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Após ser preso por posse de armas, ex-prefeito do AC é denunciado por falsificação, extorsão, sonegação fiscal e caça ilegal
MP-AC apresentou denúncia contra Romualdo de Souza Araújo e a mulher dele por crimes relacionados a uma transação imobiliária fraudulenta. Órgão informou que investigações revelaram o envolvimento do ex-prefeito do Bujari com membros de uma facção criminosa.

Candidato a prefeito no Bujari, interior do Acre, Romualdo Araújo, teve o comitê fechado neste domingo (15), após denúncia — Foto: Arquivo pessoal
Após ser preso, o ex-prefeito de Bujari, no interior do Acre, Romualdo de Souza Araújo, foi denunciado pela prática de diversos crimes relacionados a uma transação imobiliária fraudulenta. Os crimes incluem falsificação de documentos, extorsão, sonegação fiscal e caça ilegal. Araújo foi prefeito de Bujari entre 2017 e 2020.
Ele tinha sido preso por posse irregular de armas de fogo no último dia 17 de outubro, durante um cumprimento de mandado de busca e apreensão pela Polícia Civil em sua propriedade. Na época, a polícia apreendeu duas espingardas, munições e o aparelho celular dele. Araújo foi solto no mesmo dia, após pagar fiança de R$ 3 mil.
Além do ex-gestor, a mulher dele, Samara Nogueira Oliveira, também foi denunciada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC), por meio da Promotoria de Justiça Cumulativa do Bujari. O g1 tentou contato com Araújo, mas não obteve sucesso até última atualização desta reportagem.
O casal é acusado de inserir informações falsas em documentos relacionados à venda de um lote de terra no Ramal do Cacau. O objetivo, segundo o MP-AC, seria ocultar o valor real da transação para evitar o pagamento de impostos à Fazenda Pública. Embora o lote tenha sido vendido por R$ 700 mil, o contrato apresentava apenas o valor de R$ 80 mil.
Conforme a denúncia, assinada pelo promotor de Justiça, Antônio Alceste Callil, após a venda do lote, os compradores foram pressionados a não registrar o valor real da transação no cartório. Em seguida, o ex-prefeito teria ameaçado as vítimas, alegando que membros de uma facção criminosa cobrariam uma quantia adicional de R$ 70 mil.
Envolvimento com facção
Ainda segundo o MP-AC, as investigações revelaram o envolvimento de Araújo com membros de uma facção criminosa, por meio de pagamentos para intimidar o corretor de imóveis inicialmente envolvido na negociação. Além disso, as mensagens acessadas durante as investigações indicam a relação dele com os integrantes da organização criminosa visando também a obtenção de vantagem política.
Araújo é acusado também de caça ilegal, por ter matado animal silvestre sem a devida autorização ambiental. Segundo o Ministério Público, a conduta ilegal foi identificada por meio de relatório policial.
Diante do exposto, o órgão solicitou a condenação dos denunciados, com a inclusão de danos morais em benefício das vítimas.
“A denúncia ainda requer o desmembramento do processo para envio das peças à Vara de Organizações Criminosas de Rio Branco, que tem competência para processar e julgar sobre a acusação de participação em organização criminosa por parte do ex-prefeito. Isso se deve ao fato de que o denunciado teria financiado as ações de membros de uma dessas organizações, estabelecendo contato para votos e apoio parlamentar de indivíduos ligados a facções durante a eleição iminente. Diante desse cenário, o promotor de Justiça também solicitou a extração de cópias para oficiar o Ministério Público Federal”, informou o MP-AC.
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Operação reforça controle migratório em hotéis e alojamentos na cidade de Cobija
Ação conjunta entre Polícia de Pando, INTERPOL e Migração verificou situação de estrangeiros e registro de hóspedes
Uma operação de controle migratório foi realizada em hotéis, pousadas e alojamentos da cidade de Cobija, capital do departamento de Pando. A ação foi coordenada pela Polícia de Pando, por meio de unidade especializada da INTERPOL, em parceria com a Dirección General de Migración de Bolivia.
A operação foi conduzida sob a direção do coronel MSC CAD. Erland Mosteiro Banegas, comandante da Polícia do departamento.
Durante a fiscalização, as equipes realizaram verificações sobre a situação migratória de estrangeiros hospedados nos estabelecimentos, além de conferir o registro correto de hóspedes e a identificação de menores de idade.
De acordo com as autoridades, o objetivo da ação é reforçar a segurança na região de fronteira e garantir o cumprimento das normas migratórias vigentes, além de prevenir possíveis irregularidades em estabelecimentos de hospedagem.
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Mais de 230 denúncias de violência no Acre em 2026 ocorreram dentro de residências, aponta Ministério das Mulheres
Dados de janeiro e fevereiro revelam que 151 casos foram na casa da vítima e 72 em residências compartilhadas com agressores; vítimas são responsáveis por 177 registros

