Segundo informações, ele teve seus dados pessoais usados por um bandido de nome similar, que integraria uma quadrilha com atuação em Curitiba, de acordo com a polícia.

O jovem e sua mãe se emocionam ao saber de ordem de soltura/Foto: Assem Neto/G1/RO
O jovem e sua mãe se emocionam ao saber de ordem de soltura/Foto: Assem Neto/G1/RO

Em Porto Velho, um estudante nascido em Xapuri foi declarado inocente após passar 56 dias na penitenciária Edvan Mariano Rosendo, conhecida como Panda. Edson de Melo Souza, de 28 anos, foi inocentado na manhã desta quinta-feira (30).

Segundo informações, ele teve seus dados pessoais usados por um bandido de nome similar, que integraria uma quadrilha com atuação em Curitiba, de acordo com a polícia.

A notícia foi recebida pelo estudante na Vara de Execuções Penais da Comarca de Porto Velho, onde ele estava acompanhado de sua mãe.

Após um longo abraço na progenitora, ele retirou a tornozeleira eletrônica que trazia na canela, para que pudesse ser monitorado pelas autoridades durante os 11 dias que o Judiciário precisou para examinar as provas de sua inocência e revogar a ordem de custódia.
O criminoso que teria usado os dados do estudante foi condenado a 16 anos em regime fechado, por vários delitos, como assaltos e roubos. Atualmente, ele se encontra foragido.

Esta história começou há 10 anos, quando Edson tirou sua carteira de identidade pela primeira vez e a perdeu no dia seguinte.
Ele fez boletim de ocorrência mas, no dia 25 de novembro de 2013, foi flagrado dirigindo sua moto após consumir álcool, em Porto Velho.

Ao chegar à delegacia, foi informado de um mandado de prisão em seu nome, expedido pela Comarca de Curitiba.

“Eu quase caí. Não entendi nada. Meu Deus. Eu nunca pisei naquele estado. Me levaram para o presídio. Foi terrível”, diz.

Anteriormente, ele havia sido alertado pela Justiça Eleitoral de Porto Velho sobre a irregularidade envolvendo seu nome.

Após o rapaz ser preso, sua mãe iniciou uma peregrinação junto a promotores, procuradores e juiz, levando em mãos o boletim de ocorrência que provava que alguém havia usado o nome de seu filho após ele ter perdido a carteira de identidade.

“Nós solicitamos uma comparação nas digitais dos dois rapazes, mas lá em Curitiba esse tipo de exame não foi realizado. Tivemos que solicitar o relatório (espécie de prontuário criminal) do acusado, para uma comparação fotográfica”, explica o juiz Alencar das Neves.
A documentação exibe as diferenças de feições entre as duas pessoas; o Edson que tem extensa ficha criminal tem diversas tatuagens no corpo e a pele negra.

A partir daí, o juiz paranaense aceitou os argumentos usados pela Justiça de Rondônia, que, inclusive, determinou que Edson fosse separado dos demais apenados.

O alvará de soltura chegou em 11 dias, período em que Edson continuou sob custódia judicial.

A mãe do rapaz, porém, assegura que lutará por reparação. “Isso não pode ficar assim. Foram dias terríveis vendo meu filho sendo tratado como bandido. Nós vamos, com certeza, buscar reparações pelos danos morais causados a ele e à nossa família”, diz.

Com informações do G1/RO

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