrubada do veto e deverá pressionar o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tal. Os bolsonaristas apostam na relação estremecida com Lula para que o senador amapaense convoque a votação.
Do lado do governo, líderes da base vão tentar reverter votos a favor da reduçaõ de penas. O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ) disse que são somente 34 votos necessários e disse que a empreitada é uma “tarefa possível” para os líderes.
Comentários
Brasil
Líderes da oposição atacam Lula após veto ao PL da Dosimetria
A oposição se mobiliza para tentar derrubar o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria no Congresso Nacional
Com o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria nesta quinta-feira (8/1), a oposição se mobiliza para tentar derrubá-lo. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ) (foto em destaque), chegou a classificar a assinatura como uma “prova de ódio que ele [Lula]”, bem como “toda a esquerda” tem dos “patriotas”.
Sóstenes afirmou que o chefe do Executivo “sabe” que o veto será derrubadona primeira sessão conjunta do Congresso. A oposição articula para angariar votos e fazer com que a negativa assinada por Lula caia.
A líder da minoria na Casa Baixa, Carol De Toni (PL), convocou, em sua página no X, uma mobilização para coletar assinaturas para a derrubada do veto. “Precisamos da assinatura da maioria dos deputados e senadores”, escreveu.
O ex-ministro do Trabalho e Previdência Social no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lembrou que Lula escolheu assinar a negativa do texto exatamente em 8 de janeiro de 2026, data que marca três anos dos atos antidemocráticos, realizados na Praça dos Três Poderes.
“Não foi por acaso. Foi calculado. Foi cruel. É a assinatura de um governo que não governa pela lei, mas pela vingança”, escreveu.
O Projeto de Lei da Dosimetria contemplaria Bolsonaro, que cumpre prisão de 27 anos e 3 meses, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Comentários
Brasil
Justiça proíbe vídeos de deputado que relacionam PT a narcotráfico

Reprodução/Instagram
A 2ª Vara Cível de Brasília determinou, nessa quarta-feira (7/1), em decisão liminar, que o Instagram retire conteúdo publicado pelo deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) no qual associa a sigla do Partido dos Trabalhadores (PT) ao narcotráfico na Venezuela.
Segundo a Justiça do DF, “o conteúdo publicado associa falsamente o Partido dos trabalhadores ao narcotráfico”.
Nessa segunda-feira (5/1), o partido acionou a Justiça contra o deputado, que compartilhou vídeos nas redes sociais no último sábado (3/1), comparando a sigla ao crime após os Estados Unidos invadirem o país governado por Nicolás Maduro.
Na ação, que tramita na 2ª Vara Cível de Brasília, o PT afirma que “o conteúdo integra campanha virtual de desinformação, explorando tragédia de ampla comoção social para difundir narrativa sabidamente falsa e difamatória, sem qualquer lastro fático ou jurídico, e teve ampla circulação e elevado engajamento”.
Nessa quarta, o Juízo entendeu que o debate político seja “espaço natural para o embate de ideias, a imputação de ilícitos penais, sem qualquer lastro probatório, ultrapassa o campo da crítica legítima e ingressa na esfera do ilícito civil, determinando a exclusão do conteúdo das redes sociais”.
“Alega-se que o requerido, valendo-se de sua condição de parlamentar e da amplitude de sua influência digital, teria reiterado condutas semelhantes em outras ocasiões, caracterizando campanha sistemática de desinformação com potencial de causar danos irreparáveis à reputação do requerente, sobretudo em período pré-eleitoral. Ressalta-se que a publicação alcançou elevado número de visualizações e interações, ampliando os efeitos da alegada ofensa”, aponta a decisão.
Lula e Maduro
Em um dos vídeos divulgados por Bilynskyj, o deputado mostra fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ditador Nicolás Maduro e afirma que o venezuelano “foi preso por tráfico, que financiou o PT”. Ele também faz outras associações ao narcotráfico internacional e ao partido de Lula.
Em nota enviada ao Metrópoles, nessa segunda, o parlamentar afirmou que “o Partido dos Trabalhadores volta a tentar censurar a oposição ao entrar com ação na Justiça contra o deputado federal Paulo Bilynskyj por um vídeo em que ele critica o partido e o presidente Lula em relação à narcoditadura presa”.
Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES - BRASIL



Você precisa fazer login para comentar.