Dados de janeiro e fevereiro mostram que 151 casos aconteceram na casa da vítima e 72 em residências compartilhadas com o agressor; ambiente doméstico concentra maior parte dos registros. Foto: captada
Mais de 230 denúncias de violência registradas no Acre em 2026 aconteceram dentro de residências, segundo dados de atendimentos divulgados pelo Ministério das Mulheres, referentes ao período de 1º de janeiro a 21 de fevereiro de 2026. Desse total, 151 casos ocorreram na casa da própria vítima e 72 em residências onde vítima e suspeito moram juntos, reforçando que a maior parte das ocorrências acontece no ambiente doméstico.
Os registros mostram que outros cenários aparecem com números bem menores. Foram contabilizadas três denúncias em ambientes de lazer ou esporte, três na casa do suspeito, duas em via pública, duas na casa de familiares e duas em ambientes virtuais, como redes sociais. Também houve um caso em estabelecimento comercial, um no transporte público e um registro sem local informado.
Ao todo, o sistema contabiliza 233 protocolos de atendimento no Acre em 2026. Apenas nos dois primeiros meses do ano foram registrados 164 casos em janeiro e 74 em fevereiro, indicando maior concentração de denúncias no início do ano.
Os dados também revelam que a maior parte das denúncias é feita pela própria vítima. Foram 177 registros realizados diretamente por quem sofreu a violência, enquanto 61 foram feitos por terceiros, como familiares, amigos ou testemunhas.
O retrato da violência doméstica
Dos 233 protocolos de atendimento contabilizados no período:
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151 casos ocorreram na casa da própria vítima;
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72 casos aconteceram em residências onde vítima e suspeito moram juntos;
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Apenas 10 registros ocorreram fora do ambiente domiciliar.
Quem denuncia
O levantamento também revela o perfil de quem faz os registros:
- Própria vítima: 177 denúncias (76%)
- Terceiros (familiares, amigos ou testemunhas): 61 denúncias (24%)
Dados do Acre (01/01 a 21/02/2026):
- Total de denúncias: 233
- Casos em residências: 223 (95,7%)
- Principal local: Casa da vítima (151)
- Denúncias feitas pela vítima: 177
- Média mensal: 116,5 casos
Os números acendem um alerta para as políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica no Acre. Em menos de dois meses, 223 mulheres sofreram agressões dentro do que deveria ser seu lugar mais seguro — suas próprias casas. O poder público e a sociedade seguem desafiados a frear essa estatística.
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Câmara aprova PEC da Segurança Pública que pode ampliar recursos e fortalecer combate ao crime no Acre
Texto recebeu 487 votos favoráveis e segue para o Senado; proposta constitucionaliza o Susp, amplia atuação da PRF e garante repasse contínuo a fundos de segurança

A aprovação da PEC pode representar mais recursos para políticas de segurança em Estados como o Acre. Foto: captada
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública foi aprovada na quarta-feira (4) pelo plenário da Câmara dos Deputados. O texto recebeu 487 votos favoráveis na primeira sessão e 461 na segunda. Em seguida, será avaliado pelo Senado Federal. A PEC confere status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado por lei em 2018.
Segundo especialistas, a aprovação da PEC pode representar mais recursos para políticas de segurança em estados como o Acre, incluindo cursos de aperfeiçoamentos, armas e melhores condições de trabalho para os agentes de segurança.
Avanço para o pacto federativo
Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a aprovação da PEC representa uma etapa crucial para a segurança pública no país.
“Sem dúvidas é um avanço para fortalecer o pacto federativo em prol do combate ao crime organizado. Com o reconhecimento constitucional do Sistema Único de Segurança Pública, temos uma espécie de ‘SUS da Segurança Pública’, que vai ampliar nossas capacidades e capilaridade no alcance das políticas públicas, tornando a temática uma política de Estado e não de governo”, afirmou.
O ministro também destacou o avanço da agenda legislativa de segurança pública no Congresso Nacional.
“Conseguimos uma vitória muito importante. Aprovamos a PEC da Segurança Pública apenas uma semana após a aprovação da Lei Antifacção. Esses dois diplomas legais constituem um marco fundamental para que possamos adotar, a partir de então, muitas iniciativas estruturantes na segurança pública. Teremos bastante trabalho. Isso foi o coroamento de uma iniciativa relevante do governo, que contou com um diálogo fecundo com o Parlamento, e a população brasileira será beneficiária desse esforço.”

A PEC da Segurança Pública promove alterações nas atribuições da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Foto: art
Articulação institucional
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, ressaltou a articulação institucional que viabilizou a aprovação da proposta. Ao se dirigir a Wellington Lima, ele enfatizou o trabalho conjunto entre o governo federal e o Congresso Nacional.
“Ministro, nós estamos muito satisfeitos com essa vitória, que é fruto da iniciativa do presidente Lula, do trabalho coordenado por Vossa Excelência no MJSP e de toda a equipe, em um diálogo institucional”, disse.
O secretário de Assuntos Legislativos, Paulo Modesto, também comentou o esforço de articulação política. “Não foi apenas uma vitória na Câmara. Em uma semana, aprovar a Lei Antifacção e também, no primeiro turno, a PEC da Segurança é um feito inacreditável de articulação e diálogo entre os partidos, uma tarefa de mestre”, disse, dirigindo-se ao ministro.
Principais mudanças
A PEC da Segurança Pública promove alterações nas atribuições da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em relação à PF, o texto reforça a competência da instituição para atuar no combate a crimes ambientais e a delitos praticados por organizações criminosas e milícias privadas com repercussão interestadual ou internacional, quando houver necessidade de repressão uniforme.
No caso da PRF, a atuação foi ampliada, permitindo que a corporação também exerça atividades de policiamento em ferrovias e hidrovias federais, além das rodovias.
A proposta também inclui as guardas municipais no rol de órgãos que integram o sistema de segurança pública previsto na Constituição, em consonância com entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Outro ponto é a constitucionalização do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen). A medida garante repasse contínuo e estável de recursos, que serão compartilhados de forma justa entre todos os entes da Federação, além de proibir o contingenciamento.

O texto reforça a competência da instituição para atuar no combate a crimes ambientais e a delitos praticados por organizações criminosas e milícias privadas com repercussão interestadual ou internacional. Foto: captada



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